quinta-feira, 16 de junho de 2016

Santos Julita e Ciro

  
Julita vivia na cidade de Icônio, atualmente Turquia. Ela era uma senhora riquíssima, da alta aristocracia e cristã, que se tornara viúva logo após ter dado à luz a um menino. Ele foi batizado com o nome de Ciro. Tinha três anos de idade quando o sanguinário imperador Diocleciano começou a perseguir, prender e matar cristãos. Julita, levando o filhinho Ciro, tentou fugir, mas acabou presa. O governador local, um cruel romano, tirou-lhe o filho dos braços e passou a usá-lo como um elemento a mais à sua tortura. Colocou-o sentado sobre seus joelhos, enquanto submetia Julita ao flagelo na frente do menino, com o intuito de que renegasse a fé em Cristo. Como ela não obedeceu, os castigos aumentaram. Foi então que o pequenino Ciro saltou dos joelhos do governador, começou a chorar e a gritar junto com a mãe: "Também sou cristão! Também sou cristão!". Foi tamanha a ira do governador que ele, com um pontapé, empurrou Ciro violentamente fazendo-o rolar pelos degraus do tribunal, esmigalhando-lhe assim o crânio. Conta-se que Julita ficou imóvel, não reclamou, nem chorou, apenas rezou para que pudesse seguir seu pequenino Ciro no martírio e encontrá-lo, o mais rápido possível, ao lado de Deus. E foi o que aconteceu. Julita continuou sendo brutamente espancada e depois foi decapitada. Era o ano 304. Ciro tornou-se o mais jovem mártir do cristianismo, precedido apenas dos Santos Mártires Inocentes, exterminados pelo rei Herodes em Belém.  É considerado o Santo padroeiro das crianças que sofrem de maus tratos. 

Deus Nosso Senhor e Nosso Pai, destes a Santa Julita e a São Ciro os sofrimentos do martírio, por sua intercessão dai-me uma fé verdadeira, forte, perseverante. Suplico-Vos o perdão de meus pecados e a graça de Vos amar e bendizer todos os dias de minha vida. Amém.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Papa fala da luz da misericórdia: a indiferença nos torna cegos




CATEQUESE Praça São Pedro – Vaticano Quarta-feira, 15 de junho de 2016

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Um dia, Jesus, aproximando-se da cidade de Jericó, realizou o milagre de restituir a visão a um cego que mendigava ao longo do caminho (cfr Lc 18, 35-43). Hoje queremos colher o significado deste sinal porque toca também a nós diretamente. O evangelista Lucas diz que aquele cego estava sentado à margem do caminho a mendigar (cfr v. 35). Um cego naquela época – mas também há pouco tempo – não podia viver de nada que não de esmola. A figura deste cego representa tantas pessoas que, também hoje, se encontram marginalizadas por causa de uma deficiência física ou de outro gênero. Está separado da multidão, está ali sentado enquanto as pessoas passam ocupadas, entretidas nos próprios pensamentos e em tantas coisas…E o caminho, que pode ser um lugar de encontro, para ele, em vez disso, é o lugar da solidão. Tanta gente que passa…E ele é sozinho.

É triste a imagem de um marginalizado, sobretudo no pano de fundo da cidade de Jericó, o esplêndido e exuberante oásis no deserto. Sabemos que justamente em Jericó chega o povo de Israel ao término do longo êxodo do Egito: aquela cidade representa a porta de ingresso na terra prometida. Recordemos as palavras que Moisés pronuncia naquela circunstância: “Se houver no meio de ti um pobre entre os teus irmãos, em uma de tuas cidades, na terra que te dá o Senhor, teu Deus, não endurecerás o teu coração e não fecharás a mão diante de teu irmão pobre; mas lhes abrirá a mão e lhes emprestará segundo as necessidades de sua indigência”.(Dt 15,7.11). É forte o contraste entre esta recomendação da Lei de Deus e a situação descrita pelo Evangelho: enquanto o cego grita invocando Jesus, o povo o repreende para fazê-lo calar, como se não tivesse o direito de falar. Não tem compaixão dele, ao contrário, fica cansado com os seus gritos. Quantas vezes nós, quando vemos tanta gente no caminho – gente necessitada, doente, que não tem o que comer – sentimos cansaço. É uma tentação que todos nós temos. Todos, também eu! É por isso que a Palavra de Deus nos adverte que a indiferença e a hostilidade tornam cegos e surdos, impedem de ver os irmãos e não permitem reconhecer neles o Senhor. Indiferença e hostilidade. E às vezes essa indiferença e hostilidade se tornam também agressão e insulto: “mas levem embora todos esses”, “coloquem-nos em outro canto!”. Essa agressão é aquilo que fazia o povo quando o cego gritava: “mas você, vá embora, vai, não fale, não grite”.

Homilética: 12º Domingo do Tempo Comum - Ano C: "A Cruz que salva".





A liturgia do XII Domingo, no Evangelho (Lc. 9, 18-24), mostra o caminho do verdadeiro Messias e de quem quiser seguí-Lo.

No final de sua atividade na Galiléia, Jesus, depois de ter orado, provoca os Apóstolos a dizer o que pensam dele, de sua identidade e missão: “Quem sou Eu no dizer do povo? E vós, quem dizeis que Eu sou?” (Lc 9, 19-20).

Responderam-lhe: “João Batista… Elias… ou um dos antigos profetas…” Reconhecem em Jesus um grande Mestre, um operador de milagres, mas um homem apenas…

Porém, os discípulos deviam ter compreendido algo mais, pois foram testemunhas da seus milagres e destinatários privilegiados de sua doutrina. Por isso Jesus acrescenta: Mas, para vós, quem sou Eu?

Pedro, em nome de todos, responde: “Tu és o Cristo de Deus”. A resposta era exata! E Jesus completa, apontando “o Caminho de Jesus”, falando pela primeira vez de sua Paixão…

Para os discípulos, que esperavam um Messias-Rei, tal afirmação deve ter sido muito dura e decepcionante… Mas Jesus não volta atrás, pelo contrário, reafirma que o Caminho do Discípulo é o mesmo: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me” (Lc 9, 23).

Ele irá à frente para dar o exemplo: será o primeiro a levar a cruz. Quem quiser ser seu discípulo, há de imitá-Lo. E conclui: “Aquele que quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de Mim, esse a salvará.” (Lc 9, 24).

O discípulo é chamado a imitar Jesus, não apenas uma vez, mas dia após dia, negando-se a si mesmo, (vontade, inclinação, gostos) para se conformar com o Mestre sofredor e crucificado.

O cristão não pode passar por alto esses ensinamentos de Jesus Cristo. Deve arriscar-se, jogar a vida presente em troca de conseguir a eterna.

A exigência do Senhor inclui renunciar à própria vontade para identificá-la com a de Deus, não aconteça que, como comenta São João da Cruz, tenhamos a sorte de muitos “que queriam que Deus quisesse o que eles querem, e entristecem-se de querer o que Deus quer, e têm repugnância em acomodar a sua vontade à de Deus. Disto vem que muitas vezes, no que não acham a sua vontade e gosto, pensam não ser da vontade de Deus e, pelo contrário, quando se satisfazem, crêem que Deus Se satisfaz, medindo também a Deus por si, e não a si mesmos por Deus” (Noite Escura, liv. I, Cap. 7, nº. 3).

O fim do homem não é ganhar os bens temporais deste mundo, que são apenas meios ou instrumentos; o fim último do homem é o próprio Deus, que é possuído como antecipação aqui na terra pela Graça, e plenamente e para sempre na Glória. Jesus indica qual é o caminho para conseguir esse fim: negar-se a si mesmo (isto é, tudo o que é comodidade, egoísmo, apego aos bens temporais) e levar a cruz. Porque nenhum bem terreno, que é caduco, é comparável à salvação eterna da alma. Diz São Tomás: “O menor bem da Graça é superior a todo o bem do universo” (Suma Teológica, I-II, q.113, a. 9).

A Cruz é sinal do cristão. Está presente em toda parte, com muitos nomes…

Que o Senhor nos conceda a graça de também segui-Lo na Cruz; de perder a vida por causa de Cristo para salvá-la.

O ensinamento de Jesus é claro: é necessário fazer tudo tendo em vista a vida eterna; para ganhar este bem podemos gastar a vida terrena. Em outra ocasião Jesus lembrou: “de que vantagem tem um homem em ganhar o mundo inteiro, se se perder a si mesmo ou causar a própria ruína?” (Lc 9, 25).

E como a paixão do Senhor conduziu à alegria da ressurreição, assim o cristão, que carregue com a cruz até perder a vida por Cristo, salvá-la-a, encontrando-a nEle na glória eterna.

Cáritas Brasileira divulga marca oficial dos 60 anos


A Cáritas Brasileira comemorará seus 60 anos no dia 12 de novembro. Por isso, a entidade lançou o concurso “Imagem, ritmo e história da Cáritas Brasileira”, com o objetivo de selecionar peças que representem a marca oficial dos seus 60 anos, nas modalidades design gráfico, música e literatura.

A proposta vencedora na modalidade design gráfico foi a da moradora de Governador Valadares (MG), Andréia Marçal. O trabalho foi selecionado atendendo ao regulamento do concurso e respeitando a proposta e os conceitos da equipe de comunicação do Secretariado Nacional da Cáritas. O trabalho original será publicado no livro “Pintando, cantando e contando os 60 anos da Cáritas Brasileira”, junto com as obras escolhidas nas modalidades de música e literatura do mesmo concurso.

Na proposição da autora, as aberturas existentes no desenho do numeral “representam a versatilidade da instituição em trabalhar com milhares de voluntários”. Além disso, Andréia previu a inserção da marca da Cáritas Brasileira no algarismo “0″ por entender que este, ao se posicionar em segundo plano em relação ao algarismo “6″, simboliza a posição da instituição que, “esvaziando-se de sua vaidade, coloca-se à disposição do próximo”.

Ao vencer o concurso, o trabalho de Andréia também servirá de modelo à criação da identidade visual que estampará as peças gráficas e virtuais produzidas ao longo deste ano para o V Congresso Nacional da Cáritas Brasileira, que acontecerá nos dias 9 a 13 de novembro, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo.

Os vencedores de cada uma das três modalidades do concurso participarão do Congresso Nacional como convidados especiais da Cáritas. No congresso, serão apresentadas as obras vencedoras e seus respectivos autores.

Patriarcado de Moscou pediu o adiamento do Concílio pan-ortodoxo


A decisão do Patriarcado de Moscou de participar ou não do histórico Concílio pan-ortodoxo que deveria ser realizado em Creta do 16 ao 26 de Junho era esperado há dias. Após a rejeição das Igrejas Ortodoxas da Bulgária, Sérvia, Antioquia e Georgia, o não de Moscou, com os seus cem milhões de fieis, teria sido o golpe não indiferente ao evento histórico, jamais realizado desde 1054, quando se consumou o cisma do Oriente.

Bem, a decisão chegou agora e congelou toda esperança. Com um texto longo e detalhado preparado depois de uma reunião especial do Sínodo da Igreja Ortodoxa Russa, o Patriarcado de Moscou anunciou a sua recusa oficial para participar.

O metropolita Hilarion, chefe do Departamento para as relações eclesiásticas exteriores de Moscou, insistiu sobre a necessidade do adiamento, por causa das já anunciadas deserções de outras Igrejas locais. “Todas as Igrejas deveriam participar do Concílio pan-ortodoxo, e apenas nesse caso, as decisões do Concílio seriam legítimas”, declarou Hilarion, citado pelas agências russas.

Venha a nós o vosso reino, Seja feita a vossa vontade.




Continua a oração: Venha a nós o vosso reino. Assim como pedimos que seja santificado em nós o nome de Deus, também suplicamos que venha a nós o seu reino. Mas poderá haver algum momento em que Deus não reine? Como pode começar n’Ele o que sempre existiu e nunca deixará de existir? Não. O que pedimos é que venha o nosso reino, aquele reino que nos foi prometido por Deus e adquirido com o sangue e a paixão de Cristo, de modo que, servindo-O fielmente neste mundo, possamos um dia reinar com Ele, segundo a sua promessa: Vinde, benditos de meu Pai, recebei o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo.

Na verdade, irmãos caríssimos, podemos entender que o próprio Cristo é o reino de Deus, cuja vinda desejamos ardentemente cada dia da nossa vida. Ele é a ressurreição, porque n’Ele ressuscitamos; por isso podemos compreender que Ele é também o reino de Deus, porque n’Ele havemos de reinar. Com razão, portanto, pedimos o reino de Deus, isto é, o reino celeste, porque há também um reino terrestre. Mas quem já renunciou ao mundo está acima das honras deste mundo e do seu reino.

Dizemos ainda na oração: Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu, não para que Deus faça o que quer, mas para que façamos nós o que Deus quer. De facto, quem pode impedir que Deus faça o que quer? Nós, pelo contrário, podemos não fazer o que Deus quer, porque o diabo tenta impedir-nos de orientar os nossos sentimentos e acções segundo a vontade divina. Por isso pedimos e suplicamos que se faça em nós a vontade de Deus, e para isso precisamos da vontade de Deus, isto é, do seu poder e auxílios, porque ninguém pode confiar nas próprias forças: só na benevolência e misericórdia de Deus está a nossa segurança. Também o Senhor, manifestando a fraqueza humana que tinha assumido, diz: Pai, se é possível, afaste-se de Mim este cálice; e para dar exemplo aos seus discípulos de que não se deve fazer a vontade própria mas a de Deus, acrescentou: Todavia, não se faça como Eu quero, mas como Tu queres.

A vontade de Deus é, portanto, aquela que Cristo fez e ensinou. Humildade no trato, firmeza na fé, discrição nas palavras; justiça nas ações, misericórdia nas obras, retidão nos costumes; não ofender ninguém e suportar as ofensas recebidas, conservar a paz com os irmãos; amar o Senhor com todo o coração, amá-l’O como Pai, temê-l’O como Deus; nada recusar a Cristo, já que Ele nada nos recusou a nós; unirmo-nos inseparavelmente ao seu amor, permanecer junto à Cruz com fortaleza e confiança, quando está em jogo o seu nome e a sua honra; mostrar nas palavras a constância que professamos, nas adversidades a confiança com que lutamos, na morte a paciência que nos dá a coroa da vitória: isto é querer ser herdeiro com Cristo, isto é observar o mandamento de Deus, isto é cumprir a vontade do Pai.


Do Tratado de São Cipriano, bispo e mártir sobre a Oração Dominical
(Nn. 13-15: CSEL 3, 275-278) (Sec. III)

O Sacrifício da Missa


Baseado na doutrina de Santo Afonso Maria de Ligório, doutor da Igreja, o autor, também ele já clássico, nos oferece uma exposição bastante clara e objetiva do que é a Santa Missa e das suas quatro finalidades: na Missa, os fiéis louvam a Deus, agradecem-lhe, pedem-lhe perdão pelos seu pecados e também as graças de que necessitam.

A GRANDEZA DO SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA

I. É Jesus Cristo a vítima oferecida na Santa Missa

O Concílio de Trento (Sess. 22) diz da Santa Missa: “Devemos reconhecer que nenhum outro ato pode ser praticado pelos fiéis que seja tão santo como a celebração deste imenso mistério”. O próprio Deus todo-poderoso não pode fazer que exista uma ação mais sublime e santa do que o santo sacrifício da Missa. Este sacrifício de nossos altares sobrepassa imensamente todos os sacrifícios do Antigo Testamento, pois não são mais bois e cordeiros que são sacrificados, mas é o próprio Filho de Deus que se oferece em sacrifício. “O judeu tinha o animal para o sacrifício, o cristão tem Cristo”, escreve o venerável Pedro de Clugny; “seu sacrifício é, pois, tanto mais precioso, quanto mais acima de todos os sacrifícios dos judeus está Jesus Cristo”. E acrescenta que, “para os servos (isto é, para os judeus, no Antigo Testamento), não convinham outros animais senão aqueles que eram destinados ao serviço do homem; para os amigos e filhos foi Jesus Cristo reservado como cordeiro que nos livra do pecado e da morte eterna” (Ep. cont. Petrobr.). Tem, portanto, razão São Lourenço Justiniano, dizendo que não há sacrifício maior, mais portentoso e mais agradável a Deus do que o santo sacrifício da Missa (cfr. Sermo de Euch.).

S. João Crisóstomo diz que durante a Santa Missa o altar está circundado de anjos que aí se reúnem para adorar a Jesus Cristo que, nesse sacrifício sublime, é oferecido ao Pai celeste (De sac., 1, 6). Que cristão poderá duvidar, escreve S. Gregório (Dial. 4, c. 58), que os céus se abram à voz do sacerdote, durante esse Santo Sacrifício, e que coros de anjos assistam a esse sublime mistério de Jesus Cristo. S. Agostinho chega até a dizer que os anjos se colocam ao lado do sacerdote para servi-lo como ajudantes.

II. Na Santa Missa é Jesus Cristo o oferente principal

O Concílio de Trento (Sess. 22, c. 2) ensina-nos também que neste sacrifício do Corpo e Sangue de Jesus Cristo é o próprio Salvador que oferece em primeiro lugar esse sacrifício, mas que o faz pelas mãos do sacerdote que escolheu para seu ministro e representante. Já antes dissera São Cipriano: “O sacerdote exerce realmente o ofício de Jesus Cristo” (Ep. 62). Por isso o sacerdote diz, na elevação: Isto é o meu corpo; este é o cálice de meu sangue.

Belarmino (De Euch., 1. 6, c. 4) escreve que o santo sacrifício da missa é oferecido por Jesus Cristo, pela Igreja e pelo sacerdote; não, porém, do mesmo modo por todos: Jesus Cristo oferece como o sacerdote principal, ou como o oferente próprio, contudo, por intermédio de um homem, que é, no mesmo tempo sacerdote e ministro de Cristo; a Igreja não oferece como sacerdotisa, por meio de seu ministro, mas como povo, por intermédio do sacerdote; o sacerdote, finalmente, oferece como ministro de Jesus Cristo e como medianeiro ele todo o povo.

Jesus Cristo, contudo, é sempre o sacerdote principal na Santa Missa, onde ele se oferece continuamente e sob as espécies de pão e de vinho por intermédio dos sacerdotes, seus ministros, que representam a sua Pessoa quando celebram os santos mistérios. Por isso diz o quarto Concílio de Latrão (Cap. Firmatur, de sum. Trinit.) que Jesus Cristo é ao mesmo tempo o sacerdote e o sacrifício. De fato, convém à dignidade deste sacrifício que ele não seja oferecido, em primeiro lugar, por homens pecadores, mas por um sumo sacerdote que não esteja sujeito ao pecado, mas que seja santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e mais elevado que os céus (Heb 7, 26).

III. A Santa Missa é uma representação e renovação do sacrifício da cruz

Segundo São Tomás (Off. Ss. Sac., I. 4), o Salvador nos deixou o Santíssimo Sacramento para conservar viva entre nós a lembrança dos bens que nos adquiriu e do amor que nos testemunhou com sua morte. Por isso o mesmo Doutor chama a Sagrada Eucaristia “um manancial perene da paixão”.

Ao assistires, pois, à Santa Missa, alma cristã, pondera que a hóstia que o sacerdote oferece é o próprio Salvador que por ti sacrificou o seu sangue e a sua vida. Entretanto, a Santa Missa não é somente uma representação do sacrifício da cruz, mas também uma renovação do mesmo, porque em ambos é o mesmo sacerdote e a mesma vítima, a saber, o Filho de Deus Humanado. Só no modo de oferecer há uma diferença: o sacrifício da cruz foi oferecido com derramamento de sangue; o sacrifício da missa é incruento; na cruz, Jesus morreu realmente; aqui, morre só misticamente (Conc. Trid., Sess. 22, c. 2).

Imagina, durante a Santa Missa, que estás no monte Calvário, para ofereceres a Deus o sangue e a vida de seu adorável Filho, e, ao receberes a Santa Comunhão, imagina beberes seu precioso sangue das chagas do Salvador. Pondera também que em cada Missa se renova a obra da Redenção, de maneira que, se Jesus Cristo não tivesse morrido na cruz, o mundo receberia, com a celebração de uma só Missa, os mesmos benefícios que a morte do Salvador lhe trouxe. Cada Missa celebrada encerra em si todos os grandes bens que a morte na cruz nos trouxe, diz São Tomás (In Jo 6, lect. 6). Pelo sacrifício do altar nos é aplicado o sacrifício da cruz. A paixão de Jesus Cristo nos habilitou à Redenção; a Santa Missa nos faz entrar na posse dela e comunica-nos os merecimentos de Jesus Cristo.

IV. A Santa Missa é o maior presente de Deus

Na Santa Missa, o próprio Jesus Cristo dá-se a nós. É uma verdade de fé que o Verbo Encarnado se obrigou a obedecer ao sacerdote, quando este pronuncia as palavras da consagração e a vir às suas mãos sob as espécies do pão e do vinho. Fica-se estupefato por Deus ter obedecido outrora a Josué e mandado ao sol que parasse, quando ele disse: Sol, não te movas de Gabaon, e tu, ó lira, do vale de Ajalon (Jos 10, 12). Entretanto, muito mais admirável é que Deus mesmo desce ao altar ou a qualquer outro lugar a que o Padre o chama com umas poucas palavras, e isso tantas vezes quantas é chamado pelo sacerdote, mesmo que este seja seu inimigo. E, tendo vindo, se põe o Senhor à inteira disposição do sacerdote; este o leva, à vontade, de um lugar para o outro, coloca-o sobre o altar, fecha-o no tabernáculo, tira-o da igreja, toma-o na Santa Comunhão, e o dá em alimento a outros. São Boaventura diz que o Senhor, em cada Missa, faz ao mundo um benefício igual àquele que lhe fez outrora pela encarnação (cfr. De inst. Novit., p. 1, c. 11). Se Jesus Cristo não tivesse vindo ao mundo, o sacerdote, pronunciando as palavras da consagração, o introduziria nele. “Ó dignidade sublime a do sacerdote”, exclama por isso Santo Agostinho (Mol. lnstr. Sach., t. 1, c. 5), “em cujas mãos o Filho de Deus se reveste de carne, como no seio da Virgem Mãe”.

Numa palavra, a Santa Missa, conforme a predição do profeta (Zac 9, 17), é a coisa mais preciosa e bela que possui a Igreja. São Boaventura (De inst. Nov., 1. c.) diz que a Santa Missa nos põe diante dos olhos todo o amor que Deus nos dedicou e que é, de certo modo, um compêndio de todos os benefícios que ele nos fez.  

São Vito


Vito nasceu no final do século III, na Sicília Ocidental, de uma família pagã, muito rica e de nobre estirpe. Sua mãe morreu quando ele tinha tenra idade, e seu pai contratou uma ama, chamada Crescência, para cuidar do pequenino. Ela era cristã, viúva e tinha perdido o único filho. Ele ainda providenciou um professor, chamado Modesto, para instruir e formar seu herdeiro. Entretanto, o professor também era cristão. O pai de Vito encarava o cristianismo como inimigo a ser combatido. Por isto, Modesto e Crescência nunca revelaram que eram seguidores de Cristo. Contudo, educaram o menino dentro da religião. Desta forma, aos doze anos, embora clandestinamente, Vito já estava batizado e demonstrava identificação total com os ensinamentos de Jesus. Ao saber do batismo, o pai tentou convencê-lo a abandonar a fé e castigou o próprio filho, entregando-o então ao governador Valeriano, que o encarcerou e maltratou por vários dias. Modesto e Crescência, entretanto, conseguiram arquitetar uma fuga e tiraram Vito das mãos do poderoso governador. Fugiram e passaram a viver de cidade em cidade, fugindo dos algozes. Aconteceu que o filho do imperador Diocleciano ficou muito doente. O soberano, tendo conhecimento dos dons de Vito, mandou que o trouxessem vivo à sua presença. Vito então rezou com todo fervor e em nome de Jesus foi logo atendido. Porém, Diocleciano pagou com a traição. Mandou prender Vito, que não aceitou renegar a fé em Cristo para ser libertado. Vito disse não ao imperador e foi condenado à morte no dia 15 de junho, possivelmente de 304, depois de muitas torturas, quando ele tinha apenas quinze anos de idade. Com ele foram matirizados também Modesto e Crescência.

São Vito é invocado contra o perigo das tormentas, contra o excesso de sono, mordidas de serpentes e contra todo dano que as animais podem fazer aos homens. Sua santidade manisfestou-se em prodígios e sinais miraculosos que acompanharam sua vida. Mas sua maior virtude foi entregar-se ao amor de Jesus e deixar-se conduzir nos caminhos da fidelidade ao Evangelho.