O escritor francês Michel Desmurget, em seu livro TV Lobotomie (Éditions Milo, 2011), reforça um sonoro alerta não apenas quanto à gama infeliz de programas oferecidos pelos canais de TV, mas quanto à própria TV, como tal. Muitas vezes ouvimos ou lemos que “a televisão em si não é ruim: basta escolher bem o que ver”. No entanto, para o autor, o problema não é tão simples.
“Eu prefiro que simplesmente não exista a televisão”
Ele cita Alexandre Lacroix, escritor e diretor de redação da Philosophe Magazine: “O problema dos intelectuais é que eles acusam a televisão de não ser boa o suficiente. Eles são suspeitos de querer impor as suas preferências culturais a todos. Pessoalmente, eu não acho que haja uma televisão boa ou uma televisão ruim. Eu prefiro que simplesmente não exista a televisão".
Embora lançado em 2011, o livro continua a ser um trabalho de referência das Edições Milo. As cerca de 320 páginas são lidas mais rapidamente do que imaginaríamos: cada declaração é acompanhada por resultados específicos de estudos, diagramas, gráficos… Nada é deixado ao acaso e o autor não pode ser acusado de antimodernismo sectário ou coisa que o valha. Os fatos estão lá: ele os enuncia e os demonstra. O escritor até sublinha que “estes fatos são negados com fascinante empenho pela indústria audiovisual e seu exército de especialistas complacentes. A estratégia não é nova: as fabricantes de cigarro a usaram em seu tempo para contestar o caráter cancerígeno do tabaco".







