sábado, 14 de setembro de 2013

A Angústia da Contradição


Chama a atenção de qualquer pessoa a aversão que grande parte dos protestantes nutre pela Igreja Católica. Bons e maus têm seguidores ou simpatizantes por todos os lados. As ideias mais inaceitáveis encontram adeptos e defensores em todo o canto. Por exemplo, nota-se em tempos de eleições todo o tipo de ideia ou ideologia. As propostas mais estranhas são aceitas ao menos por pequena parte do eleitorado. Dependendo do cargo que se pretende ocupar e da quantidade de votos necessários para eleição de determinado candidato, pode-se colocar no poder a partir de meros 50.000 votos ou menos, alguém com ideias contestadas as vezes por milhões de pessoas. 

No entanto, contrariando a tendência natural do ser humano pela pluralidade, quando o assunto é a Igreja Católica, apenas com algumas raras exceções, percebemos nitidamente a aversão e ideias pré concebidas por parte dos irmãos protestantes.

Todos são maus no catolicismo? Não há e nunca houve um sacerdote justo ? Não há uma só doutrina ou dogma católicos que estejam certos?

Ora, se a máxima protestante estiver correta de que placa de igreja não salva ninguém, também estará correta a afirmação de que placa de igreja não condena ninguém. Então por que tão grande hostilidade se é o protestante quem diz que placa de igreja nada garante e consequentemente assume que esta mesma placa não pode condenar?


O protestante vive uma angústia infernal. E por que ? O protestante estabeleceu para si próprio o princípio Sola Scriptura: tudo tem de ser explicado pela Bíblia. Entretanto, o protestante admite e com razão que a Bíblia é a palavra infalível de DEUS. Sendo assim, uma vez que a palavra de DEUS é infalível, não se pode admitir que duas pessoas interpretem de modos diferentes o mesmo texto bíblico.

É exatamente este um dos telhados de vidro do protestantismo. Não há protestante que concorde com outro protestante integralmente em matéria de fé e doutrina. E todo se dizem certos. E todos dizem que foram inspirados pelo Espírito Santo.

Sinceramente, acreditamos que muitos protestantes abraçaram o protestantismo por boa-fé e estes mesmos agem com sinceridade diante de DEUS. Para estes, é evidente que uma angústia perturbadora lhes assalta a todo o momento. No caso das seitas e de seus falsos pregadores não se deve falar em angústia ou receios, já que para estes o evangelho e Jesus são apenas meios de se ganhar dinheiro. Eles mesmo não acreditam no que pregam.

Estamos falando para os protestantes sérios e comprometidos com o cristianismo e que por questão de justiça somos forçados a dizer que repudiam e contestam as inovações e modismos introduzidos pelos falsos mestres. Um bom número de protestantes se posiciona de forma firme contra as novidades e blasfêmias introduzidas no meio cristão pelos inúmeros falsos profetas que andam por aí.

Pois bem. Se um e outro protestante não concordam em matéria de fé e doutrina, é certo que pelo menos um deles está errado. E quem está errado, portanto, fazendo diferente do que ensina a Bíblia que é a palavra de DEUS infalível, por certo estaria praticando heresia na visão do outro protestante que lhe faz oposição. Não por acaso, não há protestante que não tenha sido acusado de heresia por outro protestante e não há protestante que não acuse outros de heresias.

Surge a agonia infernal que deveria preocupar cada protestante: nem todos estão interpretando as escrituras sagradas corretamente. Como então resolver o problema ?

Se é certo que Jesus só tem uma opinião firme e verdadeira para cada tema e se é certo que ele não muda jamais, como conciliar doutrinas tão divergentes entre si de modo que todos os protestantes sintam-se seguros quanto a salvação ?

Duas situações dão ao protestante a falsa segurança de que sua eventual heresia não lhe condenará ao inferno.

1º situação: A primeira é a salvação garantida. Quem aceita Jesus está salvo e já não importa o tipo de cristianismo ou o Jesus no qual se acredita. Levantou o dedo e fez o favor de “aceitar” Jesus já está salvo. E a maioria diz ainda que salvação garantida não pode ser perdida.

Ou seja, assim como Lutero que disse que o homem deveria pecar o máximo possível que ainda assim seria salvo pela fé, o protestante acredita que tendo “aceitado” Jesus, suas eventuais heresias não serão levadas em conta e neste caso a salvação obtida a partir do “aceita Jesus” é algo que não pode ser perdido ainda que posteriormente ele se torne um herege formal.

Surge porém um problema com esta teoria. Se estão todos salvos e salvação não pode ser perdida, podemos afirmar que pastores, pregações, leitura bíblica, dízimos, DVDs, CDs, música Gospel e mesmo igrejas protestantes são irrelevantes. Se todos estão salvos, por que fazer cultos para quem já está salvo e sendo que tal salvação nem mesmo pode ser perdida ? Esta é a heresia da predestinação de Calvino que levou as ideias de Lutero até as últimas consequências.

Por que pagar dízimos ? Por que leitura da Bíblia ? Por que pregações ? Se todos estão salvos e salvação não pode ser perdida, nem mesmo igrejas protestantes são necessárias. Por que cultos e pregações para pessoas que já estão salvas e pessoas que teoricamente não precisam de pastores ou igrejas já que contam com a “assistência” do Espírito Santo na leitura bíblica de modo que podem interpretar as sagradas escrituras e podem conhecer a sã doutrina ? O protestante não explica e pouco lhe importa que a doutrina da salvação garantida não faça sentido algum.

Para resolver esta nova angústia, pois qualquer pessoa de bom senso pode concluir que a salvação não é algo automático e imutável, mas depende de nossas ações e perseverança, uma outra situação de certo modo recobra a “paz” do protestante quanto a salvação:

2º situação: O outro critério usado pelo protestantismo para trazer segurança aos seus filhos quanto a salvação foi nutrir aversão pela Igreja Católica. Combate-se um inimigo imaginário e que deve ser enfrentado por todos. Este suposto inimigo seria o maior herege de todos. Culpado por tudo. Já tem gente culpando a Igreja Católica pelas atuais divisões das divisões no protestantismo...

Assim, quando o Senhor lhes cobrar as doutrinas estranhas ao evangelho que eles pregaram, certamente dirão que combateram os maiores hereges ou o maior fabricante de heresias que já existiu!

As doutrinas protestantes alimentam-se basicamente do anti catolicismo. Os regimes totalitários utilizam-se deste expediente, criando inimigos imaginários que devem ser combatidos e que servem como cortinas de fumaça para que ninguém tenha que enfrentar os seus próprios desmandos e equívocos.

Uns elegem determinadas nações como inimigos. Outros elegem a imprensa, uns acusam os governos ou a ONU e muitos outros elegeram o papa ou a Igreja Católica como principais inimigos.

Seria natural que muitos protestantes ou evangélicos, como são conhecidos no Brasil, chamassem os católicos de irmãos em Cristo quando entre eles várias afinidades são evidenciadas. Seria natural que evangélicos defendessem católicos quando estes se destacam por iniciativas ou ações. Seria lícito esperarmos apoio para eventuais discursos de sacerdotes em defesa de princípios cristãos comuns ou na defesa da fé.

Mas, nada disto ocorre. Se um católico confessa Jesus Cristo como Senhor, lá vem uma crítica por causa de um pronome ou uma vírgula usada. Se temos procissão somos idólatras. Se batemos palmas não temos respeito. Se não batemos palmas somos frios. Se tem celibato, deveríamos casar. E assim por diante. Mesmo nas críticas, um grupo de evangélicos acusa a igreja de ter modificado a doutrina. Então vem outro grupo e acusa a Igreja Católica de ser dogmática, arcaica e que nunca se moderniza. Nem nas críticas os protestantes conseguem consenso.

Escândalos ou erros de sacerdotes católicos 500 anos atrás causam maior indignação aos evangélicos do que um fato ainda mais grave praticado por um dos seus pares no presente. Isto é estranho ! O protestante nos aponta o dedo e nos diz que somos ímpios. Ora, se somos ímpios, seria mais natural que pecássemos. E sendo eles o “Povo de DEUS”, não seria natural que fossem mais intolerantes com seus próprios erros ?

Mas não é assim que funciona. Um católico 600 anos atrás que tenha cometido crimes é lembrado rotineiramente e todos os católicos atuais parecem ter que pagar pela infâmia ou escândalo causado séculos atrás. Entretanto, quando o evangélico se depara com escândalos e desmandos em seu próprio meio, muitos se ocupam de defender o indefensável, enquanto outros tratam com desprezo e descaso as ocorrências de tais abusos ou desvios.

Mais estranho ainda é o fato de que na Igreja Católica nunca se defendeu que não há pecadores entre nós. Pelo contrário. A inerrância da Igreja refere-se as questões de fé, moral e doutrina. Nunca foi dito que filhos da Igreja estão imunes ao pecado.

Quanto aos escândalos, o próprio Jesus nos adverte que cuidaria daqueles através dos quais os escândalos são introduzidos. Na prática Jesus está nos dizendo que sempre se encarregaria de purificar sua igreja. Quem torna Lutero “indispensável” em verdade não creu na promessa de Jesus.

O fato é que não compreendendo a diferença entre infalibilidade e “impecabilidade” os protestantes criaram igrejas que supostamente não deveriam ter pecadores. Evidente que tal situação não foi possível. Isto eles já descobriram. Lutero não demorou a concluir.

Falta coragem de assumir que além de edificar igrejas com pecadores, agora os protestantes já não contam com o dom da infalibilidade que é reservado exclusivamente à Igreja Católica e APOSTÓLICA, a única que Jesus Cristo instituiu e disto o protestante-evangélico-crente não poderá fugir, já que admite e confessa que suas igrejas foram fundadas por homens. Por exclusão, se há uma igreja divina esta não pode ser protestante. E se a Igreja de Jesus não fosse católica, mas fundada por homens, então pelo menos também teríamos o direito de interpretar como os protestantes, alegando ainda que fomos inspirados pelo Espírito Santo em nossas interpretações privadas.

Não por acaso, as heresias vistas em larga escala no meio cristão são patrocinadas exclusivamente pelo protestantismo. Unção da galinha, unção do cachorro, unção do zoológico, unção do chifre, unção da meia, unção do helicóptero, unção da vaca, batismo em parque de diversões, teologia da prosperidade, pregação pelo aborto, pregação pelo divórcio, unção do riso, regressão ao útero materno, unção da vassoura, transferência de unção, descarrego, fogueiras santas, desafios financeiros e tantas outras que demandariam um texto ainda maior. Já tem gente até dizendo que ajudar os pobres desvia recursos da “igreja”. Que horror!!!

Ora, Jesus disse que devemos temer mais aqueles que matam a alma do que aqueles que matam o corpo. Em outras palavras, as heresias podem ser mais nocivas do que os erros comuns a todos os homens. Que situação conflitante vive o cristão que nega a Igreja Apostólica e Católica! Sua auto suficiência não lhe permite retroceder. Desesperados, precisaram construir um inimigo maior e supostamente mais herege. E para não ter surpresas, nada melhor do que um conceito que “garante” salvação. Por via das dúvidas, melhor ainda é fazer desta salvação um tesouro que não pode ser perdido e que seja independente do cristianismo que se pratica ou do Jesus que cada um segue.

Dois protestantes e um católico estão conversando. O primeiro protestante se diz favorável ao aborto. O segundo se diz contrário. O católico que participa da conversa concorda com este segundo protestante que é contrário ao aborto. Qual a dupla entre os três que citamos que se auto denominará como “irmãos” em Cristo ? Resposta: Os dois protestantes, ainda que absurdamente divergentes entre si e ainda que um deles se afine em termos de doutrina mais com o católico do que com o outro protestante.

O dedicado e comprometido protestante não compreende que ele vive um ciclo vicioso e viciado. Vicioso porque se repete. Viciado porque todos cometem os mesmos erros. Se o protestante defende a livre interpretação da Bíblia terá que conviver com os ignorantes e os maus que se utilizam da Palavra de DEUS para proveito próprio. 

Pensa este protestante que o meio de evitar as heresias e deformações seja o estudo bíblico mais aprofundado. Tem gente clamando por um vigoroso e generalizado estudo bíblico no meio protestante como forma de combater as heresias. Engana-se este evangélico de boa-fé. Quanto mais estudo e teologia sem o alicerce de um magistério confiável, mais e mais a cada dia surgirão novos pseudo mestres e “sábios” que eventualmente condenarão até mesmo os bons professores e estes novos “sábios” fundarão novas seitas que produzirão novos “estudiosos” que, seguindo os passos dos primeiros também se dividirão e introduzirão novas heresias. E o ciclo se repete ininterruptamente.

Todo aquele que estuda a Bíblia fora da orientação das autoridades legítimas constituídas pelo Senhor Jesus acaba pensando saber mais do que os outros. Quanto mais “sábio”, mais se pretende ensinar e menos se pretende aprender.

Um aluno de escola regular estuda história sob a tutela do professor. Ele não pode mudar a seu bel prazer os fatos ocorridos e alterar a ordem dos acontecimentos ou as personagens envolvidas. O professor está presente para lhe corrigir e restabelecer a verdade para que os demais não sejam contaminados pelos enganos daquele aluno.

Sem magistério confiável que define todas as coisas, cada qual está por conta própria e tudo fica ainda pior quando todos se dizem inspirados pelo Espírito Santo, o que dá “certeza” a cada intérprete de que sua doutrina é a doutrina correta.

Por outro lado, constituir um magistério que defina todas as coisas aniquilaria o próprio protestantismo que pretendia, segundo seus adeptos, promover a liberdade na interpretação da Bíblia e o rompimento com submissão de qualquer espécie, em especial a submissão à Igreja de Roma e ao Santo Padre.

O protestantismo não tem saída. Não há como evitar o progresso em larga escala de maus pregadores, hereges e seitas de toda ordem.


O genial e santíssimo São Tomás de Aquino, Doutor da Igreja disse e o disse bem: “Espero nunca ter ensinado nenhuma verdade que não tenha aprendido de Vós. Se, por ignorância, fiz o contrário, revogo tudo e submeto todos meus escritos ao julgamento da Santa Igreja Romana"

Em contraste com a humildade do sábio, santo e doutor católico, disse o orgulhoso e soberbo Martinho Lutero pai de todas as seitas e evangélicos: “Quem não crê como eu está destinado ao inferno. O meu juízo e o juízo de DEUS são a mesma coisa.”

Cada protestante é uma espécie de super Papa infalível para si mesmo. Sua leitura bíblica é sempre superior à leitura bíblica alheia. Apenas os mais acomodados que não desenvolvem o hábito da leitura bíblica é que irão permanecer seguindo pregadores e denominações. E isto é desastroso, pois muitas vezes nos deparamos com ignorantes guiando ignorantes, não importa a boa intenção que tenham. Cria-se assim uma grande confusão e o cristianismo vira uma babel.

Por outro lado, aqueles mais preparados e mais estudiosos logo descobrirão que “sabem mais” do que seus mestres e professores. Estes mesmos farão críticas aos seus próprios pares e definirão por conta própria quem pratica ou não heresias.

A Bíblia nos ensina que as escrituras devem ser examinadas por serem úteis. Exame porém não significa interpretação. Erram os que não examinam a Bíblia. Tornam-se ignorantes e sujeitos a toda a sorte de novidades e ventos de doutrinas. Erram os que ao invés de examinarem resolvem interpretá-la por conta própria. Tornam-se mestres de si próprios, sábios aos seus próprios olhos e juízes de tudo e de todos.

A Igreja é coluna e sustentáculo da verdade (1Tm 3,15). Assim, o próprio texto bíblico confirma a autoridade da Igreja sobre as Escrituras. Afinal de contas não foi a Igreja constituída pela Bíblia, mas a Bíblia apresentada ao homem pela Igreja.

Não por acaso o texto bíblico recomenda que toda Escritura é útil para o aprendizado. Em outras palavras, útil significa auxílio. Confundir utilidade com suficiência é confirmar que todo e qualquer homem pode livremente interpretar a Bíblia e assim não há como condenar heresia alheia se não há antes um magistério confiável que defina previamente o que é heresia.

Ao invés de atender a determinação bíblica de que a fé vem pelo ouvir, a fé do protestante acaba vindo pela sua própria leitura privada da Bíblia.

Quem é o ser humano que deseja ouvir e aprender de outro aquilo que ele julga que pode entender por si próprio ?

Assim, a fé do protestante em Jesus é a fé que cada um entendeu sobre Jesus através de sua leitura bíblica particular. Se por vezes homens mais preparados e estudiosos conseguem aproximar-se da doutrina do Jesus verdadeiro, muitos outros acabam “crendo” em um Jesus que não existe, mas fabricado a partir de conclusões decorrentes da leitura particular de cada um. E este Jesus que se opõe ao Jesus da Bíblia e que cada qual entendeu a partir de sua própria leitura particular da Bíblia, é que será ensinado aos homens que não conhecem o evangelho, e no Brasil, particularmente será ensinado aos católicos que não conhecem a fé que pensam praticar.

Ora, a contradição já se inicia na própria pregação de um protestante para qualquer homem ou mulher. Como pretende o protestante convencer quem quer que seja, se antes mesmo de qualquer coisa quem lhe ouve deve crer que DEUS não constituiu a Igreja como coluna e sustentáculo da verdade e nem concedeu a homem algum o dom da infalibilidade?

A angústia infernal da contradição se dá ainda em última análise a partir do princípio criado pelo protestantismo e ao qual cada protestante está obrigado: o próprio Sola Scriptura “Só a Bíblia”. Ora, somos julgados pelos critérios que estabelecemos para os outros. Se somos misericordiosos, havemos de alcançar misericórdia de DEUS. Mas se somos rígidos, inflexíveis e intolerantes, estamos sujeitos ao julgamento de DEUS na mesma medida.

Quem se obrigou ao “Só a Bíblia” não fomos nós católicos. Não somos seguidores de Lutero. Escutamos a Igreja. O “Só a Bíblia” é um critério protestante, criado por reformadores protestantes e para seus seguidores crentes, evangélicos e protestantes.

Curiosamente, nossos dogmas, costumes de fé e doutrinas são cobradas pelos irmãos a partir do critério que deveria valer somente para eles. E eles próprios não se dão conta de que o “Só a Bíblia” lhes condena, porquanto não havendo concordância no que se refere às questões de fé e doutrina, é óbvio que muitos estão saindo da Bíblia que deveria ser seguida por todos e pela qual todos, sem exceção, estão obrigados.

Quem cobra “Só a Bíblia” e nada além dela e concorda que a Bíblia é a palavra infalível de DEUS, obrigou-se ao princípio que pretende impor aos demais.

Quem é o cristão que gritando “Só a Bíblia” poderá desculpar-se por doutrina anti bíblica que tenha pregado ?

Quem é o cristão que gritando “Só a Bíblia” e dizendo-se inspirado pelo Espírito Santo em sua leitura bíblica poderá dizer que não entendeu o que leu ?

Como é seguro ser católico né ? Se fosse possível que a Igreja Católica cometesse erros em matéria de fé e doutrina, ainda assim poderíamos dizer a Jesus que fizemos o que estava nas escrituras e assim não interpretamos a Bíblia porque segundo Pedro nenhuma interpretação é de caráter particular. E poderíamos dizer que acreditamos na Bíblia porque a Igreja Católica nos disse que era para crermos. E também poderemos dizer a Jesus que não confiamos na nossa leitura bíblica, porquanto a mesma Bíblia, em Timóteo, nos ensina que a Igreja é coluna e sustentáculo da verdade. Podemos dizer que deixamos exclusivamente para a Igreja a tarefa de interpretar corretamente as escrituras e nos ensinar como ensinou ao eunuco (At 8, 30,31)e a milhões de convertidos por 2012 anos. E poderemos falar ainda que escutamos o conselho de São Paulo e guardamos as tradições que nos foram transmitidas por escrito ou não. E podemos acrescentar que aprendemos estas tradições com a Igreja. Podemos até dizer que confiamos em Pedro por causa das palavras de Jesus para que ele apascentasse as ovelhas e confirmasse seus irmãos na fé.

Se fosse possível erros na doutrina católica, nós católicos ainda poderíamos culpar a Igreja, São Paulo ou ao Papa. Quem sabe poderíamos ouvir: “Pai, perdoe aos católicos. Eles são leigos e não sabiam o que estavam fazendo.”

Ora, alguém perguntou a Jesus se ele era o filho de DEUS. Ele disse: “Tu o dissestes.” São nossos irmãos separados que dão testemunho de nós quando nos chamam de seguidores de papas ou quando nos dizem que nós não devemos considerar placa de igreja ou que o nome “Igreja Católica” não está na Bíblia.

São os protestantes que reafirmam nossa crença nos santos declarados pela Santa Igreja. São eles que testemunham que aceitamos a Bem Aventurança de Maria. São eles que testemunham sobre nós no que se refere ao batismo, purgatório, sacramentos e Eucaristia. São os protestantes que testemunham sobre a confissão dos pecados ao sacerdote praticada no catolicismo. Em última análise, são os protestantes que dão testemunho que somos ensinados pela Igreja. São eles que nos dizem que pertencemos à Igreja Católica. São eles que testemunham sobre nossa fidelidade a Pedro.

E o protestante que tudo sabe a partir de sua própria leitura bíblica “inspirada” pelo Espírito Santo e que está obrigado ao critério “Só a Bíblia”? O que poderá dizer em sua defesa se era “conhecedor” de todas as coisas, capaz inclusive de apontar a heresia alheia e a trave nos olhos dos outros?

Diante do conflito angustiante ao qual cada cristão protestante está sujeito a partir das escolhas que fez, nada melhor para lhe trazer uma falsa segurança do que acreditar na salvação garantida a partir do “aceita Jesus” e a eleição de um inimigo comum e “destrutivo” que deve ser vencido e que representa a maior de todas as heresias, a Babilônia, o trono do anticristo, um herege idólatra imperdoável.

Nós católicos devemos dar graças ao Senhor pelo seu imenso amor. Conhecendo nossas fraquezas, nossas imperfeições, mazelas, soberba, arrogância, não fomos abandonados à nossa própria sorte ou aos nossos julgamentos parciais e imprecisos. Mas o amor de DEUS pela humanidade excedeu todo entendimento. Depois de nos dar o salvador perpétuo e perfeito, ele instituiu o corpo místico do nosso Senhor Jesus Cristo que é a Igreja de modo que assim se cumpra a promessa do salvador: “Eis que estarei convosco até o fim dos tempos”.

Infelizmente muitos não creram nesta promessa e elegeram Lutero, Calvino, entre outros, como “mestres” e “sábios” a serem seguidos.

A igreja inerrante tudo nos ensina e constitui-se em caminho seguro para nossa santificação rumo à pátria celeste. Já não somos nós que devemos descobrir por conta própria e a partir de nossa leitura bíblica privada a igreja que devemos integrar e amar, as doutrinas que devemos seguir e repudiar, e, nem mesmo precisamos decidir quem é ou não herege ou quem vai ou não para o céu.

O Cristo nos salva. A Igreja nos ensina. O espírito nos santifica. E o Pai julga todas as coisas.

E ainda ganhamos Maria como caminho mais reto e seguro para Cristo. Ela mesmo diz: “Fazei tudo que ele vos disser.”

Diferente dos evangélicos protestantes que repudiam Maria, façamos como João que atendendo ao pedido de Jesus levou Maria para casa. Façamos ainda como Isabel e fiquemos cheios do Espírito Santo ao ouvir o nome de Maria. Tenhamos o comportamento de João Batista e estremeçamos de alegria com a visita da Virgem Santíssima. Façamos como o anjo do Altíssimo e soberano DEUS e digamos em alto e bom som: “Ave Maria”.

E ainda temos os exemplos de nossos santos que dão testemunho do poder do DEUS vivo que é capaz de transformar toda e qualquer criatura humana. Negar que alguém possa ser santo é duvidar que o autor de toda a santidade é capaz de produzir obras perfeitas. Ele mesmo diz: “Sem mim nada podeis fazer.” Quem é santo, é santo por causa de Jesus Cristo. Negar tal verdade é duvidar do poder sem limites de Nosso Senhor Jesus Cristo. Que amor sem medidas do Altíssimo DEUS pela humanidade!

Infelizmente, o protestante está amarrado ao critério que criou para si próprio. Nada melhor do que impor aos católicos o “Leia Bíblia” para se auto convencer que existem outros interpretando de forma ainda mais equivocada do que ele próprio.

Ao contrário da aversão quase que unânime dos protestantes em relação a Igreja Católica e APOSTÓLICA, nossa igreja, a única e verdadeira Igreja de Cristo, nos ensina que nem mesmo estamos autorizados a culpá-los pela divisão do corpo de Cristo ocorrida 500 anos atrás. Somente a Igreja, coluna e sustentáculo da verdade, é que pode definir o que é heresia ou quem é herege.

Nos ensina a Igreja Católica que é justo chamarmos de cristãos nossos irmãos separados que confessam o DEUS uno e trino, e Jesus Cristo como Senhor e nosso único salvador.

Ao contrário dos protestantes que exigem novo batismo para ex católicos, nossa Igreja acata a maior parte dos batismos produzidos nas denominações protestantes, porquanto ninguém pode dizer que Jesus Cristo é senhor se não pela ação do Espírito Santo. Assim, a Igreja não se faz maior do que seu senhor. Acaso é o servo maior do que o mestre?

Pelos frutos, podemos conhecer a árvore. Para quem não tiver medo da verdade não será difícil descobrir onde se encontram em plenitude todos os meios de salvação.

Para os católicos vacilantes, lembramos as palavras de Jesus que nos ensinam que a porta é estreita. Desconfiem daqueles que dizem que não precisam de papa ou que não precisam de Igreja. Estes mesmos que desprezam os sacramentos, a confissão de seus pecados ao sacerdote e que pensam que basta levantar o dedo e aceitar Jesus que já estão salvos. Não é tão fácil assim chegar ao céu. As vidas dos santos, mártires e verdadeiros apóstolos de Cristo confirmam que nunca foi fácil o caminho da salvação.

Desconfiem ainda daqueles que pregam um Jesus triunfalista quando o próprio Senhor nos advertiu que no mundo teríamos tribulações.

A verdadeira igreja de Cristo cuida das almas de seus fiéis. Ministra sacramentos, confissão, indulgências e estimula as boas obras. A verdadeira Igreja trabalha pela santificação das almas e para que se cumpra: “...que nenhum de nós se perca.”

A cada protestante perguntamos como é possível ter certeza do seu próprio acerto e do erro alheio, se um outro protestante com a mesma Bíblia lê, interpreta e faz tudo diferente daquele que julga estar certo ? Ambos entendem que estão certos e um discorda do outro. Tal é a angústia da contradição.

Constituir um inimigo comum e repetir aos quatro ventos a certeza da sua salvação pessoal são questões nas quais o evangélico protestante precisa acreditar desesperadamente. Do contrário, viverá uma permanente angústia infernal e a incerteza completa sobre o que é ou não agradável aos olhos do Senhor. Crer na salvação garantida já não é um ponto de vista teológico, mas uma questão de sobrevivência para o protestantismo.

Ratificamos que todos sem exceção devem fazer suas escolhas livres de quaisquer embaraços e acreditamos que todo homem ou mulher devem aderia a crença ou fé que lhes pareçam mais adequadas.

A paz do Senhor Jesus Cristo esteja convosco.


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Autor: V. de Carvalho com a colaboração de B. Carvalho/Dani Silva, A. Silva e Claudio Maria – Livre divulgação mencionando-se o autor. 

As Doutrinas Estranhas do Mormonismo


As doutrinas do Mormonismo ficaram mais estranhas à medida que a seita se desenvolveu. Atualmente, as doutrinas mórmons são as seguintes:

(Observação: Estas doutrinas são documentadas por escritores mórmons, não por opositores do mormonismo.)

1)     O verdadeiro evangelho foi perdido na terra. O Mormonismo é a sua restauração, Mormon Doctrine, by Bruce R. McConkie, p. 635. Eles ensinam que existiu uma apostasia e que a verdadeira igreja deixou de existir na terra.

2)     Nós precisamos de profetas hoje, da mesma maneira que no Antigo Testamento, Mormon Doctrine, p. 606.

3)     O Livro de Mórmon é mais correto que a Bíblia, History of the Church, vol 4, p. 461.

4)     Não existe salvação fora da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Mormon Doctrine, p. 670.

5)     Existem muitos deuses, Mormon Doctrine, p. 163.


6)     Existe uma deusa mãe, Articles of Faith, by James Talmage, p. 443.

7)     Deus foi um homem em um outro planeta, Mormon Doctrine, p. 321.

8)     Depois de você tornar-se um bom mórmon, você tem potencial para tornar-se um outro deus, Teachings of the Prophet Joseph Smith, p. 345-347, 354.

9)     Deus, o Pai, tem um pai (Orson Pratt in The Seer, p. 132; Um dos propósitos do The Seer era “elucidar” a doutrina mórmon, The Seer, 1854, p. 1).

10)   Deus, o Pai, tem um corpo de carne e ossos, Doctrine and Covenants, 130:22.

11)   Deus tem a forma de um homem, Joseph Smith, Journal of Discourses, vol. 6, p. 3.

12)   Deus é casado com a sua esposa-deusa e tem filhos espirituais, Mormon Doctrine, p. 516.

13)   Nós fomos gerados primeiro como bebês espirituais no céu e então nascemos naturalmente na terra, Journal of Discourses, vol. 4, p. 218.

14)   O primeiro espírito que nasceu no céu foi Jesus, Mormon Doctrine, p. 129.

15)   O Diabo nasceu como um espírito depois de Jesus “na manhã da pré-existência” Mormon Doctrine, p. 192.

16)   Jesus e Satanás são espíritos irmãos, Mormon Doctrine, p. 163.

17)   Um plano de salvação era necessário para as pessoas na terra. Então, Jesus e Satanás apresentaram cada um o seu plano, e o plano de Jesus foi aceito. O Diabo quiz ser o salvador da humanidade para “anular a identidade dos homens e destronar a deus.” Mormon Doctrine, p. 193; Journal of Discourses, vol. 6, p. 8.

18)   Deus teve relações sexuais com Maria para produzir o corpo de Jesus, Journal of Discourses, vol. 4, 1857, p. 218.

19)   O sacrifício de Jesus não é suficiente para limpar-nos de todos os nossos pecados, Journal of Discourses, vol. 3, 1856, p. 247.

20)   As boas obras são necessárias para a salvação, Articles of Faith, p. 92.

21)   Não existe salvação sem aceitar Joseph Smith como um profeta de Deus, Doctrines of Salvation, vol. 1, p. 188.

22)   Batismo pelos mortos, Doctrines of Salvation, Vol. II, p. 141. Esta é a prática de alguém batizar-se em lugar de alguém, não-mórmon, que já tenha morrido. Eles crêem que, no após vida, a pessoa “nova batizada” esteja habilitada a entrar em um céu mórmon de maior nível.

23)   Existem três níveis de céu: Telestial, Terrestrial e Celestial, Mormon Doctrine, p. 348.

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Fonte: CARM.ORG
Disponível em: A Fé Explicada

CNBB divulga material da Campanha para Evangelização 2013


Já estão disponíveis para download no site da Conferência os materiais da Campanha para a Evangelização 2013. O evento tem início na solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo em 24 de novembro e se estende até o 3º domingo do Advento. A Coleta Nacional será realizada em 15 de dezembro nas paróquias e comunidades do Brasil. O resultado é todo direcionado para os trabalhos de evangelização, nos vários níveis: diocesano (45% do total arrecadado), regional (20%) e nacional (35%).

“A campanha existe para arrecadar recursos para os projetos de evangelização, sendo importante para a sustentabilidade dessas ações na Igreja. Também busca atender as estruturas eclesiais que estão a serviço da missão evangelizadora. Por isso, é necessário que todos participem para que alcancemos os objetivos esperados”, motiva o secretário executivo da CE 2013, padre Luiz Carlos Dias.


A Campanha para a Evangelização foi instituída pelos bispos em 1997 e realizada pela primeira vez em 1998, com o objetivo de despertar nos fieis o compromisso evangelizador e a responsabilidade pela sustentação das atividades pastorais da Igreja no Brasil. A CE tem o slogan “evangeli.já”, que faz referência a palavra evangelizar. 

O presidente da Comissão Episcopal da Campanha para a Evangelização, dom Murilo Ramos Krieger, explica o lema Eu vos anuncio uma grande alegria!", proposto para este ano. “Queremos que a CE de 2013 seja marcada pela alegria - alegria que nasce do dom que o Pai nos faz de Seu Filho Jesus no Natal; alegria pelo privilégio de termos sido chamados para ser evangelizadores. Por isso, escolhemos como lema da CE de 2013 o anúncio dos anjos aos pastores de Belém”.


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Fonte: CNBB

Papa envia carta em resposta ao jornal La Reppublica



Vaticano, 4 de setembro de 2013


Caríssimo Dr. Scalfari, é com viva cordialidade que, ainda que em linhas gerais, gostaria de responder, com esta minha carta, à que o Sr., pelas páginas [do jornal] República, escreveu-me, dia 07 de julho, com uma série de reflexões pessoais, que posteriormente aprofundou, no mesmo jornal, dia 07 de agosto.


Agradeço-lhe, antes de tudo, pela atenção com a qual leu a Encíclica Lumen fidei. Ela, na intenção de meu amado Predecessor, Bento XVI, que a concebeu e em grande medida a redigiu, e de quem, com gratidão, eu herdei, tem por finalidade não só confirmar na fé em Jesus Cristo os que já se reconhecem nessa fé, mas também suscitar um diálogo sincero e rigoroso com quem, como o Sr., se define “um não crente há muitos anos interessado e fascinado pela pregação de Jesus de Nazaré”.


Parece-me, portanto, que seja positivo, não só para nós pessoalmente, mas também para a sociedade em que vivemos, concentrar-nos no diálogo a respeito de uma realidade importante como é a fé, que se refere à pregação e à figura de Jesus. Penso que há duas circunstâncias, em particular, que tornam hoje esse diálogo necessário e precioso.


Ele, afinal, constitui, como é sabido, um dos principais objetivos do Concílio Vaticano II – querido por João XXIII – e do ministério dos Papas que, cada um com sua sensibilidade e sua contribuição, daquela ocasião até hoje caminharam no sulco traçado pelo Concílio.


A primeira circunstância – como se destaca nas páginas iniciais da Encíclica – deriva do fato que, ao longo dos séculos da modernidade, se tem assistido a um paradoxo: a fé cristã, cuja novidade e incidência na vida do homem desde o início se expressou com o símbolo da luz, foi considerada como superstição obscura, oposta à luz da razão. Assim se chegou a um estado de incomunicação entre a Igreja e a cultura de inspiração cristã, por um lado, e a cultura moderna de cunho iluminista, por outro. Chegou, porém, o tempo de um diálogo aberto e sem preconceitos, que reabra as portas de um sério e fecundo encontro. O Vaticano II inaugurou esta estação.


A segunda circunstância, para quem procura ser fiel ao dom do seguimento de Jesus à luz da fé, deriva do fato que este diálogo não é um acessório secundário da existência de quem crê. Ao contrário, é uma expressão íntima e indispensável [dessa existência]. Permita-me citar, a propósito, uma afirmação que considero muito importante da Encíclica: como a verdade testemunhada pela fé é a verdade do amor – ali se sublinha – “é claro que a fé não é intransigente, mas cresce na convivência que respeita o outro. Quem crê não é arrogante; ao contrário, a verdade o faz humilde, sabendo que mais do que nós a possuirmos, é ela que nos circunda e possui. Longe de enrijecer-nos, a segurançaa da fé nos põe a caminho e torna possível o testemunho e o diálogo com todos” (n. 34). É este o espírito que anima as palavras que escrevo.


A fé, para mim, nasce do encontro com Jesus. Um encontro pessoal, que tocou meu coração e deu uma nova direção e um novo sentido à minha existência. Mas, ao mesmo tempo, um encontro tornado possível pela comunidade de fé na qual eu vivi e graças à qual encontrei o acesso à inteligência da Sagrada Escritura, à vida nova que como fluxo de água jorrando de Jesus através dos Sacramentos, à fraternidade para com todos e a serviço dos pobres, verdadeira imagens do Senhor. Sem a Igreja, - creia-me – não teria podido encontrar Jesus, apesar de estar ciente de que este dom imenso que é a fé está guardado nos vasos da frágil argila de nossa humanidade.


É precisamente a partir daqui, desta experiência pessoal de fé vivida na Igreja, que me sinto à vontade para escutar suas questões e para procurar, junto com o Sr., os caminhos ao longo dos quais poderemos, talvez, começar a fazer juntos um percurso.


Perdoe-me se não sigo passo a passo a argumentação que o Sr. Propôs no editorial de 7 de julho. Parece-me mais frutuoso – ou me é mais congenial – ir, de certo modo, ao coração de suas considerações. Também não entro na modalidade expositiva seguida pela Encíclica, na qual o Sr. sente a falta de uma seção especificamente dedicada à experiência histórica de Jesus de Nazaré.


Observo apenas, para começar, que uma análise desse tipo não é secundária. Trata-se, de fato, seguindo a própria lógica que segue o desenvolvimento da Encíclica, de centrar a atenção sobre o significado do que Jesus disse e fez, e, assim, em última instância, sobre o que Jesus foi e é por nós. De fato, as cartas de Paulo e o Evangelho de João, aos quais se faz particular referência na Encíclica, foram construídos sobre o sólido fundamento do ministério messiânico de Jesus de Nazaré, cujo cume resolutivo é a páscoa da morte e da ressurreição.

É necessário confrontar-se com Jesus, eu diria, na concretude e na dureza do seu acontecimento, assim como é narrado sobretudo no mais antigo dos Evangelhos, que é o de Marcos. Constata-se, então, que o “escândalo” que a palavra e a praxe de Jesus provocam ao seu redor derivam de sua extraordinária “autoridade”: uma palavra atestada desde o Evangelho de Marcos, mas que não é fácil de traduzir para o italiano. A palavra grega é “exousia”, que literalmente se refere ao que “provém do ser” que se é. Não se trata de algo exterior ou forçado, mas que emana de dentro e que se impõe por si. Jesus, efetivamente, atinge, surpreene, inova, como ele mesmo diz, a partir de sua relação com Deus, a quem chama familiarmente Abbá, que lhe entrega esta “autoridade” para que ele a exerça a favor dos homens.


Assim Jesus prega “como quem tem autoridade”, cura, chama os discípulos a segui-lo, perdoa... todas elas, coisas que no Antigo Testamento são próprias de Deus esomente dele. A pergunta que retorna mais de uma vez no Evangelho de Marcos: “Quem é este que...?”, e que se refere à identidade de Jesus, brota da constatação de uma autoridade diferente da do mundo, uma autoridade cuja finalidade não é exercitar um poder sobre os outros, mas servi-lhes, dar-lhes liberdade e plenitude de vida. E isto até o ponto de por em jogo a própria vida, experimentar a incompreensão, a traição, a recusa, ser condenado à morte, até o estado de abandono na cruz. Mas Jesus permanece fiel a Deus, até o fim.


É então – como exclama o centurião romano aos pés da cruz, no Evangelho de Marcos – que Jesus se mostra, paradoxalmente, como o Filho de Deus! Filho de um Deus que e amor e que quer, com todo seu ser, que o homem, cada homem, se descubra e viva também como seu verdadeiro filho. Este, pela fé cristã, recebe a certeza de que Jesus ressuscitou: não para triunfar sobre os quem lhe refutou, mas para atestar que o amor de Deus é mais forte que a morte, o perdão de Deus é mais forte que todo pecado, e que vale a pena gastar a própria vida, até o fim, para testemunhar este imenso dom.


A fé cristã crê isto: que Jesus é o filho de Deus vindo para dar a sua vida para abrir a todos o caminho do amor. Por isso, tem razão o egrégio Dr. Scalfari, quando vê na encarnação do Filho de Deus o caminho da salvação. Já Tertuliano escrevia “caro cardo salutis”, a carne [de Cristo] é o cardo da salvação. Porque a encarnação – o fato que o Filho de Deus tenha vindo na nossa carne e tenha condiviso alegrias e dores, vitórias e derrotas da nossa existência, até o grito na cruz, vivendo cada coisa no amor e na fidelidade ao Abbá – testemunha o incrível amor que Deus tem por cada homem, o valor inestimável que lhe atribui. Cada um de nós, por isto, é chamado a fazer seu o olhar e a escolha de amor de Jesus, a entrar no seu modo de ser, de pensar e de agir. Esta é a fé, com todas as expressões que são descritas com precisão na Encíclica.


No mesmo editorial de 07 de julho, o Sr. me pergunta ainda como compreender a originalidade da fé cristã enquanto essa tem seu foco precisamente sobre a encarnação do Filho de Deus, em relação a outros credos que, diferentemente, gravitam em torno da transcendência absoluta de Deus.


Eu diria que a originalidade está precisamente no fato que a  nos faz participar, em Jesus, da relação que Ele tem com Deus que é Abbá e, a esta luz, no relacionamento que Ele tem com todos os outros homens, inclusive os inimigos, no sinal do amor. Em outros termos, a filiação de Jesus, como a apresenta a fé cristã, não é revelada para marcar uma separação insuperável entre Jesus e todos os outros: mas para dizer-nos que, nele, todos somos chamados a ser filhos do único Pai e irmãos entre nós. A singularidade de Jesus é para a comunicação, não para a exclusão.


Disto segue também – e não é pouca coisa – a distinção entre a esfera religiosa e a esfera política que é afirmada no “dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César”, afirmada com clareza por Jesus e sobre a qual, com fadiga, se construiu a história do Ocidente. A Igreja, de fato, é chamada a semear o fermento e o sal do Evangelho, o amor e a misericórdia de Deus que atingem todos os homens, apontando a meta ultraterrena e definitiva do nosso destino, enquanto à sociedade civil e política toca a árdua tarefa de articular e encarnar na justiça e na solidariedade, no direito e na paz, uma vida cada vez mais humana. Para quem vive a fé cristã, isto não significa fuga do mundo ou procura de qualquer tipo de hegemonia, mas serviço ao homem, ao homem todo e a todos os homens, a partir das periferias da história e tendo desperto o sentido da esperança que impulsiona a trabalhar pelo bem apesar de tudo e olhando sempre além.


O Senhor me pergunta ainda, na conclusão de seu primeiro artigo, o que dizer aos irmãos judeus a respeito da promessa feita por Deus a eles: esvaziou-se completamente? Este é – acredite-me – um questionamento que nos interpela radicalmente, como cristãos, porque, com a ajuda de Deus, sobretudo a partir do Concílio Vaticano II, temos redescoberto que o povo judeu é ainda, para nós, a raiz santa da qual germinou Jesus. Eu também, na amizade que cultivei ao longo de todos esses anos com irmãos judeus, na Argentina, muitas vezes na oração interroguei a Deus, de modo particular quando recordava a terrível experiência da Shoah. O que lhe posso dizer, com o apóstolo Paulo, e que nunca se acabou a fidelidade de Deus à aliança feita com Israel e que, através das terríveis provas destes séculos, os judeus conservaram a sua fé em Deus. E por isto, nunca seremos suficientemente gratos a eles, como Igreja, mas também como humanidade. Esses, perseverando na fé no Deus da aliança, recordam todos, também nós cristãos, o fato que estamos sempre na espera do retorno do Senhor, como peregrinos, e, portanto, devemos estar abertos para ele e nunca apoiar-nos no que já tenhamos atingido.


Agora trato das três questões que o Sr. me propôs no artigo de 07 de agosto. Me parece que, nas duas primeiras, o que lhe interessa é entender o comportamento da Igreja com relação aos que não partilham a fé em Jesus. Antes de tudo, me pergunta se o Deus dos cristãos perdoa quem não crê e não busca a fé. Antecipando que – e é o fundamental – a misericórdia de Deus não tem limites se se volta a ele de coração sincero e contrito, a questão para quem não crê em Deus está em obedecer à própria consciência. O pecado, também para quem não tem fé, existe quando se vai contra a consciência. Escutar e obedecer a ela significa, de fato, decidir-se diante do que é percebido como bem ou como mal. E sobre essa decisão se joga a bondade ou a maldade do nosso agir.


Em segundo lugar, me pergunta se o pensamento segundo o qual não existe nenhum absoluto e, consequentemente, nenhuma verdade absoluta, mas somente uma série de verdades relativas e subjetivas, seja um erro ou um pecado. Para começar, eu não falaria, nem mesmo para quem crê, de verdade “absoluta”, no sentido que absoluto é o que é desligado, o que é privado de qualquer relação. Ora, a verdade, segundo a fé cristã, é o amor de Deus por nós em Jesus Cristo. Portanto, a verdade é uma relação! Tanto é verdade, que cada um de nós a compreende e a exprime a partir de si: da sua história e cultura, da situação em que vive, etc. Isto não significa que a verdade seja variável e subjetiva. Ao contrário. Mas significa que ela se dá a nós sempre e só como um caminho e uma vida. Jesus não disse “Eu sou o caminho, a verdade, a vida”? Em outros termos, a verdade, sendo definitivamente uma com o amor, requer a humildade e a abertura para ser buscada, acolhida e expressa. Portanto, é necessário um bom entendimento a respeito dos termos e, talvez, sair da estreiteza de uma contraposição... absoluta, impostar novamente em profundidade a questão. Penso que isto seja absolutamente necessário para entabular o diálogo sereno e construtivo que eu auspiciava no início desse meu dizer.


Na última pergunta, o Sr. me pergunta se, com o desaparecimento do homem sobre a terra, desaparecerá também o pensamento capaz de pensar Deus. Certo, a grandeza do homem está no poder pensar Deus. E no poder viver uma relação consciente e responsável com Ele. Mas a relação existe entre duas realidades. Deus – este é o meu pensamento e esta é minha experiência, mas quantos, ontem e hoje, a condividem! – não é uma ideia, ainda que elevadíssima, fruto do pensamento do homem. Deus é realidade com “R” maiúsculo. Jesus no-lo revela – e vive a relação com Ele – como um Pai de bondade e misericórdia infinita. Deus não depende, portanto, do nosso pensamento. De resto, também quando viesse a acabar a vida do homem sobre a terra – e para a fé cristã, em todo caso, este mundo assim como o conhecemos é destinado a acabar –, o homem não cessará de existir e, de um modo que não sabemos, também com ele o universo criado. A Escritura fala de “novos céus e nova terra” e afirma que, no fim, no onde e no quando que estão além de nós, mas para os quais, na fé, tendemos com desejo e esperança, Deus será “tudo em todos”.


Egrégio Dr. Scalfari, concluo assim estas minhas reflexões, suscitadas pelo que o Sr. quis me comunicar e perguntar. Acolha como resposta provisória mas sincera e confiante ao convite que lhe dirigi de fazer um percurso de caminho juntos. A Igreja, creia-me, apesar de todas as lentidões, infidelidades, erros e pecados que pode ter cometido e pode ainda cometer nos que a compõem, não tem outro sentido e fim a não ser o de viver e testemunhar Jesus: Ele que foi enviado pelo Abbá “a levar aos pobres o alegre anúncio, a proclamar aos prisioneiros a libertação e aos cegos a vista, e por em liberdade os oprimidos, a proclamar o ano da graça do Senhor” (Lc 4,18-19).


Com proximidade fraterna,


Francisco
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Disponível em: Aleteia

Amor à vida ou à mentira?

Tudo isso para não voltar aos tempos e aos métodos de Voltaire:
«Menti, menti, que alguma coisa ficará!»

No dia 1º de julho, o corpo do menino Brayan Capcha, de 5 anos, foi levado para a Bolívia, onde havia nascido. Ele tinha sido assassinado com um tiro na cabeça alguns dias antes, em São Paulo, depois de entregar ao criminoso os últimos centavos que carregava consigo. Entre lágrimas, pediu-lhe que não matasse a mãe e o deixasse viver. Mas o assaltante não tolerou o seu choro e lhe desferiu um tiro na cabeça.

No mesmo dia, o Parlamento da Bélgica começou a debater a aplicação da eutanásia para os menores de idade. Para os adultos, ela está em vigor desde o ano de 2002, e lhes permite pôr fim à vida com uma injeção letal em casos de doenças terminais. A partir de então, 1.432 pessoas recorreram à medida. A nova proposta de lei autoriza os médicos a atender ao pedido de crianças e adolescentes que solicitam a eutanásia «por se encontrarem em situações médicas sem saída, em estado de sofrimento físico, psíquico constante e insuportável».


Em julho também vieram à tona as declarações do Ministro da Economia do Japão, Taro Asso, sugerindo que, por motivos econômicos e para o bem da nação, «os idosos se apressem a morrer. Se eu estivesse na situação dessas pessoas de idade avançada que recebem acompanhamento médico, sentir-me-ia mal, sabendo que o tratamento é pago pelo Estado».


Estes e mil outros fatos do mesmo teor que sucedem diariamente no mundo refletem a mentalidade pagã que tomou conta de amplos setores da sociedade atual, a começar de algumas lideranças políticas. Concretiza-se, assim, a “profecia” feita pelo escritor russo Fiodor Dostoievski, há 150 anos: «Tirem Deus da sociedade e salve-se quem puder!». Com ele concorda o Papa Francisco, num pronunciamento que fez no Rio de Janeiro, no dia 27 de julho: «Em muitos ambientes, ganhou espaço a cultura da exclusão e do descartável. Não há mais lugar para o idoso e para o filho indesejado. Não há mais tempo para se deter com o pobre caído à margem da estrada. As relações humanas parecem regidas por apenas dois dogmas: a eficiência e o pragmatismo».

Escrevi acima que, em alguns países, essa mentalidade pagã está sendo propugnada por autoridades políticas. Mas, para ser exato, preciso incluir na lista também os meios de comunicação social. Um exemplo concreto foi dado pela Rede Globo no dia 23 de agosto, através da novela “Amor à vida”. Em dado momento, um ator no papel de médico, afirmou que «o aborto ilegal está entre as maiores causas de mortes de mulheres no Brasil, um caso de saúde pública».


Graças a Deus, de uns anos para cá, muitos leigos cristãos passaram a ocupar o seu lugar, não apenas na Igreja, mediante serviços litúrgicos e catequéticos, mas também na sociedade. Foi o que se viu na “nota” que dirigentes do “Movimento Nacional da Cidadania pela Vida (Brasil sem Aborto)” difundiram no dia 23 de agosto, contestando a Globo e pondo os pontos nos is: «Os dados oficiais, disponíveis no Datasus, atestam que, no Brasil, em 2011 (último ano a ter os dados totalmente disponíveis), faleceram 504.415 mulheres. O número máximo de mortes maternas por aborto provocado, incluindo os casos não especificados, corresponde a 69, sendo uma delas o aborto dito legal. Portanto, apenas 0,013% das mortes de mulheres se devem a aborto ilegal. 31,7% das mulheres morreram de doenças do aparelho circulatório e 17,03% de tumores. Estes, sim, constituem problemas de saúde pública.


A Globo fez também clara confusão entre os conceitos de “omissão de socorro” e “objeção de consciência”, com laivos de intolerância à liberdade religiosa. Desconhecemos que alguma religião impeça seus membros de prestar socorro a “pecadores”. Se assim fosse, inúmeros assaltantes e assassinos que chegam baleados aos hospitais, ficariam sem atendimento. Se até um bandido assassino, que foi ferido no embate, tem direito a atendimento médico, como caberia negá-lo em situações de sequelas do aborto? Se a Rede Globo deseja problematizar o debate, que o faça a partir de dados e situações verazes, e não se contente em reproduzir jargões propagandísticos!».



Tudo isso para não voltar aos tempos e aos métodos de Voltaire: «Menti, menti, que alguma coisa ficará!».
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Fonte: Aleteia

Vem aí a Feijoada Halleluya


Música, diversão e o melhor feijão da Ilha aguardam a comunidade de São Luís na Feijoada Halleluya, evento que acontece no próximo dia 15 de setembro, a partir das 9h, na Associação do Ministério Público do Maranhão (Ampem), no bairro Quintas do Calhau. O objetivo da Feijoada é mobilizar a comunidade de São Luís para o Halleluya, “A Festa que Nunca Acaba”, marcada para os dias 27, 28 e 29 de setembro, na Praça Maria Aragão, além de oferecer aos participantes um momento diferente de confraternização e congraçamento.

Para tanto, a programação do almoço vai incluir apresentações com as bandas Shalom Roots e com o cantor Serginho Carvalho, atrações que prometem agitar o evento. Além disso, estará à disposição dos participantes espaços como a piscina, quadra de esportes e espaço para crianças.

A Feijoada faz parte de um conjunto de ações de divulgação programadas pela Comunidade Shalom para motivar os ludovicenses a participarem da décima segunda edição do Halleluya, cuja expectativa de público é de 60 mil pessoas em três dias de evento. Carreatas, flashmobs entre outras atividades pretendem despertar a comunidade para uma festa cuja proposta é levar os participantes, por meio da arte, a terem uma experiência com o amor de Deus.


INGRESSOS

Para participar da Feijoada, basta adquirir ingresso no valor de R$15, à venda na Livraria Shalom, no Centro de Evangelização da Comunidade, na rua dos Socós, quadra 1, nº 44, no bairro do Calhau (próximo à Pizza Hut).

O HALLELUYA

Com 12 anos de história, o Halleluya já realizou na capital maranhense mais de 100 apresentações artísticas, reunindo anualmente um público de mais de 50 mil pessoas, incluindo caravanas de diversas cidades do interior do estado. Mais de 300 voluntários trabalham anualmente na organização do evento, cuja estrutura inclui palco, stands diversos, livraria, espaço para crianças no Halleluya Kids, praça de alimentação e espaço da Misericórdia.

Oito atrações musicais já estão confirmadas para esta edição, dentre as quais artistas de destaque que se apresentaram ao Papa Francisco durante a Jornada Mundial Juventude, como os cantores Diego Fernandes, Davidson Silva, Ana Gabriela e Suely Façanha. Além disso, o evento contará com pelo menos três apresentações de dança, contando com um corpo de baile formado por dançarinos profissionais