terça-feira, 15 de novembro de 2016

Qual o significado do nome de Maria?


Este nome não nos pode ser indiferente; antes, deve interessar-nos muito saber conhecê-lo e pronunciá-lo com fervor, é muito importante que nos detenhamos a examinar e a meditar o que ele significa.

É difícil acertar com o seu verdadeiro significado… Dão-se mais de trezentas significações a este, e foi providência do Senhor que significasse muitas coisas e todas muito boas, para dar-nos a entender que na Santíssima Virgem se reúnem todas as excelências e perfeições.

De todas estas interpretações vejamos as mais prováveis que são as seguintes:

1-Formosa

Melhor ainda, “a Formosura”, por excelência, como se quisesse significar que só Ela é “a formosura” e que qualquer outra fora d’Ela não existe senão na aparência. “Formosa como a lua”, canta a Igreja; porque assim como nas trevas da noite, onde tudo é feio e triste, aparece a luz plácida, serena e bela da lua, realçando no meio das trevas e brilhando mais que todas as estrelas juntas… assim Maria destaca-se e eleva-se pela sua branca formosura e comunica-se a todos os que d’Ela querem participar.

A Igreja também a chama – Tota Pulchra. – Toda formosa, pois que n’Ela não há nada que não seja formoso: seu corpo, sua alma, seus olhos, seus sentidos, seu coração… tudo; porque n’Ela não há nada feio, ou manchado com alguma coisa que embace essa formosura.

Pensa no que o mundo chama formoso e se convencerá de que ele nem sequer conhece a sombra do que é a formosura. A uma beleza corporal, muitas vezes artificial, sempre aparente, pois apenas é uma coisa exterior e nada mais… a isso chama ele formosura…; com essa formosura se contenta…, não conhece outra. Ao contrário, olha para Maria e a todo o momento a verás formosíssima, e Toda Formosa. Que bem quadra este nome a Maria, se o significado de Maria é este!

2- Senhora e Dominadora

E é de fato verdadeira Senhora. Nunca foi escrava, nem serva do demônio… do pecado… das paixões. Escrava só do Senhor…, e por isso mesmo Rainha e Senhora. O povo cristão assim o entende e por isso a chama Nossa Senhora. Recorda como é Senhora dos anjos, que se gloriam de poder servi-la. Eles foram muitas vezes seus servos; na Anunciação, na fugida para o Egito, na gruta de Belém… no mesmo Calvário, anjos de dor foram a ampará-la e a chorar com Ela. E dominadora dos próprios demônios que a temem só com ouvir-lhe o nome. A este santo nome ajoelham os céus, a terra e os abismos. O demônio teme a Senhora, pois assim quis Deus para que a humilhação fosse maior e mais admirável o triunfo de Maria.

E, finalmente, Senhora dos homens. Mas senhora e Rainha de Misericórdia. Jesus dividiu o seu reino e o seu cetro, e ficando Ele com a justiça, como Juiz que é dos vivos e dos mortos, deu a Maria o poder da Misericórdia. A sua grandeza e majestade não ofende, não aterra; pelo contrário, arrasta amorosamente com mais força, ainda que seja muito suave esta força.

Vê, não sentes em ti isto mesmo ao prostrar-te aos pés desta grande Senhora? Por isso é Rainha e Senhora dos corações. Ninguém senão Ela, tem direito a mandar nos nossos corações.

Examina se é Ela que realmente manda e dispõe, como Senhora absoluta do teu coração.

Santo Alberto Magno


Nascido em 1206, na Alemanha, Alberto pertencia à uma poderosa família de tradição militar. Piedoso desde a infância, recebeu uma educação digna dos nobres. Aos dezesseis anos, foi para a universidade de Pádua onde completou os estudos superiores. Em 1229, tornou-se frade dominicano pregador. Em Paris atraiu tantos estudantes e discípulos que teve que lecionar em praça pública. 

Em 1254 foi eleito superior provincial de sua ordem na Alemanha. Ali demonstrou todo o seu espírito de monge pobre e humilde. Viajou por grande parte da Alemanha sempre a pé e pedindo esmolas no caminho para se alimentar. Assim, ele fundou vários conventos, além de renovar os já existentes. 

Em 1260 foi nomeado Bispo, ocupando o cargo somente por dois anos e depois retornando ao mosteiro. Em 1274 teve participação decisiva na união da Igreja grega com a latina, no Segundo Concílio de Lião. 

Alberto Magno foi realmente grande. Um ser de virtudes, ciência, sabedoria e fé inabalável, grandioso em todos os sentidos. Frei dominicano, pregador eloqüente, magistral professor das ciências naturais e das doutrinas da fé, escritor, fundador, Bispo e finalmente, Doutor da Igreja. 

Sua grande vocação foi trabalhar para o encontro da fé com a ciência. Escreveu mais de vinte e duas obras sobre teologia, as ciências naturais como a filosofia, a química, a física, e botânica. Além de inúmeros tratados sobre as artes práticas como tecelagem, navegação, agricultura, Foi, sobretudo um profundo observador e amante da natureza. 

Morreu serenamente no dia 15 de novembro de 1280. 



Dá-me, Senhor, um espírito aberto e compreensivo como aquele que concedeste ao grande teólogo Santo Alberto. E também, como a ele, dá-me a graça de abarcar parte de teu mistério com minha inteligência. E que tudo isso me sirva para iniciar uma vida de oração constante e agradável em tua presença. Amém.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

O vencedor ficará ileso da segunda morte


Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da trombeta final, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados. Quando diz «nós», Paulo declara que hão de alcançar o dom da futura transformação todos aqueles que no tempo presente tiverem vivido retamente na comunhão da Igreja, juntamente com ele e seus companheiros. E insinuando qual será essa transformação, diz: É necessário que este corpo corruptível se revista de incorruptibilidade e que este corpo mortal se revista de imortalidade. Mas para que então se verifique neles a transformação que será uma justa recompensa, tem de realizar-se agora a transformação que é dom puramente gratuito.

A recompensa da futura transformação é prometida, portanto, àqueles que na vida presente tiverem realizado a conversão do mal para o bem.

O dom divino da transformação começa já neste mundo por meio da graça da justificação, que realiza neles uma ressurreição espiritual; virá depois a transformação perfeita que terá lugar na ressurreição dos corpos dos justificados; e esta glorificação será imutável e eterna. Assim, começam a ser transformados pela graça da justificação e continuam com a graça da glorificação, para que permaneçam nesta glória imutável e eterna.

Nesta vida são transformados mediante a primeira ressurreição, que os ilumina para que se convertam; por ela passam da morte à vida, da iniquidade à justiça, da infidelidade à fé, das obras más à vida santa. Por isso não tem poder sobre eles a segunda morte. Deles se diz no Apocalipse: Feliz daquele que tomar parte nesta primeira ressurreição; sobre eles não tem poder a segunda morte. Diz-se também no mesmo livro: O vencedor ficará ileso da segunda morte. Assim como a primeira ressurreição consiste na conversão do coração, assim a segunda morte consiste no suplício eterno.

Apresse-se, portanto, a tomar parte na primeira ressurreição todo aquele que não quer ser condenado ao castigo eterno da segunda morte. Porque aqueles que na vida presente são transformados pelo temor de Deus, convertem-se da vida má para a vida boa, passam da morte para a vida e, mais tarde, hão de passar da ignomínia para a glória.


Do Tratado de São Fulgêncio de Ruspas, bispo, sobre o perdão

(Liber 2, 11, 2 – 12, 1.3-4: CCL 91A, 693-695) (Sec. VI)

A inveja é pecado? Conheça o que a Igreja Católica ensina sobre o tema.


São Tomás se pergunta, na Suma Teológica, se a inveja é pecado.1 E aborda o tema deixando clara a diferença entre a inveja e alguns outros sentimentos semelhantes que podem não constituir pecado, pois em muitas passagens da Escritura, bem como nos escritos dos Santos, somos convidados a imitar ou “invejar” o próximo.

Por exemplo, em carta a uma de suas dirigidas espirituais, São Jerônimo recomenda-lhe dar à sua filha “companheiras de estudo que ela possa invejar, cujos êxitos a estimulem”.

A inveja, como foi visto, é uma certa tristeza causada pelos bens alheios. Mas a tristeza à vista dos bens de outrem pode sobrevir de quatro modos.

1º – Quando um homem se entristece por ver que seu inimigo foi promovido e, com isso, ficou em condições de prejudicá-lo, tal sentimento não é inveja, mas sim um efeito do medo. Portanto, pode não ser pecado, explica o Doutor Angélico, citando São Gregório: “Acontece muitas vezes que, sem faltar com a caridade, a ruína do inimigo nos alegre, ou sua glória nos entristeça, sem que haja pecado de inveja, quando pensamos que sua queda permitirá que alguns se levantem, ou quando tememos que seu sucesso seja para muitos sinal de uma injusta opressão”.3

2º – Se nos entristecemos com o bem do próximo, não pelo fato de este o possuir, mas porque dele estamos privados, não é propriamente inveja, é zelo. Consiste no fato de desejar um bem que o outro tem, sem, entretanto, querer que o outro deixe de possuí- -lo. Afirma São Tomás: “Se esse zelo se refere a bens honestos, é então digno de louvor, conforme diz o Apóstolo: ‘Tenham emulação pelos bens espirituais’ (I Cor 14, 1). Referindo-se a bens temporais, pode ou não ser acompanhado de pecado”.4

São Serapião de Alexandria


A Igreja venera pelo menos dois santos com o nome de Serapirão. Um deles foi monge dos primeiros séculos e viveu vida de solidão no encontro com Deus. O segundo, aquele do qual vamos conversar, era filho de nobres ingleses e viveu no século XII. 

Serapião ainda jovem seguiu o pai na carreria militar, auxiliando nas esquadras do lendário rei Ricardo Coração de Leão. Durante um naufrágio próximo de Veneza o jovem foi aprisionado pelo duque da Áustria. Entretanto o duque gostou da inteligência e da vida cr
istã exemplar do jovem e o conservou na corte como acessor. 

Após a morte dos pais, Serapião resolveu ficar na Áustria e passou a combater junto aos exércitos cristãos contra os muçulmanos. Conheceu assim o exército do rei Afonso III da Espanha e ingressou nas fileiras do combate. Como militar lutou em várias cruzadas. 

Em 1220, morando na Espanha, conheceu Pedro Nolasco, santo fundador da Ordem de Nossa Senhora das Mercês. Estes se dedicavam em defesa da fé, buscando libertar os cristãos cativos entre os muçulmanos. Serapião ingressou na Ordem e recebeu o hábito mercedário em 1222. 

Numa campanha de libertação acabou preso. Como não tinha dinheiro para pagar liberdade nem renegou a fé, Serapião acabou sendo assassinado. Colocado numa cruz teve todas as juntas dos seus ossos quebradas. Tudo aconteceu no dia 14 de novembro de 1240. 



Deus todo-poderoso, que na sua imensa bondade, deste aos homens e as mulheres, pelo exemplo de São Serapião, a certeza de que convosco a vida tem sentido. Dai-nos forças para lutar contra o pecado e propagar a vossa santa palavra.Amém.

domingo, 13 de novembro de 2016

Clínicas de aborto temem falência após derrota de Hillary Clinton, nos EUA


A ONG considerada como a maior rede abortista dos EUA, 'Planned Parenthood', enviou na manhã da última quarta-feira (9), um e-mail desesperado, pedindo aos defensores do aborto que apoiassem Hillary Clinton, mesmo após sua derrota.

Clinton já havia expressado publicamente o seu apoio à rede de clínicas de aborto e até mesmo "celebrou" os 100 anos da 'Planned Parenthood' ao lado do presidente cessante dos Estados Unidos e também democrata, Barack Obama.

A organização abortista foi obrigada a dizer aos seus apoiantes que planeja permanecer aberta e que não pretendem fechar, mas que só conseguirão isso se continuarem a receber apoio financeiro (que anteriormente era concedido, em grande parte pelo governo federal).

A CEO da 'Planned Parenthood', Cecile Richards admitiu que a gigante abortista está devastada e irritada, depois da "surpresa desagradável" das eleições na última terça. Ela disse que iria entender se os defensores do aborto quisessem ignorar a realidade de sua derrota maciça.

"Vamos tirar todas essas palavras do caminho: Devastados. Irritados. Corações partidos. Indignados. Chocados. Tristes. Enojados. Envergonhados. Desanimados. Esgotados. Quebrados", disse parte do email. "E agora mais quatro palavras - as mais importantes: Estas. Portas. Permanecem. Abertas".

"Sei que você e eu não temos palavras suficientes para descrever nossos sentimentos sobre o que aconteceu nesta eleição e o que está por vir", acrescentou.

A diretora disse que entenderia se as pessoas que apoiam o aborto estivessem desanimadas com a eleição de Trump, mas pediu ajuda das pessoas, expressando o medo de que a rede de clínicas feche suas portas.

"Se você quer ficar na cama ou se esconder do mundo, eu não posso culpá-lo. Mas espero que não. Em vez disso, espero que você se junte a mim para se concentrar nestas quatro palavras importantes: Estas. Portas. Permanecem. Abertas", destacou. "Cabe a nós continuar lutando para proteger os centros de saúde da Planned Parenthood, para que eles possam continuar a servir as pessoas que confiam nele".

"Cabe a nós garantir que os centros de saúde da Planned Parenthood estejam lá onde quando forem necessários, não importa o que aconteça", finalizou.

“Se quiseres encontrar Deus, procura-o nos mais necessitados, nos doentes, nos famintos, nos presos", disse o Papa Francisco


JUBILEU EXTRAORDINÁRIO DA MISERICÓRDIA
JUBILEU DAS PESSOAS SOCIALMENTE EXCLUÍDAS

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
Basílica Vaticana
Domingo, 13 de novembro de 2016


«Para vós (...) brilhará o sol da justiça, trazendo a cura nos seus raios» (Ml 3, 20). As palavras do profeta Malaquias, que ouvimos na primeira leitura, iluminam a celebração desta jornada jubilar. Encontram-se na última página do último profeta do Antigo Testamento e são dirigidas àqueles que têm confiança no Senhor, que depõem a sua esperança n’Ele, escolhendo-O como bem supremo da vida e recusando-se a viver só para si mesmos e seus interesses. Para eles, pobres de si mas ricos de Deus, brilhará o sol da sua justiça: são os pobres em espírito, a quem Jesus promete o reino dos céus (cf. Mt 5, 3) e dos quais Deus, pela boca do profeta Malaquias, declara: «são meus» (Ml 3, 17). O profeta contrapõe-nos aos soberbos, àqueles que puseram na sua autossuficiência e nos bens do mundo a segurança da vida. Perante esta página final do Antigo Testamento, surgem questões que interpelam o sentido último da vida: Onde busco eu a minha segurança? No Senhor ou noutras seguranças que não são do agrado de Deus? Qual é a direção da minha vida, para onde olha o meu coração? Para o Senhor da vida ou para as coisas que passam e não saciam?

Idênticas questões aparecem no trecho evangélico de hoje. Jesus encontra-Se em Jerusalém, para a última e mais importante página da sua vida terrena: a sua morte e ressurreição. Está perto do templo, «adornado de belas pedras e de ofertas votivas» (Lc 21, 5). As pessoas estão precisamente a comentar as belezas exteriores do templo, quando Jesus diz: «Virá o dia em que de tudo isto que estais a contemplar, não ficará pedra sobre pedra» (21, 6). Acrescenta que haverá conflitos, carestias, convulsões na terra e no céu. Jesus não quer assustar, mas dizer-nos que tudo aquilo que vemos passa inexoravelmente. Mesmo os reinos mais poderosos, os edifícios mais sagrados e as realidades mais firmes do mundo não duram para sempre; mais cedo ou mais tarde, caem.

Na sequência destas afirmações, as pessoas colocam duas questões imediatas ao Mestre: «Quando sucederá isto? E qual será o sinal»? (21, 7). Quando e qual… Sempre somos impelidos pela curiosidade: quer-se saber quando e receber sinais. Esta curiosidade, porém, não agrada a Jesus. Pelo contrário, exorta a não nos deixarmos enganar pelos pregadores apocalíticos. Quem segue Jesus não presta ouvidos aos profetas da desgraça, à futilidade dos horóscopos, às pregações e às previsões que amedrontam, distraindo daquilo que conta. O Senhor convida a distinguir, dentre as muitas vozes que se ouvem, aquilo que vem d’Ele e o que vem do falso espírito. É importante distinguir entre o sábio convite que Deus nos dirige cada dia e o clamor de quem se serve do nome de Deus para assustar, sustentando divisões e medos.

Com firmeza, Jesus convida a não temer perante os cataclismos de cada época, nem mesmo frente às provas mais graves e injustas que acontecem aos seus discípulos. Pede para perseverar no bem e colocar plena confiança em Deus, que não desilude: «Não se perderá um só cabelo da vossa cabeça» (21, 18). Deus não esquece os seus fiéis, a sua propriedade preciosa que somos nós.

Entretanto, hoje, interpela-nos sobre o sentido da nossa existência. Poder-se-ia dizer, com uma imagem, que estas leituras se apresentam como uma «peneira» no meio do fluxo da nossa vida: lembram-nos que, neste mundo, quase tudo passa, como a corrente da água; mas há realidades preciosas que permanecem, como uma pedra preciosa numa peneira. E o que é que resta? O que é que tem valor na vida? Quais são as riquezas que não desaparecem? Seguramente duas: o Senhor e o próximo. Estas duas riquezas não desaparecem. Estes são os bens maiores, que havemos de amar. Tudo o resto – o céu, a terra, as coisas mais belas, mesmo esta Basílica – passa; mas não devemos excluir da vida Deus e os outros.

E todavia neste dia jubilar que nos fala de exclusão, imediatamente vêm à mente pessoas concretas; não coisas inúteis, mas pessoas preciosas. A pessoa humana, colocada por Deus no cume da criação, muitas vezes é descartada, porque se prefere as coisas que passam. Isto é inaceitável, porque o ser humano é o bem mais precioso aos olhos de Deus. E é grave que nos habituemos a este descarte; é preciso preocupar-se quando se anestesia a consciência, já não fazendo caso do irmão que sofre ao nosso lado nem dos problemas sérios do mundo, que se reduzem a um refrão já ouvido nos sumários dos telejornais. 

Não ofereçamos resistência à sua primeira vinda, para não termos de recear a segunda


Alegrem‑se as árvores dos bosques diante do Senhor que vem, porque vem para julgar a terra. Veio a primeira vez e virá de novo. Na sua primeira vinda pronunciou esta palavra que lemos no Evangelho: Um dia vereis o Filho do homem vir sobre as nuvens do céu. Que quer dizer: Um dia? Não quer dizer, porventura, que o Senhor virá naquele dia em que hão‑de chorar todos os povos da terra? De facto, Ele veio primeiramente através dos seus pregadores e encheu toda a terra. Não ofereçamos resistência à sua primeira vinda, para não termos de recear a segunda. 

Que deve fazer o cristão? Servir‑se do mundo, não servir o mundo. Que significa isto? Ter como se não tivéssemos. Assim fala o Apóstolo. O que tenho a dizer‑vos, irmãos, é que o tempo é breve. Doravante, os que têm esposas procedam como se as não tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que andam alegres, como se não andassem; os que compram, como se não possuíssem; os que utilizam este mundo, como se não o utilizassem; porque o cenário deste mundo é passageiro. Quero que não andeis preocupados. Quem não está preocupado espera tranquilamente a vinda do seu Senhor. Na verdade, que espécie de amor a Cristo terá aquele que teme a sua vinda? Não temos vergonha, irmãos? Amamo‑l’O e tememos a sua vinda. Mas amamo‑l’O realmente, ou não será que amamos antes os nossos pecados? Se odiarmos o pecado, amaremos certamente Aquele que vem castigar o pecado. Ele virá, quer queiramos quer não; o fato de não vir agora não quer dizer que não virá. Virá, e não sabes quando; se te encontrar preparado, nada te prejudica não saberes quando virá. 

Alegrem‑se todas as árvores dos bosques. Veio a primeira vez e virá de novo para julgar a terra; e encontrará cheios de alegria os que acreditaram na sua primeira vinda, porque Ele vem. 

Julgará o mundo com justiça e os povos com fidelidade. Qual é esta justiça e esta fidelidade? Reunirá junto de Si os seus eleitos para proceder ao juízo; e separará os outros: colocará uns à direita e outros à esquerda. Que há de mais conforme à justiça e à fidelidade, que não esperem misericórdia do juiz aqueles que não quiseram praticar a misericórdia antes da vinda do juiz? Os que usaram de misericórdia serão julgados com misericórdia. Dirá Cristo aos que forem colocados à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, recebei o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. E serão recordadas as suas obras de misericórdia: Tive fome e destes‑Me de comer, tive sede e destes‑Me de beber, etc. 

E de que serão acusados os que forem colocados à sua esquerda? De não terem usado de misericórdia. E para onde irão? Ide para o fogo eterno. Esta má notícia provocará enorme pranto. Mas que diz outro salmo? O justo deixará memória eterna; ele não receia más notícias, Qual é a má notícia? Ide para o fogo eterno que está preparado para o diabo e seus anjos. Quem se alegrar com a boa notícia não receará a notícia má. Aqui está a justiça, aqui está a fidelidade. 

Ou será que, por tu seres injusto, o juiz não é justo? Ou por tu seres infiel, a fidelidade não é fiel? Ora se desejas que Ele seja misericordioso para contigo, sê tu misericordioso antes que Ele venha; perdoa a quem te ofendeu; dá do que tens em abundância. De quem é o que dás, senão d’Ele? Se desses do que era teu, seria liberalidade; mas porque dás do que é d’Ele, é uma restituição. Que tens tu, que não tivesses recebido? São estes os sacrifícios mais agradáveis a Deus: a misericórdia, a humildade, o louvor, a paz, a caridade. Apresentemos estas ofertas e esperaremos com segurança a vinda do juiz, que julgará o mundo com justiça e os povos com fidelidade.


Do Comentário de Santo Agostinho, bispo, sobre os salmos

(Ps. 95, 14.15: CCL 39, 1351-1353) (Sec. V)