O senador
Marcelo Crivella (PRB), candidato à Prefeitura do Rio, ironizou em canção de
sua autoria a reação ao episódio em que um bispo da Igreja Universal chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, em 1995.
Na canção "Um chute na heresia" lançada em CD de 1998,
Crivella, bispo licenciado da Universal, classifica como "idolatria"
a adoração à santa, questiona o processo judicial movido após o episódio e
conclui: "Se ela [Nossa Senhora] é Deus, ela mesmo me castiga", canta
o senador.
A música faz referência a um dos momentos de maior atrito entre
a Universal, que critica a adoração a santos, e a Igreja Católica.
O bispo Sérgio von Helde deu chute e soco na imagem da santa durante o programa "Despertar da fé", na TV Record, no dia 12 de
outubro de 1995, feriado nacional em sua homenagem.
A composição integra o CD "Como posso me calar?", uma
espécie de desagravo contra o que considera perseguição à Universal. Ele tem
estampado na capa uma foto do líder da igreja e seu tio, bispo Edir Macedo,
preso.
"Na minha vida dei um chute na heresia / Houve tanta
gritaria de quem ama a idolatria / Eu lhe respeito meu irmão, não quero briga /
Se ela é Deus, ela mesmo me castiga", diz a música.
"Aparecida, Guadalupe ou Maria / Tudo isso é idolatria de
quem vive a se enganar / Mas não se ofenda meu irmão, não me persiga / Se ela é
Deus, ela mesmo me castiga", afirma outra estrofe.
Dias após a transmissão, em 1995, Macedo pediu desculpas aos
católicos e criticou o colega. Em 1997, von Helde foi condenado por
discriminação religiosa e vilipêndio de imagem religiosa.
A canção "Um chute na heresia" foi lançada um ano
depois da condenação do bispo. Embora a Universal tenha pedido desculpas,
Crivella fez provocações na composição.
"Por que mover processo na justiça? / Se ela é Deus, ela
mesmo me castiga", conclui.
O CD "Como posso me calar?" é o único que não está
disponível no site do senador. As composições, porém, são encontradas em
diferentes sites religiosos. A música que dá nome ao disco é, segundo sua
contracapa, "inspirada na luta do bispo Macedo".
"Se tantas perseguições / É o preço a pagar / Meu Jesus
morreu na cruz / Perseguido por me amar", diz a música.
Crivella nunca se posicionou diretamente sobre o episódio de
chute na santa. À Folha, em 2007, afirmou que "talvez no
passado os métodos [da Universal] de expressar a fé tenham excedido, por
imaturidade, os limites da prudência que lhe fossem recomendados".
Nesta campanha, ele já pediu perdão por trechos revelados pelo jornal "O Globo"do livro "Evangelizando na África", no
qual critica o catolicismo, as religiões africanas e os homossexuais.
Líder nas pesquisas, Crivella tem tentado se
distanciar da imagem da Universal a fim de reduzir sua rejeição.
Ele buscou mostrar proximidade com a Igreja Católica divulgando
material de campanha ao lado do arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta. Os
panfletos geraram ação judicial da Arquidiocese.
Crivella tem 27 anos de carreira como cantor. Há duas semanas,
lançou seu 14º disco, "Deus vê".
Em 1999, ele lançou o disco "O mensageiro da
solidariedade", que pode ser considerado seu lançamento político. O disco
superou a marca de 1 milhão de cópias, e sua renda foi revertida para a Fazenda
Canaã, projeto explorado em suas campanhas.
Em "Olhai por nós", o agora candidato critica aquele
que "governa sem fé": "Quem governa sem fé / Pouco pode fazer /
Precisamos de ti pra viver / Pra plantar e colher [...] Quem governa sem fé /
Nem consegue entender / Que dependemos de ti para viver / Pra plantar e
colher".











