quarta-feira, 1 de junho de 2016

Abracei a verdadeira doutrina dos cristãos


Aqueles homens santos foram presos e conduzidos ao prefeito de Roma, chamado Rústico. Estando eles diante do tribunal, o prefeito Rústico disse a Justino: “Em primeiro lugar, manifesta tua fé nos deuses e obedece aos imperadores”. Justino respondeu: “Não podemos ser acusados nem presos, só pelo fato de obedecermos aos mandamentos de Jesus Cristo, nosso Salvador”.

Rústico indagou: “Que doutrinas professas?” E Justino: “Na verdade, procurei conhecer todas as doutrinas, mas acabei por abraçar a verdadeira doutrina dos cristãos, embora ela não seja aceita por aqueles que vivem no erro”.

O prefeito Rústico prosseguiu: “E tu aceitas esta doutrina, grande miserável?” Respondeu Justino: “Sim, pois a sigo como verdade absoluta”.

O prefeito indagou: “Que verdade é esta?” Justino explicou: “Adoramos o Deus dos cristãos, a quem consideramos como único criador, desde o princípio, artífice de toda a criação, das coisas visíveis e invisíveis: adoramos também o Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, que os profetas anunciaram vir para o gênero humano como mensageiro da salvação e mestre da boa doutrina. E eu, um simples homem, considero insignificante tudo o que estou dizendo para exprimir a sua infinita divindade, mas reconheço o valor das profecias que previamente anunciaram aquele que afirmei ser o Filho de Deus. Sei que eram inspirados por Deus os profetas que vaticinaram a sua vinda entre os homens”.

Rústico perguntou: “Então, tu és cristão?” Justino afirmou: “Sim, sou cristão”.

O prefeito disse a Justino: “Ouve,tu que és tido por sábio e julgas conhecer a verdadeira doutrina: se fores flagelado e decapitado, estás convencido de que subirás ao céu?” Disse Justino: “Espero entrar naquela morada, se tiver de sofrer o que dizes. Pois sei que para todos os que viverem santamente está reservada a recompensa de Deus até o fim do mundo inteiro”.

O prefeito Rústico continuou: “Então, tu supões que hás de subir ao céu para receber algum prêmio em retribuição”? Justino respondeu-lhe: “Não suponho, tenho a maior certeza”.

O prefeito Rústico declarou: “Basta, deixemos isso e vamos à questão que importa, da qual não podemos fugir e é urgente. Aproximai-vos e todos juntos sacrificai aos deuses”. Justino respondeu: “Ninguém de bom senso abandona a piedade para cair na impiedade”. O prefeito Rústico insistiu: “Se não fizerdes o que vos foi ordenado, sereis torturados sem compaixão”. Justino disse: “Desejamos e esperamos chegar à salvação através dos tormentos que sofrermos por amor de nosso Senhor Jesus Cristo. O sofrimento nos garante a salvação e nos dá confiança perante o tribunal de nosso Senhor e Salvador, que é universal e mais terrível que o teu”.

O mesmo também disseram os outros mártires: “Faze o que quiseres; nós somos cristãos e não sacrificaremos aos ídolos”.

O prefeito Rústico pronunciou então a sentença: “Os que não quiseram sacrificar aos deuses e obedecer ordem do imperador, depois de flagelados, sejam conduzidos para sofrer a pena capital, segundo a norma das leis”. Glorificando a Deus, os santos mártires saíram para o local determinado, onde foram decapitados e consumaram o martírio proclamando a fé no Salvador.



Das Atas do martírio dos santos Justino e seus companheiros
(Cap.1-5: cf.PG 6, 1566-1571)             (Séc. II)

O péssimo hábito de chamar o irmão de herege


Nesse segundo artigo nosso blog traz um assunto sério: como está fácil chamar o irmão de herege hoje em dia. Fácil e absurdamente incorreto. As pessoas têm uma ideia errada do que seja heresia e fazem uso dessa gravíssima acusação de forma habitual.

Nem toda asneira que se diz ou se pratica é um pecado contra a fé da Igreja. Para um fiel católico incorrer em pecado de heresia é preciso estar diante de duas Verdades de fé e negar uma em detrimento da outra. É relativamente fácil de se compreender: estamos diante de duas Verdades aparentemente contraditórias e, para dar cabo da confusão, elegemos uma e abandonamos a outra. Aí sim negamos a fé. O fiel católico precisa aceitar todo o conteúdo do credo.

O Código de Direito Canônico, no cânon 751, esclarece: “Diz-se heresia a negação pertinaz, depois de recebido o batismo, de alguma verdade que se deve crer com fé divina e católica”. Ou seja, a fé precisa ser explicada, a pessoa precisa ser persistente no pecado e deve ser advertida. Perseverando, incorre no pecado de heresia. Só há consumação do pecado mediante a obstinação da pessoa pelo erro.

Diante do que diz o cânon, extraímos que somente fiéis cristãos podem incorrer em heresia. Pessoas não batizadas, de outras religiões ou credo, não são hereges. 

São Justino, mártir

  
Justino nasceu no ano 103. Tinha origem latina e seu pai se chamava Prisco. Ele foi educado e se formou nas melhores escolas do seu tempo, cursando filosofia e especializando-se nas teorias de Platão, um grande filósofo grego. Tinha alma de eremita e abandonou a civilização para viver na solidão. Anos mais tarde, acompanhou uma sangrenta perseguição aos cristãos, conversou com outros deles e acabou se convertendo. Foi batizado no ano 130 na cidade de Efeso, instante em que substituiu a filosofia de Platão pela verdade de Cristo. No ano seguinte estava em Roma e evangelizava entre os letrados, pois esse era o mundo onde melhor transitava. Era um missionário filósofo. Deixou muitos livros importantes cujos ensinamentos influenciaram e ainda estão presentes na catequese e na doutrina da Igreja. Seus registros fornecem importantes informações sobre ritos e administração dos Sacramentos na Igreja primitiva. Escreveu, defendeu e argumentou em favor do Cristianismo e por isto foi considerado de tal modo ilegal que foi vítima da denúncia de um filósofo pagão, o qual levou-o ao tribunal. Acabou flagelado e decapitado em 164 na cidade de Roma, junto com outros companheiros que como ele testemunharam sua fé em Cristo.

Deus eterno e todo-poderoso, que destes a São Justino a graça de lutar pela justiça até a morte, concedei-nos, por sua intercessão, suportar por vosso amor as adversidades, e correr ao encontro de vós que sois a nossa vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

terça-feira, 31 de maio de 2016

Deputado cobra posicionamento da Comissão de Direitos Humanos da AL sobre o monólogo Histórias Compartilhadas apresentado na UFC


O deputado Carlos Matos (PSDB) cobrou, no primeiro expediente da sessão plenária desta terça-feira, dia 31, esclarecimentos à Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia sobre o monólogo Histórias Compartilhadas, apresentado durante um seminário sobre gênero e sexualidade da Universidade Federal do Ceará – UFC.

O parlamentar informou que irá elaborar um requerimento solicitando que a Comissão convide a representação da UFC à Assembleia Legislativa-AL para prestar esclarecimentos sobre a peça, bem como sobre a nota publicada pelo reitor da instituição. “Queremos saber se os direitos humanos estão sendo respeitados ou não. Há fortes indícios de ofensa ao Código Penal e tal fato não pode ser acobertado ou negligenciado pela universidade”, afirmou.

Ao homem não bastou matar o Cristo


“Escrevi para ele os grandes ensinamentos da minha lei, 
mas estes foram tratados como uma coisa estranha” (Oséias 8,12).

Ao homem não bastou matar o Cristo. Ao homem, aliado ao pecado, cego pelas tentações, distorções e dissimulações do diabo o anjo caído, o príncipe deste mundo, agenciador do pecado original não bastou perseguir, agredir e matar o Cristo.

Além disso, o homem quis e quer: continuar não crendo n’Ele; ofendê-Lo, ridicularizá-Lo, blasfemar Seu nome; perseguir, ofender e ridicularizar (quando não matar) também todos aqueles que n’Ele creem, desde então. Não apenas isso, mas, também, por outro lado, “adorá-Lo” com fanatismo e violência, distorcer suas palavras e mensagens para interesses próprios e/ou maldosos, atribuir práticas humanamente rígidas (assim como discursos humanamente adoecidos) ao seu Nome Divino…

E as distorções são tantas, que o mundo do pecado, aliado ao diabo ou cegado por este, vê como se fossem certas sobre Ele todas as distorções, e vê como distorção tudo o que é certo e ortodoxo sobre Ele: pois é isso que o diabo e o pecado fazem, distorcem a mente, os olhos e o espírito dos homens, ainda não agraciados com o despertar da fé.

A fé, por sua vez, remove imediatamente (ou gradativamente) do nosso olhar as lentes distorcidas do pecado, e nos torna então (mais) aptos a perceber a presença verdadeira, libertadora e transformadora de Deus, de que passamos a cuidar e que desejamos, e a presença do pecado, que passamos rejeitar e a evitar.

As distorções se espalham, neste mundo, com muito maior rapidez e intensidade do que as percepções e coisas retas, diretas e claras. De modo que os homens não conseguem mais ver com retidão, e esta é uma consequência agradável ao diabo, pois os homens que não conseguem ver com clareza desenvolvem uma dificuldade quase cristalizada, endurecida, de enxergar a real presença de Deus na vida e reconhecê-Lo, como o Criador que ainda cuida de nós e nos orienta, cuja orientação é a Verdade, que os homens ainda tomados pela constituição do pecado rejeitam e negam e assim se tornam vulneráveis às influências malignas, obscurecedoras da vida interna e externamente. Onde seria possível ver a Verdade, eles veem mentira; e onde seria possível (e necessário) ver a mentira enquanto tal, eles aderem a ela como a mais desejável das verdades.

Sim, povo católico, vamos falar de estupro. Mas vamos falar de você também !


Todos nós ficamos horrorizados com a desgraça ocorrida em que uma menina foi violentada por mais de 30 homens. É algo gravíssimo que deve trazer preocupação a todos nós. Agora, eu diria que tão grave quanto, é a reação da nossa sociedade diante dos fatos.

Algumas feministas (as “feminazi” de sempre) se apropriaram do caso e estão aproveitando a ocasião para falar as coisas de sempre: que os homens são “opressores", “estupradores em potencial” e que “a sociedade é machista”. Tenho medo de pensar em quanto estão torcendo para que essa menina esteja grávida e tudo se torne mais um “case” de sucesso para o aborto.

Por outro lado, a galera mais liberal, apesar de entender a gravidade, coloca a garota não apenas como vítima, mas como uma das “provocadoras” do problema. Pensa em punições maiores, em castração química e, também tenho medo de pensar, parece torcer para que os supostos estupradores (supostos porque ainda não foram condenados) sejam presos e devidamente “punidos” dentro da carceragem.

Bem. O fato é que pra onde a gente olha, vê barbárie. Aliás, diante do que aconteceu, sequer importa se houve ou não um consentimento. Mas quem tem a razão? Acho que ninguém. Não tem mocinho nessa história e todas essas atrocidades me parecem o cartão de visitas de uma sociedade que não tem mais Cristo como centro e nem a família como base.

Sim. A família é a raiz do problema. Não estamos falando de um crime isolado, estamos falando de moralidade, de valores. Uma semana antes, estava vendo a mesma coisa acontecer dentro de festas mostradas pelo “Profissão Reporter” da Rede Globo: duas garotas de 14 anos faziam sexo com rapazes desconhecidos dentro de carros e uma delas ainda disse que passaria a noite na casa de um deles. Onde estão as famílias dessas pessoas? Por que permitem isso?
Não vai levar a lugar algum fazer mais leis e aprovar punições mais duras. Quem não tem capacidade crítica pra entender que não pode transar com menores de idade no carro e depois levá-las pra casa, vai medir os riscos de ser flagrado pela polícia? Aliás, que polícia? Tem polícia nesses locais? Se tem, por que nunca se fez nada? O problema não está nas leis. Temos que olhar para as pessoas.

Hóstias consagradas que foram roubadas em igreja são devolvidas, no Perú.


Por volta das 3 horas da manhã de quinta-feira de Corpus Christi, cerca de sete homens entraram com armas na Paróquia de Santa Maria, localizada na Villa Maria do Triunfo, pertencente à Diocese de Lurin, ao sul de Lima (Peru). Os assaltantes invadiram e encontraram um trabalhador que estava guardando o templo, o renderam apontando armas, e roubaram o equipamento de som e os vasos sagrados da paróquia, incluindo a chave do sacrário e duas âmbulas com o Corpo de Cristo e ainda a Hóstia Magna com a teca e o ostensório.

Conforme disse o pároco ao site InfoCatólica, o alarme foi dado quando uma menina que estava no hospital retornava para a casa em que estava hospedada na paróquia. Ao chegar ao local, a irmã que acompanhava a menina gritou e os ladrões fugiram em três veículos.

Na quinta-feira, na mesma hora em que os fiéis ​costumavam unir-se ​para realizar a adoração eucarística na paróquia, uma Missa de reparação foi celebrada, e a notícia rapidamente se espalhou através de redes sociais. Só no Facebook, em poucas horas, a publicação do pároco foi compartilhada 150 vezes, com muitas replicações secundárias. Muitos grupos no Perú e no exterior comprometeram-se a fazer correntes de oração, e o Bispo de Lurin, Monsenhor Carlos Garcia Camader, aconselhou o pároco a confiar esta situação às almas do purgatório.

Dois dias depois, às 21h, o padre recebeu um telefonema de uma mulher em seu celular pessoal. A chamada era para avisar que no domingo, no dia em que é comemorado Corpus Christi no Perú, iria alguém à paróquia para devolver as hóstias consagradas por volta das 3h da manhã, mas pediu que não houvesse ninguém na área.

Maria engrandece o Senhor que age nela




Minha alma engrandece o Senhor e exulta meu espírito em Deus, meu Salvador (Lc 1,46). Com estas palavras, Maria reconhece, em primeiro lugar, os dons que lhe foram especialmente concedidos; em seguida, enumera os benefícios universais com que Deus favorece continuamente o gênero humano.

Engrandece o Senhor a alma daquele que consagra todos os sentimentos da sua vida interior ao louvor e ao serviço de Deus; e, pela observância dos mandamentos, revela pensar sempre no poder da majestade divina. Exulta em Deus, seu Salvador, o espírito daquele que se alegra apenas na lembrança de seu Criador, de quem espera a salvação eterna.

Embora estas palavras se apliquem a todas as almas santas, adquirem contudo a mais plena ressonância ao serem proferidas pela santa Mãe de Deus. Ela, por singular privilégio, amava com perfeito amor espiritual aquele cuja concepção corporal em seu seio era a causa de sua alegria.

Com toda razão pôde ela exultar em Jesus, seu Salvador, com júbilo singular, mais do que todos os outros santos, porque sabia que o autor da salvação eterna havia de nascer de sua carne por um nascimento temporal; e sendo uma só e mesma pessoa, havia de ser ao mesmo tempo seu Filho e seu Senhor.

O Poderoso fez em mim maravilhas, e santo é o seu nome! (Lc 1,49). Maria nada atribui a seus méritos, mas reconhece toda a sua grandeza como dom daquele que, sendo por essência poderoso e grande, costuma transformar os seus fiéis, pequenos e fracos, em fortes e grandes.

Logo acrescentou: E santo é o seu nome! Exorta assim os que a ouviam, ou melhor, ensinava a todos os que viessem a conhecer suas palavras, que pela fé em Deus e pela invocação do seu nome também eles poderiam participar da santidade divina e da verdadeira salvação. É o que diz o Profeta: Então, todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo(Jl 3,5). É precisamente este o nome a que Maria se refere ao dizer: Exulta meu espírito em Deus, meu Salvador.

Por isso, se introduziu na liturgia da santa Igreja o costume belo e salutar, de cantarem todos, diariamente, este hino na salmodia vespertina. Assim, que o espírito dos fiéis, recordando frequentemente o mistério da encarnação do Senhor, se entregue com generosidade ao serviço divino e, lembrando-se constantemente dos exemplos da Mãe de Deus, se confirme na verdadeira santidade. E pareceu muito oportuno que isto se fizesse na hora das Vésperas, para que nossa mente fatigada e distraída ao longo do dia por pensamentos diversos, encontre o recolhimento e a paz de espírito ao aproximar-se o tempo do repouso.



Das Homilias de São Beda, o Venerável, presbítero 
(Lib. 1,4: CCL 122,25-26.30)                (Séc.VIII)