“Tu és o Cristo”
(Mt 16,16), eis a profissão de fé de Pedro. “Tu és Pedro” (Mt 16,18), eis a
demonstração de que Deus confia nos homens!
O Evangelho (Mt
16, 13-20) nos apresenta Jesus com os seus discípulos em Cesareia de Filipe.
Enquanto caminham, Jesus pergunta aos Apóstolos: “Quem dizem os homens ser o
Filho do homem?” E depois que eles
apresentaram as várias opiniões que as pessoas tinham, Jesus pergunta-lhes
diretamente: “E vós, quem dizeis que eu sou?”.
Essa pergunta
encontra particular ressonância no coração de Pedro, que, movido por uma graça
especial, respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Jesus chama-o
bem-aventurado (Feliz és tu, Simão…) por essa resposta cheia de verdade, na
qual confessou abertamente a divindade dAquele em cuja companhia andava há
vários meses. Esse foi o momento escolhido por Cristo para comunicar ao seu
Apóstolo que sobre ele recairia o Primado de toda a sua Igreja: “Por isso eu te
digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder
do inferno nunca poderá vencê-la…”.
Pedro confessou
sua fé no Cristo, Filho de Deus vivo, graças à escuta de sua palavra e à
cotidiana convivência. O Discípulo reconheceu o Messias porque a revelação do
Pai encontrou nele abertura e acolhida. Quer dizer, descobre a verdade dos
desígnios de Deus quem se deixa iluminar pela luz da fé. Com razão, reconhece o
Documento de Aparecida: “A fé em Jesus como o Filho do Pai é a porta de entrada
para a Vida.” Como discípulos de Jesus,
confessamos nossa fé com as palavras de Pedro: “Tu és o Messias, o Filho do
Deus vivo” (DAp, 100). A fé é um dom de Deus, é uma adesão pessoal a Ele. Crer
só é possível pela graça e pelos auxílios interiores do Espírito Santo.
Para dar uma
resposta convincente de fé, os cristãos precisam conhecer a fundo Jesus Cristo,
saber sempre mais sobre sua pessoa e obra, pela leitura e meditação dos
Evangelhos e pelos encontros com Ele por meio da ação litúrgica, em particular,
dos sacramentos.
“Tu és Pedro…”.
Pedro será a rocha, o alicerce firme sobre o qual Cristo construirá a sua
Igreja, de tal maneira que nenhum poder poderá derrubá-la. E foi o próprio
Senhor que quis que ele se sentisse apoiado e protegido pela veneração, amor e
oração de todos os cristãos. Se desejamos estar muito unidos a Cristo, devemos
estar sim, em primeiro lugar, a quem faz as suas vezes aqui na terra. Ensinava
São Josemaria Escrivá: “Que a consideração diária do duro fardo que pesa sobre
o Papa e sobre os bispos, te leve a venerá-los, a estimá-los com a tua oração”
(Forja, 136).
O nosso amor pelo
Papa não é apenas um afeto humano, baseado na sua santidade, simpatia, etc.
Quando vamos ver o Papa, escutar a sua palavra, fazemo-lo para ver e ouvir o
Vigário de Cristo, o “doce Cristo na terra”, na expressão de Santa Catarina de
Sena, seja ele quem for. O Romano Pontífice é o sucessor de Pedro; unidos a
ele, estamos unidos a Cristo.
“E vós quem
dizeis que eu sou?” Eis uma pergunta que o Senhor nos faz a cada novo dia,
tanto pessoalmente quanto como Igreja. Para responder, não basta procurar na
memória alguma fórmula que aprendemos no catecismo, ou ouvimos de outros ou lemos
nos livros. É preciso procurar no coração, em nossa fé vivida e testemunhada.
Assim descobriremos o que Jesus representa, de fato, em nossa vida. Também hoje
Jesus não se contenta que nós saibamos o que diz dele a cultura; quer a nossa
resposta, de nós que cremos nele e que nele colocamos nossa esperança. Quem é
Cristo? É uma pergunta que deveria voltar a cada tomada de decisão, a cada ato
nosso.







