quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Ai da alma em que não habita Cristo!


Assim como outrora Deus, irritado contra os judeus, entregou Jerusalém à afronta dos seus inimigos e ela foi dominada por aqueles que a odiavam, ficando sem poder celebrar festas nem sacrifícios, assim também agora Deus, irado contra a alma que transgride os seus mandamentos, a entrega ao poder dos mesmos inimigos que a seduziram e que a desfiguram completamente. 

E assim como uma casa que não é habitada pelo dono, fica abandonada às trevas, à infâmia e ao desprezo, e se enche de lixo e imundície, assim também a alma, privada do seu Senhor que antes habitava nela com os seus Anjos, se enche das trevas do pecado, de paixões iníquas e de toda a ignomínia. 

Ai do caminho que ninguém percorre, em que não se ouve uma voz humana, porque depressa se converte em asilo de animais! Ai da alma por onde o Senhor não passa, fazendo ouvir a sua voz para afugentar as feras espirituais da maldade! Ai da terra que não tem agricultor para a trabalhar! Ai do barco sem timoneiro: batido pelas ondas e tempestades do mar, acaba por naufragar! Ai da alma que não leva consigo o verdadeiro timoneiro que é Cristo: envolvida num violento mar de trevas, batida pelas ondas das suas paixões, impelida pela tempestade invernal dos espíritos malignos, caminha miseravelmente para o naufrágio! 

Ai da alma privada de Cristo, o único que a pode cultivar diligentemente para a fazer produzir os bons frutos do Espírito: assim abandonada, cheia de espinhos e abrolhos, em vez de dar frutos, acaba na fogueira! Ai da alma em que não habita Cristo, o seu Senhor: assim abandonada, começa a emanar fétidas paixões e acaba por se converter num antro de vícios! Assim como o agricultor que quer trabalhar a terra escolhe os instrumentos mais apropriados e veste a roupa mais aconselhável para esse trabalho, também Cristo, o rei celeste e verdadeiro agricultor, vindo ao encontro da humanidade devastada pelo pecado, assumiu um corpo humano e, tomando a cruz como instrumento de trabalho, cultivou a alma abandonada, libertou-a dos espinhos e abrolhos dos maus espíritos, arrancou dela o joio do mal e lançou ao fogo toda a palha dos seus pecados; e tendo-a assim trabalhado com o madeiro da cruz, plantou nela o ameníssimo jardim do Espírito, que produz toda a espécie de frutos saborosos e agradáveis para Deus, que é o seu Senhor.



Das Homilias atribuídas a São Macário, bispo

(Hom. 28: PG 34, 710-711) (Sec. IV)

Importância do Jovem Católico conhecer a Bíblia


A Bíblia Sagrada é o mais importante livro da Igreja Católica e, no entanto, nem todas as pessoas o conhecem profundamente, principalmente os mais jovens. Tem uma razão de ser já que muitos a consideram hermética, de difícil compreensão, que traz ensinamentos que necessitam de maturidade suficiente para entender com clareza todos os significados expressos no Velho e Novo Testamentos. Cheio de parábolas e histórias, a Bíblia que traz mais de 1.600 anos de diferentes estágios da humanidade. Para aqueles que têm o desejo de conhecer o livro sagrado, mas não sabem como iniciar a leitura, vamos ajudá-lo a ler de forma que haja um maior entendimento de toda a Bíblia.

Como Jovem Católico, a pergunta é por que devo conhecer melhor a Bíblia? Por várias razões, mas a principal delas é que a leitura leva o jovem a conhecer a história da fé da humanidade e aprender com os desafios e ações que foram necessários para o fortalecimento da crença em Deus. E não só isso, mas a Bíblia também traz inúmeros ensinamentos que, apesar dos séculos, ainda se mantêm firmes porque foram calcados na moral e ética do amor em Deus.

Conhecer a bíblia  terá maior discernimento para fazer suas escolhas, porque o maior guia serão as ações de pessoas que tiveram provas duras e, no entanto, não ficaram enfraquecidas na fé. Mesmo com a evolução da humanidade e as inúmeras descobertas tecnológicas, a essência do homem não mudou no decorrer dos últimos milênios. O católico que lê a bíblia sabe que muitas das atribulações e provas de fé fizeram parte de outras vidas, cujas histórias estão expressas ao ler a Bíblia. E nada melhor do que ter essas experiências para tomar decisões acertadas e coerentes com a de um cristão. 

São Clemente I


Clemente foi o quarto Papa da Igreja de Roma, ainda no primeiro século. Vivia em Roma e foi contemporâneo de São João Evangelista, São Felipe e São Paulo. A antiga tradição cristã o apresenta como filho do senador Faustino da família Flavia, parente do imperador Domiciano. 

Governou a Igreja por longo período, do ano 88 ao 97, no qual levou avante a evangelização com firmemente centrada nos princípios da doutrina. Foi considerado o autor da célebre Carta aos coríntios. Através da Carta, Clemente I os animou a perseverarem na fé, na caridade ensinada por Cristo e participarem da união com a Igreja. 

Restabeleceu o uso da Crisma, seguindo a tradição de São Pedro e instituiu o uso da expressão "Amém" nos ritos religiosos. Com sua atuação séria e exemplar converteu até Domitila, irmã do imperador Domiciano, fato que ajudou muito para amenizar a sangrenta perseguição aos cristãos. 

Por causa de suas ações o papa Clemente I acabou exilado na Criméia, onde encontrou milhares de cristãos abandonados. Passou a encorajá-los a perseverarem na fé e converteu muitos outros pagãos. Novamente suas atitudes desagradaram as lideranças pagãs. O imperador mandou jogá-lo no mar Negro com uma âncora amarrada no pescoço. Tudo aconteceu no dia 23 de novembro do ano 101.



Senhor Jesus, vós que confiastes a Pedro o cuidado de vossas ovelhas, infundi vosso Espírito em vosso sucessor, o Papa. Que ele se alimente de vossa vontade e guie a Igreja segundo os desígnios do Pai que Vós mesmo revelastes. Amém.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Pensamentos sobre o Fim


Estamos para terminar o Ano Litúrgico. Mais uma vez as leituras que a Mãe Igreja nos propõe para este período falam-nos do fim – fim no sentido de término da história, mas também fim no sentido de plenitude, de finalidade.

O grande teólogo Hans Urs von Balthasar, refletindo sobre as realidades finais, afirmou: “Deus é o Fim último (Eschaton) das criaturas: Ele é o Céu para quem O alcança, o inferno para quem O perde, o juízo para quem por Ele é examinado, o purgatório para quem é por Ele purificado... E tudo isto no modo em que Ele dirigiu-Se ao mundo, isto é, no Seu Filho, Jesus Cristo, que é a possibilidade de revelação de Deus e, portanto, a síntese das coisas últimas”.


Trata-se de uma afirmação simplesmente estupenda, admirável, própria de um teólogo dos maiores! O que ele afirma?

Que as realidades últimas somente podem ser compreendidas e afirmadas a partir de Deus e Deus como Se revelou em Jesus Cristo, único Caminho para o mistério. Morte, juízo, inferno, paraíso, não são realidades neutras, compreensíveis sem uma referência a Deus e ao Seu Cristo. Veja:

O que é o Céu?


Para além de qualquer descrição (que seria insuficiente e até errônea, pois descrevendo, estaríamos falando não da realidade do Além, mas transformaríamos o céu num pobre aquém, num prolongamento do nosso mundo e desta nossa vidinha – e o Céu não é isso!) Balthasar nos diz que o Céu é Deus – e Deus como Se nos deu em Cristo O Céu é estar no "banquete" eterno no qual Deus nos sacia de Vida, reclinando a nossa cabeça de peregrinos sobre o seio de Cristo, como o Discípulo Amado, na Última Ceia. O Céu é Deus: é estar Nele, participar da Sua Vida, mergulhar no mar sem fim do Seu Coração!

– Deus Amado, Escondido e Revelado, Desejado com ânsia, Tu és meu Céu, meu refúgio, meu remanso, minha vida, meu descanso e eterna felicidade! Ganhar-Te é viver de verdade, é o gozo da plenitude sem fim e sem limites!
 

"Sobre o aborto nenhum laxismo, mas misericórdia", diz dom Fisichella


Cerca de 950 milhões de fiéis atravessaram a Porta Santa nas dioceses  e santuários de todo o mundo, uma percentual que pode ter superado 80% dos católicos. Pela primeira vez na história dos jubileus as Portas para o Ano Santo foram abertas não somente em Roma, mas ao redor do mundo. A estimativa foi apresentada pelo Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella, responsável pela organização do Ano Santo.

Um Jubileu que partiu sob ameaça de uma onda de violências na Europa, mas foi vivido com tranquilidade. Na coletiva de imprensa de apresentação da Carta Apostólica do Papa Francisco publicada ao final do Jubileu na manhã desta segunda-feira (21), Dom Fisichella se manifestou sobre temas fortes do documento intitulado “Misericórdia e mísera”.

Sacerdotes poderão absolver o pecado do aborto, nenhum laxismo

Entre os temas mais requisitados pelos jornalistas, a grande novidade da Carta Apostólica de que Francisco tenha concedido a todos os sacerdotes a faculdade de absolver quem incorreu no pecado do aborto. Dom Fisichella reitera que não se trata de laxismo:

Dom Fisichella – O Santo Padre reitera muito claramente para evitar equívocos de quem quiser ler somente até essa primeira parte: ‘Gostaria de enaltecer com todas as minhas forças que o aborto é um pecado grave porque põe fim a uma vida inocente. Com a mesma força posso e devo, todavia, afirmar que  não existe nenhum pecado que a misericórdia não possa alcançar e destruir quando encontra um coração arrependido que procura reconciliar-se com Deus’. Então, não há nenhuma forma de laxismo. Há, sim, uma forma com a qual a pessoa é consciente da gravidade do pecado, mas se arrependeu e quer se reconciliar com o Senhor.

A Fraternidade de São Pio X

Uma outra questão retomada na coletiva de imprensa é que prossegue, inclusive depois do Jubileu e até nova disposição à proposito, a absolvição sacramental dos pecados aos fiéis que frequentam as igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade de São Pio X.

Dom Fisichella – O Papa reitera o que escreveu na carta endereçada a mim em virtude do Jubileu. Aqui, obviamente, usa uma expressão que é singularmente significativa. O Papa diz explicitamente: ‘Estabeleço por minha própria decisão de estender essa faculdade para além do período jubilar, até novas disposições sobre o assunto’. Então, acredito que o ponto em questão seja aquele; seja mais uma vez a mão estendida. 

Cantai a Deus com arte e com júbilo


Dai graças ao Senhor com a cítara, tocai em sua honra o saltério de dez cordas. Cantai-Lhe um cântico novo. Despojai-vos do homem velho, pois conheceis já o cântico novo. Homem novo, testamento novo, cântico novo. O cântico novo não é para homens velhos. Só o aprendem os homens novos, que foram renovados pela graça despojando-se do pecado e pertencem já ao novo testamento que é o reino dos Céus. Por ele suspira todo o nosso amor e lhe canta um cântico novo. Cante-lhe um cântico novo, não a nossa língua, mas a nossa vida.

Cantai-Lhe um cântico novo, cantai-Lhe com arte e com alma. Cada qual pergunta como há-de cantar ao Senhor. Canta para Ele, mas não cantes mal. Deus não quer ouvir um cântico que ofenda os seus ouvidos. Cantai bem, irmãos. Se te pedem que cantes para um bom apreciador de música de modo que lhe agrade, não te atreves a cantar se não tens preparação musical, pelo receio de lhe desagradar, porque um bom artista notará os defeitos que a qualquer outro passam despercebidos. Quem se atreverá a cantar para Deus, tão excelente conhecedor de cantores, juiz tão completo e tão bom apreciador de música? Como poderás oferecer-Lhe tão excelente audição de canto que em nada ofendas ouvidos tão perfeitos?

Mas eis que Ele mesmo te sugere a maneira como Lhe hás de cantar. Não andes à procura de palavras, como se com elas pudesses expressar aquilo que agrada a Deus. Canta com júbilo. Cantar bem para Deus é cantar com júbilo. Que é cantar com júbilo? Compreender e não poder explicar com palavras o que se canta com o coração. Os que cantam na colheita, na vindima ou em qualquer trabalho intenso, começam a exultar de alegria com as palavras do cântico; mas depois, quando cresce a emoção, sentem que já não podem explicá-la por palavras, desprendem-se da letra das palavras e entregam-se totalmente à melodia jubilosa.

O «júbilo» é aquela melodia que traduz a incapacidade de exprimir por palavras o que sente o coração. E a quem pode consagrar-se este cântico de júbilo senão ao Deus inefável? É realmente inefável Aquele que não podes dar a conhecer por palavras. E se não tens palavras para O dar a conhecer e não deves permanecer calado, nada mais te resta senão cantar com júbilo. Sim, para que o coração possa expandir a imensidade superabundante da sua alegria sem se ver cortado pelas sílabas das palavras, cantai ao Senhor com arte e com júbilo.


Dos Comentários de Santo Agostinho, bispo, sobre os Salmos

(Ps. 32, sermo 1, 7-8: CCL 38, 253-254) (Sec. V)

As três maiores tentações para cristãos comprometidos com Jesus.


A primeira tentação é contra o amor:

Essa causa desunião e divisão. O diabo tem feito o seu melhor para criar desunião entre nós. Quando nos desunimos não somos capazes de testemunhar que Jesus Cristo é o Messias. Quando deparamos com grupos divididos, um grupo contra o outro, movimentos criticando uns aos outros. Estamos diante da tática do diabo, que é o nosso inimigo principal. O diabo sabe que o ideal de um grupo ou comunidade é tornar-se células de amor e dar testemunho que Jesus esta vivo no meio dela, esta vivo entre nós. Por essa razão fará tudo para desunir os servos de Deus.

A segunda tentação é a sede de poder:

É comum encontrar em grupos cristãos ou em comunidades, uma desenfreada busca pela liderança. Nesses casos os frutos dessa liderança são desastrosos, não há crescimento, o grupo ou a comunidade enfraquece e tende a reduzir a qualidade e a quantidade de participantes, só não morre porque, o que é de Deus permanece, e o que não é com o tempo perece!Não é raro, você encontrar no meio do caos pessoas levantadas por Deus, para liderar o seu povo com dons extraordinários na conclusão de outros que assumiram a lideranças por pura sede de poder.

Santa Cecília


Hoje celebramos a santidade da virgem que foi exaltada como exemplo perfeitíssimo de mulher cristã, pois em tudo glorificou a Jesus. Santa Cecília é uma das mártires mais veneradas durante a Idade Média, tanto que uma basílica foi construída em sua honra no século V. Embora se trate da mesma pessoa, na prática fala-se de duas santas Cecílias: a da história e a da lenda. A Cecília histórica é uma senhora romana que deu uma casa e um terreno aos cristãos dos primeiros séculos. A casa transformou-se em igreja, que se chamou mais tarde Santa Cecília no Trastévere; o terreno tornou-se cemitério de São Calisto, onde foi enterrada a doadora, perto da cripta fúnebre dos Papas.

No século VI, quando os peregrinos começaram a perguntar quem era essa Cecília cujo túmulo e cuja inscrição se encontravam em tão honrosa companhia, para satisfazer a curiosidade deles, foi então publicada uma Paixão, que deu origem à Cecília lendária; esta foi sem demora colocada na categoria das mártires mais ilustres. Segundo o relato da sua Paixão Cecília fora uma bela cristã da mais alta nobreza romana que, segundo o costume, foi prometida pelos pais em casamento a um nobre jovem chamado Valeriano. Aconteceu que, no dia das núpcias, a jovem noiva, em meio aos hinos de pureza que cantava no íntimo do coração, partilhou com o marido o fato de ter consagrado sua virgindade a Cristo e que um anjo guardava sua decisão.

Valeriano, que até então era pagão, a respeitou, mas disse que somente acreditaria se contemplasse o anjo. Desse desafio ela conseguiu a conversão do esposo que foi apresentado ao Papa Urbano, sendo então preparado e batizado, juntamente com um irmão de sangue de nome Tibúrcio. Depois de batizado, o jovem, agora cristão, contemplou o anjo, que possuía duas coroas (símbolo do martírio) nas mãos. Esse ser celeste colocou uma coroa sobre a cabeça de Cecília e outra sobre a de Valeriano, o que significava um sinal, pois primeiro morreu Valeriano e seu irmão por causa da fé abraçada e logo depois Santa Cecília sofreu o martírio, após ter sido presa ao sepultar Valeriano e Tibúrcio na sua vila da Via Ápia.

Colocada diante da alternativa de fazer sacrifícios aos deuses ou morrer, escolheu a morte. Ao prefeito Almáquio, que tinha sobre ela direito de vida ou de morte, ela respondeu: “É falso, porque podes dar-me a morte, mas não me podes dar a vida”. Almáquio condenou-a a morrer asfixiada; como ela sobreviveu a esse suplício, mandou que lhe decapitassem a cabeça.

Nas Atas de Santa Cecília lê-se esta frase: “Enquanto ressoavam os concertos profanos das suas núpcias, Cecília cantava no seu coração um hino de amor a Jesus, seu verdadeiro Esposo”. Essas palavras, lidas um tanto por alto, fizeram acreditar no talento musical de Santa Cecília e valeram-lhe o ser padroeira dos músicos. Hoje essa grande mártir e padroeira dos músicos canta louvores ao Senhor no céu.



Ó, gloriosa Santa Cecília espelho de pureza e modelo de esposa cristã. Revesti-nos de inviolável confiança na misericórdia de Deus, pelos merecimentos infinitos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Dilatai o nosso coração, para que, abrasados do amor de Deus, não nos desviemos jamais da salvação eterna. Santa Cecília, rogai por nós!