sexta-feira, 21 de outubro de 2016

O Espírito intercede por nós


Quem só pede ao Senhor a bem-aventurança e só por ela anseia, pede com segurança e certeza e não teme receber com ela qualquer dano, porque pede aquilo sem o qual de nada lhe serviria qualquer outra coisa que recebesse, orando como convém. Esta é a única verdadeira vida, a única vida bem-aventurada: contemplar eternamente a bondade do Senhor, na imortalidade e incorruptibilidade de corpo e alma. Só por causa desta felicidade se buscam outros bens, só com esta finalidade se pede como convém. Quem alcançar a vida bem-aventurada terá tudo o que deseja e nela nada encontrará que não lhe convenha.

Ali está a fonte da vida, da qual agora sentimos sede na oração, enquanto vivemos na esperança sem ver ainda o que esperamos, refugiando-nos à sombra das asas d’Aquele em cuja presença estão todos os nossos desejos, para saborearmos a abundância da sua casa e saciarmo-nos na torrente das suas delícias; porque n’Ele está a fonte da vida e é na sua luz que veremos a luz, quando na sua bondade saciarmos todos os nossos desejos e já nada tivermos que pedir com gemidos porque tudo possuiremos com alegria.

Mas, como essa vida é a paz que supera todo o entendimento, também quando a pedimos na oração não sabemos o que pedimos. Não sabemos de facto o que pedimos, porque não conhecemos essa paz. Ao pensarmos nessa vida inefável, rejeitamos, recusamos e desprezamos tudo o que vem à nossa mente, sabendo bem que não é isso o que buscamos, embora não saibamos verdadeiramente o que esperamos.

Há em nós, por assim dizer, uma douta ignorância; douta, sem dúvida, porque instruída pelo Espírito Santo que vem em auxílio da nossa fraqueza. De facto, diz o Apóstolo: Esperar o que não vemos é esperar com perseverança; e acrescenta: O Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que devemos pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. E Aquele que vê no íntimo dos corações conhece as aspirações do Espírito e sabe que Ele intercede pelos santos em conformidade com Deus.

Isto não há-de entender-se como se o Espírito Santo de Deus, que na Trindade é Deus imutável, um só Deus com o Pai e o Filho, intercedesse pelos santos como alguém que não fosse Deus. Diz-se com efeito: Intercede pelos santos, porque os move a interceder, do mesmo modo que se diz: O Senhor vosso Deus vos põe à prova, para saber se O amais, isto é, para vo-lo fazer saber a vós. Efectivamente, o Espírito de Deus move os santos a interceder com gemidos inefáveis, inspirando-lhes o desejo daquela sublime realidade ainda desconhecida, mas que esperamos com perseverança. Aliás como seria possível falar de uma realidade que se deseja e que ainda se ignora? Certamente, se fosse totalmente desconhecida, não poderíamos desejar essa realidade sublime; e por outro lado, se já a estivéssemos a ver, não a buscaríamos nem pediríamos com gemidos inefáveis.


Da Carta de Santo Agostinho, bispo, a Proba
(Ep. 130, 14, 27 – 15, 28: CSEL 44, 71-73) (Sec. V)

Quais são os erros litúrgicos mais comuns na missa?


Rezar orações próprias do sacerdote

Os fervorosos fiéis da figura à esquerda estão cometendo um dos equívocos mais comuns em termos de liturgia. Há orações que são próprias e exclusivas do sacerdote. No caso específico, rezam o “Por Cristo, com Cristo, em Cristo…”, a doxologia com que o sacerdote encerra a anáfora (a parte central da missa). Só o padre pode pronunciá-la. Mesmo que o celebrante convide (“todos juntos!”, etc.) os fiéis deverão ficar em silêncio, imóveis, e responder, ao final, o solene “amém” (cf. IGMR 151).

Os leigos também não devem rezar a oração da paz (“Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos apóstolos: Eu vos deixo a paz, Eu vos dou a minha paz…”). Só o sacerdote pronuncia essa oração.

Há que se distinguir os papéis do sacerdote e do leigo na missa: “Deve-se evitar o perigo de obscurecer a complementaridade entre a ação dos clérigos e dos leigos, para que as tarefas dos leigos não sofram uma espécie de «clericalização», como se fala, enquanto os ministros sagrados assumem indevidamente o que é próprio da vida e das ações dos fiéis leigos” (Redemptionis Sacramentum).

Comportamento inconveniente dos fiéis


Conversas, barulho, alvoroço, danças… nada disso combina com a missa. Certamente haverá locais e circunstâncias propícias para extravasar a alegria de ser cristão. Na missa, vale a “regra de ouro”: o que não caberia fazer no Calvário, não cabe fazer na missa.

Estamos diante do sacrifício do Filho de Deus! No altar, Jesus oferece-se ao Pai como vítima, por nossos pecados. Portanto, conversar com o vizinho, atender chamadas de celulares, bater palmas ou fazer coreografias, danças, etc., nada disso é próprio na missa.

Santa Úrsula e companheiras


Úrsula nasceu no ano 362, filha dos reis da Cornúbia, na Inglaterra. Era uma linda menina, meiga, inteligente e caridosa. Cresceu muito ligada à religião, seguindo aos princípios da fé e amor em Cristo. A fama de sua beleza se espalhou e logo os pedidos de casamento sugiram. Por motivos políticos, seu pai aceitou a proposta feita por um duque pagão. 

Pela obediência à seu pai Ùrsula aceitou, mas pediu que ficasse ainda três anos solteira. Neste tempo pensava em converter o pretendente ou fazê-lo desistir das núpcias. Mas ao seu tempo a jovem precisou ir ao encontro do noivo. Com ela viajaram mais onze meninas virgens, que se casariam com soldados do rei. 

Aconteceu então o imprevisto. Navegando pelo Reno, o navio de Úrsula cruzou o território dominado pelos Hunos, povo bárbaro e pagão. Logo os soldados hunos mataram todos e apenas Úrsula escapou, pois Átila, o rei dos Hunos, ficou maravilhado com a beleza e juventude da nobre princesa. Ele tentou seduzi-la e lhe propôs casamento. Mas, a custo da própria vida, Úrsula o recusou dizendo que já era esposa do mais poderoso de todos os reis da Terra, Jesus Cristo. Cego de ódio ele pessoalmente a degolou. Tudo aconteceu em 21 de outubro de 383. 

O martírio de Ùrsula e de suas companheiras retrata para nós a perseverança na fé mesmo em condições adversas. Sabemos que em períodos de tranquilidade é fácil manter o coração e a boca no louvor ao Senhor. Mas será que quando vierem as dores e as cruzes saberemos reconhecer a bondade de Deus em nossa vida? 


Ó Deus, destes a Santa Úrsula a fortaleza da graça para ir ao encontro do martírio com toda a coragem: concedei que, apoiados em suas preces e instruídos pelo seu exemplo, possamos avançar no caminho do vosso amor, por entre as dificuldades da vida, e chegar à contemplação de vossa beleza. Por Cristo nosso Senhor. Amém. 

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Música de Crivella ironiza reação a chute em santa


O senador Marcelo Crivella (PRB), candidato à Prefeitura do Rio, ironizou em canção de sua autoria a reação ao episódio em que um bispo da Igreja Universal chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, em 1995.

Na canção "Um chute na heresia" lançada em CD de 1998, Crivella, bispo licenciado da Universal, classifica como "idolatria" a adoração à santa, questiona o processo judicial movido após o episódio e conclui: "Se ela [Nossa Senhora] é Deus, ela mesmo me castiga", canta o senador.

A música faz referência a um dos momentos de maior atrito entre a Universal, que critica a adoração a santos, e a Igreja Católica.

O bispo Sérgio von Helde deu chute e soco na imagem da santa durante o programa "Despertar da fé", na TV Record, no dia 12 de outubro de 1995, feriado nacional em sua homenagem.

A composição integra o CD "Como posso me calar?", uma espécie de desagravo contra o que considera perseguição à Universal. Ele tem estampado na capa uma foto do líder da igreja e seu tio, bispo Edir Macedo, preso.


"Na minha vida dei um chute na heresia / Houve tanta gritaria de quem ama a idolatria / Eu lhe respeito meu irmão, não quero briga / Se ela é Deus, ela mesmo me castiga", diz a música.

"Aparecida, Guadalupe ou Maria / Tudo isso é idolatria de quem vive a se enganar / Mas não se ofenda meu irmão, não me persiga / Se ela é Deus, ela mesmo me castiga", afirma outra estrofe.

Dias após a transmissão, em 1995, Macedo pediu desculpas aos católicos e criticou o colega. Em 1997, von Helde foi condenado por discriminação religiosa e vilipêndio de imagem religiosa.

A canção "Um chute na heresia" foi lançada um ano depois da condenação do bispo. Embora a Universal tenha pedido desculpas, Crivella fez provocações na composição.

"Por que mover processo na justiça? / Se ela é Deus, ela mesmo me castiga", conclui.

O CD "Como posso me calar?" é o único que não está disponível no site do senador. As composições, porém, são encontradas em diferentes sites religiosos. A música que dá nome ao disco é, segundo sua contracapa, "inspirada na luta do bispo Macedo".

"Se tantas perseguições / É o preço a pagar / Meu Jesus morreu na cruz / Perseguido por me amar", diz a música.

Crivella nunca se posicionou diretamente sobre o episódio de chute na santa. À Folha, em 2007, afirmou que "talvez no passado os métodos [da Universal] de expressar a fé tenham excedido, por imaturidade, os limites da prudência que lhe fossem recomendados".

Nesta campanha, ele já pediu perdão por trechos revelados pelo jornal "O Globo"do livro "Evangelizando na África", no qual critica o catolicismo, as religiões africanas e os homossexuais.

Líder nas pesquisas, Crivella tem tentado se distanciar da imagem da Universal a fim de reduzir sua rejeição.

Ele buscou mostrar proximidade com a Igreja Católica divulgando material de campanha ao lado do arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta. Os panfletos geraram ação judicial da Arquidiocese.

Crivella tem 27 anos de carreira como cantor. Há duas semanas, lançou seu 14º disco, "Deus vê".

Em 1999, ele lançou o disco "O mensageiro da solidariedade", que pode ser considerado seu lançamento político. O disco superou a marca de 1 milhão de cópias, e sua renda foi revertida para a Fazenda Canaã, projeto explorado em suas campanhas.

Em "Olhai por nós", o agora candidato critica aquele que "governa sem fé": "Quem governa sem fé / Pouco pode fazer / Precisamos de ti pra viver / Pra plantar e colher [...] Quem governa sem fé / Nem consegue entender / Que dependemos de ti para viver / Pra plantar e colher". 

A cidade cristã de Qaraqosh, no Iraque, foi libertada do Estado Islâmico?


Diversos meios de comunicação anunciaram no dia 18 de outubro que, como parte da sua operação conjunta “Mossul Op”, as tropas peshmerga curdas e o exército iraquiano libertaram a cidade cristã de Qaraqosh das garras do Estado Islâmico (ISIS). Entretanto, jornalistas e ativistas de direitos humanos na região advertiram que esta informação era inexata.

“Um general iraquiano disse que relatórios anteriores de que o povo havia sido retomado eram falsos”, informou a rede de televisão britânica BBC, corrigindo um relatório anterior que divulgou que a cidade de Qaraqosh havia sido libertada, após estar nas mãos do ISIS desde agosto de 2014.

Em 17 de outubro, o governo iraquiano anunciou o início das operações para libertar Mossul, a terceira maior cidade do Iraque, tomada pelo Estado Islâmico há dois anos. Em menos de 24 horas, a ofensiva havia conseguido recuperar pelo menos 9 aldeias que estavam no caminho.

No dia seguinte, as tropas ingressaram em Qaraqosh, mas não tomaram o controle total da cidade. A BBC coincidiu com a rede americana CNN ao declarar a situação como um “local”, enquanto a tentativa de libertá-la definitivamente foi realizada novamente na manhã do dia 19 de outubro.

Em declarações ao Grupo ACI, o Pe. Luis Montes, sacerdote missionário do Instituto do Verbo Encarnado (IVE) e diretor espiritual dos seminaristas em Erbil – no Curdistão iraquiano, localizado a 85 quilômetros de Mossul –, assinalou que nos acampamentos de refugiados começaram a festejar logo depois que começaram a difundir os rumores de que os militares estavam entrando em Qaraqosh.

“As pessoas em Erbil já haviam começado a festejar mesmo quando não se sabia se havia sido tomada totalmente”, indicou, mas advertiu que, “do mesmo modo, não sabemos o que acontecerá, porque anteriormente entraram em uma cidade e depois se retiraram. Costuma haver ataques e contra-ataques”, precisou.

Isto também significa que os cristãos refugiados no Curdistão iraquiano, que fugiram do Estado Islâmico, ainda não poderão voltar para a casa.

“As pessoas ainda não podem se mudar, não só pelo perigo que pode ser o fato de estar tão perto dos terroristas, mas também porque deverão verificar se foram colocadas minas antipessoais ou bombas na cidade”, disse. 

Igreja na Venezuela responde a calúnias de deputado do governo


A Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) rechaçou as ofensas e calúnias do deputado do governo Hugbel Roa contra o Arcebispo de Caracas, Cardeal Jorge Urosa, e Dom Baltazar Porras, que será criado cardeal no consistório convocado pelo Papa Francisco para o dia 19 de novembro.

Em um comunicado publicado na página da CEV, os bispos venezuelanos expressaram: “Deploramos e repudiamos a cena triste e carente de toda ética profissional e de todo sentido de cidadania, protagonizada pelo deputado à Assembleia Nacional, o Sr. Hugbel Roa, que de modo grosseiro e negando a verdade, expressou-se publicamente de maneira ofensiva e caluniosa contra Dom Baltazar Porras e contra o Cardeal Jorge Urosa, Arcebispo de Caracas, e também desqualificando o Papa Francisco”.

No último dia 13 de outubro, durante uma sessão da Assembleia Nacional na qual faziam uma saudação especial para Dom Baltazar Porras pela designação feita pelo Papa Francisco, o deputado Roa, membro do governante Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), disse que “Baltazar Porras não só agiu de forma baixa quando foi designar ao cardeal Urosa, quando teve reuniões com o alto governo acusava o outro cardeal inclusive que não deveria ser escolhido por comportamentos homossexuais. Este mesmo senhor do qual vocês fazem um acordo a favor”.

O deputado da Mesa da Unidade Democrática (MUD) Juan Miguel Matheus interrompeu Roa, pedindo-lhe respeito a Dom Baltazar Porras. Em seguida, o parlamentar do governo jogou o microfone nele de forma violenta.

Momento em que o deputado venezuelano, Hugbel Roa, lança o microfone no colega

Como sanção pela sua atitude violenta, Hugbel Roa foi suspenso do seu direito ao uso da palavra na Assembleia Nacional durante um mês. 

Espanha: Ladrões profanam a Igreja de Santa Maria da Assunção e roubam do sacrário as hóstias consagradas

Arcebispo de Toledo alerta sobre possível uso das hóstias consagradas em missas negras

Ladrões profanaram a igreja de Santa Maria da Assunção, na localidade de Ocaña, Toledo (Espanha). Roubaram vários vasos sagrados e um ostensório com o Santíssimo.

Na noite de 17 de outubro, vários indivíduos entraram na paróquia Santa Maria da Assunção em Ocaña, na cidade de Toledo, quebraram uma grade e uma janela para poder entrar no local.

Segundo informações locais, os assaltantes profanaram o sacrário, levaram duas custódias com as espécies sagradas e um cálice, mas também jogaram as outras hóstias no chão. Ainda levaram um pequeno ostensório com o Santíssimo. Além disso, durante o assalto, destruíram diversas imagens da Virgem Maria e de vários santos.

Altar-Mor da Igreja de Santa Maria da Assunção (Ocãna)

O Pároco de Santa Maria da Assunção de Ocaña, Pe. Eusébio López, disse a um meio de comunicação local que se sente “abatido” após este acontecimento e indicou que os ladrões queriam roubar o Sacrário, “mas ao final profanaram e, embora este não fosse o objetivo deles, não se importaram”.

Segundo informou o pároco, está previsto um ato de reparação desta profanação, embora ainda não haja uma data concreta, especialmente porque o sacerdote deseja que todo o povo participe e seja um momento de verdadeira adoração e reparação de Jesus na Eucaristia.

Dom Braulio Rodríguez, Arcebispo de Toledo, condenou este acontecimento e se mostrou especialmente preocupado pelo roubo das hóstias consagradas.

“Aqueles que roubaram não se importam com nada, mas são as nossas igrejas, as nossas imagens e, sobretudo, o Santíssimo Sacramento”, declarou o Arcebispo durante uma coletiva de imprensa por ocasião do dia do Domund. 

Morre Cláudio Pastro, maior nome da arte sacra brasileira na atualidade


O artista sacro Cláudio Pastro faleceu na madrugada desta quarta-feira, dia 19, em São Paulo (SP). Ele estava internado há cerca de 15 dias no hospital Oswaldo Cruz, na capital paulista, e morreu em decorrência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).  O velório será no Mosteiro Nossa Senhora da Paz, em Itapecerica da Serra (SP). O sepultamento acontecerá às 16h no cemitério do Mosteiro, precedido da Eucaristia em ação de graças.

“Rezemos ao bom Deus que acolha em sua casa este servo bom e fiel!”, declarou o arcebispo de Diamantina (MG) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Darci José Nicioli, ao divulgar a notícia nas redes sociais.

Autor das obras sacras do Santuário Nacional de Aparecida, Cláudio Pastro era um dos nomes mais renomados da arte plástica do Brasil.

“Este irmão, com quem pude ter boa amizade, serviu à Igreja no Brasil e em outras partes do mundo com seu dom extraordinário na área litúrgica. Na ressurreição, vai cantar as maravilhas de Deus eternamente”, declarou o arcebispo de Juiz de Fora (MG), dom Gil Antonio Moreira, responsável pelos bens culturais no regional Leste 2 da CNBB.