quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Acontecerá o Arrebatamento?


Segundo os protestantes, com ligeiras variantes, oarrebatamento, portanto, consiste no encontro da igreja (a noiva) com Jesus (o noivo) nos ares. É o momento em que Jesus busca a sua igreja. Todos que NEle crêem serão arrebatados, ou seja, desaparecerão da terra para viverem com Ele nos céus até a segunda etapa da sua Segunda Vinda: o Aparecimento Glorioso.[2]

Para sustentar esta teoria, são utilizadas principalmente duas passagens bíblicas, que são: Mat 24,39-41 E os homens de nada sabiam, até o momento em que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim será também na volta do Filho do Homem.  Dois homens estarão no campo: um será tomado, o outro será deixado. Duas mulheres estarão moendo no mesmo moinho: uma será tomada a outra será deixada.

1 Ts 4,14-17: Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morreram.  Eis o que vos declaramos, conforme a palavra do Senhor: por ocasião da vinda do Senhor, nós que ficamos ainda vivos não precederemos os mortos. Quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o mesmo Senhor descerá do céu e os que morreram em Cristo ressurgirão primeiro. Depois nós, os vivos, os que estamos ainda na terra, seremos arrebatados juntamente com eles sobre nuvens ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor.
 
São as únicas passagens na bíblia que mencionam especificamente o arrebatamento dos fiéis. Mas infelizmente para quem crê no arrebatamento, digamos, "pré-tribulacional", [3] a própria bíblia desmente esse ponto de vista. É, mais uma vez, o mal de quem utiliza um texto, fora do contexto, mas sempre com um pretexto.



Observando a passagem de Mateus, vemos que "os homens de nada sabiam, até o momento em que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim também será na volta do Filho do Homem. Dois homens estarão no campo: um será tomado, o outro será deixado". O versículo anterior sugere que a expressão "tomado e deixado" é justamente o contrário do que eles querem fazer crer! Pois, se o dilúvio levou a todos, e na volta do Filho do Homem será assim também, então podemos, sem sombra de dúvida, raciocinar que quem for levado, será levado como o foram os homens que pereceram no dilúvio, ou seja: morrerá!

É uma simples questão de lógica e interpretação correta do texto sagrado. Afinal, não houve arrebatamento dos fiéis durante o dilúvio, houve? No evangelho de Lucas vemos passagem semelhante. Mas em nenhuma delas podemos concluir com segurança que o "tomado e deixado" tenha algo a ver com o "arrebatamento pré-tribulacional".

Quanto ao texto de 1 Tessalonicenses, a questão se apresenta ainda mais óbvia. Afinal, quando Cristo vier para julgar os homens, será Sua Segunda Vinda. Se Jesus voltasse antes disso, apenas para buscar os fiéis, então já não seria uma Segunda Vinda. Seria uma "Terceira Vinda". (!!) Sem contar que todo o texto sugere que serão os sobreviventes da tribulação que serão arrebatados. Pois lemos: "Depois nós, os vivos, os que estamos ainda na terra (...)". A passagem é clara.

No livro do Apocalipse, que é o livro por excelência do fim dos tempos, não há nenhumamenção a respeito do Arrebatamento. Pelo contrário, o Apocalipse dá a entender que os fiéis serão sim, duramente provados na fé, perseguidos e martirizados. Morrerão! Muitos deles derramarão seu sangue, para “lavarem suas vestes”.

Aliás, é maluquice pensar que alguns serão levados ao Céu de corpo e alma, sem passar pela morte física! Se nem Jesus se furtou da morte, nem Maria Santíssima! Imagina, que especialíssimos os protestantes que se acham acima do próprio Deus. Ou seja: TODOS nós morreremos fisicamente um dia!


Assim, vejamos no Apocalipse:

1,10 - Nada temas ante o que hás de sofrer. Por estes dias o demônio vai lançar alguns de vós na prisão, para pôr-vos à prova. Tereis tribulações durante dez dias. Sê fiel até a morte e te darei a coroa da vida.

2,26 - Então ao vencedor, ao que praticar minhas obras até o fim, dar-lhe-ei poder sobre as nações pagãs.

6,10-11 - E clamavam em alta voz, dizendo: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra? Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam com eles para ser mortos.

7,3 -  Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que tenhamos assinalado os servos de nosso Deus em suas frontes.
 
Se os servos fossem arrebatados, por que Deus teria cuidado de marcá-los nas frontes, para que fossem reconhecidos entre os outros? Se houvesse o arrebatamento, não teria necessidade de marcação, já que os eleitos estariam em segurança no céu.

7,14 - Respondi-lhe: Meu Senhor, tu o sabes. E ele me disse: Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro.
 
Lavar as vestes no sangue do Cordeiro: tomar parte no seu martírio, derramar sangue por causa da fidelidade a Ele. A veste branca não é a roupa de pano, mas a perseverança na fé até as últimas conseqüências. Essa firmeza lava todos os defeitos que o fiel tem. [4]

9,4 - Mas foi-lhes dito que não causassem dano à erva, verdura, ou árvore alguma, mas somente aos homens que não têm o selo de Deus na fronte. (Ver explicação referente ao versículo 7,3.)

Os homens que não têm o selo de Deus serão aqueles que não ficarão na Nova Terra. Não quer dizer que se percam eternamente, mas sim que não ficarão vivos aqui, depois do Juízo Final. Ou seja: já terão morrido até aquele dia!
 
12,11 - Mas estes venceram-no por causa do sangue do Cordeiro e de seu eloqüente testemunho. Desprezaram a vida até aceitar a morte.

13,10 - Quem procura prender será preso. Quem matar pela espada, pela espada deve ser morto. Esta é a ocasião para a constância e a confiança dos santos!
 
Há muito mais passagens como estas, porém penso que as citadas são mais do que suficientes para demonstrar que não haverá o arrebatamento como esperado pelos protestantes e até mesmo por alguns católicos. [5]
 
Porém, mais do que a questão bíblica da doutrina do arrebatamento, penso que é importante refletirmos sobre a questão moral que se impõe a respeito desse assunto. O que pensar a respeito de pessoas que esperam ser arrebatadas, para fugir da tribulação que virá para todos?

Podemos pensar num tremendo egoísmo por parte dos candidatos ao arrebatamento, já que sabemos que a tribulação será um período de muita fome, doenças, perseguição e desgraças sobre a terra. Como um verdadeiro cristão ficaria feliz no céu, vendo seus irmãos, até parentes, talvez os próprios filhos, sofrendo sob o jugo do maligno?

Não podemos crer que o Senhor estimule tal mesquinharia, escolhendo alguns e deixando outros, pois é bíblico: Deus não faz acepção de pessoas (Atos 10,34). Portanto, os candidatos a este tipo de arrebatamento deveriam no mínimo sentir vergonha de si mesmos, já que querem egoisticamente livrar-se da perseguição e quiçá, do martírio, que nem o próprio Senhor Jesus recusou. O discípulo não é maior que o mestre. (Jo 13,16).

Isso sem contar que muitos esperam este falso arrebatamento para se livrarem de problemas familiares, emocionais e até financeiros. Querem exatamente fugir da cruz. Não querem enfrentar junto com seus irmãos e irmãs o sofrimento purificador de toda a humanidade, para que esta renasça para uma vida de santidade plena, matando de vez para sempre o homem velho. Isso mostra não somente egoísmo, mas também covardia.

Devemos sim, neste momento, estar dispostos a perder a própria vida por amor a Cristo (Mat 16,25), e não procurar ser justos apenas para fugir à tribulação, pois quem não toma a cruz de cada dia e não segue a Jesus, não é digno dEle. (Lc 14,27). Isso se aplica principalmente às vicissitudes que deverão ser enfrentadas pelos cristãos neste fim dos tempos. (Ap 12,11). Nossa palavra de fé agora é: Pai: faça-se em mim segundo a tua vontade, não a minha! Foi assim que Jesus procedeu!

Através de revelações particulares, sabemos que o arrebatamento, na verdade, será o translado dos fiéis de um lugar para outro aqui mesmo na terra, apenas para salvá-los de perigo de morte iminente, a fim de que continuem a missão de evangelização a qual todos nós somos chamados através do batismo. Também serão protegidas as pessoas mais frágeis, que não podem se defender, como crianças, idosos, etc. Mas tais pessoas serão conduzidas a refúgios seguros aqui mesmo na terra.

Nossa Senhora, ao vidente católico Cláudio Heckert, diz: Já vos tenho dito: não temei! Não tenhais medo. Alegrai-vos vós que sois filhos da luz. A tempestade vem, mas os filhos da luz são protegidos... Os que estão nos abrigos, e estes são atingidos, serão arrebatados para abrigos seguros, conforme já vos disse, portanto, não deverão abandonar seus refúgios, ainda que sujeitos à calamidade, pois precisarão ajudar a muitos que procurarem. E muitos buscarão e deverão ser acolhidos. Depois serão levados a outros lugares seguros!

Tais abrigos, são refúgios da Igreja perseguida e atribulada, portanto, terão a finalidade de amparar os filhos da Igreja. Depois de cumprirem sua missão estes abrigos não serão mais necessários...Os outros,(refúgios, abrigos) que não serão atingidos, não necessitarão  resgates para os que ali estão, pois todos estarão a salvo... Mas os que estiverem nos abrigos... correrão o risco total... mas os filhos da luz viverão...

Portanto, mais uma vez vos peço: Não tenhais medo! Se cumprirdes bem vossa missão e viverdes em concordância com Deus, sereis salvos.

Não há o que correr atrás de segurança, pois ela não será encontrada em parte alguma, pois todos terão de passar pelas provações...Os filhos da luz, os que rezam, no entanto, encontrarão, sem procurar, o abrigo seguro, o refúgio. Amém ? É preciso que tudo aconteça... para a Glória de Deus! Amém? [6]
 
Devemos entender bem aqui estes “refúgios” e “abrigos”. Certos falsos profetas houve por aí que mandaram construir refúgios, enviaram pessoas para estes lugares, alguns venderam suas propriedades, largaram seus empregos tentando salvar sua pele nestes falsos locais. Depois os abandonaram! Todos estão largados às moscas, pessoas foram enganadas e muitos perderam seus bens! Quem paga esta conta? Tais profetas que Deus não enviou, por obras que Ele não mandou fazer!

Os refúgios que Nossa Senhora aqui menciona, são locais já designados por Deus, desde o princípio do mundo, para onde Ele mesmo já “arrebatou” a maioria das pessoas que deseja preservar vivas. E aqui, ninguém SE escolhe! Deus, somente Ele sabe que vai e quem fica, pois nem nestes locais, todos ficarão vivos!

Assim, se o Japão vai afundar inteiro, também a Holanda e dezenas de outras nações e estados desde os séculos o Pai Eterno já foi retirando daqueles países, estados e locais todos os que deseja preservar. Muitos já nasceram e vivem naqueles locais, há séculos suas famílias ali habitam sem saber, pois NINGUÉM sabe onde estes locais ficam. E por que Deus não os revela? Para evitar a especulação, a compra e venda de imóveis, que certamente faria explodir os preços! O homem é um tremendo cara de pau é como um Judas, a negociar com as coisas de Deus!

Assim, Nossa Senhora tem sido bem clara: todos terão de passar pelas provações. Sabemos que após os três dias de trevas, o purgatório será extinto. Os sofrimentos aceitos durante a nossa vida e principalmente durante a tribulação, serão o purgatório dos fiéis aqui na terra, já que futuramente não teremos purgatório para expiar nossos pecados. Ninguém pode afirmar que não tem pecados a reparar. Todos nós temos. E essa é, para nós, uma realidade que não deve ser desprezada.

Sabemos que todos os sofrimentos vividos na terra não são nada diante daqueles que teremos que sofrer no purgatório. Deus, na Sua infinita misericórdia, dispõe até do mal, para transformá-lo em um bem. Assim, mesmo os piores sofrimentos vividos na tribulação, se aceitos sem revolta, são para o bem de nossas almas e a renovação da face da terra. E todos são chamados a colaborar com sua parcela. Para tanto, nos diz Nossa Senhora: sem medo!

Nós devemos estar cientes da necessidade de ajudar nossos irmãos durante a tribulação: partilhar alimentos, acolher e cuidar durante as perseguições, durante as catástrofes, durante as doenças que virão. É nosso dever como cristãos, sempre procurar fazer o bem. Querer ser arrebatado à tribulação, querer se olvidar dos deveres cristãos em relação aos nossos irmãos menos afortunados é transgredir o mandamento de Deus que nos diz: "amar o próximo como a si mesmo".

Há mais um fator preocupante na doutrina do arrebatamento. Várias revelações particulares nos dão conta que os demônios, utilizando-se do disfarce "ovni", raptarão pessoas e as levarão consigo. As aparições de La Salette , aprovadas pela Igreja, dizem o seguinte: "Certas pessoas serão transportadas de um a outro lugar por estes espíritos maus e até sacerdotes, porque eles não serão conduzidos pelo bom espírito do Evangelho, que é um espírito de humildade, de caridade e de zelo pela glória de Deus."[7]

Uma pessoa, acreditando no arrebatamento, pode ser persuadida a se deixar transportar pelos demônios, pois sabemos que o demônio se disfarça até em anjo de luz, para enganar os incautos. (1Cor 11,14) Isso acontecerá somente com estes fissurados em se arrebatar, que cegos, não perceberão os ardis do inimigo de suas almas. Até esse risco os adeptos do arrebatamento correm! [8]

Infelizmente ainda vemos a tendência preocupante em alguns católicos e/ou protestantes, de criar aqui na terra "refúgios" e "arcas". Tal procedimento é claramente condenado pela Bíblia, como está em Mateus 16,25 - Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á.


Posto isso, podemos definir ou sintetizar os três diferentes modos de arrebatamento:

1 – Serão protegidos e levados para locais seguros, muitas crianças, até de berço, e também velhos e doentes, mas NEM TODOS, apenas os que Deus quer preservar! Os outros partirão, como os demais.

2 – Já está nos locais certos a maioria das pessoas escolhidas, para no futuro – depois do Juízo Final – povoarem a Nova Terra, prometida por Deus. Dificilmente, porém uma família restará inteira, disso podem ter certeza!

3 – Muitos que estarão na luta ajudando aos milhares de feridos e doentes atingidos pelas catástrofes, serão também protegidos de forma especial nos locais onde estão, porque Deus quer continuar precisando de seus braços, de seu amor. Estas pessoas também, muitas delas, serão arrebatadas até para países distantes, num piscar de olhos, para que lá atendam o chamado de Deus a auxiliar os necessitados. E haverá muito que fazer! Podem acreditar! A terra ficará em frangalhos depois que a Justiça passar aqui!


Portanto, devemos sempre nos manter em humildade e oração, reconhecendo sempre nossa miséria perante o Senhor, e ao invés de querermos nos "safar" das tribulações, pedir a Deus a força e o discernimento necessário, para que sejamos bons cristãos, evangelizadores, lutando sem temor pelo Novo Reino que virá. Com ou sem tribulação! E sim, estando dispostos também a morrer por esta causa, pois o verdadeiro prêmio é a eternidade com Cristo e não aqui nesta terra.


Em resumo: Deixar tudo nas mãos de Deus, e procurar manter sempre o estado de graça, para pertencer a Ele. Só estes terão uma chance de passar vivos pela tribulação!
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Fonte: WEB

ONU: solução armada é inadequada para conflito na Síria

Os peritos da ONU acusam tanto as forças governamentais 
quanto os grupos armados da oposição de "crimes de guerra"

Os peritos da Organização das Nações Unidas (ONU) que estiveram na Síria para investigar violações aos direitos humanos advertiram ontem (11) que uma ação militar vai intensificar o sofrimento da população que permanece no país, afastando uma solução negociada para a guerra civil. A conclusão é da comissão que investiga os crimes na Síria.

Para a comissão, aqueles que fornecem armas às partes em confronto na guerra civil da Síria criam uma ilusão de vitória. "Não há solução militar", asseguram os peritos. Formada por juristas e liderada pelo brasileiro Sérgio Pinheiro, a comissão divulgou relatório relativo ao período de 15 de maio a 15 de julho.

No documento, os peritos da ONU acusam tanto as forças governamentais quanto os grupos armados da oposição de "crimes de guerra" e registram a "radicalização dos grupos rebeldes armados" à medida em que aumenta o número de combatentes estrangeiros no conflito.

O relatório adianta que os grupos radicais têm vantagem sobre as facções moderadas dos rebeldes, o que explica que grupos como o Al Nusra, Al Sham e o Estado Islâmico do Iraque tenham criado bases no Norte da Síria.

Os peritos informam também que os grupos armados curdos tornaram-se importantes atores do conflito e recrutam crianças como soldados. A divulgação do relatório ocorre às vésperas de uma reunião de autoridades dos Estados Unidos e Rússia, em Genebra (Suíça), para tentar uma solução negociada ao conflito que permita a destruição de armas químicas pela comunidade internacional.


Armas químicas

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, apelou para que não se “perca a chance” de garantir a paz na Síria ao negociar o plano de destruição das armas químicas existentes no país. Segundo ele, uma intervenção militar na região, como defendem os Estados Unidos com o apoio da França e do Reino Unido, pode levar a uma desestabilização ainda maior no Oriente Médio. A crise na Síria ocorre há dois anos e meio e já matou mais de 100 mil pessoas.

"Nós estamos fazendo esforços diplomáticos ativos para evitar a intervenção militar, o que levaria a uma maior desestabilização na Síria e em toda a região", disse ele. “Elogiamos a disposição dos sírios de colaborar com a nossa iniciativa de colocar armas químicas sob controle internacional para serem eliminadas e seguir a Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas."

Lavrov se reúne em Genebra (Suíça), nesta quinta-feira (12), com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, para discutir o assunto. Para o chanceler, o caminho é o da negociação política e diplomática. “Há uma chance de garantir a paz na Síria que não pode ser perdida”, ressaltou.


Lavrov defendeu a presença de peritos internacionais para executar o plano de destruição das armas químicas. "Esse trabalho deve envolver especialistas internacionais, da ONU [Organização das Nações Unidas] e da Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas. Começamos as negociações substanciais com os EUA sobre essa questão ", disse Lavrov, durante palestra na Universidade da Eurásia.
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Disponível em: Aleteia

Vocês não aprenderam com a guerra do Iraque?


Quando, em 2003, os Estados Unidos guiaram a coalizão contra o regime de Saddam Hussein, o atual cardeal Louis Sako, hoje líder da Igreja Católica no Iraque, era pároco em Mossul. Desde então, o purpurado sempre conservou na memória as imagens da destruição e as lágrimas que a guerra produz. Por isso, ao ler as notícias divulgadas nestes dias sobre a Síria, ele não consegue esconder seu ressentimento com relação aos que escondem, atrás da bandeira da democracia e da liberdade, outros interesses.
O patriarca caldeu está certo de que, além disso, uma intervenção militar nesta região seria o estopim para um conflito confessional ainda mais destrutivo, que acabaria criando um novo Oriente Médio, dividido em pequenos estados.
Eminência, o senhor comentou várias vezes que uma intervenção militar contra a Síria seria um desastre, e convidou ao diálogo. Mas os massacres são contínuos: decapitações, sequestros, homicídios em massa, estupros... Frente a esta violência, o senhor acha que um diálogo interno na Síria ainda é possível? Que tipo de diálogo seria?

Acho que sempre é possível um diálogo corajoso, que busque o bem comum e que inclua todos na política. A solução deve ser política, não militar. A guerra é sempre um mal, complica a situação e não resolve nada. Penso que um país neutro, um grupo de políticos ou de líderes religiosos poderiam organizar este encontro, porque não têm interesses particulares.
Uma intervenção militar por parte dos EUA matará muitos inocentes e destruirá infraestruturas e casas (pense no caso do Iraque); e não sabemos suas consequências sobre a Síria e sobre os países vizinhos. Além disso, com que direito vendem armas à Síria e ao Iraque, e depois os atacam?



Além da intenção de intervir militarmente, o que o senhor recriminaria no Ocidente: o que deveriam ter feito ou o mal que estão fazendo? O que esperar exatamente dos países ocidentais?
Não entendemos a política ocidental. Não há valores! Veja a situação no Egito, Líbia, Tunísia, Iêmen e agora naSíria. Não entendemos por que querem mudar um regime ditatorial em favor de outro pior! No Egito, Mubarak foi embora e veio Morsi: que mudança! Conflitos, corrupção e mais pobreza. Acontece a mesma coisa na Líbia, no Iêmen.
O que o Ocidente está fazendo para aplicar a democracia? São apenas slogans e pretextos para fazer a guerra! Dez anos depois da invasão americana ao Iraque, ainda não temos democracia. Todos os dias há explosões, mortos e danos. Se o Ocidente quer realmente a democracia, deve educar as pessoas para a democracia e ajudá-las a vivê-la, e não criar tensões e conflitos. O Ocidente só enxerga seus próprios interesses econômicos! Que moral! As reformas só acontecem com o diálogo, e exigem tempo e boa vontade, e não bombas!
O que aconteceria no caso de uma intervenção militar? E que lição o Ocidente deve tirar do que ocorreu no Iraque? O que torna a situação Síria tão complicada?
Infelizmente, até hoje, nem o Ocidente nem o Oriente aprenderam a lição. O que os americanos aprenderam da guerra do Iraque? O que os regimes da região aprenderam para fazer as reformas?
O que torna a situação síria tão complicada é a intervenção dos governos de outros países nos assuntos internos da Síria. Os países muçulmanos, Arábia Saudita, Qatar e Turquia apoiam a oposição sunita, bem como alguns países ocidentais. No entanto, Irã, Hezbollah e Rússia estão a favor do regime. É um conflito confessional que busca um novo Oriente Médio, dividido em pequenos Estados!
Na situação Síria, há pelo menos três protagonistas: o governo de Assad, os rebeldes da Syrian Free Army e as tropas da Al-Qaeda, cada um com seus próprios apoios internacionais. Como poderiam se sentar à mesa da mediação, se suas reivindicações são tão diferentes? E como fazer que a violência pare sem o compromisso armado de terceiros?
É preciso chegar a um consenso. Quando os grandes poderes não apoiam a violência, mas incentivam o diálogo, as coisas mudam. Temos o exemplo de Gandhi na Índia e de Mandela na África do Sul. A luta de uns contra outros é pelo poder, não para ter democracia ou reformas. Então, que não lhes vendam armas!
Todos os líderes religiosos se manifestam contra uma intervenção militar externa. Mas o que pode ser feito concretamente para acabar com o conflito sírio?
Fazer manifestações e marchas em todos os países para interromper a intervenção: mobilizar a opinião pública mundial para buscar soluções civilizadas e pacíficas!
O mundo ocidental não entende por que os cristãos estão do lado do regime e, portanto, os vê como cúmplices do que o regime está fazendo. O senhor poderia nos explicar a situação dos cristãos e por que são favoráveis ao regime?
Pobres cristãos. São uma minoria sem importância que quer viver em paz e estabilidade. Os cristãos aprenderam que a primavera árabe trouxe desastres, não reformas. Os fundamentalistas aproveitaram a situação para aplicar a lei muçulmana, a sharia.
Para esses cristãos, um ditador é melhor que um regime religioso fechado que não aceita os outros. O Ocidentenão entende o discurso religioso dominante! Os muçulmanos acham que o Ocidente e os cristãos estão por trás de todas as suas desgraças e, portanto, a solução seria um Estado religioso, não laico.
Que interesses econômicos, políticos e sociais poderiam estar por trás de uma intervenção militar ocidental?

Uma intervenção militar empobrece todos e traz confusão e miséria. É preciso abrir os olhos ao nosso redor e ver a situação da Líbia, Tunísia, Iraque, Egito...


No vídeo abaixo (acrescentado pelo INFormação Católica), muçulmanos fundamentalistas matam cristãos decapitados na Síria:


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Fonte: Aleteia

A diferença que a missa faz


Ir à missa é ir para o céu, onde “Deus… enxugará toda lágrima” (Ap 21,3-4). Porém, o céu é ainda mais do que isso. O céu é onde nos colocamos sob julgamento, onde nos vemos na clara luz matinal do dia eterno e onde o justo juiz lê nossas obras no livro da vida. Nossas obras nos acompanham quando vamos à missa.

Ir à missa é renovar nossa aliança com Deus, como em uma festa de núpcias – pois a missa é o banquete das núpcias do Cordeiro. Como em um casamento, fazemos votos, comprometemo-nos, assumimos uma nova identidade. Mudamos para sempre.


Ir à missa é receber a plenitude da graça, a própria vida da Trindade. Nenhum poder no céu ou na terra nos dá mais do que recebemos na missa, pois recebemos Deus em nós mesmos.

Jamais devemos subestimar essas realidades. Na missa, Deus nos dá sua própria vida. Isso não é apenas uma metáfora, um símbolo ou uma antecipação. Precisamos ir à missa com os olhos e ouvidos, mente e coração abertos à vontade que está diante de nós, a verdade que se eleva como incenso. A vida de Deus é uma dádiva que precisamos receber apropriadamente e com gratidão. Ele nos dá graça como nos dá fogo e luz. Fogo e luz, mal usados, podem nos queimar ou cegar. De modo semelhante, a graça recebida indignamente sujeita-nos a julgamento e a consequências muito terríveis.


Em toda missa, Deus renova sua aliança com cada um de nós, colocando diante de nós a vida e a morte, a benção e a maldição. Precisamos escolher a bênção para nós e rejeitar a maldição, e precisamos fazer isso desde o início.


A partir do momento em que entra na igreja, você se coloca sob juramento. Ao mergulhar os dedos na água benta, você renova a aliança que eu iniciou com seu Batismo. Talvez você tenha sido batizado quando bebê; seus pais tomaram a decisão por você. Mas agora, com esse simples movimento, você toma a decisão por si mesmo. Toca com a água benta a fronte, o coração, os ombros e os persigna como “nome” com que foi batizado. Relacionada com esse movimento, está sua rejeição a Satanás e a todas as suas pompas e obras.


Ao fazer isso, você comprova, dá testemunho, como o faria no tribunal. No tribunal, a testemunha põe em jogo sua pessoa, sua reputação e seu futuro. Se não disser a verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade, sabe que sofrerá sérias consequências.

Também você está sob juramento. Não se esqueça: a palavra latina sacramentum significa, literalmente, “juramento”. Quando faz o sinal-da-cruz, você renova o sacramento do Batismo, desse modo renovando sua obrigação de corresponder aos direitos e deveres da nova aliança. “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com todo o teu ser, com todas as tuas forças”; “amarás o teu próximo como a ti mesmo”.


Você jura, de modo especial, dizer a verdade durante esta missa, pois este é o tribunal do céu; aqui, Deus abre o livro da vida; aqui, você ocupa o banco das testemunhas. Muitas e muitas vezes durante a missa você diz “AMÉM”, a palavra aramaica que transmite consentimento e conformidade: Sim! Assim seja! De verdade! “Amém” é mais que resposta; é compromisso pessoal. Quando diz “Amém”, você compromete sua vida, portanto é melhor ser sincero.


Assim, na missa, você não é mero espectador. É participante. É sua a aliança que Jesus

em pessoa vai renovar .

Texto retirado de uma bela obra de *Scott Hahn, chamada “O banquete do Cordeiro” na qual ele relata o começo de sua experiência ainda como calvinista quando foi a estudo participar da Santa Missa.


*HAHN, S. O banquete do Cordeiro: a missa segundo um convertido. 11ª edição. São Paulo: Ed. Loyola, 2009.



*Um dos livros de Scott Hahn, um renomado professor de teologia e de Escritura na Universidade Franciscana em Steubenville, nos Estados Unidos, fundador e dirigente do Institute off Applied Biblical Studies, é o “Banquete do Cordeiro”, no qual revela um segredo duradouro da Igreja: a chave dos cristãos para entender os mistérios da missa.

O autor explora o mistério da Eucaristia com os olhos novos e fala da missa como um poderoso dama sobrenatural, no qual o sacrifício real do Cordeiro traz o céu à terra. Hahn era protestante calvinista e quando se pôs a estudar sobre a vida dos primeiros cristãos, se aproximou da Eucaristia.
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Fonte: Aleteia

É correto que as mulheres distribuam a comunhão?


A questão sobre quem é o ministro da Eucaristia deve ser dividida em duas, pois a resposta varia segundo se trate do ministro da confecção da Eucaristia ou do ministro da distribuição da Eucaristia.
 
Antes de responder, eu gostaria de esclarecer que utilizarei o Código de Direito Canônico, pois, coincidindo com na doutrina com o Catecismo da Igreja Católica, é muito mais conciso e claro em sua formulação.

 
Sobre a confecção, a doutrina é muito clara e não admite matizes: "O ministro que, atuando na pessoa de Cristo, tem o poder de celebrar o sacramento da Eucaristia, é somente o sacerdote validamente ordenado" (cânon 900 § 1). Aqui, "o sacerdote" inclui bispos (que têm a plenitude do sacerdócio) e presbíteros. Em termos mais comuns, só eles podem celebrar validamente a Missa, que é onde se confecciona o sacramento.

 
Sobre a distribuição, o critério é mais complexo: é preciso distinguir entre o ministro ordinário e o extraordinário. Este último, como o próprio adjetivo indica, está previsto para os casos de carência ou insuficiência de ministros ordinários.

 
"O ministro ordinário da sagrada comunhão é o bispo, o presbítero e o diácono" (cânon 910 §1). A novidade, com relação à confecção, é o surgimento do diácono, que não pode celebrar a Missa, mas sim distribuir a comunhão aos fiéis, e não como ministro extraordinário, e sim ordinário.



"O ministro extraordinário da sagrada comunhão é o acólito ou outro fiel designado nos termos do cân. 230, § 3", diz o cânon 910, § 2. Parece que a leitura do terceiro parágrafo do cânon 230 vai esclarecer bastante, mas não é exatamente assim: "Onde as necessidades da Igreja o aconselharem, por falta de ministros, os leigos, mesmo que não sejam leitores ou acólitos, podem suprir alguns ofícios, como os de exercer o ministério da palavra, presidir às orações litúrgicas, conferir o Batismo e distribuir a sagrada Comunhão, segundo as prescrições do direito".

 
Ao pé da letra, parece que o acólito é quem tem certa prioridade. Mas convém entender que este não é simplesmente aquele que ajuda na Missa, mas sim quem tem uma nomeação formal como tal. De fato, quem costuma ter esta nomeação são os seminaristas, e é bastante lógica esta prioridade, tanto pela sua preparação litúrgica e doutrinal como pelo sacerdócio que estão se preparando para receber.

 
Por outro lado, a expressão "por falta de ministros" não deve ser entendida somente como ausência física, mas também por motivos como a incapacidade do ministro (por exemplo, um sacerdote lesionado que não pode usar escadas), ou a incapacidade para poder atender todos os fiéis sem alterar substancialmente a cerimônia ou sua duração.

 
O cânon seguinte, 231, pede que estes leigos tenham a formação adequada para desempenhar dignamente este ministério, algo totalmente lógico.

 
Em 1973, foi promulgada a instrução Inmensæ caritatis, que regula um pouco mais o emprego dos ministros extraordinários da comunhão, ao mesmo tempo em que deixa margem para que os bispos locais possam ditar normas em seus territórios.

 
Enfim, de qualquer maneira, fica claro que não há diferença entre homem e mulher.


 
Na hora de escolher o ministro, o critério é que se designe quem estiver melhor preparado, seja homem ou mulher. Portanto, é comum ver mulheres distribuindo a comunhão. Se houvesse um abuso no que foi estabelecido (e às vezes há), em nenhum caso o motivo seria a mulher, mas a violação do que foi estabelecido. 
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Fonte: Aleteia

A intervenção dos Estados Unidos na Síria seria uma guerra justa?


A decisão de entrar em guerra nunca é fácil. É preciso avaliar elementos morais, legais e práticos. Às vezes, não se conta com a informação necessária para tomar a decisão ou – o que é pior – se aceita como correto o que não o é.
 
Há duas tentações que podem confundir o caminho de tomada de decisão.

 
A primeira é acreditar que o recente uso de armas químicas por parte do governo sírio não deve ficar impune; e a segunda é considerar a situação como uma oportunidade de alcançar objetivos relacionados a ela, como a degradante capacidade do governo de continuar a guerra civil protegendo a reputação da América.

 
Há vários três elementos que devem ser avaliados ao analisar se deve haver uma intervenção militar na Síria, e todos estão cercados de grande confusão.

 
Uma função prática dos princípios da guerra justa é conseguir que os que têm de tomar a decisão não se distraiam com as tentações e se concentrem no verdadeiro objetivo, que é restaurar a paz justa.

 
O uso injusto da força nunca dá um bom resultado (em alguns casos, o uso justificado também acaba mal). Na situação síria, tal como se encontra, o uso da força armada por parte dos EUA viola os princípios essenciais da teoria da guerra justa e não é ético.



Em primeiro lugar, o uso da força armada por parte de uma nação deveria ser limitado. Não se pode atacar outra nação apenas por não gostar da maneira como ela usa sua força. A força armada poderia ser utilizada se houvesse ameaça iminente de vidas inocentes, mas o presidente e seus assessores militares reconheceram que não existe uma ameaça imediata. O uso da força poderia ser punitivo, mas os Estados Unidos não têm autoridade para impor um castigo.

 
Em segundo lugar, enquanto um ataque deliberado a uma população civil é um ato reprovável, não é verdade que o uso de armas químicas contra civis seja moralmente diferente do ataque com balas, bombas ou artilharia.

 
Em terceiro lugar, o uso da força armada, especialmente no começo das hostilidades, deveria ter a intenção de restaurar uma paz justa.

 
O debate público sobre a proposta americana de atacar a Síria carece de retidão de intenção ou não tem uma intenção clara. Não fica muito claro o que se pretende obter, e parece que se está dando pouca atenção às involuntárias, mas muito perigosas consequências de um ataque.

 
Certamente, o governo não defende a ideia de que um ataque, inclusive muito limitado, seja um passo construtivo rumo ao restabelecimento da paz na Síria.


 
Em resumo, o governo e o Congresso dos Estados Unidos fariam muito bem em respeitar os princípios daguerra justa ao considerar a ação contra a Síria, e não se deixar enganar pelas distrações e tentações práticas.
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Fonte: Aleteia

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Vínculo que une à Igreja é vital, destaca Papa na catequese


CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 11 de setembro de 2013


Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Retomamos hoje as catequeses sobre a Igreja neste “Ano da Fé”. Entre as imagens que o Concílio Vaticano II escolheu para fazer-nos entender melhor a natureza da Igreja, há aquela da “mãe”: a Igreja é nossa mãe na fé, na vida sobrenatural (cfr. Const. dogm. Lumen gentium, 6.14.15.41.42). É uma das imagens mais usadas pelos Padres da Igreja nos primeiros séculos e penso que possa ser útil para nós. Para mim, é uma das imagens mais belas da Igreja: a Igreja mãe! Em que sentido e de que modo a Igreja é mãe? Partamos da realidade humana da maternidade: o que faz uma mãe?

1.     Antes de tudo, uma mãe gera a vida, leva no seu ventre por nove meses o próprio filho e depois o abre à vida, gerando-o. Assim é a Igreja: nos gera na fé, por obra do Espírito Santo que a torna fecunda, como a Virgem Maria. A Igreja e a Virgem Maria são mães, todas as duas; aquilo que se diz da Igreja se pode dizer também de Nossa Senhora e aquilo que se diz de Nossa Senhora se pode dizer também da Igreja! Certo, a fé é um ato pessoal: “eu creio”, eu pessoalmente respondo a Deus que se faz conhecer e quer entrar em amizade comigo (cfr Enc. Lumen fidei, n. 39). Mas eu recebo a fé dos outros, em uma família, em uma comunidade que me ensina a dizer “eu creio”, “nós cremos”. Um cristão não é uma ilha! Nós nãos nos tornamos cristãos em laboratório, não nos tornamos cristãos sozinhos e com as nossas forças, mas a fé é um presente, é um dom de Deus que nos vem dado na Igreja e através da Igreja. E a Igreja nos doa a vida de fé no Batismo: aquele é o momento no qual nos faz nascer como filhos de Deus, o momento no qual nos dá a vida de Deus, nos gera como mãe. Se vocês forem ao Batistério de São João em Latrão, junto à catedral do Papa, em seu interior há uma inscrição em latim que diz mais ou menos assim: “Aqui nasce um povo de linhagem divina, gerado pelo Espírito Santo que fecunda estas águas; a Mãe Igreja dá à luz a seus filhos nessas ondas”. Isto nos faz entender uma coisa importante: o nosso fazer parte da Igreja não é um fato exterior e formal, não é preencher um cartão que nos deram, mas é um ato interior e vital; não se pertence  à Igreja como se pertence a uma sociedade, a um partido ou a qualquer outra organização. O vínculo é vital, como aquele que se tem com a própria mãe, porque, como afirma Santo Agostinho, a ‘Igreja é realmente mãe dos cristãos’ (De moribus Ecclesiae, I,30,62-63: PL 32,1336). Perguntemo-nos: como eu vejo a Igreja? Se agradeço aos meus pais porque me deram a vida, agradeço também à Igreja porque me gerou na fé através do Batismo? Quantos cristãos recordam a data do próprio Batismo? Gostaria de fazer esta pergunta aqui pra vocês, mas cada um responda no seu coração: quantos de vocês recordam a data do próprio Batismo? Alguns levantam a mão, mas quantos não lembram! Mas a data do Batismo é a data do nosso nascimento na Igreja, a data na qual a nossa mãe Igreja nos deu à luz! E agora eu vos deixo uma tarefa para fazerem em casa. Quando voltarem para casa hoje, procurem bem qual é a data do Batismo de vocês, e isto para festejá-la, para agradecer ao Senhor por este dom. Vocês farão isso? Amamos a Igreja como se ama a própria mãe, sabendo também compreender os seus defeitos? Todas as mães têm defeito, todos temos defeitos, mas quando se fala dos defeitos da mãe nós os cobrimos, nós os amamos assim. E a Igreja também tem os seus defeitos: nós a amamos assim como mãe, nós a ajudamos a ser mais bela, mais autêntica, mais segundo o Senhor? Deixo-vos estas perguntas, mas não se esqueçam das tarefas: procurar a data do Batismo para tê-la no coração e festejá-la.


2.     Uma mãe não se limita a gerar a vida, mas com grande cuidado ajuda os seus filhos a crescer, dá a eles o leite, alimenta-os, ensina-lhes o caminho da vida, acompanha-os sempre com a sua atenção, com o seu afeto, com o seu amor, mesmo quando são grandes. E nisto sabe também corrigir, perdoar, compreender, sabe ser próxima na doença, no sofrimento. Em uma palavra, uma boa mãe ajuda os filhos a sair de si mesmos, a não permanecer comodamente debaixo das asas maternas, como uma ninhada de pintinhos fica embaixo das asas da galinha. A Igreja, como boa mãe, faz a mesma coisa: acompanha o nosso crescimento transmitindo a Palavra de Deus, que é uma luz que nos indica o caminho da vida cristã; administrando os Sacramentos. Alimenta-nos com a Eucaristia, traz a nós o perdão de Deus através do Sacramento da Penitência, sustenta-nos no momento da doença com a Unção dos enfermos. A Igreja nos acompanha em toda a nossa vida de fé, em toda a nossa vida cristã. Podemos fazer agora outras perguntas: que relação eu tenho com a Igreja? Eu a sinto como mãe que me ajuda a crescer como cristão? Participo da vida da Igreja, sinto-me parte dela? A minha relação é uma relação formal ou é vital?


3.     Um terceiro breve pensamento. Nos primeiros séculos da Igreja, era bem clara uma realidade: a Igreja, enquanto é mãe dos cristãos, enquanto “forma” os cristãos, é também “formada” por eles. A Igreja não é algo diferente de nós mesmos, mas é vista como a totalidade dos crentes, como o “nós” dos cristãos: eu, você, todos nós somos parte da Igreja. São Jerônimo escrevia: “A Igreja de Cristo outra coisa não é se não as almas daqueles que acreditam em Cristo” (Tract. Ps 86: PL 26,1084). Então, todos, pastores e fiéis, vivemos a maternidade da Igreja. Às vezes ouço: “Eu creio em Deus, mas não na Igreja… Ouvi que a Igreja diz…os padres dizem…”. Mas uma coisa são os padres, mas a Igreja não é formada somente de padres, a Igreja somos todos! E se você diz que crê em Deus e não crê na Igreja, está dizendo que não acredita em si mesmo; e isto é uma contradição. A Igreja somos todos: da criança recentemente batizada aos Bispos, ao Papa; todos somos Igreja e todos somos iguais aos olhos de Deus! Todos somos chamados a colaborar ao nascimento à fé de novos cristãos, todos somos chamados a ser educadores na fé, a anunciar o Evangelho. Cada um de nós se pergunte: o que faço eu para que o outro possa partilhar a fé cristã? Sou fecundo na minha fé ou sou fechado? Quando repito que amo uma Igreja não fechada em seu recinto, mas capaz de sair, de mover-se, mesmo com qualquer risco, para levar Cristo a todos, penso em todos, em mim, em você, em cada cristão. Participemos todos da maternidade da Igreja, a fim de que a luz de Cristo alcance os extremos confins da terra. E viva à santa mãe Igreja!

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Fonte: Boletim da Santa Sé
      Tradução: Jéssica Marçal