Se por um momento pudéssemos ver a cena dantesca que se produz em nossas igrejas ficaríamos horrorizados. Podemos ter uma ligeira ideia contemplando a fantástica ilustração de Rodrigo Garcia. Será que ela nos parece dura? Pois é exatamente o que acontece e não vemos!
Há tempos venho observando discussões e palestras sobre o tema “comunhão na mão”. Em todas elas o que percebo repetidamente é uma série de argumentos, tanto de leigos quanto de sacerdotes, alguns tratando de justificar em recebê-la e outros em administrá-la, evidenciando que, apesar de suas boas intenções, não compreenderam a verdadeira natureza do problema de fundo.
Querido leigo, devemos parar de pensar nestes termos: o que EU gosto, o que a MIM não ofende, o que EU vejo normal, o que EU vejo ou deixo de ver de grave, o que a MIM permite ter devoção, o que EU acredito, o que EU penso, o que EU li que não sei quem disse ou fazia não sei em que século… ou seja, o que EU, EU e mais EU.
Querido sacerdote que quer dar a Comunhão na mão ou, até mesmo, não quer, porém a dá, temos que deixar de discorrer desta maneira: EU gosto mais na mão, EU acredito que devo obedecer apesar de tudo, EU não vejo problemas, EU não vejo isso tão sério, EU não sou ninguém para tomar essa decisão, EU acho que se o Papa e meu bispo fazem, EU devo fazê-lo… ou seja, o que EU, EU e mais EU.
Não, queridos leigos e sacerdotes, esta perspectiva está totalmente errada, o problema não é VOCÊ, ou o que VOCÊ pensa ou deixa de pensar sobre as consequências que tenham para VOCÊ não dar a comunhão na mão, o que eles lhe dizem, o que muitos ou poucos façam, nem o que façam o bispo ou o papa. Não, não e não. Detenho-me e digo em voz alta:
O problema não é você, o problema é ELE
Não importa o seu ponto de vista, a razão teórica que possa ter ou deixar de ter, as suas boas intenções, o seu desejo de obediência, todos estes argumentos desmoronam sob o seu próprio peso, se os vemos à partir da perspectiva DELE, e não do EU.