Eu não aguentava mais ver na minha timeline comentários – pró e contra –
sobre o clipe Vai Malandra, da Anitta. Agora quem desbancou a
popozuda e praticamente monopoliza as discussões acaloradas nas redes
sociais são leigos denunciando o aparelhamento de certas alas da CNBB por
grupos e partidos marxistas.
Essa treta está rolando há mais de duas semanas, mas Alexandre Varela e
eu esperamos pacientemente que algum bispo de conduta exemplar viesse dar uma
luz sobre o problema. Afinal, no ano do laicato ou em qualquer ano, um bispo é
sempre um bispo.
Nossa espera não foi vã. Ontem, em sua página no Facebook, Dom
Fernando Rifan publicou o texto mais lúcido e equilibrado que já vimos
até agora sobre o assunto (veja aqui, na íntegra). Ele é
Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria
Vianney, membro do Regional Leste 1 da CNBB.
A Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney foi
criada por São João Paulo II, em 2002. Reúne padres que conservam a liturgia, a
disciplina e os costumes tradicionais (em especial, a Missa Tridentina).
Citando Bento XVI, Dom Rifan diz que as conferências episcopais:
· “não fazem parte da estrutura indispensável da Igreja”, e têm somente
uma função prática, concreta”;
· “não podem agir validamente em nome de todos os bispos, a menos que
todos e cada um dos bispos tenham dado o seu consentimento”.
Com isso, ele quer deixar claro que muitas iniciativas, eventos
e publicações promovidos sob a marca da CNBB não contam com a aprovação da
totalidade dos bispos do Brasil.Muitas vezes, representam somente o viés de
alguma comissão isolada da CNBB, ou de um pequeno grupo de bispos. Há anos nós
de O Catequista alertamos os nossos leitores sobre essa
questão, como vocês podem nestes posts (antigos) abaixo:
Sobre as recentes denúncias contra a CNBB, Dom Rifan diz que “não se
expõem os defeitos da mãe em público, sobretudo em redes sociais”. Mas já que
tudo já está exposto, ele decidiu fazer algumas observações.
Dom Rifan lembra que Jesus Cristo comparou a Igreja “a uma rede cheia de
peixes, bons e maus (Mt 13, 47-50)”, e que a separação desses peixes só se dará
no fim dos tempos. Portanto não devemos cair na tentação e na presunção de
achar que nós, agindo como cruzados de Facebook, vamos purificar e salvar a Igreja.
Não amigos, os leigos não vão salvar a Igreja (segundo
o próprio Bernardo Pires Küster, um bispo teria dito isso a ele). Nem leigo,
nem padre, nem mesmo o papa tem forças para passar por cima de uma profecia
evangélica: o joio continuará crescendo em meio ao trigo, e assim será até o
fim dos tempos.
Isso não quer dizer que devamos deixar os hereges agirem livremente e
sermos omissos, mas devemos combater esses erros sem
histeria, e, acima de tudo, sem atacar os bispos com pecaminosa insolência.
Porque, muitas vezes, o joio somos nós mesmos, com nossos pecados. Ser
anticomunistas não nos livrará de sermos arrastados para o mesmo Inferno onde
estarão certos "católicos vermelhos".
A não ser que você seja tipo um São Vicente de Sales ou uma Madre
Teresa de Calcutá, não se empolgue tanto com essa caça às bruxas da
banda podre da Teologia da Libertação. O autêntico
protagonismo leigo brota da santidade. Cuidado, especialmente
nesta Quaresma, para não se distrair da sua própria necessidade de conversão,
vendo o mal e o pecado somente nos outros.








