segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

França: Oposição ao aborto na internet agora É CRIME!


O Parlamento francês aprovou na sexta-feira (2) uma nova lei que criminaliza páginas de internet que contenham informação para tentar dissuadir mulheres de abortar.

A lei de “interferência digital” dirige-se, segundo o texto da mesma, a impedir o funcionamento de sites que “deliberadamente enganem, intimidam e/ou exerçam pressão psicológica ou moral para desencorajar o recurso ao aborto” e prevê multas até 30 mil euros para quem os operar.

A lei foi aprovada pelos partidos de esquerda, os de direita votaram contra, com Bruno Retailleau, do Partido Republicano, a criticar a lei como sendo “totalmente contrária à liberdade de expressão”. O senador diz ainda que a nova lei contradiz o diploma que legalizou o aborto, em 1975, e que pede que as mulheres sejam informadas das alternativas a esta prática.

Do Partido Democrata Cristão também chegaram criticas, com Jean-Frédéric Poisson a apontar para a ironia de o Governo estar apostado em encerrar sites pró-vida enquanto se recusa a fazer o mesmo a páginas de internet que promovam uma visão fundamentalista e violenta do Islão, por exemplo.

Pelo menos dois bispos também condenaram a nova lei, nomeadamente o cardeal Vingt-Trois, de Paris que acusa o Governo de estar “obcecado” com o aborto e o arcebispo Georges Pontier, de Marselha, a dizer que a lei constitui um sério ataque aos princípios da democracia. 

Homilética: Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora (8 de dezembro): "O Senhor está contigo!"


Na Solenidade da Imaculada Conceição somos convidados a equacionar o tipo de resposta que damos aos desafios de Deus. Ao propor-nos o exemplo de Maria de Nazaré, a liturgia convida-nos a acolher, com um coração aberto e disponível, os planos de Deus para nós e para o mundo.

A Maria, Deus propõe que aceite ser a mãe de um “filho” especial… Desse “filho” diz-se, em primeiro lugar, que Ele se chamará “Jesus”. O nome significa “Deus salva”. Além disso, esse “filho” é apresentado pelo anjo como o “Filho do Altíssimo”, que herdará “o trono de seu pai David” e cujo reinado “não terá fim”. As palavras do anjo levam-nos a 2 Sm 7 e à promessa feita por Deus ao rei David através das palavras do profeta Nathan. Esse “filho” é descrito nos mesmos termos em que a teologia de Israel descrevia o “messias” libertador. O que é proposto a Maria é, pois, que ela aceite ser a mãe desse “messias” que Israel esperava, o libertador enviado por Deus ao seu Povo para lhe oferecer a vida e a salvação definitivas.

A resposta de Maria começa com uma objeção que sempre faz parte dos relatos de vocação do Antigo Testamento (cf. Ex 3,11; 6,30; Is 6,5; Jer 1,6). É uma reação natural de um “chamado”, assustado com a perspectiva do compromisso com algo que o ultrapassa; mas é, sobretudo, uma forma de mostrar a grandeza e o poder de Deus que, apesar da fragilidade e das limitações dos “chamados”, faz deles instrumentos da sua salvação no meio dos homens e do mundo.

Diante da “objeção”, o anjo garante a Maria que o Espírito Santo virá sobre ela e a cobrirá com a sua sombra. Este Espírito é o mesmo que foi derramado sobre os juízes (Oteniel – cf. Jz 3,10; Gedeão – cf. Jz 6,34; Jefté – cf. Jz 11,29; Sansão – cf. Jz 14,6), sobre os reis (Saul – cf. 1 Sm 11,6; David – cf. 1 Sm 16,13), sobre os profetas (cf. Maria, a profetisa irmã de Aarão – cf. Ex 15,20; os anciãos de Israel – cf. Nm 11,25-26; Ezequiel – cf. Ez 2,1; 3,12; o Trito-Isaías – cf. Is 61,1), a fim de que eles pudessem ser uma presença eficaz da salvação de Deus no meio do mundo. A “sombra” ou “nuvem” leva-nos também à “coluna de nuvem” (cf. Ex 13,21) que acompanhava a caminhada do Povo de Deus em marcha pelo deserto, indicando o caminho para a Terra Prometida da liberdade e da vida nova. A questão é a seguinte: apesar da fragilidade de Maria, Deus vai, através dela, fazer-Se presente no mundo para oferecer a salvação a todos os homens.

O relato termina com a resposta final de Maria: “eis a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra”. Afirmar-se como “serva” significa, mais do que humildade, reconhecer que se é um eleito de Deus e aceitar essa eleição, com tudo o que ela implica – pois, no Antigo Testamento, ser “servo do Senhor” é um título de glória, reservado àqueles que Deus escolheu, que Ele reservou para o seu serviço e que Ele enviou ao mundo com uma missão (essa designação aparece, por exemplo, no Deutero-Isaías – cf. Is 42,1; 49,3; 50,10; 52,13; 53,2.11 – em referência à figura enigmática do “servo de Jahwéh”). Desta forma, Maria reconhece que Deus a escolheu, aceita com disponibilidade essa escolha e manifesta a sua disposição de cumprir, com fidelidade, o projeto de Deus.

O testemunho de Maria é um testemunho questionante, que nos interpela fortemente… Que atitude assumimos diante dos projetos de Deus: acolhemo-los sem reservas, com amor e disponibilidade, numa atitude de entrega total a Deus, ou assumimos uma atitude egoísta de defesa intransigente dos nossos projetos pessoais e dos nossos interesses egoístas?

É possível alguém entregar-se tão cegamente a Deus, sem reservas, sem medir os prós e os contras? Como é que se chega a esta confiança incondicional em Deus e nos seus projetos? Naturalmente, não se chega a esta confiança cega em Deus e nos seus planos sem uma vida de diálogo, de comunhão, de intimidade com Deus. Maria de Nazaré foi, certamente, uma mulher para quem Deus ocupava o primeiro lugar e era a prioridade fundamental. Maria de Nazaré foi, certamente, uma pessoa de oração e de fé, que fez a experiência do encontro com Deus e aprendeu a confiar totalmente n’Ele. 

Os que temem o Senhor são justificados e as suas boas obras brilham como a luz


Não procures granjear a amizade de alguém por meio da adulação, nem permitas que outros por meio dela granjeiem a tua. Não sejas ousado nem arrogante; submete-te e não te imponhas; conserva a serenidade e aceita de boa mente as advertências e com paciência as repreensões. Se alguém te repreender com razão, reconhece que é para teu bem; se o faz sem motivo, admite que é com boa intenção. Não temas as palavras ásperas, mas sim as brandas. Emenda-te dos teus defeitos e não sejas curioso indagador ou severo censor dos alheios; corrige os outros sem incriminação, prepara a advertência com mostras de sincera simpatia, e ao erro dá facilmente desculpa.

Não exaltes nem humilhes pessoa alguma. Sê discreto a respeito do que ouves dizer e acolhedor benévolo dos que te querem ouvir. Responde prontamente a quem te pergunta e cede facilmente a quem porfia, para que não venhas a cair em contendas e imprecações.

Se és moderado e senhor de ti mesmo, vigia sobre as moções do teu ânimo e os impulsos do teu corpo, evitando todas as inconveniências; não os ignores pelo facto de serem ocultos; pois não importa que ninguém os veja, se tu de facto os vês. 

Sê flexível, mas não leviano; constante, mas não teimoso. A tua ciência não seja ignorada nem molesta. Considera a todos iguais a ti; não desprezes os inferiores com altivez, e não temas os superiores, se vives rectamente. Em matéria de obséquios e saudações não te dispenses nem os exijas. Para todos deves ser afável; para ninguém, adulador; com poucos, familiar; para todos, justo. 

Sê mais severo no discernimento do que nas palavras e mais nobre na vida do que na aparência. Afeiçoa-te à clemência e detesta a crueldade. Quanto à boa fama, não apregoes a tua nem invejes a alheia. Sobre rumores, crimes e suspeitas não sejas crédulo nem inclinado a pensar mal, mas opõe-te decididamente àqueles que com aparente simplicidade maquinam a difamação alheia.

Sê tardo para a ira e fácil para a misericórdia; firme nas adversidades, prudente e moderado nas prosperidades; ocultador das próprias virtudes, como outros o são dos vícios. Evita a vanglória e não busques o reconhecimento das tuas qualidades. 

A ninguém desprezes por ignorante. Fala pouco, mas tolera pacientemente os faladores. Sê sério mas não desumano, e não menosprezes as pessoas alegres.

Sê desejoso da sabedoria e dócil. Sem presunção, ensina o que sabes a quem to pedir; e sem disfarçar a ignorância, pede que te ensinem o que não sabes.


Do Opúsculo «Fórmula de vida honesta», de São Martinho de Dume, bispo
(Cap. 3: PL 72, 26) (Sec. VI)

Por que Turim, na Itália, é conhecida como a “cidade de Satanás”?


Existe uma cidade de Satanás? Há quem diga que sim e até a identifique com todas as letras: Turim, no norte da Itália.

A capital da região do Piemonte leva o rótulo de “cidade do diabo” por pelo menos três motivos:

1) COVIL DE SATANISTAS

No período 1850-1870, dentro do “Risorgimento” italiano, o governo do Piemonte se mostrou extraordinariamente tolerante com todas as formas de religiosidade não católicas ou anticatólicas que considerava úteis contra a Igreja de Roma. O Piemonte, e Turim especialmente, viram naqueles anos uma tolerância única na Europa em relação a movimentos ocultistas.

Após a tomada de Roma em 1870, porém, as motivações piemontesas para essa tolerância deixam de existir, e, em 1890, com o assim chamado “processo das sonâmbulas”, a polícia e o poder judiciário de Turim dão claro sinal de que os tempos dourados acabaram para a livre prática das “artes negras” na cidade.

As sonâmbulas eram mulheres com problemas mentais manipuladas por indivíduos sem escrúpulos conhecidos como “magnetizadores”. As “sonâmbulas”, hipnotizadas, obedeciam às suas ordens e, quando acordavam, não se lembravam de mais nada (cf. http://www.torinocuriosa.it).

A Igreja de Satanás

Em 1968, Turim é uma cidade-laboratório para os protestos de estudantes e trabalhadores, marcada pela presença de várias formas de anticlericalismo e por uma espécie de maçonaria “marginal”, repudiada pelas grandes lojas maçônicas e focada em ocultismo e “magia sexual”. É nesse ambiente que as notícias dos jornais sobre a existência de satanistas na Califórnia e em outros lugares do exterior despertam curiosidade.

Um primeiro grupo de pessoas, que gravitam em torno à “maçonaria marginal” ocultista, entra em contato com a Igreja de Satanás da Califórnia e dá origem à Igreja de Satanás de Turim. Entre o final da década de 1960 e o início dos anos 1970, a seita cresce discretamente, sem nunca exceder, porém, o número de cem membros.

São Sabas


Nascido em 439 na Capadócia e filho de uma família bárbara convertida ao cristianismo, Sabas teve uma infância difícil. A disputa dos parentes por sua herança o levou a procurar ajuda num mosteiro, onde foi acolhido apesar de ser ainda uma criança. Apesar de pouca instrução tornou-se um sábio na doutrina cristã. 

Foi monge na solidão e experimentou também a vida comunitária. Dividiu tudo o que herdou entre os cristãos pobres e doentes. Trabalhou na conversão de seus conterrâneos e ajudando os cristãos perseguidos em sua pátria. Era caridoso e valente. 

Fundou uma comunidade monástica na Palestina, onde anos mais tarde seria erguido o Mosteiro de São Sabas. A fama dos prodígios e também a grande sabedoria sobre a doutrina de Cristo, fizeram essa comunidade crescer muito. A eloquência da sua pregação do Evangelho atraia cada vez mais os pagãos à conversão. 

Morreu em 05 de dezembro de 532, na Palestina, aos noventa e três anos de idade. Santo Sabas está presente na relação dos grandes sacerdotes fundadores do monaquismo da Palestina. 

A vida monástica alimenta a Igreja desde tenra idade. Muitos monges e monjas santas ofereceram sua vida para o crescimento da fé. A vida comunitária dos monges era um reflexo da vida dos primeiros cristãos, que tudo deixavam para estar integralmente ao lado de Jesus. Rezemos hoje pelos monges e mojas espalhados pelo mundo afora.



Deus de Amor, cuja Providência conduz a história humana, daí-nos receber de Santo Sabas a coragem e a caridade necessárias para levar as pessoas a Boa Nova do Vosso Filho Jesus. Criai em nós um coração puro e um espírito missionário, que responda com fidelidade ao seu chamado de amor.

domingo, 4 de dezembro de 2016

E agora Fidel? - Uma reflexão sobre a morte.


Padre José Fortea, Exorcista espanhol, escreveu a alguns dia atrás o que acredito ser uma das mais coerentes reflexões de tudo o que ouvi e li durante estes tempos sobre a morte de Fidel Castro.

E achei importante publica – lá, pois precisa nos levar a uma profunda reflexão sobre a nossa vida, e também sobre a morte e a Eternidade. Pois nascemos para a Eternidade, mas a nossa Eternidade poderá ser uma 
Eternidade com Deus, ou uma Eternidade sem Deus. E diante de algumas tragédias que também aconteceram aqui no Brasil, vi muitas pessoas nas Redes Sociais comovidas, sendo solidarias, rezando e de alguma forma fazendo sua homenagem aqueles que se foram, e também aos seus familiares. Isso é bonito, pois mostra a compaixão do nosso povo, e aponta para nós uma forma de caridade diante de tanta indiferença que temos visto por ai!

Mas também vi diante destes fatos dolorosos que aconteceram, muitas pessoas publicarem desenhos destas pessoas já no céu, sendo recebidas no céu, recebendo medalhas no céu e coisas do tipo…

Refleti a respeito disso, e confesso que causou em mim uma certa preocupação, como se ganhar a Salvação fosse algo simples que bastasse sermos “bonzinhos” e pronto; poderíamos ganhar o céu!

Mas na Palavra de Deus, o Senhor nos mostra sempre que há dois caminhos a seguir:
 Um que nos levará a Vida e outro que nos levará a Morte. Jesus não foi simplista ao falar da condenação eterna, e nem maquiou o Inferno como algo quase impossível de acontecer!

Entrar no mérito se alguém foi salvo ou não, certamente não compete a nós isso! Saber se no ultimo suspiro tiveram ou não a possibilidade de se arrependerem, também não poderemos nunca afirmar. Mas certamente se seguirmos a Palavra de Deus e a Doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana, veremos indicativos de como andarmos nos caminhos de Deus e a forma de realizarmos a Sua vontade, e a clareza de que a condenação eterna é real, e por isso precisamos lutar para ganharmos o Céu!

Por isso achei tão edificante esta reflexão que o Padre Fortea nos trouxe sobre a morte de Fidel Castro e as manifestações que foram feitas sobre o mesmo.

Uma voz clama no deserto


Uma voz clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas do nosso Deus. Declara abertamente o profeta Isaías que não é em Jerusalém, mas no deserto, que se há de realizar esta profecia, isto é, a manifestação da glória do Senhor e o anúncio da salvação para toda a humanidade. 

E tudo isto se cumpriu historicamente e à letra, quando João Baptista pregou o advento salvador de Deus no deserto do Jordão, onde se manifestou a salvação de Deus. De fato, Cristo manifestou-Se e a sua glória apareceu claramente a todos, quando, depois do seu batismo, se abriram os céus e o Espírito Santo, descendo em forma de pomba, repousou sobre Ele, enquanto se ouvia a voz do Pai que dava testemunho de seu Filho: Este é meu Filho muito amado: escutai-O. 

Tudo isto se dizia, porque Deus havia de vir ao deserto, intransitável e inacessível desde sempre, que era a humanidade. Com efeito, todo o gênero humano era um deserto totalmente fechado ao conhecimento de Deus, e nele não podiam entrar os justos de Deus e os Profetas. 

É por isso que aquela voz manda abrir o caminho para o Verbo de Deus e aplanar seus obstáculos e asperezas, a fim de que o nosso Deus possa entrar quando vier. Preparai o caminho do Senhor. É esta a pregação evangélica e a nova consolação, que quer fazer chegar ao conhecimento de todos os homens a salvação de Deus. 

Sobe ao vértice do monte elevado, tu que anuncias a boa nova a Sião. Ergue vigorosamente a tua voz, tu que anuncias a boa nova a Jerusalém. Estas expressões dos Profetas conciliam- se muito bem com as palavras anteriormente referidas à missão dos Evangelistas; depois de se ter falado da voz que clama no deserto, faz-se alusão aos imediatos anunciadores do advento de Deus aos homens. A profecia de João Batista segue coerentemente a menção dos Evangelistas. 

Qual é esta Sião, senão a que antes foi chamada Jerusalém? Também aquela era um monte, como afirma a Escritura quando diz: O monte Sião onde habitais. Diz também o Apóstolo: Aproximastes-vos do monte Sião. Não será acaso uma alusão ao coro dos Apóstolos, escolhido dentre o primitivo povo da circuncisão? 

É esta Sião e Jerusalém que recebeu a salvação de Deus e que foi edificada sobre o monte de Deus, isto é, sobre o Unigênito Verbo do Pai. É a esta que Deus manda subir ao alto do monte para anunciar a palavra da salvação. Quem é que leva a Boa Nova senão o coro dos Apóstolos, que proclamam o Evangelho? Que significa levar a Boa Nova? Pregar a todos os homens, e em primeiro lugar às cidades de Judá, a vinda de Cristo à terra.


Dos Comentários de Eusébio de Cesareia, bispo, sobre o profeta Isaías

(Cap. 40: PG 24, 366-367) (Sec. IV)

As Sagradas Escrituras e a nossa vida espiritual


Antes de meditar sobre a importância das Sagradas Escrituras para a nossa vida espiritual, é importante assinalar qual o seu lugar na vida da própria Igreja.

Santo Agostinho recorda que a missão dos bispos, que pastoreiam o rebanho de Cristo, é meditar a Palavra de Deus e ensiná-la ao povo. Para tanto, é importante que eles se debrucem sobre as Sagradas Escrituras, alimentando-se primeiramente a si mesmos, já que “verbi Dei enim inanis est forinsecus praedicator, qui non est intus auditor – em vão prega a Palavra de Deus exteriormente quem não a escuta interiormente” [1].

São João Crisóstomo, em sua obra sobre o sacerdócio, indicando o que a Igreja deve fazer em tempos de crise, escreve:

“Ou, por acaso, não sabes que este Corpo (Místico de Cristo) está exposto a maior número de doenças e perigos do que a nossa carne mortal; que ele mais fácil e rapidamente se corrompe e mais lentamente sara? Para o nosso corpo carnal os médicos já inventaram vários remédios, confeccionaram diversos instrumentos e prepararam alimentos salutares para os doentes. Muitas vezes até basta mudança de ar para recuperar a saúde. Acontece até que só um sono profundo dispensa maiores cuidados do médico. Aqui, porém, não se pode empregar nada disso; aqui, fora o bom exemplo, existe um único meio e um único caminho, isto é o aconselhamento pela palavra.

Este é o instrumento adequado, é o alimento certo, o ar salutar; é a palavra que representa remédio, fogo e ferro. É dela que se deve fazer uso quando se tornar necessário cortar e queimar. E onde a palavra nada conseguir, todas as outras coisas também não têm valor. Com a palavra levantamos a alma caída, tranqüilizamos a irritada. Pela palavra removemos eventuais excrescências da alma, acrescentamos o que falta, providenciando, desta maneira, tudo o que possa ser proveitoso para o seu bem-estar.

Encontrando alguém com vida perfeita, o exemplo dele poderá conseguir despertar o zelo e a vontade de imitá-lo; se, porém, encontrarmos alguma alma adoentada por falsas doutrinas de fé, tornar-se-á necessário o emprego intensivo da palavra, não só para a segurança da própria fé, mas também para a defesa da mesma contra os ataques inimigos de fora. Pois se alguém estivesse armado com a espada da inteligência e o escudo da fé de tal maneira que conseguisse praticar milagres, tapando com eles a boca dos insolentes e atrevidos, não necessitaria do auxílio da palavra. Ainda assim o poder da palavra de maneira alguma seria inútil, mas antes de grande proveito. O próprio Paulo serviu-se dela, apesar de provocar admiração geral com seus milagres. Ainda outro apóstolo nos recomenda o emprego da palavra dizendo: Estai sempre prontos a defender-vos contra quantos exigirem justificativas da esperança que há em vós.

Pelo mesmo motivo os apóstolos entregaram o cuidado das viúvas a Estêvão e seus colegas, para poderem dedicar-se eles mesmos, mais assiduamente, ao ministério da palavra. Entretanto, não precisaríamos dedicar tanto esforço ao ministério da palavra se ainda possuíssemos o dom de praticar milagres. Já que deste dom não nos restou nem vestígio, ao passo que os inimigos nos atacam continuamente e de todos os lados, vemo-nos na necessidade de armar-nos com a palavra, quer para defender-nos dos ataques dos inimigos, quer para nós atacarmos a eles.” [2]

Em tempos de crise, portanto, nada é mais importante que “o aconselhamento pela palavra”. Porque o que verdadeiramente move o ser humano é a verdade.