quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Cardeal Sarah adverte risco de reduzir a Missa “a bons sentimentos”.


“Corremos o risco de reduzir o sagrado mistério a bons sentimentos”, advertiu o Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Robert Sarah, em uma entrevista na qual recordou a importância do “silêncio” dentro da liturgia como caminho para chegar a Deus, destacado pelo Concílio Vaticano II.

“O silêncio não é uma ideia; é o caminho que permite os seres humanos chegar a Deus”, afirmou o Purpurado em declarações ao jornal francês “La Nef” por ocasião da publicação do seu livro “A força do silêncio: Contra a ditadura do ruído”.

O Cardeal africano não hesitou “em declarar que o silêncio sagrado é uma lei fundamental em toda a celebração litúrgica” que permite aos fiéis ingressar no mistério celebrado. “O Concílio Vaticano II enfatiza que o silêncio é um meio privilegiado para promover a participação do povo de Deus na liturgia”, afirmou durante a entrevista divulgada em inglês pelo “The Catholic World Report”.

Entretanto, advertiu que “sob o pretexto de tornar mais fácil o acesso a Deus, alguns quiseram que tudo na liturgia seja imediatamente inteligível, racional, horizontal e humano. Mas, atuando desse modo, corremos o risco de reduzir o mistério sagrado a bons sentimentos”.

“Sob o pretexto da pedagogia, alguns sacerdotes permitem inúmeros comentários que são insípidos e mundanos. Esses pastores temem que o silêncio na presença do Altíssimo possa desconcertar os fiéis? Acreditam que o Espírito Santo é incapaz de abrir os corações aos divinos Mistérios derramando sobre eles a luz da graça espiritual?”, questionou.

“Deus é silêncio e o demônio é barulhento. Desde o princípio, Satanás procurou esconder as suas mentiras sob uma agitação falaciosa, ressonante”, assinalou a autoridade vaticana.

Nesse sentido, advertiu que nesta época “o ruído chegou a ser como uma droga da qual nossos contemporâneos são dependentes. Com sua festiva aparência, o ruído é um redemoinho que evita que cada pessoa se olhe cara a cara e enfrente o vazio interior. É uma mentira diabólica. O despertar pode ser somente brutal”.

Diante disso, o Cardeal Sarah afirmou que recuperar o sentido do silêncio é uma prioridade e uma “necessidade urgente. A verdadeira revolução vem do silêncio, esta nos dirige a Deus e aos outros e assim podemos nos colocar humildemente a seu serviço”.

Além disso, “assinalou que o silêncio é o tecido do qual nossas liturgias devem ser cortadas. Nada nelas deveria interromper a atmosfera silenciosa, que é o seu clima natural”. “Não há uma espécie de paradoxo que indica a necessidade de silêncio na liturgia, enquanto admite que nas liturgias orientais não têm momentos de silêncio, enquanto elas são particularmente belas, sagradas e orantes?”. 

Um só bispo com o presbitério e os diáconos


Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo estabelecida em Filadélfia da Ásia, que alcançou misericórdia e está firmemente consolidada na concórdia que vem de Deus, cheia de júbilo pela sua fé na paixão do Senhor e inteiramente confiada na misericórdia que Deus manifestou na ressurreição de Jesus Cristo. Saúdo no sangue de Cristo essa Igreja que será sempre para mim fonte de alegria eterna, principalmente se os fiéis permanecerem em perfeita união com o bispo, com os presbíteros e com os diáconos, colaboradores do bispo, nomeados segundo o desígnio de Cristo e estavelmente confirmados pelo seu Espírito Santo, segundo a própria vontade do Senhor.

Sei que o vosso bispo não obteve o ministério de governar a comunidade por si mesmo ou por meio dos homens ou por vanglória, mas pela caridade do Pai e do Senhor Jesus Cristo. Fiquei muito impressionado com a sua modéstia: é mais eloquente com o seu silêncio do que muitos outros com seus vãos discursos. Os mandamentos de Deus encontram nele uma perfeita consonância, como as cordas na cítara. Por isso a minha alma o felicita pelos seus sentimentos para com Deus; conheço bem a sua virtude e grande santidade; a sua constância e mansidão são como um reflexo da bondade de Deus vivo.

Como filhos da luz e da verdade, evitai a divisão e as doutrinas perversas; para onde vai o pastor, devem segui-lo as ovelhas.

Todos os que pertencem a Deus e a Jesus Cristo estão em comunhão com o bispo; e todos os que se arrependem e voltam à unidade da Igreja pertencerão também a Deus, para viverem segundo Jesus Cristo. Não vos enganeis, meus irmãos. Quem segue um promotor de cisma não herdará o reino de Deus; e quem professa doutrinas alheias à fé não toma parte na paixão de Jesus Cristo.

Procurai, portanto, participar na única Eucaristia, porque uma só é a Carne de Nosso Senhor Jesus Cristo; um só é o cálice que nos une em seu Sangue; um só é o altar e um só é o bispo com o presbitério e os diáconos, meus colaboradores no ministério. Desta forma, tudo o que fizerdes será feito segundo a vontade de Deus.

Meus irmãos, eu sinto um profundo amor por vós e é com grande alegria que tento encorajar-vos; não sou eu, porém, quem vos fortifica, mas Jesus Cristo. Por Ele me encontro preso, mas sinto muita pena por não ser ainda perfeito. Confio, no entanto, que as vossas orações me alcançarão de Deus a perfeição, a fim de obter a herança que a sua misericórdia me destinou. Confio no Evangelho como na Carne de Cristo e nos Apóstolos como no presbitério da Igreja.


Da Carta de Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir, aos Filadélfios
(1, 1 – 2, 1; 3, 2 – 5: Funk 1, 226-229) (Sec. I)

Bispo remove padre desobediente e o Vaticano confirma


A notícia é do ano de 2012, mas vale para ilustrar a gravidade de alguns atos, o dever do Bispo, a ousadia de alguns e a conduta do Vaticano para episódios do tipo. E ainda: algumas pessoas usam da distância física entre a maioria dos países e o Vaticano como argumento de que erros não são punidos, pois “Roma está muito longe”. Mas decisões assim demonstram como isso é enganoso e até pueril para ser pensado.

Na Diocese de Belleville (EUA), um sacerdote do clero local inventava orações a gosto próprio e fazia gestos estranhos durante as celebrações em sua igreja, algo não permitido pela Liturgia, à qual ele prometeu obediência no dia de sua ordenação sacerdotal. Foi para evitar erros e improvisos de pouca confiança que a Igreja passou a publicar os livros com as orações litúrgicas. O Bispo diocesano, Dom Edward Braxton, soube. E não soube apenas uma vez do que não se tratava apenas de um episódio único: durante 5 anos ele recebeu denúncias.

Em novembro de 2011, como advertência indireta, Dom Braxton aproveitou o contexto do uso do novo Missal Romano em inglês e disse ao seu clero que os fiéis têm direito de assistir a uma missa católica. Isto é, que nenhum sacerdote deveria desobedecer as normas litúrgicas, que indicam a melhor e mais perfeita forma de prestar culto a Deus, durante a maior oração que podemos fazer: a Missa. Foi em vão: o padre continuou com suas atitudes. Até que não restou outra coisa ao Bispo senão suspendê-lo do uso das ordens sagradas, o que aconteceu em julho de 2012. Ou seja, o padre não teve mais permissão do Bispo de administrar licitamente, e sem pecar contra Deus, os Sacramentos em nenhum lugar do mundo, a menos que recebesse permissão em outra diocese (o que não acontece). Ele também perdeu o cargo na paróquia. Embora o simples processo tenha seguido o curso normal (primeiro advertência e só depois a pena canônica), o sacerdote apelou à Congregação para o Clero, querendo que o Cardeal-Prefeito interviesse na decisão, alegando abuso do Bispo.

São Bruno


Hoje lembramos o santo que se tornou o fundador da Ordem dos Cartuxos, considerada a mais rígida de todas as Ordens da Igreja, e que atravessou a história sem reformas.

Filho de família nobre de Colônia (Alemanha), nasceu em 1032. Quando alcançou idade foi chamado pelo Senhor ao sacerdócio, e se deixou seduzir. Amigo e admirado pelo Arcebispo de Reims, Bruno, inteligente e piedoso, começou a dar aulas na escola da Catedral desse local, até que já, cinquentenário e cônego, amadureceu na inspiração de servir a uma Ordem religiosa.

Após curto estágio num mosteiro beneditino, retirou-se a uma região chamada Cartuxa com a aprovação e bênção de São Hugo, Bispo de Grenoble, o qual lhe ofereceu um lugar. Isto se deu graças a um sonho que São Hugo teve. Neste sonho, apareciam-lhe sete estrelas que caíam aos seus pés para, logo em seguida, levantarem-se e desaparecerem no deserto montanhoso. Após este sonho, o Bispo recebeu a visita de Bruno que estava acompanhado por seis companheiros monges. Ao ver os sete varões, o Bispo Hugo reconheceu imediatamente neles as sete estrelas do sonho e concedeu-lhes as terras onde São Bruno iniciou a Ordem gloriosa da Cartuxa com o coração abrasado de amor por Jesus e pelo Reino de Deus. Com os monges companheiros, observava-se absoluto silêncio, a fim do aprofundamento na oração e à meditação das coisas divinas, ofícios litúrgicos comunitários, obediência aos superiores, trabalhos agrícolas, transcrição de manuscritos e livros piedosos.

Quando um dos discípulos de São Bruno tornou-se Papa (Urbano II), teve ele que obedecer ao Vigário de Cristo, já que o queria como assessor, porém, recusou ser Bispo e após pedir com insistência ao Sumo Pontífice, conseguiu voltar à vida religiosa, quando juntamente com amigos de Roma, fundou no sul da Itália o Mosteiro de Santa Maria da Torre, onde veio a falecer no dia 6 de outubro de 1101.

As últimas palavras foram: “Eu creio nos Santos Sacramentos da Igreja Católica, em particular, creio que o pão e o vinho consagrados, na Santa Missa, são o Corpo e Sangue, verdadeiros, de Jesus Cristo”.

A austeridade de vida é a marca registrada dos cartuxos. Infelizmente o número de pessoas que resolvem viver este estilo de vida é cada vez mais limitado. A absoluta entrega a vontade de Deus, o silêncio exterior e interior, a simplicidade de vida fazem destes homens verdadeiros testemunhos para uma humanidade dedicada quase exclusivamente às vaidades desmedidas e ao bem estar acima de tudo. 


São Bruno, que adotastes como regra de vida a oração, o trabalho, o estudo e a pobreza, que fundastes uma ordem monástica para uma ainda maior intimidade com Deus, inspirai-nos também a uma vida contemplativa esquecendo-nos bem mais das ocupações terrenas e nos ocupando mais com nossa união cada vez mais íntima com nosso Deus e Criador. Por Cristo Nosso Senhor. Amém. 

São Bruno, rogai por nós!

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Papa Francisco e o Primaz da Igreja Anglicana assinam declaração comum anglicano-católica


DECLARAÇÃO COMUM ENTRE O PAPA FRANCISCO
E O PRIMAZ DA IGREJA DA INGLATERRA,
O ARCEBISPO DE CANTUÁRIA, JUSTIN WELBY
Igreja dos Santos André e Gregório al Celio

Celebração das Vésperas com o Arcebispo de Canterbury, em comemoração pelo 50º aniversário do encontro entre Paulo VI e o Arcebispo Michael Ramsey


Há cinquenta anos os nossos predecessores, Papa Paulo VI e o Arcebispo Michael Ramsey, encontraram-se nesta cidade, tornada sagrada pelo ministério e pelo sangue dos Apóstolos Pedro e Paulo. Mais tarde, João Paulo II e os Arcebispos Robert Runcie e George Carey, o Papa Bento XVI e o Arcebispo Rowan Williams, rezaram juntos nesta Igreja de São Gregório al Celio, de onde o Papa Gregório enviou Agostinho para evangelizar os povos anglo-saxões. Em peregrinação ao túmulo destes Apóstolos e Santos Padres, Católicos e Anglicanos se reconhecem herdeiros do tesouro do Evangelho de Jesus Cristo e do chamado para compartilhá-lo com todo o mundo.

Recebemos a Boa Nova de Jesus Cristo por meio das vidas santas de homens e mulheres, que pregaram o Evangelho em palavras e obras, e fomos encarregados, e animados pelo Espírito Santo, para sermos testemunhas de Cristo “até os confins do mundo” (At 1,8). Estamos unidos na convicção de que “os confins da terra” hoje não representam somente uma expressão geográfica, mas um chamado a levar a mensagem salvífica do Evangelho, em modo particular àqueles que estão à margem e na periferia das nossas sociedades.

Em seu histórico encontro de 1996, o Papa Paulo VI e o Arcebispo Ramsey, instituíram a Comissão Internacional anglicano-católica com o objetivo de perseguir um sério diálogo teológico que, “alicerçado nos Evangelhos e nas antigas tradições comuns, conduza à unidade na Verdade pela qual Cristo rezou”.

Cinquenta anos mais tarde, damos graças pelos resultados da Comissão Internacional anglicano-católica, que examinou doutrinas que criaram divisões ao longo da história, a partir de uma nova perspectiva de mútuo respeito e caridade. Hoje somos agradecidos em particular pelos documentos do ARCIC II, que examinaremos, e aguardamos as conclusões do ARCIC III, que está procurando avançar nas novas situações e nos novos desafios para a nossa unidade.

Há cinquenta anos os nossos predecessores reconheceram os “sérios obstáculos” que impediam o caminho do restabelecimento de uma partilha completa da fé e da vida sacramental entre nós. Não obstante isto, na fidelidade à oração do Senhor para que os seus discípulos sejam um só, não se desencorajaram em iniciar o caminho, mesmo sem saber quais passos poderiam ser dados ao longo da estrada. Grande progresso foi realizado em muitos âmbitos que nos mantiveram distantes. Todavia, novas circunstância trouxeram novos desacordos entre nós, particularmente em relação à ordenação de mulheres e das recentes questões relativas à sexualidade humana. Por detrás destas divergências, permanece uma perene questão sobre o modo de exercício da autoridade na comunidade cristã.

Estes são alguns aspectos que constituem sérios obstáculos à nossa plena unidade. Assim como com os nossos predecessores, também nós não vemos ainda soluções para os obstáculos diante de nós, mas não estamos desencorajados. Com confiança e alegria no Espírito Santo confiamos que o diálogo e o mútuo empenho tornarão mais profunda a nossa compreensão e nos ajudarão a discernir a vontade de Cristo para a sua Igreja. Estamos confiantes na graça de Deus e na Providência, sabendo que o Espírito Santo abrirá novas portas e nos encaminhará para toda a verdade (cfr João 16,13). 

"Verdadeira missão não é proselitismo, mas atração a Cristo", diz Papa


CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No fim de semana passado, fiz uma viagem apostólica a Georgia e Azerbaijão. Dou graças ao Senhor que me concedeu isso e renovo a expressão do meu reconhecimento às autoridades civis e religiosas desses dois países, em particular ao Patriarca de toda a Geórgia, Elias II – seu testemunho me fez tão bem ao coração e à alma – e ao xeque dos muçulmanos do Cáucaso. Um obrigado fraterno aos bispos, aos sacerdotes, aos religiosos e a todos os fiéis que me fizeram sentir seu caloroso afeto.

Essa viagem foi a continuação e a conclusão daquela realizada à Armênia, no mês de junho. De tal modo, pude – graças a Deus – realizar o projeto de visitar todos os três países caucasianos, para confirmar a Igreja católica que neles vive e para encorajar o caminho daquelas populações para a paz e a fraternidade. Evidenciavam também os dois motes desta última viagem: para a Geórgia “Pax vobis” e para o Azerbaijão “Somos todos irmãos”.

Ambos os países têm raízes históricas, culturais e religiosas muito antigas, mas ao mesmo tempo estão vivendo uma fase nova: de fato, todos os dois celebram neste ano o 25º da sua independência, tendo sido boa parte do século XX sob o regime soviético. E nessa fase esses encontram muitas dificuldades nos diversos âmbitos da vida social. A Igreja Católica é chamada a ser sempre presente, a ser próxima, especialmente no sinal da caridade e da promoção humana; e essa procura fazê-lo em comunhão com as outras Igrejas e Comunidades cristãs em diálogo com as outras comunidades religiosas, na certeza de que Deus é Pai de todos e nós somos irmãos e irmãs.

Na Geórgia, essa missão passa, naturalmente, pela colaboração com os irmãos ortodoxos, que formam a grande maioria da população. Por isso, foi um sinal muito importante o fato de que quando cheguei em Tbilisi foi me receber no aeroporto, junto com o presidente da República, também o venerado Patriarca Elias II. O encontro com ele naquela tarde foi comovente, bem como foi a seguida visita à Catedral Patriarcal, onde se venera a relíquia da túnica de Cristo, símbolo da unidade da Igreja. Esta unidade é corroborada pelo sangue de tantos mártires das diversas confissões cristãs. Entre as comunidades mais provadas, está a assiro-caldeia, com a qual vivi em Tbilisi um intenso momento de oração pela paz na Síria, no Iraque e em todo o Oriente Médio. 

Trump cria grupo pró-vida e assina compromissos contra o aborto


O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, assumiu uma série de compromissos contra o aborto e nomeou um time de ativistas pró-vida para coordenar a sua campanha nesse âmbito.

Há duas semanas, Trump publicou uma carta em que fez diversos compromissos com o eleitorado pró-vida, caso se torne presidente: assinar o projeto de lei que proíbe o aborto após 20 semanas de gestação, nomear apenas juízes pró-vida para a Suprema Corte, retirar o financiamento público da clínica de abortos Planned Parenthood e tornar permanente a Emenda Hyde, que proíbe que o aborto seja realizado com financiamento público.

Trump anunciou que sua coalizão pró-vida será formada por 32 membros. Entre eles, estão a parlamentar Marsha Blackburn, que lidera a investigação sobre a Planned Parenthood – principal rede de clínicas de aborto no país; Mary Fallin, governadora de Oklahoma; Sam Brownback, governador do Kansas; Tony Perkins, do Family Research Council; Kristan Hawkins do Students for Life; o padre Frank Pavone, doPriests for Life; Alveda King, diretora da organização Civil Rights for the Unborn; e vários outros.

Os membros da coalizão serão responsáveis por divulgar os compromissos pró-vida de Trump em sua esfera de influência, defender a candidatura republicana e nomear responsáveis em cada estado para que a mensagem pró-vida da campanha chegue ao eleitor. “As políticas sublinhadas pelo Sr. Trump são importantes não apenas para a base eleitoral pró-vida, mas apelam também a uma maioria de americanos que se opõem ao plano de Hillary Clinton de fazer com que os que pagam impostos financiem até mesmo abortos tardios”, disse Dannenfelser. 

O catolicismo continuará crescendo, menos europeu e mais global, afirmam especialistas


É tudo uma questão de repensar a presença, encontrar novas formas, trabalhar com talento. Bento XVI reiterou isso ao seu biógrafo Peter Seewald, quando ele respondeu rapidamente sobre a descristianização da Europa nas Ultime conversazioni [Últimas conversas] (Ed. Garzanti), o seu testamento espiritual. É uma evidência, mas talvez, mais do que passar em revista a lista das igrejas vazias, fechadas e abandonadas, talvez convertidas em mercados de frutas ou salões de festa com excelente parquet – todas coisas que já sabemos de memória –, seria útil entender que o problema é a fé, sedada e distraída.

Em suma, reiniciar a partir daí, da questão central e fundamental do ser cristão. Isto é, testemunhar de formas diferentes, o que não significa que devam ser transgressivas. Até porque a história segundo a qual o catolicismo (ou até mesmo segundo o cristianismo) está em agonia, destinada a uma morte certa, é, na realidade, uma boa piada para as manchetes dos jornais e para as discussões de alguns círculos luteranos do século XVI.

Philip Jenkins, um dos maiores especialistas de história e ciências das religiões, escreveu isso recentemente no jornal Catholic Herald. Nada de fim, nada de extinção. Sim, é claro, as multidões entre os bancos de madeira das igrejas (onde eles ainda existem, sem terem sido substituídos por tristes cadeiras) são raras, as procissões continuaram flutuantes, mas tudo isso está relacionado com a Europa.

Aí está o problema, na tese de Jenkins: pensar o catolicismo como algo meramente europeu, ligado à teoria das suas imensas e antigas catedrais, aos ritos de um tempo que foi, à catequese administrada em doses maciças para crianças de cinco, seis, sete anos todas as santas manhãs depois da missa e mesmo antes de ir para a escola. Essas crianças, na maioria das vezes, são aqueles que hoje – desligados dos deveres impostos – são os primeiros que não colocam mais os pés na Igreja e não levam os filhos.

Há alguns anos, em 2011, a American Physical Society publicou um volumoso e detalhado dossiê que se concluía com a sentença inapelável: o mundo se livraria das religiões (de todas, incluindo o Islã, hoje imerso na luta fratricida entre sunitas e xiitas pela supremacia sobre a umma) até 2100, e, no topo da lista dos países prontos a abandonar aquilo em que tinham acreditado durante séculos, despontavam a Áustria e a Irlanda. Ou seja, duas das realidades que mais contribuíram com a causa católica, embora hoje também lá se sofra, e não só pelos escândalos sexuais e financeiros – no que respeita à Áustria, é suficiente reler o discurso desesperado que o cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, fez há três anos ao clero de Milão, contando uma situação que obriga a diocese a vender as Igrejas ao melhor comprador (na melhor das hipóteses, aos ortodoxos), vazias e financeiramente insustentáveis.

“O que eu posso fazer?”, perguntava-se o cardeal, descrevendo uma situação, na sua opinião, irremediavelmente comprometida. O estudo aplicava complicados modelos matemáticos que levavam todos à mesma conclusão: “Em grande parte das modernas democracias seculares, há uma tendência segundo a qual o povo não se identifica com nenhuma religião. Na Holanda, estamos em 40%, enquanto o nível mais alto foi registrado na República Checa, com 60% daqueles que se declaram não filiados a qualquer religião”.

Daí a profetizar – como Cassandras – o fim da religião dentro de poucas décadas, porém, há uma grande distância, até porque a fé individual ainda é uma das poucas coisas que escapa das classificações em banco de dados ou em tabelas do Excel.

Em suma, o fato de não haver mais católicos em Praga pode desagradar aqueles que se emocionam ao ouvir o som dos sinos medievais, mas não pode, de modo algum, marcar o destino de uma religião.

Jenkins não parte de preconceitos. Ele mesmo escreveu um livro (La storia perduta del cristianesimo [A história perdida do cristianismo], Ed. Emi) para dizer que “as religiões morrem” e que, “ao longo da história, algumas religiões desaparecem totalmente, outras se reduzem de grandes religiões mundiais a um punhado de seguidores”.

Em suma, não seria uma novidade. Mas, desta vez, o prognóstico auspicioso não tem razão de ser. Porque a Igreja Católica, que “já é a maior instituição religiosa do planeta”, está desfrutando de um crescimento global sem precedentes. Os números: em 1950, a população católica era de 347 milhões de indivíduos. Vinte anos depois, eram 640 milhões. Em 2050, de acordo com estimativas conservadoras, serão 1,6 bilhão.

E então? Aqui também, trata-se de ampliar os horizontes e olhar para fora do contexto meramente ocidental. “Eu falei de crescimento global, e o elemento ‘global’ requer ênfase”, escreve Jenkins. “A Igreja tem a pretensão de ter inventado a globalização, o que explica por que os seus números estão em plena expansão. Ao longo da história, houve tantos chamados ‘impérios mundiais’ que, na realidade, estavam confinados principalmente à Eurásia. Apenas no século XVI, os impérios espanhol e português realmente abraçaram o mundo. Para mim – escreve o estudioso, professor emérito da Penn State University – a verdadeira globalização começou em 1578, quando a Igreja Católica estabeleceu a sua diocese em Manila, nas Filipinas – como sede sufragânea da Cidade do México, do outro lado do imenso Oceano Pacífico”.

O fato é que “hoje estamos habituados a pensar o cristianismo como uma fé tradicionalmente ambientada na Europa e na América do Norte, e só gradualmente aprendemos o estranho conceito de que essa religião se propaga em escala global, porque o número dos cristãos está aumentando rapidamente na África, na Ásia e na América Latina”, escreve Jenkins.

“O cristianismo – continua – está tão enraizado no patrimônio cultural do Ocidente que faz com que se pareça quase revolucionária tal globalização, com todas as influências que ela pode exercer sobre a teologia, a arte e a liturgia. Uma fé associada principalmente com a Europa deve, de algum modo, se adaptar a esse mundo mais vasto, redimensionando muitas das suas premissas, ligadas à cultura europeia”.