quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Crianças migrantes, vulneráveis e sem voz preocupam o Papa


MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO 
PARA O DIA MUNDIAL DO MIGRANTE E DO REFUGIADO 2017

15 de janeiro de 2017
"Migrantes de menor idade, vulneráveis e sem voz"


Queridos irmãos e irmãs!

«Quem receber um destes meninos em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber, não Me recebe a Mim mas Àquele que Me enviou» (Mc 9, 37; cf. Mt 18, 5; Lc 9, 48; Jo 13, 20). Com estas palavras, os evangelistas recordam à comunidade cristã um ensinamento de Jesus que é entusiasmador mas, ao mesmo tempo, muito empenhativo. De facto, estas palavras traçam o caminho seguro que na dinâmica do acolhimento, partindo dos mais pequeninos e passando pelo Salvador, conduz até Deus. Assim o acolhimento é, precisamente, condição necessária para se concretizar este itinerário: Deus fez-Se um de nós, em Jesus fez-Se menino e a abertura a Deus na fé, que alimenta a esperança, manifesta-se na proximidade amorosa aos mais pequeninos e mais frágeis. Caridade, fé e esperança: estão todas presentes nas obras de misericórdia, tanto espirituais como corporais, que redescobrimos durante o recente Jubileu Extraordinário.

Mas os evangelistas detêm-se também sobre a responsabilidade de quem vai contra a misericórdia: «Se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem em Mim, seria preferível que lhe suspendessem do pescoço a mó de um moinho e o lançassem nas profundezas do mar» (Mt 18, 6; cf. Mc 9, 42; Lc 17, 2). Como não pensar a esta severa advertência quando consideramos a exploração feita por pessoas sem escrúpulos a dano de tantas meninas e tantos meninos encaminhados para a prostituição ou sorvido no giro da pornografia, feitos escravos do trabalho infantil ou alistados como soldados, envolvidos em tráficos de drogas e outras formas de delinquência, forçados por conflitos e perseguições a fugir, com o risco de se encontrarem sozinhos e abandonados?

Assim, por ocasião da ocorrência anual do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, sinto o dever de chamar a atenção para a realidade dos migrantes de menor idade, especialmente os deixados sozinhos, pedindo a todos para cuidarem das crianças que são três vezes mais vulneráveis – porque de menor idade, porque estrangeiras e porque indefesas – quando, por vários motivos, são forçadas a viver longe da sua terra natal e separadas do carinho familiar.

Hoje, as migrações deixaram de ser um fenómeno limitado a algumas áreas do planeta, para tocar todos os continentes, assumindo cada vez mais as dimensões dum problema mundial dramático. Não se trata apenas de pessoas à procura dum trabalho digno ou de melhores condições de vida, mas também de homens e mulheres, idosos e crianças, que são forçados a abandonar as suas casas com a esperança de se salvar e encontrar paz e segurança noutro lugar. E os menores são os primeiros a pagar o preço oneroso da emigração, provocada quase sempre pela violência, a miséria e as condições ambientais, fatores estes a que se associa também a globalização nos seus aspetos negativos. A corrida desenfreada ao lucro rápido e fácil traz consigo também a propagação de chagas aberrantes como o tráfico de crianças, a exploração e o abuso de menores e, em geral, a privação dos direitos inerentes à infância garantidos pela Convenção Internacional sobre os Direitos da Infância.

Pela sua delicadeza particular, a idade infantil tem necessidades únicas e irrenunciáveis. Em primeiro lugar, o direito a um ambiente familiar saudável e protegido, onde possam crescer sob a guia e o exemplo dum pai e duma mãe; em seguida, o direito-dever de receber uma educação adequada, principalmente na família e também na escola, onde as crianças possam crescer como pessoas e protagonistas do seu futuro próprio e da respetiva nação. De facto, em muitas partes do mundo, ler, escrever e fazer os cálculos mais elementares ainda é um privilégio de poucos. Além disso todos os menores têm direito de brincar e fazer atividades recreativas; em suma, têm direito a ser criança.

Ora, de entre os migrantes, as crianças constituem o grupo mais vulnerável, porque, enquanto assomam à vida, são invisíveis e sem voz: a precariedade priva-as de documentos, escondendo-as aos olhos do mundo; a ausência de adultos, que as acompanhem, impede que a sua voz se erga e faça ouvir. Assim, os menores migrantes acabam facilmente nos níveis mais baixos da degradação humana, onde a ilegalidade e a violência queimam numa única chama o futuro de demasiados inocentes, enquanto a rede do abuso de menores é difícil de romper.

Como responder a esta realidade? 

Síria: Papa Francisco pede cessar-fogo imediato


A Audiência Geral desta quarta-feira (12/10) foi a ocasião para o Papa Francisco fazer o enésimo apelo em prol da paz na Síria.

“Quero destacar e reiterar a minha proximidade a todas as vítimas do conflito desumano na Síria. É com sentido de urgência que renovo o meu apelo, implorando aos responsáveis, com toda a minha força, para que se favoreça um cessar-fogo imediato, que seja imposto e respeitado pelo menos durante o tempo necessário para permitir a evacuação dos civis, sobretudo das crianças, que ainda estão presas sob sangrentos bombardeios.”



No último domingo, ao anunciar a convocação de um Consistório, entre os novos cardeais Francisco incluiu o Núncio Apostólico na Síria, Dom Mario Zenari, como mais um sinal de proximidade para com a população local.

Como os educadores católicos podem responder à ideologia de gênero?


Um crescente impulso da ideologia de gênero terá profundas consequências, mas os católicos podem responder da forma correta, disse recentemente o Bispo do Shrewsbury (Reino Unido), Dom Mark Davies, em uma carta pastoral aos líderes da educação em sua Diocese.

“Devemos sempre mostrar amor e entendimento genuíno àqueles que se deixam levar ou caem vítimas do engano de nossos tempos”, assinalou. “Entretanto, nunca podemos comprometer a verdade de nossa fé nem permitir que a verdade sobre a pessoa humana seja obscurecida, porque isso seria uma caridade falsa”.

A carta, publicada no último dia 6 de outubro, é datada de 29 de setembro, Festa dos Santos Arcanjos. É dirigida a professores, diretores de escolas e chefes de educação religiosa em sua Diocese, no oeste da Inglaterra.

“Atualmente, há muitas perguntas que surgem no mundo da educação, com relação à ideologia de gênero que subjaz na transexualidade”, disse, fazendo uma distinção entre a ideologia e o cuidado por aqueles que estão confusos ou sofrendo.

Dom Davies disse que os católicos têm o dever de acolher as pessoas que possam estar experimentando “dificuldade para identificar seu sexo biológico”.

“Nossa aproximação cristã às pessoas em qualquer tipo de confusão e sofrimento sempre deve ser de respeito, compaixão e entendimento, junto com um compromisso de procurar ajuda apropriada”, disse.

O Prelado advertiu as escolas contra aceitar e promover a ideologia de gênero, dizendo que essa mentalidade está “começando a impregnar a consciência social com consequências de largo alcance”.

Entre os postulados da ideologia de gênero, indicou Dom Davies, está a afirmação de que as características físicas não determinam quem é uma pessoa como homem ou mulher; a afirmação de que o gênero é simplesmente uma “construção social”; e a noção de que a escolha pessoal é suficiente para determinar o gênero de uma pessoa.

“E, entretanto, sabemos que o sexo é determinado por características físicas que começam a se desenvolver desde a concepção”, assinalou.

“Atualmente, a Igreja está sendo chamada a defender esta verdade da pessoa humana”, disse o Prelado. “Encontramo-nos em um momento em que devemos ponderar mais profundamente o amor de Deus por nós, revelado na natureza humana que nos dá na criação, é a mesma natureza humana que, no mistério da Encarnação, Deus Filho tomou para si mesmo ao fazer-se carne”. 

Argentina: Polícia evita que feministas violentas profanem Catedral de Rosário.


Policiais evitaram que violentas manifestantes a favor do aborto, que participavam do 31º Encontro Nacional de Mulheres, ingressassem para profanar a Catedral de Rosário (Argentina), na noite do último dia 9 de outubro.

Os policiais estavam na Catedral e responderam aos ataques das feministas contra os católicos que, em uma barreira humana, rezavam em frente ao templo. As mulheres, muitas com o torso nu, derrubaram barreiras de proteção levantadas pelas autoridades.


A violência desta manifestação feminista recorda uma manifestação realizada há alguns anos contra templos católicos em outras cidades da Argentina.

Martín Patrito, presidente da plataforma ‘ArgentinosAlerta’, explicou que “dentro da Catedral havia 100 policiais. Enquanto um grupo de fiéis rezava em frente à cerca, as manifestantes começaram a derrubá-las pela lateral, para entrar na Catedral, até que tiraram todo o cercado que rodeava a Catedral”.

“Isto fez com que um grupo de policiais saísse de dentro da Catedral e se formassem em frente ao templo, protegidos com escudos. Atrás deles estava uma equipe feminina da força que, por não ter capacetes nem escudos, tiveram que entrar novamente devido a chuva de pedras, garrafas e ferros que receberam, o que deixou algumas mulheres feridas”.


Em seguida, recordou Patrito em um artigo publicado na página da ‘ArgentinosAlerta’, “a polícia começou a disparar balas de borracha contra as manifestantes em meio à chuva de objetos que recebiam”. 

Eu salvarei o meu povo


Ninguém vem a Mim, senão aquele que é atraído por meu Pai. Não julgues que és atraído contra a tua vontade: a alma também é atraída pelo amor. Não devemos temer a censura que, por causa destas palavras evangélicas da Sagrada Escritura, poderiam dirigir‑nos alguns homens, que pesam materialmente as palavras mas estão muito longe de compreender o verdadeiro sentido das coisas divinas. Poderiam dizer‑nos: «Como posso acreditar livremente, se sou atraído?». E eu respondo: «Parece‑me pouco dizer que somos atraídos livremente: é com prazer que sentimos a força dessa atracção». Que significa ser atraído com prazer? 

Põe as tuas delícias no Senhor e Ele satisfará os anseios do teu coração. Trata‑se de um certo apetite da alma que nos torna saboroso o pão do Céu. Se o poeta pôde dizer: «Cada um é atraído pelo próprio apetite», não pela necessidade mas pelo prazer, não pela obrigação mas pelo gosto, não poderemos dizer nós, com maior razão, que o homem é atraído para Cristo, porque põe as suas delícias na verdade, na bem‑aventurança, na justiça, na vida eterna, e sabe que Cristo é tudo isto? Acaso terão os sentidos corporais os seus prazeres, sem que o espírito tenha também os seus? Se o espírito não pode experimentar as suas delícias, porque se diz no salmo: À sombra das vossas asas se refugiam os homens; podem saciar‑se da abundância da vossa casa e vós os inebriais com a torrente das vossas delícias. Em Vós está a fonte da vida e é na vossa luz que veremos a luz? 

Apresenta‑me alguém que ame e compreenderá o que afirmo. Apresenta‑me alguém que deseje, que tenha fome, que se sinta peregrino e exilado neste deserto, que tenha sede e suspire pela fonte da pátria eterna; apresenta‑me um destes homens e compreenderá o que digo. Mas se falo a um coração frio, esse não pode compreender nada do que estou a dizer. 

Mostra a uma ovelha um ramo verde e verás como atrais a ovelha. Oferece nozes a uma criança e verás como vem ao teu encontro, correndo para onde é atraída; é atraída pelo amor, é atraída sem coação física, é atraída pelos vínculos do coração. Ora, se estas delícias e estes gostos terrenos, quando se oferecem a quem os ama, exercem tão forte atracção – porque «cada um é atraído pelo próprio apetite» – como não há‑de atrair‑nos o amor de Cristo, que é a revelação do Pai? Que pode a alma desejar mais ardentemente que a verdade? De que outra coisa pode sentir‑se o homem mais faminto? Para que deseja ele ter são o paladar interior, senão para discernir a verdade, para comer e beber a sabedoria, a justiça, a verdade, a eternidade? 

Diz o Senhor: Bem‑aventurados os que têm fome e sede de justiça, cá na terra, porque serão saciados, lá no Céu. Dou‑lhes o que amam; dou‑lhes o que esperam; verão aquilo em que acreditaram sem ver; comerão e serão saciados com aqueles bens de que tiveram fome e sede. Onde? Na ressurreição dos mortos, porque Eu os ressuscitarei no último dia.


Dos Tratados de Santo Agostinho, bispo, sobre o Evangelho de São João
(Tract. 26, 4-6: CCL 36, 261-263) (Sec. V)

Jesus podia pecar?


Jesus poderia ter pecado? Trata-se de uma questão teológica tradicional e, por meio dela, é possível entender em que consiste a liberdade do homem e o seu livre arbítrio. Já no início é preciso responder que NÃO, Jesus não podia ter pecado. Jesus era verdadeira homem e verdadeiramente Deus, duas NATUREZAS, mas uma só PESSOA divina. A natureza humana de Jesus, verdadeira, perfeita, igual ao homem em tudo era a natureza humana de uma pessoa divina.

Dentro do universo das possibilidades de Deus não existe o pecado, assim, não é possível que Deus peque, no entanto, apesar de não ser possível, Deus é absoluta e totalmente livre. O homem, por sua vez, crê que a liberdade é a faculdade de desobedecer, porém, Santo Agostinho nos recorda que só existe verdadeira liberdade para se fazer o bem. Como explicar?

A capacidade do homem em proceder escolhas é chamada tecnicamente de livre arbítrio. Ao escolher livremente o pecado, o homem perde a liberdade, pois o pecado gera a escravidão. É somente quando ele usa o livre-arbítrio para obedecer a Deus é que se gera a liberdade. A virtude não vicia, não escraviza.

A liberdade de Deus se caracteriza pela perfeita harmonia e consonância com a sua própria natureza, inimaginável pelo homem. Jesus, embora fosse uma pessoa divina, era perfeitamente Deus e perfeitamente homem, dotado de liberdade e vontade humanas.

São Daniel e seus companheiros


Os frades franciscanos doaram à Igreja grandes santos. Hoje celebramos a memória de sete missionários que dispensaram todos seus esforços para a evangelização do Norte da África e foram brutalmente martirizados. 

Em 1227, um ano após a morte de São Francisco, sete membros da ordem, vindos da Itália e liderados por Daniel, chegaram à Espanha, expressando ao superior geral, Irmão Elias, o desejo de evangelizar os muçulmanos na cidade de Marrocos. Era um ato verdadeiramente corajoso, porque as autoridades marroquinas haviam proibido qualquer forma de propaganda da fé cristã. 

Nas estradas e ruas da cidade, falando em latim e em italiano, anunciaram Cristo, contestando com palavras rudes a religião de Maomé. As autoridades mandaram que fossem capturados. Levados à presença do Sultão, foram classificados como loucos, devendo permanecer na prisão. 

Depois de sete dias, todos eles voltaram à presença do Sultão que se esforçou de todas as maneiras para que negassem a religião cristã. Mas não conseguiu. Então condenou à morte os sete franciscanos que se mantiveram firmes no cristianismo. No dia 10 de outubro, foram decapitados em praça pública e seus corpos destroçados. Graças a alguns comerciantes cristãos, seus corpos foram recolhidos e seus restos mortais levados para a Espanha. 


Acolhei ó Deus de amor nosso desejo missionário e, pela intercessão de são Daniel e seus companheiros, inspirai-nos palavras e ações missionárias, que traduzam ao mundo vosso carinho pela vida humana. Por Cristo nosso Senhor. Amém. 

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Obras de misericórdia: melhor antídoto ao vírus da indiferença, afirma o Papa


PAPA FRANCISCO

AUDIÊNCIA GERAL
Praça São Pedro
Quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Não basta experimentar a misericórdia de Deus; é preciso que a pessoa que a recebe se torne também sinal e instrumento dela para os outros. E como poderemos ser testemunhas de misericórdia? Não pensemos que se trata de realizar grandes esforços ou gestos sobre-humanos. Jesus indica-nos uma estrada muito mais simples, feita de gestos pequenos mas de tão grande valor a olhos d’Ele que sobre tais gestos seremos julgados: dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir os nus, dar pousada aos peregrinos, assistir aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos. A Igreja chama-lhes obras de misericórdia corporal, porque socorrem as pessoas nas suas necessidades materiais. Mas temos também as sete obras de misericórdia espiritual: dar bons conselhos, ensinar os ignorantes, corrigir os que erram, consolar os tristes, perdoar as injúrias, suportar com paciência as fraquezas do nosso próximo, rezar a Deus por vivos e defuntos. Estas obras são o modo concreto de viver a misericórdia. Não devemos andar à procura de grandes empreendimentos e obras; o melhor é começar pelas mais simples que o Senhor nos aponta como sendo as mais urgentes. Santa Teresa de Calcutá é recordada não tanto pelas muitas casas que abriu no mundo, como sobretudo porque se inclinava sobre cada pessoa que encontrava abandonada no meio da estrada para lhe devolver a dignidade. O melhor antídoto para um mundo ferido pelo vírus da indiferença é praticar as obras de misericórdia.