quarta-feira, 28 de junho de 2017

Nossa Senhora das Três Mãos


Este título, muito popular no Oriente, deve-se a um belíssimo ícone cujas origens encontram-se num episódio transmitido pela vida de São João Damasceno. 

A bela cidade de Damasco (Síria) pelo ano de 675 torna-se o berço natalício de um de seus mais ilustres filhos e também aquele que levaria o seu nome a todos os continentes: João Damasceno (de Damasco).  

Seu nome de batismo era João Mansur. Seus pais eram árabe-cristãos, e gozavam de muito prestigio na cidade, alem de uma confortável situação financeira. 

O pai de João era muito estimado entre os Sarracenos, que naquela época eram senhores do país, estima estendia-se também ao filho. 

Por muito tempo pai e filho serviram como ecônomos do califa de Damasco e por ocuparem cargos tão importantes desfrutavam de inúmeros privilégios. 

Nessa época Damasco já estava dominada pelos árabes-muçulmanos, e que acabavam de conquistar também Palestina. Por esse tempo o convívio entre as duas religiões era pacifico.João Mansur, jovem e brilhante, com sua inteligência e lealdade tornou-se o conselheiro e amigo do califa.Com o passar do tempo o coração de João Mansur inquietou-se e o nosso jovem trocou o alto posto em Damasco pela vida monástica da comunidade religiosa de São Sabas, na Palestina. 

Foi ordenado sacerdote e desde então se dedicou a penitencia e aos estudos das sagradas escrituras, no recolhimento e no silencio. 

As únicas vezes que saia do mosteiro, era para pregar na Igreja do Santo Sepulcro. Suas homilias, sempre repassadas em defesa da fé e da doutrina, eram depois distribuídas para outras dioceses. 

Tornou-se muito respeitado entre o clero e o povo, e foi a convite do bispo de Jerusalém, João V que ele participou do Concilio Ecumênico de Nicéia. 

Foi durante o concilio, um defensor da posição da Igreja contra os hereges iconoclásticas. 

Escritor incansável, reconhecido por sua humildade e simplicidade, tornava-se um leão em defender a verdade, suas obras mais importantes são: “A Fonte da Ciência”, “A Fé Ortodoxa”, “Sacra Paralela”, e “Orações sobre as Imagens Sagradas”, onde defende o culto das imagens nas Igrejas, contra o conceito dos iconoclásticas. 

Foi por causa deste último livro que João Damasceno foi perseguido e preso pelos hereges. Seus inimigos conseguiram lançar dúvidas no coração do Califa a respeito da lealdade de João para com ele. 

O Califa de Damasco cheio de ódio, por achar-se traído, ordena que a mão de João Damasceno seja decepada e exposta ao público. 

Impedido de escrever, João Damasceno, em lagrimas e súplicas, implora a intercessão da Virgem Maria para que tenha sua mão restituída e assim continuar defendendo a Sã Doutrina, através de seus escritos. João Damasceno adormece e no seu sono profundo é acordado por uma voz feminina a dizer-lhe: “Meu filho tua mão está curada, faze dela o uso conforme prometestes”. Quando olhou, encheu-se de espanto e entre hinos e louvores exaltava a misericórdia de Deus e a bondade da Ssma. Virgem Maria.Foi através de sua obra teológica que teve início a teologia Mariana, e foram também inúmeras orações, hinos, homilias e poesias que dedicou a Nossa Senhora. 

Em reconhecimento e gratidão à Virgem Maria, João Damasceno comprou prata, com a qual mandou esculpir a mão em posição de súplica e agradecimento. Colocou-a na parte inferior de um ícone da Virgem Mãe, que passou a ser chamada de a: Virgem das Três Mãos. 

Existe uma interpretação alegórica para a terceira mão: tratando-se de uma mão feminina, parecida às outras duas da Virgem, há os que a vêem como a mão da Mãe de Deus que nos socorre em nossas necessidades, como o fez miraculosamente a João Damasceno. 

É a padroeira dos injustamente acusados e condenados e é uma devoção conhecida na Estônia.Tão logo o Califa soube do acontecido, reconhecendo a intervenção divina na defesa de João Damasceno, pediu-lhe perdão e a paz voltou a reinar.Roguemos a Virgem Mãe que nos ajude sempre a testemunhar a fé e a verdade e que São João Damasceno nos inspire a viva confiança na Justiça Divina. Amém. 


Senhora Imaculada, eu vos imploro em nome de Seu Santo Filho Jesus, que da mesma forma que reparaste a injustiça feita contra São João Damasceno, que interceda a meu favor na situação que me encontro (faça o pedido), se o Pai todo poderoso o permitir. Que assim seja.

terça-feira, 27 de junho de 2017

O simbolismo do ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro


O quadro foi pintado no estilo bizantino da Igreja Oriental. O objectivo desse estilo de arte não é mostrar uma cena ou pessoas, mas transmitir uma mensagem espiritual.

1. Em grego as letras significam: Mãe de Deus.

2. O quadro original foi coroado em 1867.

3. A estrela significa que Maria nos guia até Jesus, guindo-nos no mar da vida até ao porto da salvação.

4. Abreviação do Arcanjo São Miguel.

5. O Arcanjo São Miguel apresenta a lança, a vara com a esponja e o cálice da amargura.

6. A boca de Maria guarda silêncio.

7. Túnica vermelha cor da realeza.

8. O Menino Jesus segura as mãos de Maria que não segura as mãos do Menino Deus, permanecendo aberta, como forma de convite para pormos as nossas mãos na sua, unindo-nos a Jesus; e os dedos que apontam para o Filho mostram que Ele é o caminho.

9. Abreviação do Arcanjo São Gabriel.

10. Maria olha directamente para nós, não para Jesus nem para o Céu nem para os anjos.

Vive-se um novo clima entre os cristãos, diz Secretário da FLM


“Hoje colhemos os frutos do diálogo teológico dos últimos decênios”, nos quais foram dados mais passos em frente do que em todos os séculos precedentes.

Foi o que afirmou ao semanário espanhol “Alfa y Omega” o Secretário Geral da Federação Luterana Mundial, Reverendo Martin Junge, à margem do Congresso de Teologia Ecumênica realizado nos dias passados na Pontifícia Universidade de Salamanca.

Releitura histórica

O pastor chileno fala de um “novo clima” existente entre as Igrejas cristãs, que se manifesta sobretudo no esforço de “fazer uma releitura da história de uma outra maneira”.

Mesmo consciente da persistência de grandes diferenças de opinião, como por exemplo sobre a sucessão apostólica, sobre o conceito de Sacramentos (em particular a Eucaristia) e sobre a ordenação de mulheres, a vontade expressa pela Comissão luterano-católica romana sobre a unidade, por meio do documento “Do conflito à comunhão”, exorta a não abater-se diante dos obstáculos e a prosseguir o caminho iniciado.

Vaticano expressa preocupação por Bispo sequestrado por autoridades da China


O Vaticano demonstrou sua preocupação por Dom Pietro Shao Zhumin, Bispo da Diocese chinesa de Wenzhou, detido em maio pela polícia comunista do país e sobre o qual não há notícias.

Em um comunicado, o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Greg Burke, assegurou que seguem “grave preocupação a situação pessoal de D. Pedro Shao Zhumin, bispo Wenzhou, afastado de forma forçada da sua sede episcopal há já algum tempo”.

“A comunidade católica diocesana e os familiares não têm notícias, não conhecem os motivos de seu afastamento nem o lugar onde está detido. Sobre isso, a Santa Sé, profundamente entristecida por este e por outros episódios semelhantes, que infelizmente não facilitam o caminho de entendimento, deseja que Dom Pedro Shao Zhumin possa regressar o quanto antes à diocese e que lhe seja garantido desenvolver serenamente o seu ministério episcopal”.

“Somos todos convidados – acrescenta o Vaticano – a rezar por Dom Pietro Shao Zhumin e pelo caminho da Igreja na China”.

Dom Shao pertence à Igreja chamada “subterrânea”, ou seja, fiel a Roma e, portanto, em comunhão com o Vaticano e o Papa Francisco e separado da igreja patriótica chinesa controlada pelo governo.

A Infabilidade da Igreja em matéria de fé e moral


Para levar os homens à salvação, pelo conhecimento da verdade (1Tm 3,15), o Senhor garantiu à Igreja, por meio do Sagrado Magistério, a infalibilidade naquilo que se refere à salvação dos fiéis; isto é, nos ensinamentos doutrinários (fé e moral). Assim, a mensagem do Evangelho não ficaria à mercê da manipulação dos homens, como sempre se tentou na história da Igreja.

Sem a garantia da infalibilidade para o Magistério da Igreja, podemos dizer que teria sido inútil a Revelação Divina, pois ela seria deteriorada ao chegar até nós, e não teria a força da salvação.

Missão da Igreja

Papa São João Paulo II, ao apresentar o novo Catecismo, afirmou, na introdução da Constituição Apostólica Fidei Depositum : “Guardar o depósito da fé é a missão que o Senhor confiou à Sua Igreja e que ela cumpre em todos os tempos”.

Essa é, portanto, a missão sagrada que a Igreja recebeu do Senhor: guardar o depósito da fé, intacto; e isso a Igreja sempre fez e faz. É com essa finalidade que a Santa Sé possui a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, encarregada de zelar pela pureza da doutrina em todo o mundo católico.

A Igreja tem a missão de fazer resplandecer a verdade do Evangelho, afirma o saudoso Papa São João Paulo II.

A grande preocupação da Igreja sempre foi ser fiel ao Senhor, guardando intacto aquilo que d’Ele recebeu, o depositum fidei (depósito da fé) ou, como dizia São Paulo a Timóteo e a Tito: a sã doutrina (cf. 1 Tm 4,6; 2 Tm 1,14-4,3; Tt 1,9-2,7).

São Cirilo de Alexandria


São Cirilo, Patriarca de Alexandria, sobrinho e sucessor do Patriarca Teófilo, governou a Igreja de Alexandria durante 23 anos. Fechou todas as igrejas novacianas, expulsou da cidade os judeus, o que lhe importou grave conflito com o governador Orestes. Opôs-se com toda a energia à heresia nestoriana.

Cirilo nasceu no ano de 370, no Egito. Era sobrinho de Teófilo, bispo de Alexandria, e substituiu o tio na importante diocese do Oriente de 412 até 444, quando faleceu aos setenta e quatro anos de idade.

Foram trinta e dois anos de episcopado, durante os quais exerceu forte liderança na Igreja, devido à rara associação de um acurado e profundo conhecimento teológico e de uma humildade e simplicidade próprias do pastor de almas. Deixou muitos escritos e firmou a posição da Igreja no Oriente. Primeiro, resolveu o problema com os judeus que habitavam a cidade: ou deixavam de atacar a religião católica ou deviam mudar-se da cidade. Depois, foi fechando as igrejas onde não se professava o verdadeiro cristianismo.

Mas sua grande obra foi mesmo a defesa do dogma de Maria, como a Mãe de Deus. Ele se opôs e combateu Nestório, patriarca de Constantinopla, que professava ser Maria apenas a mãe do homem Jesus e não de Um que é Deus, da Santíssima Trindade, como está no Evangelho. Por esse erro de pregação, Cirilo escreveu ao papa Celestino, o qual organizou vários sínodos e concílios, onde o tema foi exaustivamente discutido. Em todos, esse papa se fez representar por Cirilo.

O mais importante deles talvez tenha sido o Concilio de Éfeso, em 431, no qual se concluiu o assunto com a condenação dos erros de Nestório e a proclamação da maternidade divina de Nossa Senhora. Além, é claro, de considerar hereges os bispos que não aceitavam a santidade de Maria.

Logo em seguida, todos eles, ainda liderados por Nestório, que continuaram pregando a tal heresia, foram excomungados. Contudo as ideias “nestorianas” ainda tiveram seguidores, até pouco tempo atrás, no Oriente. Somente nos tempos modernos elas deixaram de existir e todos acabaram voltando para o seio da Igreja Católica e para os braços de sua eterna rainha: Maria, a Santíssima Mãe de Deus.

Cultuado na mesma data por toda a Igreja Católica, do Oriente e do Ocidente, são Cirilo de Alexandria, célebre Padre da Igreja, bispo e confessor, recebeu o título de doutor da Igreja treze séculos após sua morte, durante o pontificado do papa Leão XIII.



Ó Deus, que iluminastes e conduzistes o bispo São Cirilo na proclamação de Maria Mãe de Deus, daí, aos que professam a maternidade divina, serem salvos pela encarnação do Vosso Filho. Que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo. Amém.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Papa: «Não são os êxitos que contam, mas a fidelidade»


Papa Francisco

ANGELUS

Praça de São Pedro 
domingo, 25 de junho, 2017

Caros irmãos e irmãs, as minhas cordiais saudações!

No evangelho de hoje (cf. Mt 10, 26-33), o Senhor, depois de ter chamado e enviado os seus discípulos em missão, ensina-os e prepara-os para enfrentarem as dificuldades e as perseguições que vão encontrar.

Partir em missão, não é fazer turismo e Jesus avisa os seus discípulos: encontrareis perseguições. Ele exorta-os desta maneira: “não tenhais medo dos homens, porque não há nada escondido que não venha a revelar-se […]. O que vos digo nas trevas, dizei-o na luz […]. E não tenhais medo dos que matam o corpo, mas não têm o poder de matar a alma (vv. 26-28). Só podem matar o corpo, não têm o poder e de matar a alma: desses não tenhais medo.

O envio em missão por Jesus não garante aos discípulos o êxito, nem os poupa a fracassos e sofrimentos. Eles devem considerar a possibilidade da rejeição e da perseguição. Isso mete medo, mas é a verdade. O discípulo é chamado a configurar a sua vida à de Cristo, que foi perseguido pelos homens, conheceu a rejeição, o abandono e a morte sobre a cruz.

Não há missão cristã sob o lema da tranquilidade! As dificuldades e as tribulações fazem parte da evangelização; através delas somos chamados a ver a ocasião de verificar a autenticidade da nossa fé e da nossa relação com Jesus. Devemos ver estas dificuldades como a possibilidade de sermos ainda mais missionários e de crescer na nossa confiança em Deus, nosso Pai, que não abandona os seus filhos na hora da tempestade.

Nas dificuldades do testemunho cristão no mundo, nunca somos esquecidos, mas sempre assistidos pela solicitude atenta do Pai. É por isso que no evangelho de hoje, Jesus dá confiança aos seus discípulos, dizendo por três vezes: não tenhais medo!

Os sacerdotes que abusaram de mim!


Quando era muito criança, sem ter consciência, sem liberdade, sem poder defender-me, um deles me fez filho de Deus, herdeiro da Vida Eterna, Templo do Espírito Santo e membro da Igreja, nunca poderei perdoar-lhe por ter-me feito tanto bem.

Outro insistiu em meus tenros anos em inculcar-me, violentando a minha vontade, o respeito pelo nome de Deus, a necessidade absoluta da oração diária, a obediência e a reverência aos meus pais, o amor pela minha pátria, e me ensinou a utopia de não mentir, não roubar, não falar mal dos outros, perdoar e todas essas coisas que nos fazem tão hipócritas e ridículos…

Outro apareceu mencionando que o Espírito Santo devia vir completar a obra começada no Batismo, que me fariam falta seus dons e seus frutos, que já era hora de que viesse em minha ajuda Aquele que me faria defender a Fé, como um soldado. Que ousadia falar em termos tão bélicos! Fez nessa época que eu cuidasse minha alma frente ao mundo, que fosse nobre, leal e honesto…

Outro abusou dando-me livros para ler, não lhe bastassem seus conselhos, que faziam colocar o olhar na eternidade e viver como estranho aqui na terra. Quem tirará agora da minha cabeça os quatro Evangelhos? As glórias de Maria? A imitação de Cristo? As Confissões? As Moradas? Etc. Quem será capaz de curar-me de todos esses tesouros que me marcaram para sempre?

Outro abusou da minha ignorância ensinando-me coisas que não sabia. Outro não falava, mas sua vida virtuosa me inclinava cada vez mais a imitá-lo. Houve alguns que se aproveitaram de mim em momentos inesperados e me corrigiram, me alentaram, e até rezaram por mim.

Outros, quando eu já estava em um círculo do qual não podia sair, insistiram com minha natureza caída e me incitaram a receber a Jesus Cristo em Corpo e Sangue, para resistir aos embates do inimigo, para fortalecer minha fraqueza e santificar-me cada dia mais. Embora, para aquele que leia esta denúncia, pareça que isso já é demasiado e que não seja possível, digo-lhe que os abusos seguiram aumentando, e tudo passou a coisas maiores. Cada vez que conhecia um sacerdote, se aproveitava de mim com renovados métodos, relíquias, santinhos, água benta, terços, bênçãos e orações de todo tipo, armavam um cerco com tremendos benefícios que chegaram ao limite do suportável.

Quero deixar clara esta injustiça cheia de perversidade, e que atendam a minha reclamação nesta denúncia, por que sei que alguns deles estarão esperando-me para seguir com essa iniquidade, sentado num confessionário ou ao lado de minha cama quando estiver moribundo, e, ainda que desapareça, seguirão com sufrágios pela minha alma e súplicas de misericórdia.