domingo, 13 de novembro de 2016

Viver o domingo


As mudanças culturais que estamos vivendo, que tem na destradicionalização uma de suas características, atinge o modo de compreender o domingo. Em linhas gerais, pode-se dizer que o domingo passou a ser “fim de semana”. Então, a compreensão do domingo precisa ser reconfigurada, não somente na esteira de uma tradição cultural, mas a partir de um caminho de iniciação cristã que lhe dê o seu verdadeiro significado. O “fim de semana” traz consigo elementos muito importantes: o tempo do descanso do trabalho, de mudança da rotina, do encontro familiar ou com amigos e tantas outras opções que fazem ser um dia diferente dos demais. “É um dia de protesto contra as escravidões do trabalho e o culto do dinheiro” (CIC 2172). Ele traz a marca da gratuidade, pois tudo é de Deus, inclusive o tempo. Muitos viajam para descansar numa praia ou no sítio. Muitos jovens que saem para estudar, aproveitam para rever sua família. Outros reduzem o fim de semana a momentos festivos, divertindo-se à noite e dormindo durante o dia. Há, também, os que o reservam para atividades culturais e desportivas. Claro que, para nós, cristãos, o domingo não pode se reduzir ao restrito horizonte do fim de semana. Ele traz em si algo próprio, que o caracteriza, que está no seu próprio nome: dia do Senhor.

São João Paulo II, ao escrever uma belíssima carta sobre o domingo, a Encíclica Dies Domini (1998), recordou as várias dimensões deste dia: dia do Senhor; dia de Cristo; dia da Igreja; dia dos homens, do descanso; dia dos dias, apontando para a plenitude dos tempos. “Aos discípulos de Cristo, contudo, é-lhes pedido que não confundam a celebração do domingo, que deve ser uma verdadeira santificação do dia Senhor, com o «fim de semana» entendido fundamentalmente como tempo de mero repouso ou de diversão.” (Dies Domini 4).

Santo Estanislau Kostka


O santo, que lembramos com muito carinho neste dia, nasceu na nobre e influente família dos Kostka, a qual possuía uma sólida vida de piedade familiar. Nasceu no castelo de Rostkow, na vila de Prasnitz (Polônia), a 28 de outubro de 1550. Nesse ambiente é que Estanislau cresceu na amizade e intimidade com Cristo.

Quando tinha 14 anos foi estudar em Viena, juntamente com seu irmão mais velho, Paulo. Devido a uma ordem do Imperador Maximiliano I, o internato jesuíta onde estudavam foi fechado, sobrando como refúgio o castelo de um príncipe luterano, que com Paulo, promoveu o calvário doméstico de Estanislau. Em resposta às agressões do irmão, que também eram físicas, e as tentações da corte, o santo e penitente menino permanecia firme em seus propósitos cristãos: “Eu nasci para as coisas eternas e não para as coisas do mundo”.

Diante da pressão sofrida, a saúde de Estanislau cedeu, e ao pedir que providenciassem um sacerdote para que pudesse comungar o Corpo de Cristo, recebeu a negativa dos homens, mas não a de Deus. Santa Bárbara apareceu-lhe, na companhia de anjos, portando Jesus Eucarístico e, em seguida, trazendo-lhe a saúde física, surgiu a Virgem Maria com o Menino Jesus.

Depois desse fato o jovem discerniu sua vocação à vida religiosa como jesuíta, por isso enfrentou familiares e, ousadamente, fugiu sozinho, a pé, e foi parar na Companhia de Jesus. Acolhido pelo Provincial que o ouviu e se encantou com sua história, com somente 18 anos de idade, viveu apenas 9 meses no Noviciado, porque adquiriu uma misteriosa febre e antes de morrer os sacerdotes ouviram do seus lábios sorridentes dizerem:“Maria veio buscar-me, acompanhada de virgens para me levar consigo”.


Ó Deus, Forte e Eterno, que concedestes grandes graças ao Vosso jovem servo, Santo Estanislau, concedei a todos os nossos jovens, serem mais firmes na fé e constantes no testemunho. Por Cristo Senhor, amém.


Santo Estanislau Kostka , rogai por nós!

São Diogo de Alcalá


Diogo nasceu em Alcalá do Porto, em Sevilha, por volta do ano de 1400. Filho de pais muito pobres e simples, viveu como monge eremita, em penitência e oração. Alimentava-se somente com os produtos da pequena horta que cultivava e se vestia com as roupas velhas que o povo lhe dava. Possuidor de dons místicos e inteligência infusa, sua piedade e bondade eram tão reconhecidas que logo ganhou fama de santidade. Depois de alguns anos isolado, resolveu fazer-se franciscano. 

Em 1441, o Diogo foi enviado como missionário às Ilhas Canárias. Seu trabalho dedicado valeu-lhe o cargo de superior da ordem. Mas sua atuação não era bem vista pelos colonizadores, pois Diogo defendia os indígenas locais, colocados na condição de escravos pelos dominadores. Assim, tornaram sua atuação muito difícil. Com tantas pressões ele teve que voltar para a Espanha, em 1449. 

Na Europa o zeloso irmão não ficou parado. Mudou-se para Roma e lá trabalhou como ninguém na assistência aos doentes. Era respeitado e venerado, mas precisou voltar para a Espanha, onde retomou seus trabalhos como porteiro e cozinheiro. 

Morreu em 12 de novembro de 1463 com fama de santidade. 



Ó Deus, concedei-nos, pelas preces de São Diogo de Alcalá, a quem destes perseverar na imitação de Cristo pobre e humilde, seguir a nossa vocação com fidelidade e chegar àquela perfeição que nos propusestes em vosso Filho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Amém.

sábado, 12 de novembro de 2016

Derramou o seu sangue pela unidade da Igreja


Sabemos que a Igreja de Deus, constituída por sua admirável providência para ser na plenitude dos tempos uma família imensa que englobe todo o género humano, se distingue por disposição divina, entre outras características singulares, pela sua unidade ecuménica. Cristo Senhor não Se limitou a encomendar apenas aos Apóstolos a missão que Ele próprio recebera do Pai, ao dizer: Foi‑Me dado todo o poder no céu e na terra; ide e fazei discípulos de todos os povos. Quis também que o colégio apostólico fosse especialmente uno, e ligado por um vínculo estreitíssimo e duplo: um interior, a saber, a mesma fé e caridade, que foi derramada pelo Espírito Santo nos nossos corações; e outro exterior, pelo governo de um sobre os demais, por ter conferido o primado apostólico a Pedro, como princípio permanente e fundamento visível da unidade. Para que esta unidade e harmonia permanecessem para sempre, Deus providentíssimo consagrou‑a ao mesmo tempo com o selo da santidade e do martírio. Esta grande honra coube ao arcebispo de Polock, São Josafat, de rito eslavo oriental, que com razão reconhecemos como glória e sustentáculo esplendoroso dos eslavos orientais. Nenhum outro ilustrou mais o nome deles e contribuiu mais para a sua salvação do que este seu pastor e apóstolo, especialmente ao derramar o seu sangue pela unidade da santa Igreja. Além disso, sentindo‑se movido por uma inspiração celeste, compreendeu que podia contribuir muito para restabelecer a santa unidade, se mantivesse dentro da unidade universal o rito oriental eslavo e a ordem monástica de São Basílio. Preocupado, entretanto, principalmente com a união dos seus compatriotas à Cátedra de Pedro, procurava por toda a parte quantos argumentos pudessem promovê‑la ou confirmá‑la, sobretudo consultando os livros litúrgicos que os Orientais e os próprios dissidentes costumavam usar por prescrição dos Santos Padres. Utilizando tão diligente preparação, começou a trabalhar pela unidade ao mesmo tempo com tal firmeza e brandura e também com tanto fruto que os próprios adversários lhe chamaram «conquistador de almas».


Da encíclica Ecclesiam Dei do papa Pio XI

(AAS 15 [1923] 573-582)

Se Maria não possui pecado, por que a Bíblia diz que "todos pecaram" (Rm 3,23)?


Maria pecou, porque Romanos 3,23 diz: “Todos pecaram e carecem da glória de Deus.”  A primeira carta de  João 1,8 acrescenta: “Se alguém diz que não tem pecado é mentiroso e a verdade não está nele”. Estes textos não poderiam ser mais claros para milhões de protestantes, será que os Católicos não percebem isso? Como alguém poderia acreditar que Maria estava livre de todo pecado à luz dessas passagens da Escritura, ainda mais quando a própria Maria disse: “A minha alma se alegra em Deus, meu Salvador em Lucas 1,47 . Maria compreendia claramente ser uma pecadora e admite precisar de um salvador!!

A resposta católica

Muitos protestantes ficariam surpresos ao descobrirem que a Igreja Católica, na verdade, afirma que Maria foi “salva”. De fato, Maria precisava de um salvador como qualquer outro mortal! No entanto, Maria foi “salva” do pecado de uma forma mais sublime. Ela foi dada a graça de ser “salva” completamente do pecado, para que nunca cometesse a menor transgressão. Os evengélicos tendem a enfatizar a “salvação”  quase que exclusivamente como o perdão dos pecados já cometidos. No entanto, a Sagrada Escritura indica que a salvação também pode se referir ao homem  no sentido de protegê-lo do pecado antes do fato :

Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar e apresentar-vos irrepreensíveis diante da presença de sua glória, com alegria, ao único Deus, nosso Salvador, por Jesus Cristo nosso Senhor, glória, majestade , domínio e poder, antes de todos os tempos e agora e para sempre. (Judas 24-25)

Seiscentos anos atrás, o grande teólogo franciscano Duns Scotus explicou que a queda em pecado poderia ser comparada a um homem se aproximando inadvertidamente à uma vala profunda. Se ele cai na vala, ele precisa de alguém para baixar uma corda e salvá-lo. Mas se alguém avisá-lo do perigo à frente, impedindo-o de cair na vala, ele seria salvo de cair em primeiro lugar. Da mesma forma, Maria foi salva do pecado, recebendo a graça de ser preservada dele. Mas ainda assim, foi salva.

Todos pecaram, exceto . . .

Mas o que dizer das passagens “todos pecaram ” ( Rom 3,23 ), e “se alguém diz que não tem pecado é mentiroso e a verdade não está nele ” (1 João 1,8 ) ? Não seria “todo” e “qualquer homem” incluindo Maria? Em princípio, isso soa razoável e parece lógico. Mas esta maneira de pensar, levada à sua conclusão lógica, significaria incluir TODOS, inclusive um recém-nascido inocente, como parte desse “todos”. Nenhum cristão fiel ousaria dizer isso. No entanto, nenhum cristão pode negar a clareza dos textos da Escritura afirmando a plena humanidade de Cristo. Assim, tomar 1 João 1,8 em um sentido estrito, literal, seria aplicar “qualquer homem” também a Jesus, porque o texto diz TODOS, não diz: TODOS, exceto Jesus.

A verdade é que Jesus Cristo foi uma exceção a Romanos 3,23 e 1 João 1,8. E a Bíblia nos diz isso em Hebreus 4,15 – “Cristo foi tentado em todos os pontos como nós somos e ainda assim ele estava sem pecado”. A questão agora é: Existem outras exceções a esta regra? Sim, provavelmente muitas delas.

Tanto Romanos 3,23 e 1 João 1,8 lidam com pecado pessoal ao invés de pecado original. (Romanos 5 trata de pecado original). E há duas exceções a essa norma bíblica em geral. Mas, por agora, vamos simplesmente lidar com Romanos 3,23 e 1 João 1,8. Primeiro a Carta de João 1,8, obviamente, refere-se ao pecado pessoal porque, no próximo verso, João nos diz: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados … “Nós não confessamos o pecado original; confessamos os pecados pessoais.

O contexto de Romanos 3,23 deixa também deixa claro que ele se refere a pecado pessoal:

Não há justo, nem sequer um, ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram de errado, ninguém faz o bem, nem um sequer. As suas garganta são um sepulcro aberto. Eles usam suas línguas para enganar. O veneno  está nos seus lábios. Suas bocas estão cheia de maldição e amargura. (Romanos 3,10-14 )

O pecado original não é algo que fazemos, é algo que herdamos. Romanos capítulo 3 lida com o pecado pessoal, porque fala de pecados cometidos pelo pecador. Com isso em mente, considere o seguinte: Um bebê no útero ou uma criança de dois anos já cometeu um pecado pessoal? Não. Porque para pecar a pessoa tem que saber que o ato que ele está prestes a realizar é pecaminoso, e ao mesmo tempo,  livremente engajar a sua vontade em realizá-lo.  Portanto, sem as faculdades adequadas que lhes permitam o pecado, as crianças antes de alcançarem a idade da responsabilidade  e da razão, bem como quem não tem o uso de seu intelecto, e não pode pecar. Assim, existem e existiram milhões de exceções a Romanos 3,23 e 1 João 1,8!!!

Mas então podemos com isso concluir que a Bíblia mentiu ou errou? Claro que não, o mais provável é que a interpretação protestante, essa sim esteja em erro!! Para negar isso o protestante deve necessariamente afirmar que um bebezinho recém-nascido está incluído na palavra TODOS pecaram!

Mesmo assim, como sabemos que Maria é uma exceção à norma do “todos pecaram” ? E mais importante, há apoio bíblico para essa afirmação? Sim, há muito apoio bíblico!

São Josafá Kuncevicz (Josaphat Kuncewicz)


João Kuncevicz nasceu em Wladimir (Ucrânia), no ano de 1580, numa família de ortodoxos, ou seja, ligados à Igreja Bizantina e não à Igreja Romana.

Com a mudança de vida mudou também o nome para Josafá, pois era comerciante até que, tocado pelo Espírito do Senhor, abraçou a fé católica e entrou para a Ordem de São Basílio, na qual, como monge desde os 24 anos, tornou-se apóstolo da unidade e sacerdote do Senhor. Dotado de muitas virtudes e dons, foi superior de vários conventos, até tornar-se Arcebispo de Polotsk em 1618 e lutar pela formação do Clero, pela catequese do povo e pela evangelização de todos.

São Josafá, além de promover com o seu testemunho a caridade para com os pobres, desgastou-se por inteiro na promoção da unidade da Igreja Bizantina com a Romana; por isso conseguiu levar muitos a viverem unidos na Igreja de Cristo. Os que entravam em comunhão com a Igreja Romana, como Josafá, passaram a ser chamados de “uniatas”, ou seja, excluídos e acusados de maus patriotas e apóstolos, segundo os ortodoxos.

Por causa de suas ações foi vítima de calúnias, difamação, acusações absurdas. Em uma pregação chegou a prever que seu fim estava próximo e seria morto na mão dos inimigos. 

Aconteceu que numa viagem pastoral, Josafá, com 43 anos na época, foi atacado, maltratado e martirizado. Após ser assassinado, São Josafá foi preso a um cão morto e lançado num rio. Dessa forma, entrou no Céu, donde continua intercedendo pela unidade dos cristãos, tanto assim que os próprios assassinos mais tarde converteram-se à unidade desejada por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Tudo ocorreu no dia 12 de novembro de 1623. O seu corpo depois foi recuperado e venerado pelos fiéis. É chamado de padroeiro do ecumenismo


Deus eterno e todo-poderoso, que destes a São Josafá a graça de lutar pela justiça até a morte, concedei-nos, por sua intercessão, suportar por vosso amor as adversidades, e correr ao encontro de vós que sois a nossa vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.


São Josafá, rogai por nós!

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Espanha: Sacrário roubado é encontrado sem as hóstias consagradas!


O Bispo da diocese de São Sebastião (Espanha), Dom José Ignacio Munilla, denunciou que na segunda-feira, 7 de novembro, ocorreu uma “profanação gravíssima ao Santíssimo Sacramento” dentro do cemitério de Polloe, pois o sacrário e as espécies eucarísticas foram roubados.

Ante a ofensa, Dom Munilla propôs, através de uma carta dirigida aos fiéis, que no domingo, 20 de novembro, dia de Cristo Rei, seja celebrada uma Missa de desagravo na capela do cemitério às 10h30.

“Podeis supor que a nossa dor é grande e, por isso, sinto-me chamado a compartilhá-la convosco e a pedir-lhes que realizem em seus momentos de adoração uma resposta de desagravo e de reparação”, expressou o Prelado em sua carta.

Do mesmo modo, disse que este evento “permite refletir sobre o que significa o Senhor estar presente nas espécies eucarísticas”.

“Ele duvidou nem um momento em cumprir sua promessa: Eu estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos. Se o Senhor, apesar de todos os riscos e perigos, mantém hoje sua vontade de permanecer entre nós, é um sinal inequívoco de que os bens da sua presença são imensamente maiores do que qualquer mal que possa acontecer”, assegurou o Bispo espanhol. 

Martinho, pobre e humilde


Martinho soube com muita antecedência o dia da sua morte e comunicou a seus irmãos que a separação do seu corpo estava iminente. Entretanto, viu‑se obrigado a visitar a diocese de Candes. Tinham surgido, com efeito, desavenças entre os clérigos desta igreja e Martinho desejava restaurar a paz. Apesar de não ignorar o fim próximo dos seus dias, não recusou partir perante motivo desta natureza, por considerar como bom termo da sua actividade deixar a paz restabelecida nessa igreja. Permaneceu algum tempo nessa povoação ou comunidade para onde se dirigia. Depois de feita a paz entre os clérigos, pensou em regressar ao mosteiro. Mas de repente sentiu que lhe faltavam as forças do corpo. Reuniu os irmãos e participou‑lhes que ia morrer. Então começou o pranto, a consternação e o lamento unânime de todos: «Pai, porque nos abandonas? A quem nos confias na nossa orfandade? Lobos ferozes assaltam o teu rebanho; quem nos defenderá das suas mordeduras, se nos falta o pastor? Sabemos sem dúvida que suspiras por Cristo, mas a tua recompensa está assegurada e não será diminuída se for adiada. Antes de mais, compadece‑te de nós, que nos deixas abandonados». Então, comovido por estes lamentos e transbordando da terna compaixão que sempre sentia no Senhor, diz‑se que Martinho se associou ao seu pranto e, voltando‑se para o Senhor, assim falou diante daqueles que choravam: «Senhor, se ainda sou necessário ao vosso povo, não me recuso a trabalhar; seja feita a vossa vontade». Oh homem extraordinário, que não fora vencido pelo trabalho nem o haveria de ser pela morte e que, igualmente disposto a uma ou outra coisa, nem teve medo de morrer nem se furtou a viver! Entretanto, com as mãos e os olhos sempre elevados para o céu, o seu espírito invencível não abandonava a oração. Quando os presbíteros, que se tinham reunido à sua volta, lhe pediram para aliviar o seu pobre corpo mudando de posição, disse: «Deixai‑me, irmãos, deixai‑me olhar antes para o céu do que para a terra, para que a minha alma, ao iniciar a sua marcha para Deus, siga bem o seu caminho». Ao dizer isto, reparou que o diabo se encontrava perto. «Porque estás aqui, disse, besta sanguinária? Nada encontrarás em mim, maldito; o seio de Abraão me recebe». Depois de pronunciar estas palavras, entregou o seu espírito ao Céu. Martinho, cheio de alegria, foi acolhido no seio de Abraão. Martinho, pobre e humilde, entrou rico no Céu.


Das Cartas de Sulpício Severo

(Epist. 3, 6.9-10.14.15-17.21; SC 133, 336-344) (Sec. V)