quarta-feira, 9 de novembro de 2016

São Teodoro Tiro (Tyro) de Amásia (Amaseia)


O Santo Mártir Teodoro, o recruta, foi um soldado na cidade de Amásia na região do Ponto (província a nordeste da Ásia Menor, ao longo da costa do Ponto Euxino, isto é, o Mar Negro), sob o comando de um certo Bringas. Eles ordenaram a ele que oferecesse sacrifício aos ídolos. São Teodoro firmemente e em alta voz confessou sua fé em Cristo, o Salvador. O comandante deu a ele muitos dias para que pensasse sobre isso, durante os quais São Teodoro orou intensivamente. Eles o acusaram de colocar fogo num templo pagão e atiraram-no numa prisão para que morresse de fome.

O Senhor Jesus Cristo apareceu para ele lá, confortando-o e encorajando-o. Trazido novamente ao governador, São Teodoro ainda uma vez mais corajosamente e destemidamente confessou sua fé, pelo qual ele foi submetido a novas torturas e condenado à fogueira. O mártir Teodoro sem hesitação subiu à fogueira e com orações e louvações entregou sua santa alma a Deus. Seu martírio ocorreu no ano de 306, sob o imperador Romano Galério .

POLÊMICAS


Teodoro de Amásia ou Teodoro de Amaseia é um dos dois santos de mesmo nome e que são venerados como santos guerreiros e grandes mártires pela Igreja Ortodoxa. No cristianismo ocidental, ele é geralmente chamado de "Teodoro de Amásia" (ou Amaseia), uma referência à cidade no Ponto onde ele sofreu o martírio. Já no cristianismo oriental, ele é conhecido como Teodoro Tiro — uma referência à palavra"tiro", do latim clássico, que significa "recentemente alistado" ou "recruta" — ou Teodoro, o Recruta. Outra versão, da Enciclopédia Católica, afirma que ele não era um recruta e era chamado de "Tyro" por ter servido na coorte dos Tiranos.

O outro é São Teodoro Estratelata, conhecido também como "Teodoro de Heracleia", mas é possível que os dois sejam o mesmo santo. Quando o epíteto é omitido, a referência é geralmente para Teodoro de Amásia.

São Teodoro Estratelata e São Teodoro de Amásia 

Nada confiável se sabe sobre São Teodoro, exceto que ele foi martirizado no início do século IV (em 306 para este Teodoro e 319 para Teodoro Estratelata). As histórias sobre sua vida e martírio são todas lendárias.

Segundo elas, Teodoro era um recruta servindo no exército romano em Amásia, na província de Amásia, na Turquia, a cerca de 50 quilômetros ao sul da costa do Mar Negro em Sinope. Quando ele se recusou a se juntar aos colegas nos ritos pagãos de adoração, foi preso, mas, talvez por causa de sua pouca idade, acabou sendo libertado com uma advertência. Porém, ele protestou novamente contra o paganismo ateando fogo ao templo de Cibele em Amásia. Desta vez acabou sendo condenado à morte e, depois de muita tortura, foi executado ao ser atirado vivo numa fornalha.

O martírio do grande mártir, São Teodoro de Tiro

Conta-se que seus restos foram obtidos por uma mulher de Eusébia e enterrados em Euceta, onde ele teria nascido. Uma antiga cidade bizantina que não existe mais, acredita-se que corresponda à moderna Avkhat, que fica a cerca de 50 quilômetros de Amásia. Um templo teria sido erguido no local, que passou a atrair peregrinos.

São Gregório de Nissa pregou em sua homenagem em seu santuário no final do século IV e esta é a mais antiga fonte de informações sobre Teodoro. São Gregório não disse nada sobre São Teodoro além da lenda básica já relatada, mas contou como ele influenciava a vida de seus fieis e menciona especificamente que ele ajudava nas batalhas, um dos atributos mais importantes de São Teodoro.

Adições posteriores à história, entre os séculos VIII e X, relatam que um dragão estava aterrorizando a região de Amásia e que foi derrotado por São Teodoro com a ajuda de uma cruz. Amásia ficava na época em uma região vulnerável a ataques de invasores em marcha, contra quem dizia-se que santo intervinha. O santuário continuou a ser visitado até cerca de 1100, quando a região toda foi ocupada pelos muçulmanos.

São Teodoro se tornou especialmente importante para a Igreja Ortodoxa, por onde seu culto se espalhou e se popularizou. A primeira igreja dedicada a ele em Constantinopla foi construída em 452 e ele chegou a ter quinze delas na cidade. Teodoro era famoso também na Síria, Palestina e Ásia Menor, com muitas igrejas dedicadas a ele.

Na Itália, São Teodoro aparece num mosaico na abside de Santi Cosma e Damiano, em Roma, de cerca de 530, e, no século seguinte, ele tinha sua própria igreja, em formato circular, no Palatino, que foi cedida aos cristãos ortodoxos pelo papa João Paulo II em 2000 e re-inaugurada em 2004.

Ele jamais foi popular no resto da Europa ocidental ao norte da Itália. Uma exceção é a Catedral de Chartres, na França, que ostenta um vitral com uma série de 38 painéis celebrando a vida de São Teodoro, do século XIII.

São Teodoro era o padroeiro de Veneza antes que as relíquias de São Marcos fossem, de acordo com a tradição, levadas para a cidade em 828. A capela do doge era dedicada a ele até o século IX, quando a cidade, desejando se livrar da influência do Império Bizantino, foi re-dedicada a São Marcos.

Há dúvidas sobre se este padroeiro era São Teodoro de Amaseia ou São Teodoro Estratelata, mas Otto Demus, em sua obra autoritativa "The Church of San Marco in Venice" (196), afirma positivamente que era São Teodoro Estratelata de Heracleia, uma conclusão apoiada por Fenlon. Porém, em seu livro "Mosaics of San Marco" (1984), Demus lembra que nenhum dos mosaicos do século XII de São Teodoro revelam mais do que seu nome e sugere que ele pode ter se tornado o padroeiro antes que as histórias dos santos se separassem e nenhum deles o mostra em uniformes militares.

A nova Basílica de São Marcos foi construída entre a antiga capela de São Teodoro e o Palácio do Doge. Quando este foi ampliado e reconstruído no final do século XI, a capela desapareceu. Atualmente há uma pequena capela dedicada a São Teodoro atrás de São Marcos, mas ela só foi construída em 1486 (e foi ocupada anos depois pela Inquisição em Veneza).

As duas colunas bizantinas na Piazzetta em Veneza foram erigidas depois de 1172. A oriental mostra um estranho animal representando o leão alado de São Marcos. A estátua de São Teodoro está na ocidental desde 1372, mas o que se vê hoje não é a estátua original e sim um compósito criado a partir de diversos fragmentos, alguns antigos, incluindo um crocodilo representando o dragão, colocado lá na segunda metade do século XV.

Supostas relíquias de São Teodoro foram levadas de Mesembria por um almirante veneziano em 1257 e, depois de ficarem numa igreja veneziana em Constantinopla, foram levadas para Veneza em 1267. Atualmente estão na igreja de San Salvatore.

Diversas lendas conflitivas entre si se desenvolveram sobre a vida e martírio de São Teodoro que, para tentar dar alguma consistência às histórias, passou-se a assumir que deve ter havido dois santos diferentes: São Teodoro Tiro de Amásia e São Teodoro Estratelata de Heracleia.

Há ainda muita confusão sobre os dois e os dois aparecem nas fontes como tendo tido um santuário em Euceta, no Ponto, que provavelmente existia na época que as duas histórias ainda não haviam se separado. Segundo alguns autores, o santuário de Estratelata era em Eucaneia, um lugar diferente e Walter demonstrou que Hippolyte Delehaye se enganou quando achou que eram o mesmo lugar. No século IX as histórias já haviam se separado, mas atualmente, pelo menos no ocidente, aceita-se que existiu de fato apenas um São Teodoro Delehaye escreveu em 1909 que a existência do segundo Teodoro não foi estabelecida historicamente e Walter, em 2003, afirma que"Estratelata é certamente uma ficção".


Em mosaicos e ícones, São Teodoro geralmente aparece em uniformes militares do século VI, mas também, às vezes, em roupas da corte. Quando a cavalo, está sempre de uniforme, possivelmente lanceando um dragão, e geralmente acompanhado por São Jorge. Tanto ele quanto Teodoro Estratelata aparecem com cabelos negros e barbas pontudas (geralmente um apontando para o outro).

Na Igreja Ortodoxa, São Teodoro é celebrado em 8 de fevereiro ou em 17 de fevereiro ou ainda no primeiro sábado da Grande Quaresma. Na igreja ocidental, sua data é 9 de novembro, mas, depois do Concílio Vaticano II, sua celebração é apenas local.

As relíquias de São Teodoro estão espalhadas pelo mundo todo. No século XII, seu corpo teria sido supostamente transferido para Brindisi e ele é celebrado como padroeiro da cidade; sua cabeça estaria em Gaeta.

São Teodoro com o dragão

Seu encontro com um dragão foi depois transferido para São Jorge, mais popular.

A Igreja Ortodoxa e as Igrejas Católicas Orientais de rito bizantino celebram um milagre atribuído a São Teodoro Tiro no primeiro sábado da Grande Quaresma. No final da liturgia pré-santificada na noite de sexta (pois, liturgicamente, o dia começa no pôr-do-sol), um cânone (hino) a São Teodoro, composto por São João Damasceno, é entoado. Os sacerdotes abençoam a kolyva (trigo fervido com mel e passas), que é depois distribuída aos fiéis em comemoração ao milagre.

São Teodoro o grande mártir e o Milagre do trigo cozido

Conta a lenda que, cinquenta anos depois da morte de São Teodoro, o imperador romano Juliano, o Apóstata (r. 361–363) ordenou que o governador de Constantinopla, na primeira semana da Quaresma, borrifasse todos os suprimentos de comida do mercado com o sangue oferecido aos ídolos pagãos, sabendo que os cristãos estariam famintos depois do penoso jejum da primeira semana. Ele queria forçar os cristãos a comer, sem saber, comida "poluída" (do ponto de vista cristão) por sangue oriundo de idolatria. São Teodoro então teria aparecido num sonho para o arcebispo Eudóxio e ordenou-lhe que informasse a todos os fieis que nada comprasse no mercado, mas que fervessem o trigo que tinham em casa e o comessem adoçado com mel.


Ó Deus, que nos escutais e defendeis com a gloriosa confissão do bem-aventurado mártir teodoro, fazei que aproveitemos com o seu exemplo e sejamos protegidos pela sua intercessão. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém. São Teodoro, rogai por nós.

Dedicação da Basílica de Latrão


Hoje, o calendário litúrgico propõe à Igreja universal a festa da Dedicação da Basílica de São João de Latrão. A igreja – que é a catedral da diocese de Roma e, portanto, sede do trono pontifício – é considerada “omnium urbis et orbis ecclesiarum mater et caput – mãe e cabeça de todas as igrejas de Roma e do mundo”.

Em 313, o imperador Constantino, além de publicar o Édito de Milão, pelo qual concedia liberdade de culto à religião cristã, introduziu uma série de mudanças nas leis romanas, tais como a proibição da morte por crucifixão, a proteção aos órfãos e às viúvas, o fim das punições aos celibatários e dos espetáculos com derramamento de sangue. Além desse enorme bem prestado à Igreja, Constantino mandou erigir uma construção para os fiéis católicos prestarem culto a Deus: a Basílica de Latrão, que foi dedicada, a 9 de novembro de 324, pelo Papa São Silvestre.

Mas, o que significa celebrar uma igreja, se Deus, como pregou o Apóstolo, “não habita em templos feitos por mão humana” [1]? A partir de Cristo, de fato, o grande templo de Deus não são mais as paredes, senão o próprio Jesus. No Evangelho deste Domingo, Nosso Senhor, em um ato de zelo pelo que Ele chama “casa de meu Pai”, expulsa os vendilhões do templo, espalha as moedas e derruba as mesas dos cambistas. Embora amasse realmente o Templo de Jerusalém e o considerasse como lugar da morada de Deus, Cristo, com este ato, realmente rompe com o Velho Testamento: lembra que os templos da Antiga Lei são apenas prefigurações. Agora, com Ele, “a Palavra se fez carne e veio morar entre nós” [2]. Deus armou a Sua tenda entre os homens, no Seu Filho; Ele é o templo da Nova Aliança, como Suas próprias palavras confirmam: “‘Destruí este Templo, e em três dias o levantarei’. (...) Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo”.

Ora, se é Cristo o templo da Nova Aliança, por que celebrar a dedicação de uma igreja em Roma? Porque as igrejas cristãs não pretendem reproduzir o Templo de Jerusalém, dos judeus, mas a “nova Jerusalém”, descrita no Apocalipse de São João [3]. Diferentemente dos templos judaicos, em que os únicos a entrarem na construção eram os sacerdotes e o resto do povo deveria ficar do lado de fora, as basílicas cristãs pretendiam ser uma réplica da cidade de Deus, um lugar para os cristãos se reunirem, tratarem de negócios e resolverem problemas jurídicos, como em uma praça pública. O templo passava a ser morada de Deus porque aí habitava o Seu povo, que, por sua vez, são membros do Corpo Místico de Cristo.

A presença divina nos templos cristãos também é notável nos sacrários, onde se encontra Nosso Senhor, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade. No Santíssimo Sacramento, com efeito, está a presença de Cristo por excelência.

Quanto à Basílica de Latrão, há uma história muito bela, ocorrida dentro de suas paredes, que mostra a sua importância para a Igreja, de modo especial nos primeiros séculos da fé cristã. Trata-se da conversão de Vitorino, narrada por Santo Agostinho, em suas Confissões:

“Esse erudito ancião, profundo conhecedor de todas as ciências liberais, leitor e crítico de tantos livros de filosofia, fora mestres de muitos nobres senadores. O prestígio de seu magistério lhe valera uma estátua no foro romano, que ele aceitara (coisa que os cidadãos desse mundo têm em grande conta). Até aquela idade avançada, havia adorado os ídolos, participando de cultos sacrílegos, de que participava quase toda a nobreza romana da época que inspirava ao povo sua devoção por Osíris, por ‘toda sorte de monstros divinizados, pelo labrador Anúbis’, monstros que outrora ‘pegaram em armas contra Netuno, Vênus e Minerva’, e a quem, vencidos, a própria Roma dirigia súplicas, esse velho Vitorino, que durante tantos anos havia defendido esses deuses com sua terrível eloquência, não se envergonhou de se tornar servo de teu Cristo e criança de tuas águas, dobrando o pescoço ao jugo da humildade, e dobrando sua fronte ante o opróbrio da cruz.”

“Senhor, Senhor, que inclinaste os céus e o desceste, que tocaste os montes e estes fumegaram, de que modo te insinuaste naquele coração?”

“Segundo contou-me Simpliciano, Vitorino lia as Escrituras e investigava e esquadrinhava com grande curiosidade toda a literatura cristã, e confiava a Simpliciano, não em público, mas muito em segredo e familiarmente: ‘Sabes que já sou cristão?’ Ao que respondia aquele: ‘Não hei de acreditar, nem te contarei entre os cristãos enquanto não te vir na Igreja de Cristo’. Mas ele ria e dizia: ‘Serão pois as paredes que fazem os cristãos?’ E isto, de que já era cristão, o dizia muitas vezes, contestando-lhe Simpliciano outras tantas vezes com a mesma resposta, opondo-lhe sempre Vitorino o gracejo das paredes.”

“Vitorino receava desgostar a seus amigos, os soberbos adoradores dos demônios, julgando que estes, de alto de sua babilônica dignidade, como cedros do Líbano, ainda não abatidos pelo Senhor, fariam cair sobre ele suas pesadas inimizades.”

“Mas depois que hauriu forças nas leituras e orações, temeu ser renegado por Cristo diante de seus anjos, se tivesse medo de o confessar diante dos homens. Sentiu-se réu de um grande crime por se envergonhar dos mistérios de humildade de teu Verbo, não se envergonhando do culto sacrílego de demônios soberbos, que ele próprio aceitara como soberbo imitador; envergonhou-se da vaidade, e enrubesceu diante da verdade. De repente, disse a Simpliciano, segundo este mesmo contava: ‘Vamos à Igreja; quero me tornar cristão’. Simpliciano, não cabendo em si de alegria, foi com ele. Recebidos os primeiros sacramentos da religião, não muito depois, deu seu nome para receber o batismo que renegara, causando admiração em Roma e alegria na Igreja. Viram-no os soberbos, e se iraram; rangiam os dentes e se consumiam de raiva. Mas teu servo havia posto no Senhor Deus sua esperança, e não tinha mais olhos para as vaidades e as enganosas loucuras.”

“Enfim, chegou a hora da profissão de fé. Em Roma, os que se preparam para receber tua graça, pronunciam de um lugar elevado, diante dos fiéis, fórmulas consagradas aprendidas de cor. Os presbíteros, dizia-me Simpliciano, propuseram a Vitorino que recitasse a profissão de fé em segredo, como era costume fazer com os que poderiam se perturbar pela timidez. Mas ele preferiu confessar sua salvação na presença da plebe santa, uma vez que nenhuma salvação havia na retórica que ensinara publicamente. Quanto menos, pois, devia temer diante de tua mansa grei pronunciar tua palavra, ele que não havia temido as turbas insanas em seus discursos!”

“Assim, logo que subiu à tribuna para dar testemunho da sua fé, em uníssono, conforme o iam conhecendo, todos repetiram seu nome como num aplauso – e quem ali não o conhecia? – e um grito reprimido, saiu da boca de todos os que se alegravam: ‘Vitorino! Vitorino!’ Ao verem-no, se puseram a gritar de júbilo, mas logo emudeceram pelo desejo de ouvi-lo. Vitorino pronunciou sua profissão de verdadeira fé com grande firmeza, e todos queriam raptá-lo para dentro de seus corações. E realmente o fizeram: seu amor e alegria eram as mãos que o arrebatavam.” [4]

Enfim, não são as paredes de uma basílica que fazem a Igreja, mas a profissão de fé no Cristo, profissão de Vitorino e profissão de centenas de Papas ao longo dos séculos. É esse o testemunho que edifica a Igreja, desde São Pedro [5] até hoje.


Ó Deus, que chamastes Igreja o vosso povo, concedei aos que se reúnem em vosso nome temer-vos, amar-vos e seguir-vos até alcançar, guiados por vós, as promessas eternas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
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Referências:
1.       At 17, 24
2.       Jo 1, 14
3.       Cf. Ap 21; 22, 1-5
4.       Confissões, VIII, 2

5.       Cf. Mt 16, 17-18

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Os católicos e a intolerância religiosa


Neste ano de 2016, o Exame Nacional do Ensino Médio formulou como proposta de redação o tema "Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil". Embora ciente do viés notavelmente tendencioso com que o assunto foi apresentado, a pretensão de nossa equipe é contribuir sinceramente com esse debate, oferecendo uma reflexão genuinamente católica a esse respeito.

Para tanto, publicamos a seguir trecho de um precioso discurso de Dom Francisco de Aquino Corrêa. Para quem não o conhece, trata-se de um bispo brasileiro que governou a Arquidiocese de Cuiabá de 1921 a 1956 e que ocupou, no mesmo período, um honroso lugar de prestígio na Academia Brasileira de Letras.

Não obstante elevada a linguagem com que se pronuncia o purpurado, a mensagem que ele transmite não só é inteligível, como de grande utilidade para orientar a moderna discussão sobre "intolerância religiosa". Não deixem de apreciar: 

Senhores!

Aprendi com os velhos mestres escolásticos que um dos recursos mais frequentes nas justas cavalheirescas do espírito há de ser a distinção lógica dos termos: assim aconselhavam eles no final dum conhecido hexâmetro didático: distingue frequente. Onde quer que se insinue a confusão, aí se impõe ela. E, não raro, nos dá, deveras, a sensação dum raio de sol em plena treva. Ora, um dos vocábulos mais confusos da linguagem polêmica é precisamente a intolerância. Tanto assim que podemos distingui-la, não em duas, mas em três espécies, que, para maior clareza ou efeito gráfico e mnemônico, designarei por três pês: intolerância de pessoas, de palavras e de pensamentos.

Nada mais anticristão do que a intolerância de pessoas. Basta abrir os evangelhos: Jesus levou nesse terreno a tolerância a tal auge que escandalizou os fariseus, pois, afrontando-lhes embora a indignação e o desprezo, achegou-se aos publicanos e pecadores. E máxime em pritaneus acadêmicos, como o nosso, é que se ela impõe, como já fazia notar, com a costumada lepidez, o saudoso confrade Carlos de Laet: "Neste habitáculo das letras, escreveu ele, a tolerância de pessoas não é somente uma virtude, mas uma exigência impreterível, para a serenidade em nossos debates, mesmo naqueles que mais nos escandescem, isto é, os da questão ortográfica". 

Não é, portanto, essa, a intolerância, de que se possa acusar o catolicismo, porque ninguém menos católico, nem mais intolerável, do que um católico intolerante para com as pessoas.

Terremoto na Itália não é “castigo divino”, afirma autoridade Vaticana


O substituto para Assuntos Gerais da Secretaria de Estado Vaticano, Dom Giovanni Angelo Becciu, lamentou as declarações difundidas no último dia 30 de outubro na rádio local, quando um sacerdote disse que os terremotos na Itália foram um “castigo divino” devido à aprovação das uniões homossexuais. A autoridade vaticana disse que são “afirmações ofensivas para os crentes e escandalosas para quem não crê”.

No dia 30 de outubro, o Pe. Giovanni Cavalcoli respondeu na Rádio Maria a pergunta de um ouvinte a respeito dos sismos ocorridos no centro do país, se estes são consequências da aprovação de leis contrárias a Deus, como a legalização das uniões homossexuais no último mês de maio.

O sacerdote, que fez uma análise de pecado mortal e as suas consequências na salvação das pessoas, assinalou que “do ponto de vista teológico esses desastres são consequência do pecado original, portanto, podem ser considerados verdadeiramente como castigo do pecado original. Mesmo que não gostem dessa palavra, a direi, pois é uma palavra bíblica, não há nenhum problema. Naturalmente, é necessário compreender bem o que se entende por castigo”.

No entanto, disse que é “um discurso muito delicado” pensar que se esses desastres “não serão um castigo divino pelas ações cometidas hoje em nossa sociedade”. Mas, sem entrar na “quase superstição”, recordou que o terremoto desmoronou a igreja de Núrsia que recorda São Bento, pai da civilização cristã europeia, que atualmente vive uma “gravíssima crise”.

“Enfim, tem-se a impressão de que essas ofensas foram causadas pela lei divina, pensem na dignidade da família, na dignidade do matrimônio, como também na dignidade da união sexual”. É para pensar “que estamos diante de um castigo divino, digamos assim”.

“Certamente é uma reivindicação muito forte da Providência, mas não tanto, digamos, no sentido aflitivo, mas sim no sentido de reivindicação à consciência, para reencontrar os princípios da lei natural”, expressou. 

#Enem2016: "Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil".


Se eu disser que "todos os deuses pagãos são demônios" (Sl XCV, 5), ou seja, todos os "deuses" das religiões não abraâmicas, isto é intolerância religiosa?

Se eu disser que "há um só Pastor, uma só Fé, um só Batismo" (Ef IV, 5) e uma só Igreja, Santa e Católica, e que, portanto — se quero ser coerente com a Fé que professo — todas as demais religiões são falsas, no sentido de que não foram fundadas e edificadas por Deus (cf. Mt XVI, 18), isto é intolerância religiosa?

Se, seguindo a ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo — "Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mt XXVIII, 19) —, eu anunciar o Evangelho aos que não são católicos, com a intenção de fazê-los discípulos de Cristo por meio de Sua Santa Igreja Romana, isto é intolerância religiosa?

Se eu disser que "toda autoridade foi dada a Cristo, no Céu e na terra" (Mt XXVIII,18), e que, desta forma, toda ordem espiritual e temporal deve estar sujeita ao Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, isto é intolerância religiosa?

Vejam: não se trata de deixar de praticar a caridade para com quem é de outra religião (amá-lo em Cristo), nem de deixar de conviver com ele, nem de discriminá-lo (no sentido pejorativo), nem de agredi-lo verbalmente, nem de persegui-lo, nem de negar-lhe a dignidade humana. Trata-se tão somente de professar de modo integral a Fé que Cristo, Nosso Senhor, revelou. 

Ladrões roubam igreja e profanam sacrário em Salvador (BA)


Peças do acervo de Arte Sacra da Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Convento da Lapa, em Nazaré, foram roubadas neste domingo (6). Quatro castiçais, um ostensório - peça utilizada para expor a hóstia - e a porta do sacrário de prata foram levados por ladrões, ainda não identificados. Segundo informações da Polícia Civil, quem roubou as peças teve acesso à igreja pelos galhos de uma mangueira.


"O caso está sendo investigado pela 1ª Delegacia (Barris). A equipe do Serviço de Investigação (SI) da unidade está em campo, a perícia já foi realizada e não há câmeras de segurança no local", disse a Polícia Civil, em nota.

ENEM 2016: Nossa redação sobre Tolerância Religiosa


Gabarita, Povo Católico!

O MEC propôs o tema “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil” para a redação do ENEM 2016. Que legal! Seria essa uma tentativa de esquerdar um pouco mais os nossos jovens ou de finalmente endireitá-los? Em todo o caso nós de O Catequista resolvemos dar a nossa contribuição e apresentar nossa redação também!

A intolerância religiosa no Brasil é algo absolutamente evidente e talvez um dos maiores problemas desse país. Discorda? Bem, vejamos… segundo o IBGE, 92% da população brasileira é religiosa, sendo 86% cristã e 65%… católica! Dito isto, como explicar que a esmagadora maioria das políticas públicas e da produção cultural sejam dedicadas a desconstruir e combater os valores da quase totalidade da população? Tanta forçação de barra só pode ser intolerância religiosa!

Nos perguntamos também: como explicar nosso judiciário tentando criar cada vez mais oportunidades para que a indústria do aborto se instale no país? A última desculpa esfarrapada foi a epidemia de Zika, que quase se tornou mais um motivo para matar bebês, com o devido apoio de toda a grande mídia.

Aliás, vale lembrar a repercussão da PL 5069/2013 que fecha a brecha para ao aborto indiscriminado no país. Ela nem foi a plenário ainda (apenas passou na Comissão de Constituição e Justiça) e já foi alvo de amplo mimimi de todos os lados. O engraçado é que quando se fala em religião, os defensores do aborto imediatamente tentam desqualificar qualquer argumentação. Ora… mas esse argumento não representaria 92% da população? Só pode ser intolerância.

A penitência de coração sincero


Façamos penitência enquanto vivemos na terra. Somos barro nas mãos de um artífice. O oleiro pode recompor o vaso que lhe sai defeituoso ou se lhe desfaz nas mãos, enquanto o está a modelar; mas depois de o introduzir no forno já não o retoca mais. Assim também nós, enquanto estamos neste mundo, façamos penitência e arrependamo‑nos sinceramente de todos os pecados cometidos, enquanto é tempo, para sermos salvos pelo Senhor.

Depois de partirmos deste mundo, já não poderemos confessar os nossos pecados nem fazer penitência. Por isso, irmãos, façamos a vontade do Pai, conservemos casto o nosso corpo e guardemos os mandamentos do Senhor, e assim alcançaremos a vida eterna. Diz o Senhor no Evangelho: Se não fostes fiéis no pouco, quem vos confiará o muito? Eu vos digo: Quem é fiel no pouco também será fiel no muito. Quer dizer: conservai o corpo casto e o caráter cristão imaculado, para que sejais dignos de receber a vida. E nenhum de vós ouse afirmar que o nosso corpo não será julgado nem ressuscitará.

Considerai bem: em que situação fostes redimidos e iluminados, senão enquanto vivíeis neste corpo? Por isso devemos guardar o corpo como um templo de Deus. Assim como fostes chamados neste corpo, também neste corpo vos apresentareis. Se Cristo Senhor, que nos salvou, sendo antes apenas espírito, Se fez homem e assim nos chamou, também nós receberemos a recompensa neste corpo. Amemo‑nos, portanto, uns aos outros, para chegarmos todos ao reino de Deus. Enquanto temos tempo para sermos curados, entreguemo‑nos a Deus, nosso médico, e demos‑Lhe a retribuição devida. Que retribuição? A penitência de um coração sincero. Deus conhece previamente todas as coisas; conhece tudo o que se passa no nosso coração. Tributemos‑Lhe o nosso louvor, não só com a boca mas também com todo o coração, para que nos receba como seus filhos. Porque o Senhor disse: Os meus irmãos são aqueles que fazem a vontade de meu Pai.


Da Homilia de um autor do século II

(Cap. 8, 1 – 9, 11. Funk 1, 152-156)