sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A oração é a luz da alma


A oração, o diálogo com Deus, é um bem incomparável, porque nos põe em comunhão íntima com Deus. Assim como os olhos do corpo são iluminados quando recebem a luz, a alma que se eleva para Deus é iluminada por sua luz inefável. Falo da oração que não é só uma atitude exterior, mas que provém do coração e não se limita a ocasiões ou horas determinadas, prolongando-se dia e noite, sem inter­rupção.

Com efeito, não devemos orientar o pensamento para Deus apenas quando nos aplicamos à oração; também no meio das mais variadas tarefas - como o cuidado dos pobres, as obras úteis de misericórdia ou quaisquer outros serviços do próximo - é preciso conservar sempre vivos o desejo e a lembrança de Deus. E assim, todas as nossas obras, temperadas com o sal do amor de Deus, se tornarão um alimento dulcíssimo para o Senhor do universo. Podemos, entretanto, gozar continuamente em nossa vida do bem que resulta da oração, se lhe dedicarmos todo o tempo que nos for possível.

A oração é a luz da alma, o verdadeiro conhecimento de Deus, a mediadora entre Deus e os homens. Pela oração a alma se eleva até aos céus e une-se ao Senhor num abraço inefável; como uma criança que, chorando, chama sua mãe, a alma deseja o leite divino, exprime seus próprios desejos e recebe dons superiores a tudo que é natural e visível.

A oração é venerável mensageira que nos leva à presen­ça de Deus, alegra a alma e tranquiliza o coração. Não penses que essa oração se reduza a palavras. Ela é desejo de Deus, amor inexprimível que não provém dos homens, mas é efeito da graça divina, como diz o Apóstolo: Nós não sabemos o que devemos pedir, nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis (Rm 8,26).

Semelhante oração, quando o Senhor a concede a alguém, é uma riqueza que não lhe pode ser tirada e um alimento celeste que sacia a alma. Quem a experimentou inflama-se do desejo eterno de Deus, como que de um fogo devorador quê abrasa o coração.

Praticando-a em sua pureza original, adorna tua casa de modéstia e humildade, torna-a resplandecente com a luz da justiça. Enfeita-se com boas obras, quais plaquetas de ouro, ornamenta-se de fé e de magnanimidade em vez de paredes e mosaicos. Como cúpula e coroamento de todo o edifício, coloca a oração. Assim prepararás para o Senhor uma digna morada, assim terás um esplêndido palácio real para o receber, e poderás tê-lo contigo na tua alma, transformada, pela graça, em imagem e templo da sua presença.


Das Homílias do Pseudo-Crisóstomo

(Supp., Hom. 6 de precatione: PG 64,462-466)             (Séc. IV)

Misericórdia: originalidade da vida cristã


O cristianismo das origens se definia pela misericórdia. A Igreja nasce no meio urbano, e os cristãos são cidadãos que vivem situações difíceis de caos e miséria devido à densidade populacional. Diante do alto índice de mortalidade infantil e da breve expectativa de vida, ocorria um intenso fenômeno migratório. Às cidades acorria grande número de estrangeiros, que eram bem-acolhidos pelos cristãos que lhes davam assistência de diferentes formas.

Na Antiguidade, também os romanos praticavam generosidade, mas os cristãos tinham uma atitude diferenciada em relação ao próximo, pois cumpriam as obras de misericórdia por mandato divino. Se um enfermeiro socorresse uma vítima de epidemia sabia que colocava a sua vida em risco, mas se o cuidador fosse pagão, não esperava uma recompensa por esse gesto. Os cristãos, ao contrário, por conta de Jesus e da promessa de vida eterna, sabiam que esse amor ao próximo os aproximava do Pai das misericórdias. 

Os cristãos, contudo, não cuidavam do próximo com segundas intenções, como que para merecer a vida eterna, pois o amor não pode ter interesses. Sabiam, entretanto, que o gesto realizado na concretude da experiência humana remetia a uma transcendência fundamental que Jesus revelara. 

Na sociedade antiga, praticar o bem sem esperar uma recompensa era uma ideia considerada contrária à justiça. Os filósofos romanos se opunham à misericórdia, considerando a piedade um defeito de caráter, indigno dos sábios, mas próprio de pessoas imaturas. Para eles, usar de misericórdia era deixar-se levar por um impulso ignorante.

Também hoje a gratuidade da misericórdia suscita estranheza, especialmente diante da cultura que exalta o individualismo. Muitos não compreendem como alguém pode doar a própria vida ao cuidar de um familiar doente ou idoso. Há quem não suporte um sacrifício por si mesmo, muito menos pelos outros. Numa sociedade com crise de alteridade, nem sempre a misericórdia é bem-vinda. 

Santa Eulália


Lembramos neste dia a santidade de Eulália, virgem e mártir. Viveu em Barcelona no fim do século III numa família que a educou para o bem e para a fé em Jesus Cristo.

Quando pequena Eulália gostava da companhia das amigas cristãs , e por outro lado fugia do pecado e era inimiga da vaidade. Aconteceu que possuía apenas 14 anos quando chegou à Espanha a perseguição contra os cristãos por parte do terrível Diocleciano; Eulália soube dos fatos e desejou alegremente o martírio, para assim glorificar e estar com o Cristo.

Os pais religiosos pais resolveram viajar a fim de esconderem-se juntamente com a menina, mas uma noite, em segredo, ela deixou sua casa em direção à cidade. Diz-se que um cortejo de anjos iluminava o caminho de Eulália. De manhã, diante do palácio do governador, ela elevava a voz contra os perseguidores e defendia os cristãos.

O imperador não sabia o que fazer. Tentou convencê-la a adorar os deuses romanos. Além disso, se Eulália abandonasse Jesus Cristo, ela seria presenteada com ouro e jóias e seus pais seriam também agraciados. Ao ouvir tal proposta, Eulália olhou diretamente para o governador e respondeu-lhe: "Não perca seu tempo. Mande logo que me torturem e matem, pois nunca abrirei mão da minha fé".

Diante da fé e coragem da jovem Eulália o governador mandou os algozes queimarem o seu corpo com ferros em brasa, e sua oração durante o sofrimentos era esta: "Agora, ó Jesus, vejo no meu corpo os traços de vossa sagrada paixão ". 

ORAÇÃO


Querido Pai, diante de vossa presença de amor, e sob a intercessão de Santa Eulália, pedimos humildemente que nos torne cada vez mais convictos de nossa fé e nos impulsione a viver o amor de Cristo na denúncia de tudo aquilo que fere a vida do ser humano. Tudo isto vos pedimos por Cristo, nosso Senhor. Amém.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

O Reino de Deus


Diante do mundo das dúvidas, muitos de nós nos perguntamos e questionamos onde fica o reino de Deus e como ele é. Já ouvimos diversas vezes a expressão “reino de Deus” em cultos cristãos, tendo como foco Jesus, pois Ele é o passaporte do reino dos céus. Ele mesmo falou para os seus  discípulos que era o segredo para ter acesso a esse reino cintilante que não tem fim. Está escrito em João 14,6: ‘’Ninguém vai ao Pai, senão por Mim’’, e outras passagens bíblicas que confirmam isso.

O reino de Deus é algo tão próximo que nem imaginamos. Na verdade somos nós que damos início a esse reino, porque ele está dentro de nós. É através das boas obras e seguindo os ensinamentos de Cristo que edificamos e com o tempo vamos fortalecendo e selando essa obra em nosso coração e transbordando para o nosso meio, ou seja, para o nosso próximo e para o mundo. A ação do Espírito Santo é o guia desse processo magnífico no qual  é Ele que vai orientar a desenvolver e ajudar a semear a presença divina em nossos ambientes, e é através dessa maneira que visualizamos a estrutura do reino à qual está constituída de Deus e, como está contido, estão presentes vários frutos divinos, entre eles: a paz, o amor, o perdão, a simplicidade, a santidade e etc. 

A vida na Líbia sob o Estado Islâmico: amputações, degolas e crucificações públicas


A Líbia desabou no caos em 2011, depois da derrubada do ditador Muamar Kadafi por forças da Otan. Kadafi tinha chefiado o país durante décadas de modo sanguinário – péssimo com ele, mas… incrivelmente, pior ainda sem ele.

Várias facções se engalfinham pelo poder e se autoproclamam as legítimas autoridades sobre porções do país em frangalhos. O cenário de terra de ninguém não foi desperdiçado pelos terroristas do Estado Islâmico (EI), que transformaram algumas partes da Líbia em territórios do seu “califado”.

A maioria dos combatentes do EI na Líbia são estrangeiros da Tunísia, do Iraque e da Síria. A ONU estima que eles sejam de 2 mil a 3 mil. Cerca de 1,5 mil estão na cidade de Sirte, situada na costa, onde a milícia fanática impõe o extremismo da lei islâmica desde as regras de vestuário, segregação nas escolas e policiamento “religioso” até punições que incluem amputações, decapitações e crucificações públicas.


Este cartaz, em imagem divulgada pela rede britânica BBC, diz:

“Instruções para vestir o hijab de acordo com a sharia:

    Deve ser fechado e não revelar nada
    Deve ser folgado (não apertado)
    Deve cobrir todo o corpo
    Não deve ser atraente
    Não deve lembrar as roupas de infiéis ou homens
    Não deve ser ornamentado e chamar a atenção
    Não deve ser perfumado”.

A BBC conseguiu conversar com ex-moradores de Sirte.

Seus relatos são chocantes: 

Papa fala sobre caminho quaresmal e Jubileu


CATEQUESE

Praça de São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bom caminho de Quaresma!

É belo e também significativo ter esta audiência justamente nesta Quarta-Feira de Cinzas. Começamos o caminho da Quaresma e hoje nos concentramos sobre a antiga instituição do “jubileu”; é algo antigo, atestado na Sagrada Escritura. Nós a encontramos em particular no Livro do Levítico, que a apresenta como um momento culminante da vida religiosa e social do povo de Israel.

A cada 50 anos, “no dia da expiação” (Lv 25, 9), quando a misericórdia do Senhor era invocada sobre todo o povo, o som da trombeta anunciava um grande evento de libertação. Lemos, de fato, no livro do Levítico: “Declarareis santo o quinquagésimo ano e proclamareis a libertação na terra para todos os seus habitantes. Será para vós um jubileu; cada um de vós voltará à sua propriedade e à sua família […] Neste ano do jubileu, cada um voltará à sua propriedade” (25, 10.13). Segundo essas disposições, se alguém era obrigado a vender a sua terra ou a sua casa, no jubileu podia retomar a posse; e se alguém havia contraído débitos e, impossibilitado de pagar, tivesse sido obrigado a colocar-se a serviço do credor, podia tornar-se livre para a sua família e reaver todas as propriedades.

Era uma espécie de “anistia geral”, com a qual se permitia a todos voltar à situação originária, com o cancelamento de todo débito, a restituição da terra e a possibilidade de gozar de novo da liberdade própria dos membros do povo de Deus. Um povo “santo”, onde prescrições como aquela do jubileu serviam para combater a pobreza e a desigualdade, garantindo uma vida digna para todos e uma distribuição equitativa da terra sobre a qual habitar e da qual tirar sustento. A ideia central é que a terra pertence originalmente a Deus e foi confiada aos homens (cfr Gen 1, 28-29), e por isso ninguém pode reivindicar posse exclusiva, criando situações de desigualdade. Hoje, podemos pensar e repensar isso; cada um no seu coração pense se tem muitas coisas. Mas por que não deixar àqueles que não têm nada? Os dez por cento, os cinquenta por cento…Eu digo: que o Espírito Santo inspire cada um de vós.

Com o jubileu, quem tinha se tornado pobre voltava a ter o necessário para viver e quem tinha se tornado rico restituía ao pobre aquilo que lhe havia tomado. A finalidade era uma sociedade baseada na igualdade e na solidariedade, onde a liberdade, a terra e o dinheiro se tornassem um bem para todos e não somente para alguns, como acontece agora, se não estou errado… Mais ou menos, as cifras não são seguras, mas oitenta por cento das riquezas da humanidade estão nas mãos de menos de vinte por cento da população. É um jubileu – e isso o digo recordando a nossa história de salvação – para se converter, para que o nosso coração se torne maior, mais generoso, mais filho de Deus, com mais amor. Digo-vos uma coisa: se este desejo, se o jubileu não chega aos bolsos, não é um verdadeiro jubileu. Entenderam? E isso está na Bíblia! Não é o Papa que inventa isso: está na Bíblia. O objetivo – como disse – era uma sociedade baseada na igualdade e na solidariedade, onde a liberdade, a terra e o dinheiro se tornassem um bem para todos e não para alguns. De fato, o jubileu tinha a função de ajudar o povo a viver uma fraternidade concreta, feita de ajuda recíproca. Podemos dizer que o jubileu bíblico era um “jubileu de misericórdia”, porque vivido na busca sincera do bem do irmão necessitado. 

A purificação espiritual por meio do jejum e da misericórdia


Em todo tempo, amados filhos, a terra está repleta da misericórdia do Senhor (SI 32,5). À própria natureza é para todo fiel uma lição que o ensina a louvar a Deus, pois o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe proclamam a bondade e a onipotência de seu Criador; e a admirável beleza dos elementos postos a nosso serviço requer da criatura racional uma justa ação de graças.

O retorno, porém, desses dias.que os mistérios da salvação humana marcaram de modo mais especial e que precedem imediatamente a festa da Páscoa, exige que nos preparemos com maior cuidado por meio de uma purificação espiritual.

Na verdade, é próprio da solenidade pascal que a Igreja inteira se alegre com o perdão dos pecados. Não é apenas nos que renascem pelo santo batismo que ele se realiza, mas também naqueles que desde há muito são contados entre os filhos adotivos.

É, sem dúvida, o banho da regeneração que nos torna criaturas novas; mas todos têm necessidade de se renovar a cada dia para evitarmos a ferrugem inerente à nossa condição mortal, e não há ninguém que não deva se esforçar para progredir no caminho da perfeição; por isso, todos sem exceção, devemos empenhar-nos para que, no dia da redenção, pessoa alguma seja ainda encontrada nos vícios do passado.

Por conseguinte, amados filhos, aquilo que cada cristão deve praticar em todo tempo, deve praticá-lo agora com maior zelo e piedade, para cumprir a prescrição, que remonta aos apóstolos, de jejuar quarenta dias, não somente reduzindo os alimentos, mas sobretudo abstendo-se do pecado.

A estes santos e razoáveis jejuns, nada virá juntar-se com maior proveito do que as esmolas. Sob o nome de obras de misericórdia, incluem-se muitas e louváveis ações de bondade; graças a elas, todos os fiéis podem manifestar igualmente os seus sentimentos, por mais diversos que sejam os recursos de cada um.

Se verdadeiramente amamos a Deus e ao próximo, nenhum obstáculo impedirá nossa boa vontade. Quando os anjos cantaram: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade (Lc 2,14), proclamavam bem-aventurado, não só pela virtude da benevolência mas também pelo dom da paz, todo aquele que, por amor, se compadece do sofrimento alheio.

São inúmeras as obras de misericórdia, o que permite aos verdadeiros cristãos tomar parte na distribuição de esmolas, sejam eles ricos, possuidores de grandes bens, ou pobres, sem muitos recursos. Apesar de nem todos poderem ser iguais na possibilidade de dar, todos podem sê-lo na boa vontade que manifestam.


Dos Sermões de São Leão Magno, papa

(Sermo 6 de Quadragesima, 1-2: PL 54,285-287)            (Séc. V)

A profecia esquecida de Joseph Ratzinger sobre o futuro da Igreja.


A renúncia do Papa Bento XVI suscitou na mídia e em boa parte dos fiéis, especulações acerca de profecias apocalípticas sobre o futuro da Igreja. Dentre elas, a que mais chamou a atenção foi a famosa “Profecia de São Malaquias” que, segundo a lenda, anunciava o fim da Igreja e do mundo ainda neste século.

Apesar dessas previsões catastróficas alimentarem a imaginação de inúmeras pessoas, a verdade é que elas carecem de fundamento e lógica, como já demonstraram vários teólogos, inclusive o estimado monge beneditino, Dom Estevão Bettencourt, na sua revista “Pergunte e Responderemos”.

Mas não é sobre a profecia de São Malaquias que queremos falar aqui. Nossa atenção, devido às circunstâncias, volta-se para as palavras do jovem teólogo da Baviera, Padre Joseph Ratzinger, proferidas há pouco mais de 40 anos, logo após o término do Concílio Vaticano II.

Em um contexto de crise de fé e revolução cultural, o então professor de teologia da Universidade de Tübingen via-se cada vez mais sozinho diante da postura marcadamente liberal de seus colegas teólogos, como por exemplo, Küng, Schillebeeckx e Rahner. Olhando também para os outros setores da Igreja, Padre Ratzinger via nos “sinais dos tempos” um presságio do processo de simplificação que o catolicismo teria de enfrentar nos anos seguintes.

Uma Igreja pequena, forçada a abandonar importantes lugares de culto e com menos influência na política. Esse era o perfil que a Igreja Católica viria a ter nos próximos anos, segundo Ratzinger. O futuro papa estava convencido de que a fé católica iria passar por um período similar ao do Iluminismo e da Revolução Francesa, época marcada por constantes martírios de cristãos e perseguições a padres e bispos que culminaram na prisão de Pio VI e sua morte no cárcere em 1799. A Igreja estava lutando contra uma força, cujo principal objetivo era aniquilá-la definitivamente, confiscando suas propriedades e dissolvendo ordens religiosas.

Apesar da aparente visão pessimista, o jovem Joseph Ratzinger também apresentava um balanço positivo da crise. O teólogo alemão afirmava que desse período resultaria uma Igreja mais simples e mais espiritual, na qual as pessoas poderiam encontrar respostas em meio ao caos de uma humanidade corrompida e sem Deus. Esses apontamentos feitos por Ratzinger faziam parte de uma série de cinco homilias radiofônicas, proferidas em 1969. Essas mensagens foram publicadas em livro sob o título de “Fé e Futuro”.

“A Igreja diminuirá de tamanho. Mas dessa provação sairá uma Igreja que terá extraído uma grande força do processo de simplificação que atravessou, da capacidade renovada de olhar para dentro de si. Porque os habitantes de um mundo rigorosamente planificado se sentirão indizivelmente sós. E descobrirão, então, a pequena comunidade de fiéis como algo completamente novo. Como uma esperança que lhes cabe, como uma resposta que sempre procuraram secretamente”