quinta-feira, 30 de junho de 2016

Os primeiros mártires de Roma

 
No ano de 64, um pavoroso incêndio reduziu Roma a cinzas. O imperador Nero, considerado imoral e louco por alguns historiadores, se viu acusado de ter sido o causador do fogo. Para defender-se, acusou os cristãos, fazendo brotar um ódio dos pagãos contra os seguidores de Cristo. Nero ordenou o massacre de todos eles. Houve execuções de todo tipo e forma e algumas cenas sanguinárias estimulavam os mais terríveis sentimentos humanos. Alguns adultos foram embebidos em pixe e transformados em tochas humanas usadas para iluminar os jardins do imperador. Em outro episódio revoltante, crianças e mulheres foram vestidas com peles de animais e jogadas no circo às feras, para serem destroçadas e devoradas por elas. A crueldade se estendeu do ano de 64 até 67, chegando a um exagero tão grande que acabou incutindo no povo um sentimento de piedade. O ódio acabou se transformando em solidariedade. Os apóstolos São Pedro e São Paulo foram duas das mais famosas vítimas deste imperador. Porém, como bem nos lembrou o Papa Clemente, o dia de hoje é a festa de todos os mártires, que com o seu sangue sedimentaram a gloriosa Igreja Católica. No sangue dos homens e mulheres que foram sacrificados em Roma nasceu forte e viçosa a flor da evangelização.

Santos mártires de nossa santa Igreja, que passaram por tantos sofrimentos para semear o Evangelho, nós vos louvamos por vossas vidas tão heróicas e santas e nos consagramos a vós para que também nós nos tornemos cristãos em verdade e em vida. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Fraternidade Sacerdotal São Pio X afirma que "não está buscando um reconhecimento canônico”.


No final da reunião dos Superiores Maiores da Fraternidade São Pio X, que foi realizada na Suíça, entre os dias 25 a 28 de junho de 2016, o Superior Geral fez o seguinte comunicado:

O propósito da Fraternidade São Pio X é principalmente a formação de sacerdotes, condição essencial para a renovação da Igreja e para a restauração da sociedade.

Em meio à grande e dolorosa confusão que atualmente reina na Igreja, a proclamação da doutrina católica exige a denúncia de erros que penetraram em seu seio e, infelizmente, são encorajados por um grande número de pastores, incluindo o próprio Papa.

A Fraternidade São Pio X, no presente estado de grave necessidade, que lhe dá o direito e o dever de administrar o auxílio espiritual para as almas que se voltam para ela, não busca primariamente o reconhecimento canônico a que tem direito enquanto obra católica. Ela tem apenas um desejo: fielmente levar a luz da Tradição bimilenar que mostra a única rota a seguir nesta época de escuridão na qual o culto do homem substitui o culto a Deus, tanto na sociedade como na Igreja.

Oração é o principal caminho para sair do fechamento, diz Papa




HOMILIA 

 BÊNÇÃO DOS PÁLIOS E CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA NA
SOLENIDADE DOS SANTOS APÓSTOLOS PEDRO E PAULO 
  Basílica Vaticana 
 Quarta-feira, 29 de junho de 2016

Nesta liturgia, a Palavra de Deus contém um binômio central: fechamento/abertura. E, relacionado com esta imagem, está também o símbolo das chaves, que Jesus promete a Simão Pedro para que ele possa, sem dúvida, abrir às pessoas a entrada no Reino dos Céus, e não fechá-la como faziam alguns escribas e fariseus hipócritas que Jesus censura (cf. Mt 23,13).

A leitura dos Atos dos Apóstolos (12,1-11) apresenta-nos três fechamentos: o de Pedro na prisão; o da comunidade reunida em oração; e – no contexto próximo da nossa perícope – o da casa de Maria, mãe de João chamado Marcos, a cuja porta foi bater Pedro depois de ter sido libertado.

Vemos que a principal via de saída dos fechamentos é a oração: via de saída para a comunidade, que corre o risco de se fechar em si mesma por causa da perseguição e do medo; via de saída para Pedro que, já no início da missão que o Senhor lhe confiara, é lançado na prisão por Herodes e corre o risco de ser condenado à morte. E enquanto Pedro estava na prisão, «a Igreja orava a Deus, instantemente, por ele» (At 12, 5). E o Senhor responde à oração com o envio do seu anjo para o libertar, «arrancando-o das mãos de Herodes» (cf. v. 11). A oração, como humilde entrega a Deus e à sua santa vontade, é sempre a via de saída dos nossos fechamentos pessoais e comunitários. É a grande via de saída dos fechamentos.

O próprio Paulo, ao escrever a Timóteo, fala da sua experiência de libertação, de saída do perigo de ser ele também condenado à morte; mas o Senhor esteve ao seu lado e deu-lhe força para poder levar a bom termo a sua obra de evangelização dos gentios (cf. 2 Tm 4, 17). Entretanto Paulo fala duma «abertura» muito maior, para um horizonte infinitamente mais amplo: o da vida eterna, que o espera depois de ter concluído a «corrida» terrena. Assim é belo ver a vida do Apóstolo toda «em saída» por causa do Evangelho: toda projetada para a frente, primeiro, para levar Cristo àqueles que não O conhecem e, depois, para se lançar, por assim dizer, nos seus braços e ser levado por Ele «a salvo para o seu Reino celeste» (v. 18).

Voltemos a Pedro… A narração evangélica (Mt 16, 13-19) da sua confissão de fé e consequente missão a ele confiada por Jesus mostra-nos que a vida do pescador galileu Simão – como a vida de cada um de nós – se abre, desabrocha plenamente quando acolhe, de Deus Pai, a graça da fé. E Simão põe-se a caminhar – um caminho longo e duro – que o levará a sair de si mesmo, das suas seguranças humanas, sobretudo do seu orgulho misturado com uma certa coragem e altruísmo generoso. Decisiva neste seu percurso de libertação é a oração de Jesus: «Eu roguei por ti [Simão], para que a tua fé não desapareça» (Lc 22, 32). E igualmente decisivo é o olhar cheio de compaixão do Senhor depois que Pedro O negou três vezes: um olhar que toca o coração e liberta as lágrimas do arrependimento (cf. Lc 22, 61-62). Então Simão Pedro foi liberto da prisão do seu eu orgulhoso, do seu eu medroso, e superou a tentação de se fechar à chamada de Jesus para O seguir no caminho da cruz.

Venha a nós o vosso reino


Quem haverá, por mais irrefletido que seja, que, desejando fazer um pedido a uma pessoa importante, não discuta consigo mesmo como lhe falará, de forma a lhe agradar e não o aborrecer? Pensará também no que lhe irá pedir e para que fim, sobretudo quando se trata de coisa tão importante, como a que nosso bom Jesus nos ensina a pedir. Na minha opinião, é isso o mais fundamental.

Não poderíeis, Senhor meu, englobar tudo numa palavra e dizer: “Dai-nos, ó Pai, o que for conveniente e adequado?” Assim nada mais seria preciso dizer a quem tudo conhece com perfeição.

Isto na verdade, ó eterna Sabedoria, seria suficiente entre vós e vosso Pai, e foi assim que orastes no Horto de Getsêmani. Vós lhe manifestastes vossa vontade e temor, mas vos conformastes totalmente à sua vontade. Quanto a nós, Senhor meu, sabeis não sermos tão conformados assim, como o fostes à vontade do Pai. Por esta razão, cumpre pedir coisa por coisa. Deste modo, refletiremos antes se nos convém o que pedimos. Em caso contrário, deixemos de pedi-lo. De fato, somos assim: se não nos for concedido o que pedimos, este nosso livre-arbítrio não aceitará o que o Senhor nos der. Porque, embora seja o melhor quanto o Senhor nos der, se não vemos logo o dinheiro na mão, nunca pensamos ser ricos. Por isso Jesus nos ensina a dizer as palavras com que pedimos a vinda de seu reino: Santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino. Admirai, minhas filhas, a profunda sabedoria de nosso Mestre!

Considero eu aqui – e para nós é bom entender – o que pedimos com este reino. A majestade de Deus via que não podíamos santificar ou glorificar como seria bom este santo nome do Pai eterno, de acordo como pouquinho que podemos, a menos que sua Majestade não providenciasse, dando-nos aqui o seu reino. Por isso o bom Jesus pôs um pedido ao lado do outro. Para entendermos o que pedimos e quanto interessa pedirmos, importuna e ardentemente, e, além disso, fazer tudo que estiver a nosso alcance para satisfazer àquele que no-lo dará, quero expor-vos aqui o que sobre isso compreendo.

O supremo bem que me parece existir no reino dos céus é que já não se dá valor às coisas da terra. Sendo assim, há um alegrar-se da alegria de todos, uma paz perpétua, uma satisfação imensa em si mesmos por ver que todos engrandecem ao Senhor e bendizem seu nome, sem ninguém mais o ofender com seus pecados. Todos o amam e em seu coração não anseiam nada mais do que amá-lo, nem podem deixar de amá-lo, porque o conhecem. É assim que o deveríamos amar também aqui, embora não o possamos com toda esta perfeição e em sua essência. Pelo menos, nós o amaríamos muito mais do que o amamos, se melhor o conhecêssemos.


Do livro O Caminho da Perfeição, de Santa Teresa, virgem
(Cap. 30,1-5: Oeuvres complètes. Desclée de Brouwer, Paris, 1964, 467-468)         (Séc.XVI)

Estes mártires deram testemunho do que viram


O dia de hoje é para nós dia sagrado, porque nele celebramos o martírio dos apóstolos São Pedro e São Paulo. Não falamos de mártires desconhecidos. A sua voz ressoou por toda a terra e a sua palavra até aos confins do mundo. Estes mártires deram testemunho do que tinham visto: seguiram a justiça, proclamaram a verdade, morreram pela verdade.

São Pedro é o primeiro dos Apóstolos, ardentemente apaixonado por Cristo, aquele que mereceu ouvir estas palavras: E Eu te digo que tu és Pedro. Antes dissera ele: Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo. E Cristo respondeu-lhe: E Eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. Sobre esta pedra edificarei Eu a mesma fé de que tu dás testemunho. Sobre a mesma afirmação que tu fizeste: Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo, edificarei Eu a minha Igreja. Porque tu és Pedro.   «Pedro» vem de «pedra»; não é «pedra» que vem de «Pedro». «Pedro» vem de «pedra», como «cristão» vem de «Cristo».

O Senhor Jesus, antes da sua paixão, escolheu, como sabeis, os discípulos a quem chamou Apóstolos. Entre estes, só Pedro mereceu representar em toda a parte a personalidade da Igreja inteira. Porque sozinho representava a Igreja inteira, mereceu ouvir estas palavras: Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus. Na verdade, quem recebeu estas chaves não foi um único homem, mas a Igreja única. Assim se manifesta a superioridade de Pedro, porque ele representava a universalidade e unidade da Igreja, quando lhe foi dito: Dar-te-ei. Era-lhe atribuído nominalmente o que a todos foi dado.

Com efeito, para que saibais que a Igreja recebeu as chaves do reino dos Céus, ouvi o que o Senhor diz noutro lugar a todos os seus Apóstolos: Recebei o Espírito Santo. E logo a seguir: Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos.

No mesmo sentido, também depois da ressurreição, o Senhor confiou a Pedro o cuidado de apascentar as suas ovelhas. Na verdade, não foi só ele, entre os discípulos, que recebeu a missão de apascentar as ovelhas do Senhor. Mas, referindo-se Cristo a um só, quis insistir na unidade da Igreja. E dirigiu-se a Pedro, de preferência aos outros, porque entre os Apóstolos, Pedro é o primeiro.

Não estejas triste, ó Apóstolo. Responde uma vez, responde outra vez, responde pela terceira vez. Vença por três vezes a tua profissão de amor, já que três vezes o temor venceu a tua presunção. Tens de soltar por três vezes o que por três vezes ligaste. Solta por amor o que ligaste pelo temor. E assim, uma vez e outra vez e pela terceira vez, o Senhor confiou a Pedro as suas ovelhas.

Num só dia celebramos o martírio dos dois Apóstolos. Na realidade, os dois eram como um só; embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho. Pedro foi à frente; seguiu-o Paulo. Celebramos a festa deste dia para nós consagrado com o sangue dos dois Apóstolos. Amemos e imitemos a sua fé e a sua vida, os seus trabalhos e sofrimentos, o testemunho que deram e a doutrina que pregaram.


Dos sermões de Santo Agostinho, bispo
(Sermão 295, 1-2.4.7-8: PL 38, 1348-1352) (Sec. V)

Provação, mal e sofrimento


As provações fazem parte da vida de qualquer pessoa. Mesmo aqueles que não professam o credo cristão são visitados pela cruz. A diferença é que, para o cristianismo, o sofrimento possui uma dimensão sobrenatural, ainda que não se possa compreendê-lo. Na Carta Apostólica Salvifici Doloris, São João Paulo II diz que "o sofrimento parece pertencer à transcendência do homem", uma vez que exige dele uma superação de seus próprios limites e forças [1]. E, de fato, é assim. As contrariedades da vida, qualquer pessoa pode intuir isso, são, de certo modo, necessárias para o crescimento humano.

Vários autores espirituais já escreveram sobre esse tema. Em nossos dias, porém, o sofrimento tem sido objeto de discussão das mais variadas filosofias e psicologias. É claro que o assunto não é exclusividade da teologia ascética. Ocorre que, no intuito de dar uma resposta satisfatória às dificuldades enfrentadas pelo homem, muitos estudiosos têm caído na tentação do bem-estar. O mantra moderno é este: "Foge da dor, busca o prazer". Mantra, aliás, presente também em muitas pregações religiosas por aí, infelizmente [2].

O Catecismo, por outro lado, não tem uma explicação fácil para a existência do mal. Ao contrário. "É o conjunto da fé cristã que constitui a resposta a esta questão", insiste a Igreja [3]. Que isso quer dizer? Quer dizer que, para compreender os motivos de cada provação, é necessário um olhar global sobre o mistério de Deus, sua bondade e providência. Esse mistério se manifesta de forma eloquente na cruz, pela qual nos veio a máxima redenção. Portanto, é na contemplação da paixão, morte e ressurreição de Cristo que podemos intuir uma primeira resposta aos nossos dramas existenciais, bem como o modo de enfrentá-los e superá-los.

Durante a Semana Santa de 2011, o então Papa Bento XVI participou de uma entrevista na TV italiana Rai Uno, em que respondia a perguntas feitas por pessoas comuns do mundo todo. Uma das questões mais tocantes foi a de uma pequena menina japonesa, que havia sofrido com os terrores do terremoto, o qual atingira seu país. Ela indagou o Santo Padre: "Sinto tanto medo porque a casa na qual me sentia segura tremeu tanto… Por que devo sentir tanto medo? Por que as crianças devem sentir tanta tristeza?" Leiam a resposta:

Querida Helena, eu a saúdo de coração. Também surgem a mim as mesmas perguntas: por que é assim? Por que vocês devem sofrer tanto, enquanto outros vivem no conforto? E não temos as respostas, mas sabemos que Jesus sofreu como vocês, inocente, que o Deus verdadeiro que se mostra em Jesus, está com vocês. Isto me parece muito importante, mesmo se não temos respostas, se permanece a tristeza: Deus está com vocês, e tenham a certeza que isto os ajudará. E um dia poderemos até compreender por que era assim.

Neste momento parece-me importante que saibam: "Deus me ama", mesmo se parece que não me conhece. Não, Ele me ama, está comigo, e vocês devem ter a certeza de que no mundo, no universo, muitos estão com vocês, pensam em vocês, fazem na medida que lhes é possível algo por vocês, para ajudá-los. E estar conscientes de que, um dia, eu compreenderei que este sofrimento não era vazio, não era em vão, mas que por detrás há um projeto bom, um projeto de amor. Não é por acaso. Tenha a certeza disto, nós estamos com você, com todas as crianças japonesas que sofrem, queremos ajudá-las com a oração, com a nossa oração, com as nossas ações e tenham a certeza de que Deus os ajuda. E neste sentido rezamos juntos para que a vocês chegue quanto antes a luz.

O Papa fala claramente em um projeto de amor. Esse projeto nada mais é que a manifestação da providência divina na vida do ser humano. Uma das consequências naturais do sofrimento alheio é a compaixão. Eis aí um motivo claro para a existência das provações. Elas existem para retirar a humanidade da indiferença. Cada indivíduo é chamado a prestar auxílio ao seu irmão necessitado, mormente aos mais pobres. Uma tragédia como o terremoto no Japão — ou, mais próximo ainda de nossa realidade, as enchentes e desmoronamentos que costumam ocorrer em algumas regiões do Brasil — força-nos a pensar nas dificuldades de nossos irmãos e, de alguma forma, a ajudá-los com a oração e, quando possível, com o apoio material. Uma das regras de São Bento consiste precisamente nesta caridade fraterna: "Tolerem pacientissimamente as suas fraquezas, físicas ou morais; rivalizem em prestar mútua obediência; ninguém procure o que julga útil para si, mas sobretudo o que é para o outro" [4]. 

São Pedro e São Paulo*

 
A solenidade de São Pedro e de São Paulo é uma das mais antigas da Igreja, sendo anterior até mesmo à comemoração do Natal. Depois da Virgem Santíssima e de São João Batista, Pedro e Paulo são os santos que têm mais datas comemorativas no ano litúrgico. Além do tradicional 29 de junho, há: 25 de janeiro, quando celebramos a Conversão de São Paulo; 22 de fevereiro, temos a festa da Cátedra de São Pedro e 18 de novembro, reservado à Dedicação das Basílicas de São Pedro e São Paulo. O martírio de ambos deve ter ocorrido em ocasiões diferentes: São Pedro, crucificado de cabeça para baixo na Colina Vaticana em 64, e São Paulo decapitado nas chamada Três Fontes em 67. Mas não há certeza quanto ao ano desses martírios. São Pedro e São Paulo não fundaram Roma, mas são considerados os "Pais de Roma" e considerados os pilares que sustentam a Igreja tanto por sua fé e pregação, como pelo ardor e zelo missionários. São Pedro é o apóstolo que Jesus Cristo escolheu e investiu da dignidade de ser o primeiro Papa da Igreja. À ele Jesus disse: "Tu és Pedro e sobre esta pedra fundarei a minha Igreja". São Paulo é o maior missionário de todos os tempos, o advogado dos pagãos, o "Apóstolo dos gentios". No Brasil, em homenagem a São Pedro, fogueiras são acesas, mastros são erguidos com a sua bandeira, fogos são queimados. São Pedro é caracterizado como protetor dos pescadores.

Príncipes dos apóstolos e doutores do Universo, São Pedro e São Paulo, rogai ao Mestre de todas as coisas que dê a paz ao mundo e às nossas almas a sua grande misericórdia. Fazei de nós seguidores fiéis de Jesus e inspirai-nos o zelo missionário. Amém.
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No Brasil, caso esta solenidade não caia num domingo, pode ser celebrada no domingo seguinte.

terça-feira, 28 de junho de 2016

O Óbolo de São Pedro


A cada ano, por ocasião da Festa de São Pedro e de São Paulo, a Igreja é chamada a unir-se, estritamente, ao Sucessor do Apóstolo Pedro com uma coleta conhecida como Óbolo de São Pedro. Chama-se Óbolo de São Pedro a ajuda que os fieis oferecem ao Santo Padre como sinal de adesão à solicitude do sucessor de Pedro relativamente às múltiplas carências da Igreja universal e às obras de caridade em favor dos mais necessitados.

Esta coleta tem um significado especial, neste ano da misericórdia, quando a Esmolaria Pontifícia, que cuida do atendimento dos mais necessitados em nome do Papa, está desenvolvendo múltiplas atividades caritativas em favor dos mais humildes, que estão em situação de pobreza na cidade eterna. Assim já foram feitas a Barbearia, inaugurado um novo albergue, foram construídos chuveiros, banheiros, e é distribuída comida para os mais humildes e sem casa de Roma. Tudo isso é possível graças a esta coleta especial, chamada Óbolo de São Pedro, que é feito em todas as paróquias, em todas as missas desta solenidade, e enviados na sua integralidade pelos Bispos Diocesanos para o Bispo de Roma.

O Óbolo de São Pedro nasceu com o próprio cristianismo a prática de sustentar materialmente aqueles que têm a missão de anunciar o Evangelho, a fim de poderem entregar-se inteiramente ao seu ministério, tomando cuidado também dos mais necessitados.

No final do século VII, os anglo-saxões, depois de sua conversão, sentiram-se tão ligados ao Bispo de Roma que decidiram enviar, de maneira estável, um contributo anual ao Santo Padre.

Assim nasceu o Denarius Sancti Petri (esmola de São Pedro), que rapidamente se espalhou pelos países da Europa.

Esta prática sofreu grandes vicissitudes ao longo dos séculos, até que foi consagrada pelo Papa Pio IX através de sua encíclica Saepe Venerabilis, de 03/08/1871.

Esta coleta realiza-se atualmente em todo o mundo católico, na sua maior parte, no dia 29 de junho ou, no caso do Brasil, no domingo mais próximo da Festa de São Pedro e São Paulo.