sexta-feira, 17 de junho de 2016

Televisión Española (TVE) se desculpa por imagem polêmica de cartunista brasileiro


A rede ‘Televisión Española’ (TVE) pediu desculpas por usar uma imagem com uma cruz em forma de fuzil, para ilustrar uma reportagem sobre o massacre em uma boate gay em Orlando (Estados Unidos). A charge em questão, que foi retirada das redes sociais, é de autoria do brasileiro Carlos Henrique Latuff, para quem o canal televisivo não deveria ter se desculpado.

“Não há qualquer motivo para que a Televisión Española tenha de se desculpar por publicar em seu telejornal a caricatura que fiz para o Andes-SN em 2014 expondo a homofobia cristã no Brasil. Fico honrado com a deferência e agradeço”, escreveu o cartunista em seu Facebook.

Latuff produziu a charge na qual aparece o Congresso Nacional e, por trás do prédio, um homem vestido de terno, segurando um fuzil cuja ponta é uma cruz, apontado para outro homem usando camisa nas cores do arco-íris, o símbolo da comunidade homossexual.

A charge foi publicada originalmente em fevereiro de 2014, sob o título “A bancada evangélica e a homofobia”, pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), em uma clara acusação de que a bancada evangélica e os políticos cristãos adotavam medidas homofóbicas no Congresso. O cartunista, então, apresenta a cruz como se fosse um instrumento de violência, como em outras charges publicadas por ele.

Ao utilizar a charge de Latuff em seu telejornal, a rede de televisão espanhola acrescentou a legenda “mais amor, menos ódio”. A imagem foi apresentada no encerramento do programa junto a várias outras alusivas ao atentado em Orlando, inclusive cenas da madrugada de domingo, quando Omar Siddiqui Mateen, de descendência afegã, entrou na boate Pulse, em Orlando, e matou 49 pessoas, deixando cerca de 50 feridos. O grupo terrorista Estado Islâmico reivindicou o massacre.

Nós que somos filhos de Deus, conservemo-nos na paz de Deus


O Senhor acrescenta uma condição, que é ao mesmo tempo um mandamento e uma promessa: devemos pedir o perdão dos nossos pecados na medida em que perdoamos a quem nos ofendeu, conscientes de que é impossível alcançar o perdão para as nossas culpas, se não o concedemos àqueles que nos tenham ofendido. Por isso diz também noutro lugar: Com a medida com que medirdes vos será medido. Aquele servo a quem o seu senhor tinha perdoado toda a dívida, foi apesar disso metido no cárcere porque não quis perdoar ao seu companheiro. Por recusar indulgência ao seu companheiro, perdeu a indulgência que tinha obtido do seu senhor.

Cristo volta ainda a insistir nisto mesmo, com maior força e energia, quando nos manda severamente: Quando estiverdes em oração, perdoai se tiverdes alguma coisa contra alguém, para que o vosso Pai que está no Céu vos perdoe os vossos pecados. Se porém, não perdoardes, também o vosso Pai que está no Céu vos não perdoará os vossos pecados. Nenhuma desculpa terás no dia de juízo, porque serás julgado segundo a tua própria sentença e serás tratado segundo o teu modo de proceder.

Deus quer que sejamos homens de paz e concórdia, unânimes em sua casa, e que perseveremos na nossa condição de renascidos para uma vida nova: se somos filhos de Deus, conservemo-nos na paz de Deus, e se temos um só Espírito, tenhamos também um só coração e uma só alma.

Por isso Deus não aceita o sacrifício do que vive em discórdia e manda-o retirar-se do altar para ir primeiro reconciliar-se com seu irmão, porque só as orações de um coração pacífico poderão obter a reconciliação com Deus. O sacrifício mais agradável a Deus é a nossa paz e a concórdia fraterna e um povo cuja união seja um reflexo da unidade que existe entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Também naqueles primeiros sacrifícios que ofereceram Abel e Caim, Deus não olhava para as suas ofertas, mas para os seus corações; por isso aceitou a oferta daquele que a apresentava de coração sincero. Abel, pacífico e justo, oferecendo a Deus um sacrifício irrepreensível, ensina os homens que, ao aproximarem-se do altar para apresentar a sua oferta, devem fazê-lo com temor de Deus, com simplicidade de coração, com a lei da justiça, com a paz da concórdia. Com razão Abel, depois de ter apresentado a Deus um sacrifício perfeito, converteu-se ele próprio em sacrifício a Deus. Deste modo, como primeiro mártir, iniciou com a glória do seu sangue a paixão do Senhor, porque manifestou a justiça e a paz do Senhor. Aqueles que o imitam serão coroados pelo Senhor e no dia do juízo serão glorificados com o Senhor.

Ao contrário, o que vive na dissensão e discórdia e não tem paz com seus irmãos, segundo o testemunho do bem-aventurado Apóstolo e da Sagrada Escritura, não escapará à acusação de ser fautor da discórdia, ainda que sofra a morte pelo nome de Cristo, como está escrito: O que odeia o seu irmão é homicida; e o homicida não poderá entrar no reino dos Céus nem viver com Deus. Não poderá viver com Cristo aquele que preferiu ser imitador de Judas a ser imitador de Cristo.


Do Tratado de São Cipriano, bispo e mártir, sobre a Oração Dominical (Nn. 23-24: CSEL 3, 284-285) (Sec. III)

A tentação diabólica


O Diabo e seus demônios agem de modos diferentes e, por isso, podem ser combatidos também de muitas maneiras. O ponto de partida, porém, é sempre o mesmo: a tentação.

Apesar de haver hoje no mundo uma grande curiosidade acerca da possessão e dos exorcismos, a verdade é que a tentação é muito mais perigosa e importante do que a possessão, pois esta é uma ação extraordinária do diabo, enquanto que aquela é uma ação ordinária, do dia a dia. Santo Tomás, na Suma Teológica, na I seção, questão 114, artigo 2, afirma que o Diabo "sempre tenta para prejudicar, impelindo ao pecado." Ou seja, é próprio de Satanás tentar o homem, é o seu ofício, a sua função.

Assim, a ação demoníaca mais comum na vida do homem é justamente a tentação. Trata-se de um engano, de uma artimanha, crer que o Demônio age somente quando se "apodera" de alguém. Concentrar-se nesse aspecto é prestar um desserviço a si mesmo, pois leva à distração que, por sua vez, conduz ao pecado e à perdição.

O combate espiritual existe e é diário. Não se trata, como muitos imaginam, de algo esporádico, pelo contrário, é uma luta cotidiana e quanto mais cedo se compreender isso, melhor. Santo Tomás deixa clara a importância dessa informação no artigo 1, recordando dois versículos da Carta de São Paulo aos Efésios:

Revesti-vos da armadura de Deus para que possais resistir às insídias do diabo. A nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra os Principados, as Potestades, contra os dominadores desse mundo tenebroso, contra os espíritos malignos espalhados nos ares. (6, 11-12)

O Padre Antonio Royo Marin, em sua obra "Teologia de la Perfeccion Cristiana", explica que nem todas as tentações provém do diabo. Ele cita a carta de São Tiago 1, 14: "Cada um é tentado por suas próprias concupiscências que o atraem e seduzem." A Igreja ensina que o homem tem três inimigos: a carne, o mundo e o Diabo.

Ao falar sobre o dom da perseverança, o Concílio de Trento, já recordava essa grande verdade ao dizer que "sabendo que foram regenerados na esperança da glória, devem temer pela batalha que ainda resta contra a carne, contra o mundo, contra o diabo, da qual não podem sair vencedores, se não obedecerem, com a graça de Deus, às palavras do Apóstolo…" (DH 1541)

A palavra "carne" (em latim caro, em hebraico básar, em grego σαρξ, sarx), que designa o primeiro inimigo do homem, é usada na Bíblia em vários sentidos. Nesse especificamente, quer dizer a desordem interna que cada ser humano possui por causa do pecado original e que o leva ao pecado. É a tendência para a transgressão que habita cada ser humano. Ela se inicia com o pecado original e se aprofunda com os pecados pessoais, por isso é que não se pode dizer que toda tentação é obra do demônio. Santo Tomás fala a respeito no artigo 3, da mesma questão:

Diz-se que alguma coisa é diretamente causa de algo quando age diretamente para produzir o efeito. Desse modo, o diabo não não é causa de todo pecado. Com efeito, nem todos os pecados são cometidos por incitação do demônio, mas alguns pela liberdade de nosso arbítrio e pela corrupção da carne. Como diz Orígenes, "mesmo se o demônio não existisse, os homens teriam desejo dos alimentos, dos prazeres sexuais e de outras coisas parecidas." A respeito dessas coisas acontece muita desordem, a não ser que a razão refreie tais desejos, especialmente se se levar em conta a corrupção da natureza. Ora, refrear e ordenar esses desejos depende do livre-arbítrio. Não é pois necessário que todos os pecados provenham da instigação do demônio. Se todavia alguns provém da instigação dele, para cometê-los os ‘homens são enganados agora pela sedução como o foram nossos primeiros pais’, como diz Isidoro.

Santo Ranieri (Rainério) de Pisa

 
Ranieri nasceu em Pisa no ano 1118. Era filho único de uma família tradicional de nobres mercadores riquíssimos. A sua educação foi confiada ao Bispo para que recebesse boa formação religiosa e para os negócios. Porém, Ranieri, mostrando forte inclinação artística, preferiu estudar lira e canto. E para desgosto dos pais, ele se entregou à vida fútil e desregrada, apreciando as festas da côrte onde se apresentava. Com isto, tornou-se uma figura popular e conhecida na cidade de Pisa. Aos dezenove anos de idade, impressionado com a vida miserável dos pobres da cidade e percebendo a inutilidade de sua vida, decidiu mudar. O eremita Alberto da Córsega o estimulou a voltar-se para a vida de valores cristãos e a serviço de Deus. Foi assim que Ranieri ingressou no Mosteiro de São Vito em Pisa, como irmão leigo. Depois de viver até os vinte e três anos de idade recolhido como solitário, doou toda sua fortuna aos pobres e necessitados e partiu em peregrinação à Terra Santa. Ali permaneceu por catorze anos. Vestido com roupas pobres, vivendo só de esmolas, Ranieri lia segredos nos corações, expulsava demônios, relizava curas e conversões. Já com fama de santidade, em 1154, retornou à Pisa e ao Mosteiro de São Vito, sempre como irmão leigo. Em pouco tempo, se tornou o apóstolo e diretor espiritual dos monges e dos habitantes da cidade. Segundo os registros da Igreja, os seus prodígios ocorriam através do pão e da água benzidos, os quais distribuía a todos os aflitos que o solicitavam, o que lhe valeu o apelido de "Ranieri d'água". Ranieri morreu no dia 17 de junho de 1161 e foi proclamado padroeiro dos viajantes e da cidade de Pisa.

São Ranieri de Pisa, vós que durante toda a vida realizastes curas e conversões e que ainda hoje atende às preces dos que vos procuram, peço vossa intercessão por todos aqueles a quem amamos, para que encontrem o caminho da cura, da conversão, da libertação. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

CIMI divulga nota sobre a morte de jovem Guarani-Kaiowá




Nota do Conselho Indigenista Missionário – Cimi
Sobre o assassinato de Jovem Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul

O Conselho Indigenista Missionário – Cimi denuncia e repudia a ação paramilitar realizada por fazendeiros contra famílias do povo Guarani-Kaiowá, do tekohá Tey Jussu, na região de Caarapó, no estado do Mato Grosso do Sul, nesta terça-feira, 14, que resultou no assassinato do jovem Clodieldo de Souza Guarani-Kaiowá, 26, além de ao menos dez feridos à bala.

Constatamos, com preocupação, que ações paraestatais realizadas por setores do agronegócio tem sido recorrentes no Mato Grosso do Sul. Desde agosto de 2015, quando foi assassinado o líder Simeão Vilhalva, no tekohá Nhenderú Marangatu, foram registrados mais de 20 ataques paramilitares contra comunidades do povo Guarani-Kaiowá no estado. Demonstrando profundo desrespeito ao Estado de Direito e agindo na completa impunidade, latifundiários têm optado pela prática corriqueira da “injustiça pelas próprias mãos” no estado.

Consideramos que a atuação de parlamentares ruralistas na tentativa de aprovar proposições legislativas, como a PEC 215/00, e no âmbito de Comissões Parlamentares de Inquérito, como a CPI do Cimi e a CPI da Funai/Incra, contribuem para aprofundar o sentimento de ódio aos indígenas, agravando ainda mais a situação de violência contra os povos originários no Brasil e, de modo especial, no Mato Grosso do Sul.

Bispos espanhóis rechaçam uso blasfemo da Virgem para convocar parada gay


A Conferência Episcopal Espanhola (CEE) manifestou sua “firme condenação” ante a profanação blasfema das imagens da Virgem dos Desamparados e da Virgem de Montserrat em uma propaganda publicada na internet.

A condenação se deu depois que o Arcebispo de Valência convocou um ato de desagravo nesta quinta-feira, 16 de junho, devido à divulgação do cartaz no qual aparecem as imagens da Virgem dos Desamparados e da Virgem de Montserrat se beijando, com o lema: “Contra a sagrada opressão. Ame como quiser”.

O cartaz foi utilizado pelo lobby LGBT para convocar a manifestação do orgulho gay que acontecerá no próximo sábado, 18, em Valência.

Depois do alimento, pedimos o perdão dos pecados




Continuando a oração, suplicamos: O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Isto pode entender-se no sentido espiritual ou literal, porque num e noutro sentido aproveita à nossa salvação. Mas o pão da vida é Cristo; e este pão não é o pão de todos, mas o nosso. E assim como chamamos Pai nosso, porque Ele é Pai dos que O conhecem e creem n’Ele, também dizemos o pão nosso, porque Cristo é o pão daqueles que recebem o seu Corpo.

E pedimos que nos seja dado cada dia este pão, a nós que vivemos em Cristo e todos os dias recebemos a sua Eucaristia como alimento da salvação, para não suceder que, por algum pecado grave, sejamos privados da comunhão do pão celeste e nos separemos do Corpo de Cristo. Ele mesmo proclamou:
Eu sou o pão da vida, que desci do Céu. Se alguém comer do meu pão, viverá eternamente. E o pão que eu hei-de dar é a minha carne pela vida do mundo.

Portanto, se Ele afirma que viverão eternamente os que comerem do seu pão, é evidente que possuem a vida aqueles que recebem o seu Corpo e participam retamente na Eucaristia; mas ao mesmo tempo ensina que, ao contrário, é de temer, e devemos orar para que assim não suceda, que, abstendo-se da Eucaristia, alguns se separem do Corpo de Cristo e fiquem privados da salvação, como Ele próprio adverte: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Por isso pedimos que nos seja dado cada dia o nosso pão, isto é, Cristo, para que nós, que permanecemos e vivemos em Cristo, não nos afastemos do seu Corpo que nos santifica.

Depois disto, pedimos também pelos nossos pecados, dizendo: Perdoai as nossas ofensas, assim como também nóspedimos também o perdão dos pecados.

É verdadeiramente providencial e salutar esta petição, que nos recorda que somos pecadores, porque, ao exortar-nos a pedir o perdão dos pecados, o Senhor desperta-nos a consciência da nossa indignidade e ao mesmo tempo a confiança na misericórdia divina. Ao mandar-nos pedir cada dia o perdão dos pecados, Ele lembra-nos que pecamos todos os dias, e assim ninguém pode vangloriar-se da sua inocência e cair no orgulho.

No mesmo sentido nos adverte também São João na sua Epístola, quando diz:
Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, o Senhor é fiel e justo para nos perdoar os nossos pecados. Duas coisas nos ensina o Apóstolo na sua Epístola: que devemos pedir o perdão dos nossos pecados e que alcançamos perdão quando o pedimos. Diz que o Senhor é fiel, porque nos prometeu o perdão dos pecados e não pode faltar à sua palavra. Efetivamente, Aquele que nos ensinou a orar pelas ofensas e pelos pecados, prometeu ao mesmo tempo a sua paterna misericórdia e o seu perdão.


Do Tratado de São Cipriano, bispo e mártir, sobre a Oração Dominical
(Nn. 18.22: CSEL 3, 280-281.283-284) (Sec. III)

Domingo, o dia do Senhor


Nos últimos anos, o tema do domingo foi indevidamente transformado num “problema”, não apenas no plano religioso, mas nos planos social, político e econômico. Quando procuramos examinar essa questão, não entram em causa somente a vivência da fé e o compromisso propriamente pastoral, mas toda a complexidade do tecido social. Diante disto, comecemos por perguntar nos: Como entender realmente o domingo? O que é?

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz-nos: “Devido à tradição apostólica que tem origem no próprio dia da Ressurreição de Cristo, a Igreja celebra o mistério pascal a cada oitavo dia, no dia chamado com razão dia do Senhor ou domingo. O dia da Ressurreição de Cristo é ao mesmo tempo «o primeiro dia da semana», memorial do primeiro dia da Criação, e o «oitavo dia», em que Cristo, depois do seu «repouso» do grande sábado, inaugura o dia «que o Senhor fez», o «dia que não conhece ocaso». A «Ceia do Senhor» é o seu centro, pois é aqui que toda a comunidade dos fiéis se encontra com o Senhor ressuscitado, que os convida para o seu banquete <...>. Para os cristãos, tornou-se o primeiro de todos os dias, a primeira de todas as festas, o dia do Senhor («Hé kyriaké hemera», «dies dominica»), o «domingo»” (CIC, ns. 1166 e 2174). Foi graças à Ressurreição do Senhor que o domingo foi estabelecido como dia privilegiado, como dia da Reconciliação.

Apesar disso, há quem critique fortemente a Igreja Católica por ter “mudado” o preceito bíblico do descanso sabático: ao tomar a liberdade de converter o domingo no Dia dos dias, no Dia principal, estaria “substituindo o ensinamento divino por preceitos humanos”. Será verdade?

Para responder a essa crítica, repassemos rapidamente o Gênesis para podermos entender o significado do sábado: Tendo Deus terminado no sétimo dia a obra que tinha feito, descansou do seu trabalho. Abençoou o sétimo dia e o consagrou, porque nesse dia havia repousado de toda a obra da Criação (Gên 2, 2 3). Mais tarde, no Monte Sinai, esse dia voltou a ser declarado Dia Santo e dia de descanso, pois devia ser um dia destinado a recordar a Aliança – a antiga Aliança – de Deus com o seu povo: Lembra-te de santificar o dia de sábado <shabbat, “descanso”>. Trabalharás durante seis dias, e farás toda a tua obra. Mas no sétimo dia, que é um dia de repouso em honra do Senhor teu Deus, não farás trabalho algum (Êx 20, 8 10).

Os elementos que podemos extrair do relato da Criação na Sagrada Escritura são, pois, os seguintes:

a. É o último dia da Criação, um Dia santo e santificado por Deus. O dia do descanso é “abençoado” e “consagrado” por Deus, ou seja, separado dos outros dias para ser dentre todos o dia do Senhor. É um dia para se ocupar das coisas santas, não das profanas. Trabalhar seria, para o judeu, “profanar” o dia santo.

b. É um dia de libertação. O sábado é estabelecido como sinal de libertação no Monte Sinai (cfr. Deut 5, 15), pois Javé quer que o seu Povo comemore nesse dia a sua libertação do Egito pelo poder divino.

c. É um dia consagrado a Javé. O Senhor do sábado é Javé: os judeus o chamavam o dia de Javé, o dia consagrado ao Senhor (cfr. Êx 16, 23 25).

Depois disto, alguém ainda poderá perguntar se há oposição entre o que se diz no Antigo Testamento e o domingo católico? Todos os elementos que acabamos de ver encontram a sua plenitude na vinda do Senhor Jesus. Seja-nos permitida uma analogia, tendo presentes as evidentes limitações de toda a comparação entre as coisas divinas e as humanas: o sábado é como uma televisão em preto e branco, na qual se via corretamente a imagem, o significado divino; já o domingo é como uma televisão a cores, em que vemos a mesma imagem, mas de maneira mais plena e com muito mais detalhes.

O domingo, portanto, mais do que uma “substituição” do sábado, é o seu cumprimento perfeito e a sua plena realização no plano da História da Salvação, cujo cume se encontra em Cristo. O Papa João Paulo II diz na Carta Apostólica Dies Domini: “Aquilo que Deus realizou na Criação e o que fez pelo seu povo no Êxodo, encontrou na Morte e Ressurreição de Cristo o seu cumprimento <...>. Em Cristo realiza-se plenamente o sentido «espiritual» do sábado, como sublinha São Gregório Magno: «Nós consideramos o verdadeiro sábado a Pessoa do nosso Redentor, nosso Senhor Jesus Cristo»” (Dies Domini, n. 18).