domingo, 23 de outubro de 2016

Benfazejo em tudo, Deus dispôs o mundo com justeza e harmonia


Consideremos com amor o Pai e Criador do mundo inteiro e unamo-nos com firmeza a seus magníficos e desmedidos dons da paz e aos benefícios. Pelo pensamento contemplemo-lo e demoremos o olhar do espírito em sua vontade generosa. Vejamos quão clemente se mostra para com toda criatura sua.

Os céus movidos por seu governo, se lhe submetem em paz; o dia e a noite, sem se embaraçarem mutuamente, realizam o curso que lhes determinou. O sol, a luz e todo o coro dos astros, em conformidade com sua ordem, desenvolvem, sem se enganar e em concórdia, a disposição para eles fixada. De acordo com a sua vontade, em tempo oportuno, a terra fecunda produz abundante alimento para os homens, as feras e todos os animais que nela existem, sem hesitação, sem alterar nada do que lhe foi ordenado.

Os inescrutáveis abismos, as regiões inacessíveis do oceano mantêm-se dentro de suas leis. A grandeza do mar imenso, reunida em ondas por sua determinação, não ultrapassa os limites postos a seu redor, mas como lhe ordenou, assim faz. Pois disse: Até aqui virás, e em ti mesmo se quebrarão tuas vagas (Jó 38,11). O oceano intransponível aos homens e os mundos que existem para além dele são governados pelos mesmos decretos do Senhor.

As estações da primavera, verão, outono e inverno se sucedem em paz umas às outras. Os guardas dos ventos no tempo marcado executam seu encargo sem obstáculo; também as fontes perenes, criadas para o uso e a saúde, oferecem sem falhas sua abundância para o sustento da vida humana; e os animais pequeninos, em paz e concórdia, fazem seus agrupamentos.

O grande artífice e Senhor de tudo ordenou que estes seres todos se fizessem em paz e concórdia, beneficiando a tudo, porém, com superabundância, a nós, que nos refugiamos em sua misericórdia por nosso Senhor Jesus Cristo, a quem a glória e a majestade pelos séculos dos séculos. Amém.


Da Carta aos coríntios, de São Clemente I, papa 
(Cap.19,2-20,12: Funk 1,87-89)
(Séc.I)

Comunhão na mão: O chão manchado de sangue!


Se por um momento pudéssemos ver a cena dantesca que se produz em nossas igrejas ficaríamos horrorizados. Podemos ter uma ligeira ideia contemplando a fantástica ilustração de Rodrigo Garcia. Será que ela nos parece dura? Pois é exatamente o que acontece e não vemos!

Há tempos venho observando discussões e palestras sobre o tema “comunhão na mão”. Em todas elas o que percebo repetidamente é uma série de argumentos, tanto de leigos quanto de sacerdotes, alguns tratando de justificar em recebê-la e outros em administrá-la, evidenciando que, apesar de suas boas intenções, não compreenderam a verdadeira natureza do problema de fundo.

Querido leigo, devemos parar de pensar nestes termos: o que EU gosto, o que a MIM não ofende, o que EU vejo normal, o que EU vejo ou deixo de ver de grave, o que a MIM permite ter devoção, o que EU acredito, o que EU penso, o que EU li que não sei quem disse ou fazia não sei em que século… ou seja, o que EU, EU e mais EU.

Querido sacerdote que quer dar a Comunhão na mão ou, até mesmo, não quer, porém a dá, temos que deixar de discorrer desta maneira: EU gosto mais na mão, EU acredito que devo obedecer apesar de tudo, EU não vejo problemas, EU não vejo isso tão sério, EU não sou ninguém para tomar essa decisão, EU acho que se o Papa e meu bispo fazem, EU devo fazê-lo… ou seja, o que EU, EU e mais EU.

Não, queridos leigos e sacerdotes, esta perspectiva está totalmente errada, o problema não é VOCÊ, ou o que VOCÊ pensa ou deixa de pensar sobre as consequências que tenham para VOCÊ não dar a comunhão na mão, o que eles lhe dizem, o que muitos ou poucos façam, nem o que façam o bispo ou o papa. Não, não e não. Detenho-me e digo em voz alta:

O problema não é você, o problema é ELE

Não importa o seu ponto de vista, a razão teórica que possa ter ou deixar de ter, as suas boas intenções, o seu desejo de obediência, todos estes argumentos desmoronam sob o seu próprio peso, se os vemos à partir da perspectiva DELE, e não do EU.

São João de Capistrano


João nasceu no dia 24 de junho de 1386, na cidade de Capistrano, no então reino de Nápoles. Era filho de um conde alemão e uma jovem italiana. Estudou direito civil e canônico, formando-se com honra ao mérito. Ainda jovem casou-se com um nobre dama da sociedade. 

Numa crise política no Reino de Nápoles, João foi cogitado para auxiliar nas negociações. Entretanto houve confusões e o jovem acabou preso. Para piorar a situação ele recebeu a notícia da morte de sua esposa. 

Foi então um momento de mudança radical de vida. Abriu mão de todos os cargos, vendeu todos os bens e propriedades, pagou o resgate de sua liberdade e pediu ingresso num convento franciscano. Mas antes de vestir o hábito precisou enfrentar as humilhações do superior da comunidade. 

Durante trinta anos fez rigoroso jejum, duras penitências e se dedicou às orações. Trabalhou com energia, evangelizando na Itália, França, Alemanha, Áustria, Hungria, Polônia e Rússia. Tornou-se grande pregador e missionário. Foi conselheiro de quatro Papas. 

João de Capistrano contava com setenta anos de idade, quando um enorme exército muçulmano ameaçava tomar a Europa. O Papa Calisto III o designou como pregador de uma cruzada, que defenderia o continente. Durante onze dias e onze noites João esteve entre os soldado, animando-os para a resistência. Finalmente os cristãos conseguiram vencer os invasores. 

Morreu no dia 23 de outubro de 1456. João de Capistrano é o padroeiro dos juízes. 

Por causa de suas andanças pela Europa, João mereceu ser chamado o apóstolo da Europa. Espírito inquebrantável, organizou a ordem franciscana, foi conselheiro de papas e em suas viagens apostólicas, procurou fortalecer a moral cristã e refutar os erros dos heréticos. Deixou uma obra escrita em dezessete volumes e foi um homem que participou ativamente da angústia de seu tempo, em tudo reconhecendo a ação de Deus. 


Deus, nosso Pai, a exemplo de São João Capistrano, faça de nós o sal da terra, mediante uma vida honrada e íntegra, trabalhando com ardor para construção da paz e da comunhão. Dai-nos também ser luz para este mundo carente de valores espirituais, fazendo o bem sem olhar à quem. Por Cristo nosso Senhor. Amém. 

sábado, 22 de outubro de 2016

Você sabia que um padre RadTrad tentou matar o Papa João Paulo II a facadas?


A maioria das pessoas sabem sobre a primeira tentativa de assassinato contra a vida de São João Paulo II, quando foi baleado por um atirador turco (que pode ter sido contratado pela União Soviética), na Praça de São Pedro. Era 13 de maio de 1981, a festa de Nossa Senhora de Fátima, e aos 60 anos de idade o pontífice sobreviveu por pouco.

Mas você sabia que João Paulo II sobreviveu a uma segunda tentativa de assassinato? Um ano depois de levar um tiro, o Papa tomou uma facada.

E dessa vez a tentativa foi de um padre, o espanhol Juan Maria Fernandez Krohn. Ele foi ordenado sacerdote na Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (mais conhecida pela sigla FSSPX) do Arcebispo Marcel Lefebvre em 1978, entretanto, não se sabe ao certo se quando cometeu o atentado ainda pertencia a FSSPX.

Preocupado com reformas pós-Vaticano II, padre Krohn radicalizou-se, convencido de que os comunistas tinham se infiltrado na Igreja e que João Paulo II era um agente comunista empenhado em destruir a Santa Mãe Igreja. A preocupação de que João Paulo II fosse um comunista é irônica, pois a primeira tentativa de assassinato pode ter sido realizada por comunistas preocupados com sua oposição ao comunismo.

Apreensivo com a perspectiva de um pontífice comunista subverter a Igreja, Pe Krohn assumiu a responsabilidade em suas próprias mãos e tramou assassinar João Paulo II.

No dia 12 de maio de 1982, o sacerdote espanhol furou a linha de segurança em uma missa em Fátima, Portugal, com uma baioneta e com sucesso esfaqueou o pontífice (que mal havia se recuperado do primeiro ataque) antes de ser pego pelos seguranças. 

Papa: "Diálogo abate muros das divisões e das incompreensões".


JUBILEU EXTRAORDINÁRIO DA MISERICÓRDIA
PAPA FRANCISCO

AUDIÊNCIA JUBILAR
Sábado, 22 de outubro de 2016


O encontro de Jesus com a mulher samaritana permite ver um aspecto importante da misericórdia que é o diálogo. Todas as formas de diálogo são expressão da grande exigência do amor de Deus, que vai ao encontro de todos, fazendo-nos participar da sua bondade e tornando-nos colaboradores da sua obra criadora De fato, é através do diálogo que as pessoas podem se conhecer, acolher-se e respeitar-se, abrindo-se àquilo que de melhor cada um tem para oferecer. O diálogo cria pontes de comunicação que fazem ver o outro como um dom de Deus. Desse modo, se abatem os muros das divisões e incompreensões que nascem do egoísmo, que isola e faz com que as pessoas se fechem no seu “pequeno mundo”. Há tanta necessidade de diálogo! Quantos problemas se resolvem quando se aprende a escutar o outro! O diálogo humaniza os relacionamentos na família, nos estudos, no trabalho. Também a Igreja vive do diálogo, procurando compreender as necessidades do coração de cada pessoa, para contribuir na busca e partilha do bem comum. 

Uma imagem dilacerante em memória do Calvário das crianças refugiadas


A congregação dos agostinianos recoletos deu de presente ao Papa Francisco um quadro que recorda as chagas abertas de milhares de migrantes, especialmente bebês e crianças, que morreram e continuam morrendo ao tentarem salvar sua vida em fuga da guerra, da fome e da perseguição.

O significativo presente foi entregue ao Santo Padre pelo prior geral da ordem, o frei Miguel Miró, nesta quinta-feira, 20 de outubro de 2016, na Sala Clementina do Vaticano.

É uma imagem-símbolo do Calvário das crianças migrantes: retrata o Papa segurando nos braços o menino de 3 anos de idade Alan Kurdi, pintado com as chagas de Cristo em seus pés e mãos. Alan, que inicialmente tinha sido identificado pela imprensa mundial de forma equivocada como “Aylan”, se transformou em um dos mais dolorosos e estarrecedores “ícones” do drama dos refugiados quando foi encontrado morto, por afogamento, na praia turca de Bodrum em setembro de 2015.


Calcula-se que, em 2015, chegaram à Europa 270.000 crianças emigrantes, dentre as quais 26.000 sem acompanhante algum, conforme os dados da organização Save The Children.

O quadro presenteado ao papa evoca uma lembrança incômoda para a memória coletiva europeia: as fotos do corpinho inerte do pequeno Alan, de boca para baixo na costa turca, viralizaram na Internet em pleno auge da crise dos refugiados – e da indecisão da União Europeia quanto à criação de corredores humanitários. 

O Verbo, Sabedoria de Deus, fez-Se homem


Ensina-nos o santo Apóstolo que dois homens deram princípio ao gênero humano: Adão e Cristo. Dois homens, semelhantes no corpo, mas diferentes no mérito; totalmente iguais na configuração dos membros, mas totalmente diversos na origem. Diz o Apóstolo: O primeiro homem, Adão, foi criado como um ser vivo; o último Adão tornou-Se um espírito que dá vida.

O primeiro Adão foi criado pelo segundo, de quem recebeu a alma para poder viver; o último Adão formou-Se por Si mesmo, nem podia esperar a vida da parte de outrem, porque d’Ele procede a vida de todos. Aquele foi modelado no barro desprezível; Este formou-Se nas entranhas preciosíssimas da Virgem. Naquele, a terra é transformada em carne; n’Este, a carne é elevada à condição divina.

Que mais? Este é o segundo Adão que, ao formar o primeiro, imprimiu nele a sua própria imagem. E por isso veio a assumir a sua natureza e o seu nome, para que não se perdesse aquele que tinha feito à sua imagem. Temos, portanto, o primeiro e o último Adão. O primeiro teve princípio; o último não tem fim. Por isso, este último é verdadeiramente o primeiro, como Ele mesmo diz: Eu sou o Primeiro e o Último.

Eu sou o Primeiro, isto é, sem princípio. Eu sou o Último, isto é, sem fim. Contudo, o que veio primeiro não foi o espiritual, mas o natural; depois é que veio o espiritual. Sem dúvida, a terra vem antes do fruto; mas a terra não é tão preciosa como o fruto. Aquela exige fadigas e suores; este dá alimento e vida. Com razão se gloria o profeta de tal fruto, dizendo: A nossa terra produziu o seu fruto. Que fruto? Aquele de que fala noutro lugar: Colocarei no teu trono um descendente da tua família. E o Apóstolo diz também: O primeiro homem é terreno porque veio da terra; o segundo homem é celeste porque desceu do Céu.  

Tal como foi o homem terreno, assim são também os homens terrenos; e tal como é o homem celeste, assim serão também os homens celestes. Como é que aqueles que não nasceram do Céu poderão ser celestes, não ficando como nasceram mas adquirindo um novo nascimento? Isto deve-se, irmãos, à acção do Espírito, que fecunda com a sua luz divina o seio materno da fonte virginal, para que aqueles que a origem terrestre trouxe ao mundo na miserável condição terrena, renasçam na condição celeste e sejam elevados à semelhança do seu divino Criador. Portanto, renascidos e renovados à imagem do Criador, ponhamos em prática o que nos diz o Apóstolo: Assim como trouxemos em nós a imagem do homem terreno, procuremos também trazer em nós a imagem do homem celeste.

Renascidos já, como dissemos, à imagem de Nosso Senhor, adotados como verdadeiros filhos de Deus, esforcemo-nos por levar sempre em nós a imagem fiel do nosso Criador, não na majestade que só a Ele pertence, mas na inocência, simplicidade, mansidão, paciência, humildade, misericórdia, paz e concórdia, com que Ele Se dignou tornar-Se um de nós e ser semelhante a nós.


Dos Sermões de São Pedro Crisólogo, bispo
(Sermo 117: PL 52, 520-521) (Sec. V)

Você conhece um padre cheio de defeitos? Saiba o que fazer!


É muito difícil agradar todo mundo.

Há pessoas que criticam o padre por causa de suas homilias; outros, por ele ser muito exigente; ou pelo seu jeito de realizar o trabalho pastoral ou administrar a paróquia. Definitivamente, todo sacerdote é sinal de contradição.

Com relação às homilias, o problema para um padre é que, na mesma missa, há pessoas de todas as idades, de todas as condições socioeconômicas, de todos os níveis de formação. Como adequar a mensagem ao gosto de todos?

Indiferentemente de como o padre faça sua homilia, sempre haverá descontentamento entre os fiéis: uns porque a homilia é curta; outros porque é longa; outros porque é profunda demais; outros porque parece superficial; outros porque é fiel à doutrina da Igreja; outros porque é espiritual…

Qual é a solução? Dividir a paróquia por grupos, para que haja uma missa para crianças, outra para jovens, outra para adultos? No fundo, isso não é lógico, pois, indiferentemente dos grupos que forem formados, sempre haverá fiéis de outras idades.

Dividir os fiéis por grupos, para que haja uma missa para pessoas cultas, outra para pessoas menos cultas, outra para os pobres, outra para os ricos? Isso também não tem razão de ser, sob nenhum ponto de vista.

Há críticas de todos os tipos feitas aos sacerdotes:

– Se é bonito, deveria ter se casado; se é feio, coitado, foi por isso que virou padre.

– Se é sério, é porque está bravo; se sorri para todo mundo, quer ser o centro das atenções.

E assim por diante.

Indiferentemente do fato de as críticas serem fundadas ou infundadas, vale a pena recordar que os padres, apesar do seu jeito de ser e da sua história pessoal, querem encarnar o modelo de sacerdócio que Jesus propõe, como sumo e eterno Sacerdote. E pretendem exercer uma liderança ao estilo de Jesus, que não veio para condenar, mas para servir.

É uma pena que, na sociedade, e não só contra os sacerdotes, haja tantas críticas negativas e sobretudo generalizações.

Antes de criticar quem quer que seja, as pessoas precisam recordar o que Jesus disse: quem estiver livre de pecados, que atire a primeira pedra (Jo 8, 7). As críticas negativas crescem muito mais que as positivas.

Basta lembrar da história da Igreja. Os clérigos ou sacerdotes sempre sofreram muitos ataques, desde sempre, e assim será até o final.

Só que, na atualidade, é preciso acrescentar um ingrediente: a crescente apostasia (abandono público da fé), que torna mais cruéis ainda os ataques à Igreja e aos seus ministros.