quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Morramos com Cristo, para vivermos com Ele


Vemos que também a morte pode ser lucro e a vida ser castigo. Por isso Paulo afirma: Para mim, viver é Cristo e morrer é lucro. Que é Cristo, senão morte do corpo e espírito de vida? Morramos pois com Ele, para vivermos com Ele. Seja nosso exercício diário o amor da morte, a fim de que a nossa alma, pelo afastamento dos desejos corpóreos, aprenda a elevar-se para as alturas, onde o prazer terreno não pode chegar nem atraí-la a si, e assim receba a imagem da morte para não incorrer no castigo da morte. A lei da carne contradiz a lei do espírito e quer submetê-la à lei do erro. Qual será o remédio para isto?Quem me libertará do meu corpo mortal? A graça de Deus por Jesus Cristo Nosso Senhor.

Temos médico, apliquemos o remédio. O nosso remédio é a graça de Cristo, e o corpo mortal é o nosso próprio corpo. Por conseguinte, afastemo-nos do corpo para não nos afastarmos de Cristo. Embora vivamos no corpo, não sigamos o que é do corpo nem nos sujeitemos às exigências da natureza, mas prefiramos os dons da graça.

Que mais ainda? O mundo foi resgatado pela morte de um só. Cristo podia não ter morrido, se quisesse; mas julgou que não devia fugir à morte, como se fosse inútil; antes, considerou-a como o melhor meio para nos salvar. A sua morte foi, portanto, a vida de todos. Recebemos o sinal sacramental da sua morte, anunciamos a sua morte na oração, proclamamos a sua morte na Eucaristia; a sua morte é vitória, é sacramento, é solenidade anual em todo o mundo.

Que diremos ainda da sua morte, depois de mostrarmos, com o exemplo divino, que só a morte conseguiu a imortalidade e se redimiu a si própria? Não devemos pois chorar a morte que é a causa da salvação universal; não devemos fugir à morte que o Filho de Deus não desprezou nem evitou.

Sem dúvida, a morte não fazia parte da natureza, mas tornou-se natural; porque Deus não instituiu a morte ao princípio, mas deu-a como remédio. Condenada pelo pecado a um trabalho contínuo e a lamentações insuportáveis, a vida dos homens começou a ser miserável. Deus teve de pôr fim a estes males, para que a morte restituísse o que a vida tinha perdido. Com efeito, a imortalidade seria mais penosa que benéfica, se não fosse promovida pela graça.

A nossa alma aspira a sair do estreito círculo desta vida, a libertar-se do peso deste corpo terreno e a caminhar para aquela assembleia eterna onde só chegam os santos, para aí cantar o louvor de Deus, como cantam, segundo a leitura profética, os celestes tocadores da cítara: Grandes e admiráveis são as vossas obras, Senhor Deus onipotente; justos e verdadeiros são os vossos caminhos, ó Rei das nações. Quem não há-de temer e glorificar o vosso nome? Porque só Vós sois santo, e todos os povos virão adorar-Vos. A nossa alma deseja partir deste mundo para contemplar as vossas núpcias eternas, ó Jesus, nas quais, por entre o cântico jubiloso de todos os eleitos, a Esposa é acompanhada da terra ao Céu – a Vós acorrerão todos os homens – já não sujeita ao mundo, mas unida ao Espírito. 

Era isto que o santo David desejava, acima de tudo, contemplar e admirar, quando dizia: Uma só coisa peço ao Senhor, por ela anseio: habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para viver na alegria do Senhor.



Do Livro de Santo Ambrósio, bispo, sobre a morte de seu irmão Sátiro

(Lib. 2, 40.41.46.47-132.133: CSEL 73, 270-274, 323-324) (Sec. IV)

Conheça a Bíblia: Pentateuco


Este nome grego significa “cinco rolos”, ou livros, e inclui Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. A autoria do Pentateuco, tradicionalmente considerado como Lei de Moisés, foi atribuída a este grande líder do povo hebreu tanto pelo judaísmo como pelo cristianismo antigos. Hoje, sabe-se que nenhum destes livros se pode atribuir a um único autor e menos ainda a Moisés, pois todos tiveram uma história literária complexa, como veremos.

Para além desta referência a Moisés, os livros do Pentateuco têm uma certa sequência temática, pois descrevem as origens do povo de Israel até à sua definitiva instalação em Canaã. Nomeadamente: a origem da humanidade e do próprio povo hebreu na época patriarcal, a saída do Egito e a longa travessia do deserto; é nesta última fase que aparecem enquadradas as leis fundamentais para a vida religiosa e social dos israelitas. Longas secções narrativas alternam com grandes conjuntos de leis.

O modo de escrever daquele tempo, misturando História, Direito e Liturgia, não coincide com o nosso modo de fazer História; ao mostrarem a intervenção de Deus nessa História, os autores do Pentateuco pretendem também apresentá-la como modelo da presença de Deus na História de cada povo.

Finados: Dia de oração por todos os fiéis falecidos


Para todos os povos da humanidade, seja qual for a origem, cultura e credo, a morte continua a ser o maior e mais profundo dos mistérios. Mas, para os cristãos, tem o gosto da esperança. Esse é o mistério pascal de Cristo: morte e ressurreição. Ele nos garantiu que para quem crê, for batizado e seguir Seus ensinamentos, a morte é apenas a porta de entrada para desfrutar com Ele a vida eterna no Reino do Pai. 

Enquanto para todos os homens a morte é a única certeza absoluta, para os cristãos ela é a primeira de duas certezas. A segunda é a ressurreição que nos leva a aceitar o fim da vida terrena com compreensão e consolo. Para nós, a morte é um passo definitivo em direção à colheita dos frutos que plantamos aqui na Terra. 

A Igreja nos ensina que as almas em purificação podem ser socorridas pelas orações dos fiéis. Assim, este dia é dedicado à memória dos nossos antepassados e entes que já partiram. Encontramos a celebração da missa pelos mortos desde o século V. 

O convite à oração feito por nossa Mãe Igreja fundamenta-se na realidade da “comunhão dos santos”, onde pela solidariedade espiritual dos que estão inseridos no Corpo Místico, pelo Sacramento do Batismo, são oferecidas preces, sacrificios e Missas pelas almas do Purgatório. No Oriente, a Igreja Bizantina fixou um sábado especial para orações pelos defuntos, enquanto no Ocidente as orações pelos defuntos eram quase geral nos mosteiros do século VII; sendo que a partir do Abade de Cluny, Santo Odilon, aos poucos o costume se espalhou para o Cristianismo, até ser tornado oficial e universal para a Igreja, através do Papa Bento XV em 1915, pois visava os mortos da guerra, doentes e pobres.

A Palavra do Senhor confirma esta Tradição pois “santo e piedoso o seu pensamento; e foi essa a razão por que mandou que se celebrasse pelos mortos um sacrifício expiatório, para que fossem absolvidos de seu pecado” (2 Mc 2, 45). Assim é salutar lembrarmos neste dia, que “a Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados” (Catecismo da Igreja Católica).

Portanto, a alma que morreu na graça e na amizade de Deus, porém necessitando de purificação, assemelha-se a um aventureiro caminhando num deserto sob um sol escaldante, onde o calor é sufocante, com pouca água; porém enxerga para além do deserto, a montanha onde se encontra o tesouro, a montanha onde sopram brisas frescas e onde poderá descansar eternamente; ou seja, “o Céu não tem portas” (Santa Catarina de Gênova), mas sim uma providencial ‘ante-sala’.

Um dos mais belos Dogmas da Igreja é o da “Comunhão dos Santos”. Dessa maneira entendemos que os que estão no Céu, na feliz morada com Deus para sempre, os que se purificam no purgatório, e nós, que ainda caminhamos pelas estradas deste mundo, formamos um só corpo. Por esse motivo, podemos e devemos rezar pelos que partiram, pois nossas orações são eficazes para ajuda-los a mais rapidamente chegarem à casa definitiva do Pai.

A recordação dos fiéis defuntos nos projeta para o futuro. Nossa fé fala-nos de Esperança, a grande palavra chave nesse dia. Trata-se do anseio que todo homem tem de ter a verdadeira felicidade, a felicidade duradoura, sem máculas e sem fim. Essa felicidade só se pode dar no encontro definitivo com Deus, que é a essência do Amor e do Belo. A missão de Jesus, revelada nos Evangelhos, é de dar a vida eterna a todos os que crêem em seu nome.


Ó meu Jesus perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno. Levai as almas todas para o Céu e socorrei principalmente as que mais precisarem! Amém!

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Papa Francisco sobre sacerdócio feminino: A última palavra foi a de São João Paulo II


O Papa Francisco confirmou hoje em conferência de imprensa a posição da Igreja Católica, que rejeita a ordenação sacerdotal de mulheres, após uma viagem ecumênica à Suécia, onde se encontrou com luteranos, na qual se implementou essa prática.

A pergunta foi feita pela jornalista sueca Cristina Kaplan, que, para introduzir este tema, referiu-se à líder da igreja luterana na Suécia, a Arcebispa de Upsala, Antje Jackelén, que é casada com o pastor Heinz Jackelén, também luterano.

Nos últimos dias, houve certa agitação nas redes sociais por uma fotografia em que aparece a líder luterana abraçando o Papa Francisco, o qual se aproximou dela como um gesto de cortesia durante a oração ecumênica realizada no dia 31 de outubro na catedral de Lund.

A pergunta de Kaplan na coletiva de imprensa a bordo do avião papal foi a seguinte: “A Suécia, que acolheu este importante encontro ecumênico, tem uma mulher como líder da própria Igreja. O que você acha? É realista pensar nas mulheres sacerdotes também na Igreja Católica, nas próximas décadas? E se não, por que os padres católicos têm medo da concorrência?”.

“Sobre a ordenação de mulheres na Igreja Católica, a última palavra clara foi pronunciada por São João Paulo II e ela permanece. Isso permanece”, disse aos jornalistas que o acompanharam no voo entre Malmo e Roma.

Francisco referia-se à carta apostólica ‘Ordinatio Sacerdotalis’, de 1995, de João Paulo II.

“A Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”, escreveu o santo polaco.

Palavra de Vida: “Tudo posso naquele que me dá força” (Fl 4,13).


Existem momentos em que nos sentimos contentes, cheios de força e tudo parece fácil e leve. Outras vezes somos assaltados por dificuldades que deixam nossos dias amargurados, talvez devido aos nossos pequenos fracassos no amor para com as pessoas que estão ao nosso lado, ou porque nos sentimos incapazes de partilhar com outros o nosso ideal de vida. Ou ainda, porque surgem doenças, apertos financeiros, desilusões familiares, dúvidas e provações interiores, perda de emprego, situações de conflito, que nos esmagam e parecem não ter saída. O que mais pesa nessas circunstâncias é o fato de nos sentirmos obrigados a enfrentar sozinhos as provações da vida, sem o apoio de alguém capaz de nos dar uma ajuda decisiva.

Poucas pessoas viveram com tanta intensidade alegrias e sofrimentos, sucessos e incompreensões como o apóstolo Paulo. No entanto, ele soube persistir com coragem na sua missão, sem ceder ao desânimo. Será que ele era um super-herói? Não! Ele se sentia fraco, frágil, inadequado. Mas possuía um segredo, que ele confia aos seus amigos da cidade de Filipos: “Tudo posso naquele que me dá força”. Ele tinha descoberto na sua própria vida a presença constante de Jesus. Mesmo quando todos o tinham abandonado, Paulo nunca se sentiu só: Jesus permaneceu junto dele. Era Ele que lhe dava segurança e o incentivava a seguir adiante, a enfrentar todas as adversidades. Tinha entrado plenamente na sua vida, tornando-se a sua força.

O segredo de Paulo pode também ser o nosso segredo. Eu sou capaz de tudo quando reconheço e abraço, até mesmo num sofrimento, a proximidade misteriosa de Jesus, que de certo modo se identifica com aquela dor e a toma sobre si. Sou capaz de tudo quando vivo em comunhão de amor com outros, porque então é Ele que vem estar no nosso meio, conforme prometeu (cf. Mt 18,20), e o que me sustenta é a força da unidade. Sou capaz de tudo quando acolho as palavras do Evangelho e as coloco em prática: elas me fazem vislumbrar o caminho que sou chamado a percorrer dia após dia, elas ensinam-me a viver, inspiram-me confiança. 

Iraque: Cristãos voltam a celebrar Missa em Qaraqosh após dois anos sob domínio do ISIS


Em meio a paredes queimadas e um altar em ruínas, os cristãos de Qaraqosh, no Iraque, viveram um momento comovente e simbólico no domingo, 30 de outubro, quando puderam celebrar a Missa na Catedral da Imaculada Conceição, após mais de dois anos sob o domínio do Estado Islâmico.

A Celebração Eucarística foi possível depois que a cidade foi libertada na segunda quinzena de outubro pela ofensiva militar da coligação internacional que tem por objetivo reconquistar Mossul, considerada a “capital” dos jihadistas no Iraque.


De acordo com a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), a Missa foi presidida pelo Arcebispo Católico siríaco de Mossul, Dom Yohanna Petros Mouche, e concelebrada por outros quatro sacerdotes.

“Depois de dois anos e três meses de exílio, celebramos a Eucaristia na Catedral que os jihadistas queriam destruir”, afirmou o Prelado, sublinhando a importância simbólica desta primeira Missa para toda a comunidade cristã iraquiana. 

"Agir segundo o estilo de Jesus e com grande respeito e solidariedade para com os irmãos doutras igrejas cristãs", diz Papa.


VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO À SUÉCIA

SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS

PAPA FRANCISCO
ANGELUS
Malmoe
Terça-feira, 1 de novembro de 2016


No final desta celebração, desejo agradecer a D. Anders Arborelius, Bispo de Estocolmo, as suas amáveis palavras, bem como os esforços das autoridades e de todos aqueles que trabalharam na preparação e realização desta visita.

Saúdo cordialmente o Presidente e o Secretário-Geral da Federação Luterana Mundial e o Arcebispo da Igreja da Suécia. Saúdo os membros das delegações ecuménicas e do Corpo Diplomático presentes nesta ocasião, e a todos os que quiseram juntar-se a nós nesta Celebração Eucarística.

Dou graças a Deus por me ter dado a oportunidade de vir a esta terra e encontrar-me convosco, muitos de vós vindos de várias partes do mundo. Como católicos, fazemos parte duma grande família, sustentada por uma mesma comunhão. Animo-vos a viver a vossa fé na oração, nos Sacramentos e no serviço generoso a quem passa necessidade e sofre. Encorajo-vos a ser sal e luz, nas circunstâncias concretas onde viveis, com o vosso modo de ser e agir segundo o estilo de Jesus e com grande respeito e solidariedade para com os irmãos e irmãs doutras Igrejas e Comunidades cristãs e todas as pessoas de boa vontade. 

"Santidade é entregar-se aos outros", afirma o Papa


VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO À SUÉCIA  
SANTA MISSA NO SWEDBANK STADION EM MALMOE
Malmoe
Terça-feira, 1 de novembro de 2016


Celebramos hoje, com toda a Igreja, a solenidade de Todos os Santos. Assim recordamos não só aqueles que foram proclamados Santos ao longo da história, mas também muitos irmãos nossos que viveram a sua vida cristã na plenitude da fé e do amor através duma existência simples e reservada. Contam-se certamente, entre eles, muitos dos nossos parentes, amigos e conhecidos.

Celebramos, pois, a festa da santidade. Aquela santidade que, às vezes, não se manifeste em grandes obras nem em sucessos extraordinários, mas que sabe viver, fiel e diariamente, as exigências do Batismo. Uma santidade feita de amor a Deus e aos irmãos. Amor fiel até ao esquecimento de si mesmo e à entrega total aos outros, como a vida daquelas mães e pais que se sacrificam pelas suas famílias sabendo renunciar de boa vontade, embora nem sempre seja fácil, a tantas coisas, tantos projetos ou programas pessoais.

Mas, se alguma coisa há que caracterize os Santos, é o fato de serem verdadeiramente felizes. Descobriram o segredo da felicidade autêntica, que mora no fundo da alma e tem a sua fonte no amor de Deus. Por isso, os Santos são chamados bem-aventurados. As Bem-aventuranças são o seu caminho rumo ao seu destino, rumo à pátria. As Bem-aventuranças são o caminho de vida que o Senhor nos indica, para podermos seguir os seus passos. Ouvimos, no Evangelho de hoje, como Jesus as proclamou perante uma grande multidão num monte junto do lago da Galileia.

As Bem-aventuranças são o perfil de Cristo e, consequentemente, do cristão. Dentre elas, quereria destacar uma: «Felizes os mansos» (Mt 5, 5). Jesus diz de Si mesmo: «Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29). Este é o seu retrato espiritual, e desvenda-nos a riqueza do seu amor. A mansidão é uma maneira de ser e viver que nos assemelha a Jesus e nos faz estar unidos entre nós; faz com que deixemos de lado tudo o que nos divide e contrapõe, a fim de procurar formas sempre novas para avançar no caminho da unidade, como fizeram filhos e filhas desta terra, entre os quais se conta Santa Maria Elisabeth Hesselblad, recentemente canonizada, e Santa Brígida, Brigitta Vadstena, co-padroeira da Europa. Elas rezaram e trabalharam para estreitar os laços de unidade e comunhão entre os cristãos. Um sinal muito eloquente é o facto de ser aqui no seu país, caraterizado pela convivência de populações muito diferentes, que estamos a comemorar em conjunto o quinto centenário da Reforma. Os Santos obtêm mudanças graças à mansidão do coração. Com ela, compreendemos a grandeza de Deus e adoramo-Lo com sinceridade; além disso, é a atitude de quem não tem nada a perder, porque a sua única riqueza é Deus.