quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Ditador da Coreia do Norte proibiu o Natal e mandou celebrar o nascimento da sua avó


Pyongyang já foi o lar de mais cristãos que qualquer outra cidade coreana. Era até a sede episcopal da nação. Tudo mudou no início da década de 1950, quando as autoridades da então recém-separada Coreia do Norte decidiram suprimir oficialmente qualquer tipo de atividade cristã de culto.

Vários grupos de defesa dos direitos humanos estimam entre 50 mil e 70 mil o número de cristãos confinados à prisão ou a campos de concentração naquele país por simplesmente praticarem a sua fé.

Mesmo assim, não é de todo estranho, nesta época do ano, ver árvores de Natal em algumas lojas de luxo e restaurantes de Pyongyang, ainda que desprovidas de qualquer significado religioso. 

Maria, a Arca da Aliança


Esta é, com certeza, uma das mais belas e populares invocações da Ladainha de Nossa Senhora. A densidade simbólica dessa invocação não cabe em poucas linhas. Sabemos da importância que tinha a Arca da Aliança no Antigo Testamento. Dentro dela, estavam as Tábuas da Lei, recebidas por Moisés no Monte Sinai como sinal da Aliança entre Deus e Seu povo. Essa Arca era a expressão visível de que Javé estava no meio do povo. Não era um Deus distante e solitário, mas próximo e solidário. Durante o tempo em que durou a travessia do deserto, o povo caminhava com o estandarte da presença do Senhor.

Para a Arca havia uma tenda especial. Ali aconteciam as reuniões dos líderes; nessa tenda se tomavam as grandes decisões. Era também um lugar de encontro com o Altíssimo. Quando o povo de Deus atravessou o rio Jordão, sob o comando de Josué, a Arca ia à frente, carregada por sacerdotes. O rei Davi construiu um espaço sagrado especial para ela [Arca]. A Bíblia conta com ricos detalhes a festa que foi feita para levar a Arca em procissão para o seu lugar de destaque (cf. 1Cr 15). Houve, naquele dia, muita música e dança para celebrar a memória da presença de Deus no meio do Seu povo. O grande Templo de Jerusalém, construído por Salomão, foi para conter a Arca da Aliança. 

Na plenitude dos tempos veio também a plenitude da divindade


Apareceu a bondade e a humanidade de Deus nosso Salvador. Demos graças a Deus, que nos enche de consolação neste exílio, nesta peregrinação, nesta vida ainda tão miserável.

Antes de aparecer a sua humanidade, encontrava-se também oculta a sua bondade; e, no entanto, esta já existia, porque a misericórdia do Senhor é eterna. Mas como se podia saber que era assim tão grande? Estava prometida, mas ainda não se sentia; e, por isso, muitos não acreditavam nela. Com efeito, muitas vezes e de muitos modos falou o Senhor pelos Profetas. E dizia: Eu tenho pensamentos de paz e não de aflição. Mas que podia responder o homem que sentia a aflição e não conhecia a paz? Até quando continuareis a exclamar: Paz, paz, e não há paz? Também os mensageiros da paz choravam amargamente, dizendo: Senhor, quem acreditou na nossa mensagem? Mas agora os homens podem acreditar, ao menos no que viram os seus olhos, porque os testemunhos de Deus são dignos de toda a fé;e para Se tornar visível, mesmo àqueles que têm a vista enfraquecida, pôs ao sol a sua tenda.

Agora, portanto, não se trata de uma paz prometida, mas enviada; não adiada, mas concedida; não profetizada, mas presente. Deus Pai enviou à terra, por assim dizer, um saco cheio com a sua misericórdia; um saco, que havia de romper-se durante a paixão, para derramar o preço do nosso resgate que nele se continha; um saco pequeno, mas cheio. Na verdade, um Menino nos foi dado, mas neste Menino habita toda a plenitude da divindade. Deste modo, quando chegou a plenitude dos tempos, veio também a plenitude da divindade.

Veio em carne para Se revelar aos que eram de carne e para que, ao manifestar-se a sua humanidade, fosse reconhecida a sua bondade. De fato, se Deus dá a conhecer a sua humanidade, já não pode ficar oculta a sua bondade. Como podia o Senhor manifestar melhor a sua bondade, senão assumindo a minha carne? Foi precisamente a minha carne que Ele assumiu, e não a de Adão, tal como era antes do pecado.

Poderá haver prova mais eloquente de misericórdia do que assumir a própria miséria? Poderá haver maior prova de amor, do que tornar-se o Verbo de Deus tão humilde como a erva do campo? Senhor, que é o homem para que Vos lembreis dele, para que Vos preocupeis com ele? Compreenda assim o homem até que ponto Deus tem cuidado dele; reconheça bem o que Deus pensa e sente a seu respeito. Não perguntes, ó homem, porque tens de sofrer tu; pergunta antes porque sofreu Ele. Por aquilo que Ele fez por ti, reconhece quanto vales para Ele e compreenderás a sua bondade através da sua humanidade. Quanto mais pequeno Se fez na sua humanidade, tanto maior Se revelou na sua bondade; quanto mais Se humilhou por mim, tanto mais digno é agora do meu amor. Diz o Apóstolo: Apareceu a bondade e humanidade de Deus nosso Salvador. Oh como é grande e manifesta a bondade de Deus e a sua humanidade! Como é admirável a prova de bondade que Ele nos quis dar, associando à humanidade o nome de Deus! 


Dos Sermões de São Bernardo, abade

(Sermo 1 in Epiphania Domini 1-2: PL 133, 141-143) (Sec. XII)

Desfazendo o Mito da Inquisição


Os governantes e povos, antes da Igreja, criaram tribunais para julgar casos relacionados à fé, pois eram vistos como distúrbios sociais. A Igreja criou a Santa Inquisição para coibir os abusos e excessos destes tribunais laicos.

O clero, na verdade, sofreu bastante pressão do meio secular para ser mais enérgico contra os hereges, como mostra a carta de Luís VII de França ao Papa Alexandre III, em 1162:

“V. Sabedoria preste atenção toda particular a esta peste (albigenses em Flandres) e a suprima antes que se possa agravar. Eu vos suplico pela honra da Fé cristã, dai nesta causa toda a liberdade ao Arcebispo (de Reims), ele destruirá aqueles que assim se levantarem contra Deus, sua severidade justa será louvada por todos os que, neste país, estão animados de genuína piedade.”. Vê-se que a Santa Sé titubeava em usar de energia.

Quanto à tortura, em um mundo herdeiro do direito romano que, como nos atestam as Sagradas Escrituras, condenava à miserável pena de morte por crucifixão meros ladrões, onde as pessoas passavam por extrações de dentes sem anestesia ou um pai via sua pobre e inocente filha ter a perna amputada sem anestesia por conta de um acidente; causar dor a quem era culpado não lhes parecia abominável, quando o inocente passava naturalmente por isso.

A Santa Sé advertia, entretanto, contra o uso de tortura para julgamentos da Sagrada Inquisição, fazendo jus ao princípio “Ecclesia abhorret sanguine” – à Igreja repugna verter sangue – como se vê na carta do Papa Nicolau I a Bóris, príncipe da Bulgária, no ano 866:

“Eu sei que, após haver capturado o ladrão, vós o exasperais com torturas, até que ele confesse, mas nenhuma lei divina ou humana poderia permiti-lo. […] Se o paciente se confessa culpado sem o ser, sobre quem recairá o pecado?”.
 

São Tomás Becket


Tomás Becket nasceu no dia 21 de dezembro de 1118, em Londres. Era amigo do futuro rei, Henrique e como ele era um jovem ambicioso, audacioso, gostava das diversões com belas mulheres, das caçadas e das disputas perigosas, compartilharam os belos anos da adolescência e da juventude. 

Mas Tomás começou a interessar-se pela vida religiosa e afastou-se da corte. Passou a se dedicar ao estudo da doutrina cristã e acabou se tornando amigo do Arcebispo Teobaldo. Através de sua orientação foi se entregando à fé de tal modo que foi nomeado Arcediácono do religioso. Quando o Arcebispo Teobaldo morreu e o Papa concedeu o privilégio ao rei escolher e nomear o sucessor. Henrique II não vacilou em colocar no cargo o amigo. 

Como Arcebispo, Tomás passou a questionar as posturas autoritárias do amigo, agora rei da Inglaterra. A situação ficou perigosa e Tomás teve que fugir para a França para escapar de sua ira. 

Quando conseguiu voltar para sua diocese foi aclamado pelos fiéis que o respeitavam e amavam sua integridade de homem e pastor do Senhor. Mas ele sabia o que lhe esperava e disse a todos: "Voltei para morrer no meio de vós". O rei, diante do retorno de Tomás, resolveu mandar assassiná-lo. Assim aconteceu no dia 29 de dezembro de 1170. 


"O medo da morte não deve fazer-nos perder de vista a justiça". Com este testemunho de fé Tomás entrou para a lista dso homens que fizeram do Cristo a razão fundamental da vida. Aprendamos dele que nunca é tarde para dedicarmos ao serviço do próximo mais abandonado.
  


Deus, nosso Pai, São Tomás descobriu que a verdadeira realeza é servir, ser fiel ao Senhor dos senhores, aquele que tem a chave e o domínio da história. A seu exemplo, dai-nos a santa ousadia de não nos deixarmos intimidar e explorar pelos poderosos. Por Cristo nosso Senhor. Amém.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Papa fala do exemplo de fé de Abraão


CATEQUESE
Sala Paulo VI – Vaticano
Quarta-feira, 28 de dezembro de 2016


Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

São Paulo, na Carta aos Romanos, nos recorda a grande figura de Abraão, para nos indicar o caminho da fé e da esperança. Dele, o apóstolo escreve: “Esperando, contra toda a esperança, Abraão teve fé e se tornou pai de muitas nações” (Rm 4, 18); “esperando contra toda esperança”. Este conceito é forte: mesmo quando não há esperança, eu espero. É assim o nosso pai Abraão. São Paulo está se referindo à fé com que Abraão acreditou na palavra de Deus que lhe prometia um filho. Mas era um verdadeiro confiar-se esperando “contra toda esperança”, tanto era inacreditável aquilo que o Senhor lhe estava anunciando, porque ele era idoso – tinha quase cem anos – e sua esposa era estéril. Não conseguia! Mas Deus lhe disse e ele acreditou. Não havia esperança humana porque ele era idoso e a esposa estéril: e ele acreditou.

Confiando nessa promessa, Abraão se colocou em caminho, aceitou deixar sua terra e se tornar estrangeiro, esperando esse “impossível” filho que Deus deveria dar-lhe apesar do ventre de Sara ser como morto. Abraão crê, a sua fé se abre a uma esperança aparentemente irracional; essa é a capacidade de ir além das razões humanas, da sabedoria e da prudência do mundo, além daquilo que é normalmente tido como bom senso, para acreditar no impossível. A esperança abre novos horizontes, torna capaz de sonhar aquilo que não é nem mesmo imaginável. A esperança faz entrar na escuridão de um futuro incerto para caminhar na luz. É bela a virtude da esperança; nos dá tanta força para caminhar na vida.

Mas é um caminho difícil. E vem o momento, também para Abraão, da crise do desespero. Confiou, deixou sua casa, sua terra, seus amigos….Tudo. Partiu, chegou ao país que Deus lhe havia indicado, o tempo passou. Naquele tempo, fazer uma viagem não era como hoje, com os aviões – em poucas horas se faz – era preciso meses, anos! O tempo passou, mas o filho não vinha, o ventre de Sara permanecia fechado em sua esterilidade.

E Abraão, não digo que perdeu a paciência, mas se lamentou com o Senhor. Também isso aprendemos com o nosso pai Abraão: lamentar-se com o Senhor é um modo de rezar. Às vezes eu ouço, quando confesso alguém: “Me lamentei com o Senhor…”, e eu respondo: “Mas, não! Lamente-se, Ele é pai!”. E este é um modo de rezar: lamenta-se com o Senhor, isso é bom. Abraão se lamenta com o Senhor dizendo: “Senhor Deus, […] em continuo sem filhos e o herdeiro da minha casa é Eliézer de Damasco (Eliézer era aquele que regia todas as coisas). Acrescenta Abraão: “Bem, a mim não deu descendência e meu servo será meu herdeiro”. E então lhe foi dirigida esta palavra do Senhor: “Não será este um o seu herdeiro, mas um nascido de ti será teu herdeiro”. Depois o faz ir para fora, o conduz e lhe diz: “Olha para o céu e conta as estrelas, se conseguir contá-las”; e acrescenta: “Tal será a tua descendência”. E Abraão outra vez acredita no Senhor, que lho imputou como justiça. (Gen 15, 2-6). 

A missão das famílias na Igreja e no mundo


A celebração da Solenidade da Sagrada Família no Tempo do Natal nos ajuda a compreender a importantíssima missão da família na Igreja e no mundo. O Filho de Deus veio ao mundo na Sagrada Família de Nazaré para nos revelar a singular missão da família no desígnio de Deus para a salvação da humanidade. Como parte deste projeto, a Santíssima Trindade escolheu a família como lugar para manifestar o Seu amor por nós. Ao mesmo tempo, a família é o lugar privilegiado para corresponder ao amor que Deus manifestou a nós em Jesus Cristo, no amor à família, aos pais, aos irmãos, aos filhos, aos avós. Desde o princípio do cristianismo, a família já era uma verdadeira igreja doméstica, onde os cristãos tinham um lugar privilegiado para o encontro com Deus. Ao mesmo tempo, a família já era também um lugar propício para, em Cristo, encontrar com os familiares, mas também irmãos e amigos na fé, para o enriquecimento mútuo, através da comunhão, da partilha e da vivência autêntica da fé. A família já era também, desde tempos remotos, um lugar de refúgio contra as perseguições do mundo, contra as maldades e ciladas de Satanás e contra o “espírito do mundo”1, que se opõe ao Espírito de Deus.

A família como lugar da manifestação do Amor

Deus, que é Amor2, veio ao mundo na Sagrada Família, para fazer da família um “lugar particular do amor”3. A comunhão de amor entre Deus e os homens, conteúdo fundamental da Revelação e da experiência da fé de Israel, encontra uma sua significativa expressão na aliança nupcial, que que se realiza entre o homem e a mulher. Este vínculo de amor entre os esposos torna-se a imagem e o símbolo da Aliança que une Deus e o seu povo4. No entanto, “a comunhão entre Deus e os homens encontra o seu definitivo cumprimento em Jesus Cristo, o Esposo que ama e se doa como Salvador da humanidade, unindo-a a Si como seu corpo”5. A revelação da verdade do “princípio” a respeito do Matrimônio, que liberta o homem da dureza do seu coração6, chega à sua definitiva plenitude no dom do amor que o Verbo de Deus faz à humanidade, assumindo a natureza humana, e no sacrifício que Jesus Cristo faz de si mesmo sobre o altar da cruz, pela sua Esposa, a Igreja. Da mesma forma, os esposos devem amar as suas mulheres como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela7. Os esposos são um para o outro, e para os filhos, testemunhas da salvação realizada por Cristo na Cruz, da qual o sacramento do Matrimônio os faz participantes. “Deste acontecimento de salvação, o Matrimônio como cada sacramento, é memorial, atualização e profecia: ‘Enquanto memorial, o sacramento dá-lhes a graça e o dever de recordar as grandes obras de Deus e de as testemunhar aos filhos; enquanto atualização, dá-lhes a graça e o dever de realizar no presente, um para com o outro e para com os filhos, as exigências de um amor que perdoa e que redime; enquanto profecia dá-lhes a graça e o dever de viver e de testemunhar a esperança do futuro encontro com Cristo’”8 , no Reino dos Céus.

Quanto à fecundidade do amor conjugal, esta “alarga-se e enriquece-se com todos aqueles frutos da vida moral, espiritual e sobrenatural que o pai e a mãe são chamados a doar aos filhos e, através dos filhos, à Igreja e ao mundo”9. A este respeito, a Palavra de Deus nos ajuda a compreender como deve ser o relacionamento familiar entre os cristãos: “As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador. Ora, assim como a Igreja é submissa a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus maridos. Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, […] Assim os maridos devem amar as suas mulheres, como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. […] Filhos, obedecei a vossos pais segundo o Senhor; porque isto é justo. O primeiro mandamento acompanhado de uma promessa é: Honra teu pai e tua mãe, para que sejas feliz e tenhas longa vida sobre a terra10. Pais, não exaspereis [não faças perder a esperança os] vossos filhos. Pelo contrário, criai-os na educação e doutrina do Senhor.”11. A este respeito, deu testemunho o próprio Filho de Deus que, depois de ser encontrado no Templo entre os doutores da lei, voltou para casa com a Virgem Maria e São José: “desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso”12. Em vista disso, se o Verbo de Deus feito homem foi submisso a seus pais durante sua vida terrena, com muito mais razão devemos ser submissos, em primeiro lugar a Deus e a Igreja, mas também as esposas aos seus esposos e os filhos aos seus pais, como nos ensina São Paulo. Por sua vez, os esposos devem amar suas esposas como Cristo amou sua Igreja, ou seja, entregando a suas vidas por amor a elas13, numa doação total por amor. Estes são ensinamentos preciosíssimos, principalmente em nossos dias, nos quais quer se estabelecer uma igualdade absoluta entre homem e mulher, entre pais e filhos. É verdade que todos temos a mesma dignidade diante de Deus, independente do sexo ou do nosso lugar na família, pois somos todos filhos de Deus. No entanto, o esposo, o pai de família, tem sua dignidade própria e deve ser respeitado como tal pela esposa e pelos filhos. Da mesma forma a esposa, a mãe de família, que deve ser amada e respeitada, pelo esposo e pelos filhos. Por sua vez, os filhos devem amar, honrar e respeitar os pais, e estes devem respeitar, amar e educar seus filhos, no Senhor.

Ainda não falam e já confessam a Cristo


Nasceu o grande Rei, como um menino pequeno. Os Magos são atraídos de longes terras; vêm para adorar Aquele que ainda está no presépio, mas já reina no Céu e na terra. Quando os Magos anunciam que nasceu o Rei, Herodes perturba-se e, para não perder o reino, decide matar o recém-nascido; e, no entanto, se tivesse acreditado n’Ele, poderia reinar tranquilo na terra e para sempre na outra vida. 

Que temes, Herodes, ao ouvir dizer que nasceu o Rei? Ele não veio para te destronar, mas para vencer o demônio. Tu, porém, não o compreendes; e por isso te perturbas e te enfureces, e, para que não escape aquele único Menino que buscas, te convertes em cruel assassino de tantas crianças. 

Nem as lágrimas das mães nem o lamento dos pais pela morte de seus filhos, nem os gritos e gemidos das crianças te comovem. Matas o corpo das crianças, porque o temor te matou o coração; julgas que, se conseguires o teu propósito, poderás viver muito tempo, quando precisamente queres matar a própria Vida. 

Aquele que é a fonte da graça, que é pequeno e grande ao mesmo tempo, e que jaz no presépio, aterroriza o teu trono; por meio de ti, e sem que tu o saibas, realiza os seus desígnios e liberta as almas do cativeiro do demônio. Recebeu como filhos adotivos os filhos dos que eram seus inimigos. 

As crianças, sem o saberem, morrem por Cristo; os pais choram os mártires que morrem. Àqueles que ainda não podiam falar, Cristo os faz suas dignas testemunhas. Eis como reina Aquele que veio para reinar. Eis como já começa a conceder a liberdade Aquele que veio para libertar, e a dar a salvação Aquele que veio para salvar. 

Mas tu, Herodes, ignorando tudo isto, perturbas-te e enfureces-te; e enquanto te enfureces contra aquele Menino, já estás a prestar-Lhe, sem o saberes, a tua homenagem. 

Maravilhoso dom da graça! Que méritos tinham aquelas crianças para obterem tal triunfo? Ainda não falam e já confessam a Cristo. Ainda não podem mover os seus membros para travar batalha e já alcançam a palma da vitória.


Sermão de São Quodvultdeus, bispo

(Sermo 2 de Symbolo; PL 40, 655) (Sec V)