domingo, 25 de dezembro de 2016

Deus se fez pequeno e próximo


O anúncio do nascimento de Jesus, que os pastores recebem, revela a grandeza e, ao mesmo tempo, a simplicidade do maior acontecimento da história, que devem encontrar a partir de um “sinal” (cf. Lc 2,11): “Encontrareis um recém-nascido envolto em faixas e deitado numa manjedoura.” (Lc 2,12). Todo o esplendor do Natal se resume no fato que Deus se fez pequeno e próximo. Naquele tempo, como hoje, passa quase despercebido aos olhos humanos e segundo a lógica das notícias relevantes. “E não havia lugar para eles na sala” (Lc2,7). Perdidos entre tantas ocupações e preocupações “veio para o que era seu e os seus não o receberam” (Jo 1,11). Haverá lugar para uma manjedoura, com uma pequena imagem do Menino Jesus, nos ambientes e vidas saturadas pelo Papai Noel? 

Fez-se pequeno. “A Palavra eterna fez-se pequena; tão pequena que cabe numa manjedoura. Fez-se criança, para que a Palavra possa ser compreendida por nós” (Bento XVI). Este menino tão normal e frágil é o Emanuel, o Deus-conosco. O anúncio aos pastores diz: “nasceu-vos hoje o Salvador, que é o Messias, o Senhor.” (Lc 2,11). Ninguém o teria imaginado assim. Fugiu a todas as expectativas da chegada do Messias. Foi prometido por Deus, anunciado pelos profetas e esperado com ânsia por todos, sobretudo por Maria, sua Mãe. Tão pequeno, tão frágil, totalmente sujeito aos cuidados de Maria e José. Como haverá de apresentar-se ao mundo como Messias? Desde seu nascimento aprendemos que a onipotência  de Deus se manifesta na sua misericórdia. Deus assume um rosto humano. Ele pode ser visto, ser tocado. Comunica-se conosco com palavras humanas. Sem deixar de ser Deus, faz-se um de nós e vive como nós. Prova a alegria e o sofrimento. Isto tudo porque Deus é unicamente movido pelo amor, qual Bom Pastor que se inclina sobre a humanidade ferida.  Então, não cremos num Deus distante e indiferente, nem somente em belas teorias, mas no “Verbo que se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Sua vida e seu jeito de ser é o evangelho para a humanidade, que fixa o olhar nele para buscar sentido para viver.  São Paulo dirá que “Ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens.” (Fl 2, 6). O Natal nos ajude a nos esvaziarmos de nossas pretensões de grandeza e poder. Esvazie o orgulho que incha, fere e afasta. Esvazie nossa ânsia de “consumistas desenfreados” (Papa Francisco). Ao contemplar o nascimento de Jesus, dizia Santa Terezinha: “Não posso temer um Deus que se fez tão pequeno por mim. [...] Eu o amo!” 

Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo


Hoje é um dia especial, onde toda a Igreja celebra o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Acompanhemos o testemunho da Palavra de Deus a respeito deste acontecimento que transformou a história da humanidade:

“…José subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, para se alistar com a sua esposa Maria, que estava grávida. Estando eles ali, completaram-se os dias dela. E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria. Havia nos arredores uns pastores, que vigiavam e guardavam seu rebanho nos campos durante as vigílias da noite. Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram grande temor. O anjo disse-lhes: ‘Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor’.” (Lc 2,4-11).

Por isso hoje celebramos a eterna solidariedade do Pai das Misericórdias que, no seu plano de amor, quis o nascimento de Jesus, que é o verdadeiro Sol, a Luz do mundo. Este não é um dia de medo e nem de desespero, é dia de confiança e de esperança, pois Deus veio habitar no meio de nós, e assim encher-nos da certeza de que é possível um mundo novo. Solidário conosco, Ele nos quer solidários neste dia de Glória que refulge ao redor de cada um de nós!

Sendo assim, tudo neste dia só tem sentido se apontar para o grande aniversariante deste dia: o Menino Deus! Presépios, árvores, enfeites, banquetes e os presentes natalícios representam os presentes que os Reis Magos levaram até Jesus, mas não são estes símbolos a essência do Natal. O importante, o essencial, é que Cristo realmente nasça em nossos corações de uma maneira nova, renovadora, e que a partir daí, possamos sempre caminhar na sua luz solidária deste Deus Único e Verdadeiro, que nos quer também solidários uns com os outros!

Vivamos com muita alegria este dia solidário, que o Senhor fez para nós! Um Santo Natal para você e para a sua família!


Menino Santo, que vieste ao mundo para nos salvar,estamos reunidos para agradecer o dom e a graça de sermos família.Em torno desta mesa queremos que nossa vida seja partilha.

Neste ano que passou, procuramos viver a harmonia e a concórdia, mas nem sempre conseguimos, confessamos que somos limitados,que temos nossos pecados.

Hoje, queremos celebrar o perdão, sabemos que a vida é muito curta, não queremos perder tempo cultivando as intrigas e as inimizades. Por isso, perdoamos a todos os que nos ofenderam e suplicamos o perdão de todos a quem ofendemos.

Menino Deus, pedimos também por todos os que não estão aqui hoje, nossos amigos e parentes, inclusive por aqueles que partiram para nunca mais voltar, que sejam todos abençoados.

Expulsa deste lar e de nossas vidas, tudo aquilo que não provém de ti.Purifica nossas almas para que esta festividade nos transforme em criaturas melhores.E que sempre, em toda circunstância, saibamos reconhecer tua divindade e poder. Que nossa família jamais se afaste de ti.

Louvamos e rendemos graças por cada um aqui presente,Suas histórias e conquistas.Senhor, nos propomos construir uma história de amor verdadeira entre nós.

Que no ano que se aproxima possamos todos viver em unidade, sem divisões.Nossa família, Senhor, quer que tua santa vontade se realize em cada um de nós. Queremos nos consagrar a teu serviço.

Bem-vindo à nossa casa, Santo menino, nasce aqui e agora, Faz de nós o teu presépio. Amém!

sábado, 24 de dezembro de 2016

É Natal!


Eis o mistério da festa do Natal: nesta criança nascida para nós, Deus visitou o Seu povo, Deus entrou na humanidade! Que mistério tão profundo: Ele, sem deixar de ser Deus, tornou-se homem verdadeiramente. Veio desposar a nossa condição humana, veio caminhar pelos nossos caminhos, veio experimentar a dor e a alegria de viver humanamente: amou com um coração humano, sonhou sonhos humanos, chorou lágrimas humanas, sentiu a angústia humana… Ele, Filho eterno do Pai, tornou-Se filho dos homens para salvar toda a humanidade, “tornou-se de tal modo um de nós, que nós nos tornamos eternos”!

Hoje, cumpriram-se as Escrituras: o Dia tão esperado brilhou no meio da noite. Hoje, “o povo, que andava na treva”, a humanidade perdida e confusa, “viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte”, para nós, que temos sempre de lutar contra tantas e tantas mortes, “uma luz resplandeceu”! Nesta Noite Santa, podemos comemorar, alegrarmo-nos como os que colhem depois do trabalho e do suor do plantio, por que algo inacreditável, algo que parece um sonho, um conto de fadas, nos aconteceu! Escutai, escutai: “Nasceu para nós um Menino, foi-nos dado um Filho; Ele traz nos ombros a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é: Conselheiro Admirável, Deus Forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da Paz. Grande será o seu reino e a paz não há de ter fim… a partir de agora e por todo sempre”! Eis a graça, a glória, o mistério desta Noite!

A Liturgia não evoca apenas os mistérios de Cristo, mas vive-os no presente. Cristo manifesta-se hoje, quando a Igreja, reunida, comemora os mistérios de Sua presença na história. Importa, pois, viver o nascimento de Cristo; importa ver como Cristo continua a nascer e manifestar-Se em nós e nos outros hoje. 

É preciso fazer-se pequenino para encontrar Jesus, diz Papa


HOMILIA
Santa Missa da noite na solenidade do Natal do Senhor
Sábado, 24 de dezembro de 2016


«Manifestou-se a graça de Deus, portadora de salvação para todos os homens» (Tt 2, 11). Estas palavras do apóstolo Paulo revelam o mistério desta noite santa: manifestou-se a graça de Deus, o seu presente gratuito; no Menino que nos é dado, concretiza-se o amor de Deus por nós.

É uma noite de glória, a glória proclamada pelos anjos em Belém e também por nós hoje em todo o mundo. É uma noite de alegria, porque, desde agora e para sempre, Deus, o Eterno, o Infinito, é Deus conosco: não está longe, não temos de O procurar nas órbitas celestes nem em qualquer ideia mística; está próximo, fez-Se homem e não Se separará jamais desta nossa humanidade que assumiu. É uma noite de luz: a luz, profetizada por Isaías e que havia de iluminar quem caminha em terra tenebrosa (cf. 9, 1), manifestou-se e envolveu os pastores de Belém (cf. Lc 2, 9).

Os pastores descobrem, pura e simplesmente, que «um menino nasceu para nós» (Is 9, 5) e compreendem que toda aquela glória, toda aquela alegria, toda aquela luz se concentram num único ponto, no sinal que o anjo lhes indicou: «Encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12). Este é o sinal de sempre para encontrar Jesus; não só então, mas hoje também. Se queremos festejar o verdadeiro Natal, contemplemos este sinal: a simplicidade frágil dum pequenino recém-nascido, a mansidão que demonstra no estar deitado, a ternura afetuosa das fraldas que O envolvem. Ali está Deus.

Com este sinal, o Evangelho desvenda-nos um paradoxo: fala do imperador, do governador, dos grandes de então, mas Deus não Se apresentou lá; não aparece no salão nobre dum palácio real, mas na pobreza dum curral; não nos fastos ilusórios, mas na simplicidade da vida; não no poder, mas numa pequenez que nos deixa surpreendidos. E, para O encontrar, é preciso ir aonde Ele está: é preciso inclinar-se, abaixar-se, fazer-se pequenino. O Menino que nasce interpela-nos: chama-nos a deixar as ilusões do efêmero para ir ao essencial, renunciar às nossas pretensões insaciáveis, abandonar aquela perene insatisfação e a tristeza por algo que sempre nos faltará. Far-nos-á bem deixar estas coisas, para reencontrar na simplicidade de Deus-Menino a paz, a alegria, o sentido da vida.

Deixemo-nos interpelar pelo Menino na manjedoura, mas deixemo-nos interpelar também pelas crianças que, hoje, não são reclinadas num berço nem acariciadas pelo carinho duma mãe e dum pai, mas jazem nas miseráveis «manjedouras de dignidade»: no abrigo subterrâneo para escapar aos bombardeamentos, na calçada duma grande cidade, no fundo dum barco sobrecarregado de migrantes. Deixemo-nos interpelar pelas crianças que não se deixam nascer, as que choram porque ninguém lhes sacia a fome, aquelas que na mão não têm brinquedos, mas armas. 

Natal perene!


“Transcorridos muitos séculos desde que Deus criou o mundo e fez o homem  à sua imagem; - séculos depois de haver cessado o dilúvio, quando o Altíssimo fez resplandecer o arco-íris, sinal de aliança e de paz; - vinte e um séculos depois do nascimento de Abraão, nosso pai; - treze séculos depois da saída de Israel do Egito, sob a guia de Moisés; - cerca de mil anos depois da unção de Davi, como rei de Israel; - na septuagésima quinta semana da profecia de Daniel; - na nonagésima quarta Olimpíada de Atenas; - no ano 752 da fundação de Roma; - no ano 538 do edito de Ciro, autorizando a volta do exílio e a reconstrução de Jerusalém; - no quadragésimo segundo ano do império de César Otaviano Augusto, enquanto reinava a paz sobre a terra, na sexta idade do mundo: JESUS CRISTO DEUS ETERNO E FILHO DO ETERNO PAI, querendo santificar o mundo com a sua vinda, foi concebido por obra do Espírito Santo e se fez homem; transcorridos nove meses, nasceu da Virgem Maria, em Belém de Judá. Eis o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo a natureza humana. Venham, adoremos o Salvador! Ele é Emanuel, Deus Conosco”.

Este é o solene anúncio oficial do Natal, feito pela Igreja na primeira Missa da noite de Natal!

O Natal é a primeira festa litúrgica, o recomeçar do ano religioso, como a nos ensinar que tudo recomeçou ali. O nascimento de Jesus foi o princípio da revelação do grande mistério da Redenção que começava a se realizar e já tinha começado na concepção virginal de Jesus, o novo Adão. Deus queria que o seu projeto para a humanidade fosse reformulado num novo Adão, já que o primeiro Adão havia falhado por não querer se submeter ao seu Senhor, desejando ser o senhor de si mesmo e juiz do bem e do mal. Assim, Deus enviou ao mundo o seu próprio Filho, o Verbo eterno, por quem e com quem havia criado todas as coisas. Esse Verbo se fez carne, incarnou-se no puríssimo seio da Virgem, por obra do Espírito Santo, e começou a ser um de nós, nosso irmão, Jesus. Veio ensinar ao homem como ser servo de Deus. Por isso, sendo Deus, fez-se em tudo semelhante a nós, para que tivéssemos um modelo bem próximo de nós e ao nosso alcance. Jesus é Deus entre nós, o “Emanuel – Deus conosco”, a face da misericórdia do Pai.  

A origem da Missa do Galo


Para celebrar o nascimento de Jesus, a Missa do Galo foi instituída no século V, após o Concílio de Éfeso (431 d.C.), começando a ser celebrada, oficialmente, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, pelo o papa Sisto III.

É celebrada à meia-noite do dia 24 de dezembro. O galo foi escolhido como símbolo desta celebração porque, histórica e tradicionalmente, representa vigilância, fidelidade e testemunho cristão.

Nos primeiros séculos, as vigílias festivas eram dias de jejum. Os fiéis reuniam-se na igreja e passavam a noite rezando e cantando. A Igreja era toda iluminada com lâmpadas de azeite e com tochas.

Na tradição católica cristã, todas as velas do Advento são acesas na Missa do Galo, para celebrar solenemente o nascimento do Messias, Jesus Cristo: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade”!

O Natal é a única celebração do calendário litúrgico que contempla três celebrações Eucarísticas, mas a da noite reúne os aspectos históricos e humanos do nascimento de Cristo.

Hoje, tradicionalmente, depois da missa, as famílias voltam para suas casas, colocam a imagem do Menino Jesus no Presépio, realizam cânticos e orações em memória do Messias, filho de Deus, e confraternizam-se e compartilham a Ceia de Natal, com eventual distribuição de presentes. 

4ª Pregação do Advento 2016: “Encarnado por obra do Espírito Santo através da Virgem Maria”.


ENCARNADO POR OBRA DO ESPÍRITO SANTO
ATRAVÉS DA VIRGEM MARIA

1. Natal, um mistério "para nós"

Continuando nossas reflexões sobre o Espírito Santo, e dada a iminência do Natal, meditemos no artigo do credo que fala da obra do Espírito Santo na Encarnação. No credo, dizemos: "Para nós, homens e para a nossa salvação, desceu do céu, e pelo Espírito Santo se encarnou da Virgem Maria e se fez homem".

Santo Agostinho distinguiu duas maneiras de celebrar um evento na história da salvação: como um mistério (em Sacramento) ou como um simples aniversário. Na celebração de um aniversário, disse ele, precisamos apenas "indicar com uma solenidade religiosa o dia do ano em que a lembrança do próprio evento ocorre". Na celebração de um mistério, no entanto, "não só é a Comemorado, mas o fazemos de maneira que seu significado para nós seja compreendido e recebido devotadamente".

O Natal não é uma celebração na categoria de um aniversário. (Como sabemos, a escolha de 25 de dezembro como data foi escolhida por razões simbólicas e não históricas.) É uma celebração na categoria de um mistério que precisa ser entendida em termos de seu significado para nós. S. Leão, o Grande, já havia destacado o significado místico do "sacramento da Natividade de Cristo", dizendo: "Assim como fomos crucificados com ele em sua paixão, ressuscitados com Ele na sua ressurreição... Assim também nós nascemos junto com ele em sua Natividade."

A base de tudo isso é o acontecimento bíblico realizado de uma vez por todas em Maria: a Virgem se tornou a Mãe de Jesus pela ação do Espírito Santo. Este mistério histórico, como todos os eventos da salvação, é estendido num nível sacramental na Igreja e num nível moral na vida do crente individual. Maria, como a Virgem Mãe que gera Cristo pelo Espírito Santo, aparece como o "tipo", ou exemplar perfeito, da Igreja e do crente. Vamos ouvir um autor na Idade Média, o beato Isaac de Stella, resumir o pensamento dos Padres, a este respeito: 

Maria e a Igreja são uma mãe, ainda mais do que uma mãe; Uma virgem, mas mais do que uma virgem. Ambas são mães, ambas são virgens... Nas Escrituras inspiradas, o que é dito num sentido universal da Virgem Mãe, a Igreja, é entendido em um sentido individual da Virgem Maria... De certo modo, também se acredita que todo cristão é noiva da Palavra de Deus, mãe de Cristo, sua filha e irmã, ao mesmo tempo virginal e frutífera. 


Esta visão patrística foi trazida à luz pelo Concílio Vaticano II nos capítulos da constituição Lumen gentium dedicada a Maria. Em três parágrafos separados, o documento fala da Virgem Maria como modelo exemplar e modelo da Igreja (n. 63), que também é chamada a virgem e mãe na fé (n. Crente que, imitando a virtude de Maria, dá à luz e permite a Jesus crescer em seu coração e no coração de irmãos e irmãs (nº 65).

2. "Pelo Espírito Santo"

Vamos meditar ao lado sobre o papel de cada um dos dois protagonistas, o Espírito Santo e Maria, para buscar inspiração para o nosso próprio Natal. St. Ambrosio escreve: 

O nascimento da Virgem é a obra do Espírito... Não podemos duvidar que o Espírito é o Criador que conhecemos como o Autor da Encarnação do Senhor... Se a Virgem concebeu com Sua operação e poder do Espírito, quem negará o Espírito como Criador? 

Neste texto, Ambrósio interpreta perfeitamente o papel que o Evangelho atribui ao Espírito Santo na Encarnação, que o chama sucessivamente de "Espírito Santo" e "poder do Altíssimo" (Lc 1, 35). Ele é o "Espírito Criador" que age para trazer seres à existência (como em Gênesis 1,2), para criar uma nova e mais elevada forma de vida. É o Espírito que é "o Senhor, o que dá a vida", como proclamamos no mesmo credo. 

Aqui também, como no princípio, o Espírito cria "do nada", isto é, da total ausência de possibilidades humanas, sem necessidade de assistência ou apoio. E este "nada", este vazio, essa ausência de explicações e causas naturais, é chamada, neste caso, a virgindade de Maria. - Como será isso, já que não tenho marido? E o anjo lhe disse: O Espírito Santo virá sobre ti, eo poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; Por isso o filho a nascer será chamado santo, o Filho de Deus "(Lc 1, 34-35). Sua virgindade aqui é um sinal magnífico que não pode ser eliminado ou anulado sem rasgar todo o tecido do relato evangélico e seu significado. 

O Espírito que desceu sobre Maria é, então, o Espírito Criador que milagrosamente formou a carne de Cristo da Virgem. Mas há ainda mais. Além de ser o "Espírito Criador", ele é também para Maria "fons vivus, ignis, carita, / et spiritalis unctio", "fonte de vida e fogo de amor e doce unção de cima". O mistério torna-se enormemente empobrecido se Ela é reduzida apenas à sua dimensão objetiva, às suas implicações dogmáticas (dualidade da natureza, unidade da pessoa), enquanto negligencia seus aspectos subjetivos e existenciais.

São Paulo fala de "uma carta de Cristo entregue por nós, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de corações humanos" (2 Cor 3, 3). O Espírito Santo escreveu esta maravilhosa carta que é Cristo, acima de tudo, no coração de Maria, para que, como diz Agostinho, Cristo "permanecesse na mente de Maria na medida em que é verdade, foi carregado no seu ventre enquanto homem". Dizendo também: "Maria concebeu Cristo primeiro em seu coração e depois em seu corpo" (prius conceit mente quam corpore) significa que o Espírito Santo trabalhou no coração de Maria, iluminando-o e inflamando-o com Cristo antes mesmo de encher Seu ventre com Cristo.

Somente os santos e místicos que tiveram uma experiência pessoal da erupção de Deus em suas vidas podem nos ajudar a entender o que Maria deve ter experimentado no momento da Encarnação da Palavra em seu ventre. Um deles, São Boaventura, escreve:

Quando ela deu seu consentimento a ele, o Espírito Santo veio sobre ela como um fogo divino inflamando sua alma e santificando sua carne em perfeita pureza. Mas o poder do Altíssimo a ofuscou (Lucas 1:35) para que ela pudesse suportar tal fogo... Oh, se você pudesse sentir de alguma forma a qualidade e intensidade desse fogo enviado do céu, a frieza refrescante que a acompanhava, o consolo que ela proporcionava; Se você pudesse perceber a grande exaltação da Virgem Mãe, o enobrecimento da raça humana, a condescendência da majestade divina,... Então estou certo de que cantaria em tom doce com a Santíssima Virgem aquele hino sagrado: Minha alma glorifica ao Senhor.

A Encarnação foi vivida por Maria como um evento carismático do mais alto grau que fez dela o modelo de uma alma que está "resplandecente com o Espírito" (Rom 12:11). Era seu Pentecostes. Muitas das ações e palavras de Maria, especialmente no relato de sua visita a Santa Isabel, não podem ser compreendidas a menos que as vejamos à luz de uma experiência mística incomparável. Tudo que vemos operando visivelmente em alguém que é visitado pela graça (amor, alegria, paz, luz) devemos reconhecer em medida única em Maria na Anunciação. Maria foi a primeira a experimentar "a intoxicação sóbria do Espírito" de que falei na última vez, e seu "Magnificat" é a melhor evidência disso.

É, no entanto, uma intoxicação "sóbria", humilde. A humildade de Maria após a Encarnação nos parece como um dos maiores milagres da graça divina. Como Maria foi capaz de suportar o peso desse pensamento: "Você é a Mãe de Deus! Você é a mais alta de todas as criaturas!"? Lúcifer não era capaz de lidar com essa tensão de forma justa e, apanhado pela cabeça de sua própria estatura elevada, foi derrubado. Não é assim Maria. Ela permanece humilde, modesta, como se nada tivesse acontecido em sua vida para o qual ela pudesse fazer qualquer afirmação. Em certa ocasião, o Evangelho nos mostra-nos no ato de suplicar aos outros, até mesmo pela oportunidade de ver seu Filho: "Sua mãe e seus irmãos", dizem a Jesus, "estão de pé, desejando vê-lo" (Lc 8,20). 

Quando a autoridade está a serviço da impiedade


À medida que o relativismo revolucionário avança no mundo e dentro da Igreja podemos constatar o crescente distanciamento entre o que se prega em boa parte de nossas paróquias e dioceses e o que a Igreja sempre ensinou em seu magistério infalível.

A situação é verdadeira gritante, escandalosa, indignante…

É muito entristecedor ver leigos bons, que querem ser santos, que desejam viver a verdade do Evangelho tal como ensina a santa Igreja, serem rechaçados, humilhados e isolados por seus padres ou bispos, tratados como excêntricos, exagerados, radicais, como gente a ser evitada…é indignante ver como muitos desses padres e bispos usurpam de sua autoridade para massacrar suas ovelhas mais pequenas, execrando-as e pondo-as em ridículo publicamente pelo fato de estas quererem receber a SS Eucaristia de joelhos e/ou na boca.

Muitos desses senhores estufam o peito e vociferam enraivecidos mandando que se levantem os que se ajoelham para receber a Sagrada Comunhão e/ou insistem que devem receber a Sagrada Hóstia na mão. Alguns apelam para o argumento da unidade com resto da assembleia para justificar a atitude autoritária, outros acusam estes fieis de estarem ”querendo aparecer” como se fossem deuses que conhecem o íntimo dos corações… tem sido frequente muitas dessas autoridades demostrarem aversão e combater o uso do véu por parte de senhoras e jovens nas santas missas…mesmo a modéstia à qual tem aderido um número sempre maior de pessoas passou a ser alvo das críticas e oposições por parte de muitos pastores de almas. E assim tem sido com várias outras práticas de piedade às quais tem aderido nosso povo, que cada vez mais tem rejeitado esse catolicismo superficial, desfigurado pelo relativismo reinante, que desorienta e causa confusão.

O que é desconcertante nessas autoridades que combatem a piedade é a atitude conivente, quando não incentivadora, de ideias e práticas completamente incompatíveis com a Verdade do Evangelho e com o ensinamento da Igreja.

Eles não aceitam um fiel comungar de joelhos e na boca, mas dão a comunhão para mulheres com vestes imorais e sensuais, com as pernas de fora, costas peladas, parte dos peitos aparecendo… sem dizer das roupas coladas e transparentes…

São estes mesmos senhores que negam aos fiéis o direto de se ajoelharem para receber Jesus Eucarístico, mas que, desobedecendo a doutrina católica, dão a comunhão a maçons, amasiados, macumbeiros, espíritas, marxistas-comunistas, etc…

São estes que querem oprimir os fiéis sob o peso de uma autoridade esmagante para impor caprichos pessoais ou ideais contrárias ao ensinamento da Igreja, mas que não querem obedecer a mesma Igreja em matérias graves.

São esses valentes que a pretexto da ”unidade” humilham e perseguem aqueles que querem ter uma vida cristã ancorada na rica tradição católica, mas que evocando a ”diversidade” defendem um ecumenismo sem pé e sem cabeça e relativizam a doutrina católica, deturpando-a e reduzindo-a de tal forma que qualquer herege se sinta à vontade perto dela.

O povo católico que já possui ou está adquirindo um conhecimento básico de sua fé, vai percebendo a distância enorme entre a verdadeira doutrina católica ensinada pelo Magistério da Igreja e o que eles têm visto e ouvido em muitas de suas paróquias e dioceses.