Tornou
lugar-comum dizer que estamos mergulhados numa profunda crise política, com
graves reflexos na economia e na vida social, a saber: desaceleração da
atividade econômica, aumento do desemprego e perplexidade da população diante
do futuro do país.
Estamos
sim vivendo aguda crise política, que se agrava à medida que o tempo avança e
não se vislumbram caminhos para solucioná-la. Infelizmente, neste momento
em que mais se precisa da política e de políticos, há um descrédito geral em
relação a ambos. A política perdeu o valor intrínseco de seu significado
semântico, isto é, de verdadeira vocação a serviço da comunidade. Deixou de
ser, como afirma Paulo VI a forma mais elevada da caridade, para tornar-se mero
instrumento de busca de poder e de interesse pessoal ou de grupos, pautado pelo
amoral princípio maquiavélico de que “o fim justifica os meios”. Uma das
consequências naturais da adoção desse princípio é a corrupção.
Perante
tal situação, não é de estranhar o crescente desencanto pela política e pelos
políticos e, igualmente, a descrença na democracia devido ao não cumprimento de
promessas feitas nas campanhas eleitorais, de uma vida melhor e mais justa para
os cidadãos.
Estamos
diante de uma crise insolúvel? Não, se dela, extrairmos lições positivas para a
reabilitação de nossas práticas políticas.
De
pronto, para enfrentar a crise, temos de considerar que, no regime democrático,
o objetivo maior da política é a procura do bem comum, que deve ser perseguido
por todos – políticos e cidadãos -, nas diferenças de programas partidários e
de projetos de governo concretos e realizáveis, sem que se ceda às fáceis e
alienantes tentações populistas. Dessa forma, esperamos que nossos políticos,
agora mais do que nunca, sejam capazes de colocar o bem comum acima de
interesses particulares.