sábado, 12 de agosto de 2017

Homilética: 22º Domingo do Tempo Comum - Ano A: "A Loucura da Cruz".


O Evangelho de hoje (Mateus 16,21-27) nos coloca naquelas dimensões do amor mais profundo e, portanto, autêntico. Quando Jesus anuncia por primeira vez que vai a Jerusalém para padecer e que será entregue à morte ali, e ressuscitará ao terceiro dia, se encontra com a reação, de boa fé, mas exagerada, de Pedro que quer impedir esse fracasso a Cristo. A resposta de Jesus hoje não é certamente de louvor, como no domingo passado, mas uma das mais duras palavras que saíram da boca de Jesus: “Afasta-te de mim, Satanás”. Cristo o convida-nos convida- a pensar como Deus e não como os homens. 

Levado pelo seu imenso carinho por Jesus, Simão procura afastá-Lo do caminho da Cruz, sem compreender ainda que ela será um grande bem para a humanidade e a suprema demonstração do amor de Deus por nós. Comenta São João Crisóstomo:”Pedro raciocinava humanamente e concluía que tudo aquilo- a Paixão e a Morte- era indigno de Cristo e reprovável.”

Pedro, naquele momento, não chega a entender que, por vontade expressa de Deus, a Redenção se tem de fazer mediante a Cruz e que “não houve meio mais conveniente de salvar a nossa miséria” (Sto. Agostinho).

Pensando apenas com uma lógica humana, é difícil entender que a dor, o sofrimento, aquilo que se apresenta como custoso, possa chegar a ser um bem. Até mesmo porque não fomos feitos para sofrer, pois todos aspiramos à felicidade.

O medo à dor é um impulso profundamente arraigado em nós, e a nossa primeira reação é de repulsa. Por isso, a mortificação, a penitência cristã, tropeça com dificuldades; não é fácil, e, ainda que a pratiquemos assiduamente, não acabamos nunca de acostumar-nos a ela.

A fé, no entanto, permite-nos ver-e experimentar que sem sacrifício não há amor, não há alegria verdadeira, a alma não se purifica, não encontramos a Deus. O caminho da santidade passa pela Cruz, e todo o apostolado fundamenta-se nela. Ensinava o Papa João Paulo II: “A Cruz é o livro vivo em que aprendemos definitivamente quem somos e como devemos atuar. Este livro está sempre aberto diante de nós” (Alocução, 01/04/1980). Devemos aproximar-nos dele e lê-lo; nele aprendemos quem é Cristo, o seu amor por nós e o caminho para segui- Lo. Quem procura a Deus sem sacrifício, sem Cruz, não O encontrará. Para ressuscitar com Cristo, temos que acompanha-Lo no seu caminho para a Cruz: aceitando as contrariedades e tribulações com paz e serenidade; sendo generosos na mortificação voluntária, que nos faz entender o sentido transcendente da vida e reafirmar o senhorio da alma sobre o corpo. Devemos ter em conta que a Cruz que anuncia Cristo é escândalo para uns e loucura e insensatez para outros (cf. 1 Cor 1,23).

Hoje vemos também muitas pessoas que não sentem as coisas de Deus, mas as dos homens. Têm o olhar posto nas coisas da terra, nos bens materiais, sobre os quais se lançam sem medida, como se fossem os únicos reais e verdadeiros. Disse Álvaro Del Portilho: "Este paganismo contemporâneo caracteriza-se pela busca do bem-estar material a qualquer custo, e pelo correspondente esquecimento – melhor seria dizer medo, autêntico pavor de tudo o que possa causar sofrimento. Com esta perspectiva, palavra como Deus, pecado , cruz, mortificação, vida eterna… acabam por ser incompreensíveis para um grande número de pessoas, que desconhecem o seu significado e sentido”.

Temos que lembrar a todos que não ponham o coração nas coisas da terra, que tudo é caduco, que envelhece e dura pouco. "Todos envelhecerão  como uma veste” (Hb 1,11). Somente a alma que luta por manter-se em Deus permanecerá numa juventude sempre maior até que chegue o encontro com o Senhor. Todas as outras coisas passam, e depressa.

Jesus recorda-nos hoje: "Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida?” (Mt 16,26). Antes, falou: "Quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim vai encontrá-la.”

O cristão não pode passar por alto estas palavras de Jesus Cristo. Deve arriscar-se, jogar a vida presente em troca de conseguir a eterna. "Que pouco é uma vida para oferecê-la a Deus!…”(Caminho, nº 4 20).

A exigência do Senhor inclui renunciar à própria vontade para a identificar com a de Deus, não aconteça que, como comenta São João da Cruz, tenhamos a sorte de muitos "Que queriam que Deus quisesse o que eles querem, e entristecem-se de querer o que Deus quer, e têm repugnância em acomodar a sua vontade à de Deus. Disto vem que muitas vezes, no que não acham a sua vontade e gosto, pensam não ser da vontade de Deus e, pelo contrário, quando se satisfazem, crêem que Deus Se satisfaz, medindo também a Deus por si, e não a si mesmo por Deus”.

“O Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta”(Mt 16, 27). O Senhor, com estas palavras, situa cada homem, individualmente, diante  do Juízo Final. A salvação tem, pois, um caráter radicalmente pessoal!

O fim do homem não é ganhar os bens temporais deste mundo, que são apenas meios ou instrumentos; o fim último do homem é o próprio Deus, que é possuído como antecipação aqui na terra pela Graça, e plenamente e para sempre na Glória. Jesus indica qual é o caminho para conseguir esse fim: negar-se a si mesmo (isto é, tudo o que é comodidade, egoísmo,apego aos bens temporais) e levar a Cruz. Porque nenhum bem terreno, que é caduco, é comparável à salvação eterna da alma. Como explica São Tomás: “o menor bem da graça é superior a todo o bem do universo” (Suma Teológica, I-II, q. 113, a. 9).

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Padre proíbe político pró-aborto de ler as Escrituras durante a Missa


A Catedral de St Colman’s em Cork não permitirá a Ken Curtin ler a Bíblia durante o serviço religioso porque ele é membro do partido Social Democrata, que apoia o aborto e repele a Oitava Emenda, que assegura proteção legal para mulheres e crianças não nascidas.

Pe. John McCarthy disse a Curtin que ele seria dispensado como leitor da Missa devido a sua luta contra uma emenda pró-vida.  


“[Pe. John] disse que devido às minhas posições pessoais, e enquanto fosse um membro do partido que apoia algo contra a crença da Igreja, eu não poderia mais ser um leitor”, disse Curtin, que perdeu a disputa pelo seu partido em Cork East durante as eleições.

Comentando depois de um encontro com o Bispo Crean, o Sr. Curtin disse que ele “teve uma boa audiência” e o bispo “escutou meu ponto de vista e expressou algumas opiniões próprias”. 


Numa declaração, a Diocese de Cloyne disse que “uma reunião frutífera e cordial foi realizada entre o Bispo Crean e Ken Curtin”, descrevendo o encontro como de “natureza pastoral”. Uma reunião envolvendo Pe. McCarthy seria realizada no futuro.

Depois de ter se encontrado com o bispo, Curtin disse que sentiu do Bispo Crean “que ele expressou a visão de que a pertença de uma pessoa a um partido político não deve ser motivo suficiente para excluí-la de ter uma função dentro da Igreja”.


“No entanto, ele afirmou acreditar que a visão de uma pessoa que repele a Oitava Emenda é uma questão diferente e ele teria um problema com alguém que sustenta uma visão contrária à da Igreja, rejeitando a Oitava Emenda e continuando no papel de leitor”. 

Padre Fábio de Melo fala pela primeira vez sobre sua saúde e a Síndrome do Pânico


Meus queridos amigos,

Saibam por mim o que sobre mim é verdade. Há 3 meses enfrentei um problema grave familiar. Desde então parei de dormir direito e passei a enfrentar uma angústia muito grande. Há 20 dias tive sintomas de síndrome do pânico, diagnóstico que já tinha tido 2 anos atrás e que superei muito rapidamente na época.

Desta vez foi muito diferente. Fiquei praticamente uma semana trancado em casa, com sensação de morte, tristeza profunda e medo de tudo. Nunca chorei tanto na minha vida. Meu amigo e médico Dr. Víctor Sorrentino recomendou-me uma psiquiatra de sua confiança. 

Desde então estou fazendo um tratamento. Os medicamentos fizeram uma enorme diferença. Tenho conseguido cumprir meus compromissos e procurado fazer uma rotina mais leve que me permita estar entre amigos que amo. Estou me sentindo bem melhor, ainda que não me sinta inteiro.

Papa ordena que instituto religioso belga deixe de oferecer eutanásia a doentes mentais sob pena de excomunhão.


O Papa Francisco ordenou que o Instituto Religioso “Irmãos da Caridade” na Bélgica pare de oferecer a eutanásia nos hospitais psiquiátricos por eles geridos. A ordem foi transmitida pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica ao Superior Geral do Instituto, Frei René Stockman, e o prazo é até esse mês de agosto. Caso a ordem não seja seguida, poderão seguir rígidas medidas canônicas, até a excomunhão.

O instituto religioso masculino de direito pontifício foi fundado por um sacerdote belga e aprovado em 1899. Em maio passado, o instituto havia anunciado que permitiria aos médicos praticar a eutanásia em seus 15 hospitais psiquiátricos na Bélgica.

Junto à Holanda, a Bélgica é o único país onde os médicos são legalmente autorizados a fazer a eutanásia em pessoas com problemas de saúde mental. Um dos critérios para a prática é o estado de “sofrimento insuportável” do paciente, além de ser necessário ao menos o parecer de três médicos, entre os quais um psiquiatra.

O superior da Congregação Católica na Bélgica, Raf De Rycke, em comunicado, havia dito que a eutanásia seria feita somente na falta de um “tratamento alternativo razoável” e que todo pedido seria examinado com a “máxima cautela”.

O superior-geral da Congregação, Irmão Rene Stockman, manifestou-se sobre o caso na época, dizendo que isso é inaceitável. Ele denunciou a forte pressão sofrida pela Ordem no que diz respeito à eutanásia e afirmou que “a secularização está arruinando a congregação na Bélgica”. 

Catequese do Papa: "Perdão divino - motor da esperança"


CATEQUESE
Sala Paulo VI – Vaticano
Quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Ouvimos a reação dos convíveres de Simão o fariseu: “Quem é este homem que até perdoa pecados?” (Lc 7, 49). Jesus tinha feito um gesto escandaloso. Uma mulher da cidade, conhecida por todos como uma pecadora, entrou na casa de Simão, inclinou-se aos pés de Jesus e derramou sobre seus pés óleo perfumado. Todos aqueles que estavam ali à mesa murmuraram: se Jesus é um profeta, não deveria aceitar gestos do tipo de uma mulher como aquela. Aquelas mulheres, pobrezinhas, que serviam somente para ser encontradas às escondidas, também pelos chefes, ou para ser lapidadas. Segundo a mentalidade do tempo, entre o santo e o pecador, entre o puro e o impuro, a separação devia ser clara.

Mas a atitude de Jesus é diferente. Desde o início do seu ministério na Galileia, Ele aproxima os leprosos, os endemoniados, todos os doentes e os marginalizados. Um comportamento do tipo não era nada habitual, tanto é verdade que esta simpatia de Jesus pelos excluídos, os “intocáveis”, será uma das coisas que mais chamará a atenção de seus contemporâneos. Lá onde há uma pessoa que sofre, Jesus está lá, e aquele sofrimento se torna seu. Jesus não prega que a condição de pena deve ser suportada com heroísmo, à maneira dos filósofos históricos. Jesus partilha a dor humana e quando a enfrenta, do seu íntimo brota aquela atitude que caracteriza o cristianismo: a misericórdia. Jesus, diante da dor humana, sente misericórdia; o coração de Jesus é misericordioso. Jesus prova compaixão. Literalmente: Jesus sente tremar suas vísceras. Quantas vezes nos evangelhos encontramos reações do tipo. O coração de Cristo encarna e revela o coração de Deus, que lá onde está um homem ou uma mulher que sofre, quer a sua cura, a sua libertação, a sua vida plena.

É por isso que Jesus abre os braços aos pecadores. Quanta gente perdura também hoje em uma vida errada porque não encontra ninguém disponível para olhá-lo ou olhá-la de modo diferente, com os olhos, melhor, com o coração de Deus, isso é, olhá-los com esperança. Jesus, em vez disso, vê uma possibilidade de ressurreição também em quem acumulou tantas escolhas erradas. Jesus está sempre ali, com o coração aberto; abre aquela misericórdia que tem no coração; perdoa, abraça, entende, se aproxima: assim é Jesus! 

CNBB convida para dia de jejum e oração pelo Brasil.


CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL 

Prezado irmão no episcopado,
Unidos para servir!

Vivemos um momento difícil e de apreensão no Brasil. A realidade econômica, política, ética vem acompanhada de violência e desesperança.

O Conselho Permanente, ao refletir o momento vivido, pediu que a Presidência enviasse carta ao irmão, sugerindo um Dia de jejum e oração pelo Brasil. Pediu igualmente que fosse enviada uma oração que pudesse ser rezada nas comunidades e famílias. 

Homilética: 21º Domingo Comum - Ano A: "A missão de Pedro na Igreja por vontade de Cristo é presidir na caridade".


“Tu és o Cristo” (Mt 16,16), eis a profissão de fé de Pedro. “Tu és Pedro” (Mt 16,18), eis a demonstração de que Deus confia nos homens!

O Evangelho (Mt 16, 13-20) nos apresenta Jesus com os seus discípulos em Cesareia de Filipe. Enquanto caminham, Jesus pergunta aos Apóstolos: “Quem dizem os homens ser o Filho do homem?”  E depois que eles apresentaram as várias opiniões que as pessoas tinham, Jesus pergunta-lhes diretamente: “E vós, quem dizeis que eu sou?”.

Essa pergunta encontra particular ressonância no coração de Pedro, que, movido por uma graça especial, respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Jesus chama-o bem-aventurado (Feliz és tu, Simão…) por essa resposta cheia de verdade, na qual confessou abertamente a divindade dAquele em cuja companhia andava há vários meses. Esse foi o momento escolhido por Cristo para comunicar ao seu Apóstolo que sobre ele recairia o Primado de toda a sua Igreja: “Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la…”.

Pedro confessou sua fé no Cristo, Filho de Deus vivo, graças à escuta de sua palavra e à cotidiana convivência. O Discípulo reconheceu o Messias porque a revelação do Pai encontrou nele abertura e acolhida. Quer dizer, descobre a verdade dos desígnios de Deus quem se deixa iluminar pela luz da fé. Com razão, reconhece o Documento de Aparecida: “A fé em Jesus como o Filho do Pai é a porta de entrada para a Vida.”  Como discípulos de Jesus, confessamos nossa fé com as palavras de Pedro: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (DAp, 100). A fé é um dom de Deus, é uma adesão pessoal a Ele. Crer só é possível pela graça e pelos auxílios interiores do Espírito Santo.

Para dar uma resposta convincente de fé, os cristãos precisam conhecer a fundo Jesus Cristo, saber sempre mais sobre sua pessoa e obra, pela leitura e meditação dos Evangelhos e pelos encontros com Ele por meio da ação litúrgica, em particular, dos sacramentos.

“Tu és Pedro…”. Pedro será a rocha, o alicerce firme sobre o qual Cristo construirá a sua Igreja, de tal maneira que nenhum poder poderá derrubá-la. E foi o próprio Senhor que quis que ele se sentisse apoiado e protegido pela veneração, amor e oração de todos os cristãos. Se desejamos estar muito unidos a Cristo, devemos estar sim, em primeiro lugar, a quem faz as suas vezes aqui na terra. Ensinava São Josemaria Escrivá: “Que a consideração diária do duro fardo que pesa sobre o Papa e sobre os bispos, te leve a venerá-los, a estimá-los com a tua oração” (Forja, 136).

O nosso amor pelo Papa não é apenas um afeto humano, baseado na sua santidade, simpatia, etc. Quando vamos ver o Papa, escutar a sua palavra, fazemo-lo para ver e ouvir o Vigário de Cristo, o “doce Cristo na terra”, na expressão de Santa Catarina de Sena, seja ele quem for. O Romano Pontífice é o sucessor de Pedro; unidos a ele, estamos unidos a Cristo.

“E vós quem dizeis que eu sou?” Eis uma pergunta que o Senhor nos faz a cada novo dia, tanto pessoalmente quanto como Igreja. Para responder, não basta procurar na memória alguma fórmula que aprendemos no catecismo, ou ouvimos de outros ou lemos nos livros. É preciso procurar no coração, em nossa fé vivida e testemunhada. Assim descobriremos o que Jesus representa, de fato, em nossa vida. Também hoje Jesus não se contenta que nós saibamos o que diz dele a cultura; quer a nossa resposta, de nós que cremos nele e que nele colocamos nossa esperança. Quem é Cristo? É uma pergunta que deveria voltar a cada tomada de decisão, a cada ato nosso. 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Homilética: 20º Domingo do Tempo Comum - Ano A: "Deus em Cristo trouxe a salvação a todos, sem exceção".


A liturgia do 20º Domingo do Tempo Comum reflete sobre a universalidade da salvação. Deus ama cada um dos seus filhos e a todos convida para o banquete do Reino.

Na primeira leitura, o Senhor garante ao seu Povo a chegada de uma nova era, na qual se vai revelar plenamente a salvação. No entanto, essa salvação não se destina apenas a Israel: destina-se a todos os homens e mulheres que aceitarem o convite para integrar a comunidade do Povo de Deus.

A segunda leitura sugere que a misericórdia de Deus se derrama sobre todos os seus filhos, mesmo sobre aqueles que, como Israel, rejeitam as suas propostas. Deus respeita sempre as opções dos homens; mas não desiste de propor, em todos os momentos e a todos os seus filhos, oportunidades novas de acolher essa salvação que Ele quer oferecer.

O Evangelho apresenta a realização da profecia de Isaías, apresentada na primeira leitura deste domingo. Jesus, depois de constatar como os fariseus e os doutores da Lei recusam a sua proposta do Reino, entra numa região pagã e demonstra como os pagãos são dignos de acolher o dom de Deus.

A mulher do Evangelho de hoje não era israelita. Mesmo assim Jesus elogiou a fé daquela Cananéia mostrando algo da sua medida: “ó mulher, grande é tua fé” (Mt 15,28). Pode, portanto, dar-se um crescimento na fé? A fé pode ser maior ou menor? A partir das palavras de Jesus a resposta não pode ser mais que afirmativa. Além do mais, as orações da Igreja são constantes em pedir para nós o aumento da fé, da esperança e da caridade.

A fé se manifesta na vida e uma vida cheia de fé consegue expressar-se como vida em plenitude. Daí a importância de que a nossa fé seja cada vez maior. Todo o nosso ser pede a graça da fé porque nós, criados por Deus, não descansamos a não ser nos braços do Senhor. O ser humano está necessariamente aberto à fé, a Deus; toda pessoa está sedenta de graça e de eternidade.

A fé sobrenatural e cristã se dá quando o ser humano acredita que há um só em três Pessoas – o Pai e o Filho e o Espírito Santo – e que a do Filho se encarnou para salvar-nos. Mas esse “acreditar” não é somente um ato intelectual, mas também, simultaneamente, um lançar-se nos braços de Deus com confiança, amando-lhe e esperando em sua salvação. Quanto mais nos lançarmos nos braços do nosso Pai do céu mais estaremos crescendo em fé. É graça! Mas também podemos preparar-nos para a recepção dessa graça ao fazer de tudo para abrir-nos mais à ação de Deus em nós.

A fé não é coisa só de gente seleta, gnóstica, dotada de um sexto sentido. Deus quer conceder a graça da fé a todos os seres humanos. O cristianismo não é uma seita recluída. A Igreja Católica é universal desde as suas origens. Sábios e menos instruídos podem receber o dom da fé e nele crescer. Frequentemente a fé se assenta melhor nos mais simples. No entanto, há e houve grandes sábios que eras crentes em Deus.

Em conversas com amigos da universidade pude perceber muitas vezes como há uma preocupação em defender a própria fé cristã dos ataques daqueles que querem pontificar em temas de fé.

Houve um tempo em que era até mesmo elegante a profissão do ateísmo, era sinônimo de vida inteligente ao quadrado. Hoje em dia já não é assim, como toda moda também essa já passou.

Assim como a fé cristã é questionada por muitos, oxalá fosse também questionado, a bem da verdade, o dogmatismo ateu e agnóstico. Não é sensato começar a defender tais posturas que brilham pela ausência de Deus levado simplesmente pela autoridade de um experto que, quando se trata de Deus, é um ignorante.


Face à grandeza da fé da mulher cananeia, Jesus oferece-lhe essa salvação que Deus prometeu derramar sobre todos os homens e mulheres, sem exceção.