terça-feira, 19 de março de 2019

O terrorismo é hediondo, seja racista ou islâmico

Os terroristas, racistas ou islâmicos, usam os mesmos métodos com o mesmo objetivo: separar as sociedades ocidentais em comunidades definidas pela hostilidade mútua.


Não, o terrorismo racista não é pior do que o terrorismo islamista ou do que o terrorismo da extrema-esquerda. Todos os terrorismos são hediondos, embora haja muita gente para quem parece ser mais fácil condenar uns do que outros. Mas o terrorismo é sempre o que vimos na Nova Zelândia a semana passada ou em Paris em 2015: assassinos cobardes a matar pessoas indefesas. Dostoievsky, em Os Possessos, ou Conrad, em O Agente Secreto, descreveram estas personagens e os respectivos novelos de delírio e de manipulação política, e desde então ninguém inventou mais nada. Racistas, islamistas ou, como ainda era costume nos anos 70, marxistas-leninistas, são sempre os mesmos autodidactas que leram um livro ou que, nos dias que correm, viram uns vídeo da internet, e se convenceram de que tinham percebido tudo, ao ponto de ter o direito de precipitar o apocalipse. O terrorismo, antes de ser usado em estratégias políticas, começa sempre por ser um exercício de narcisismo para falhados.

Não por acaso, o ataque racista da Nova Zelândia  lembra os ataques islamistas de Paris. Racistas e islamistas podem distinguir-se em muita coisa, que os seus métodos são os mesmos, e o objectivo também é comum: separar as sociedades ocidentais em comunidades definidas pelo medo e pela hostilidade, como preparação para uma guerra civil. Racista, islamista ou esquerdista, o terrorismo, chamem-lhe “jihad” ou “luta armada”,  é fundamentalmente só um.

Que fazer? Três coisas, pelo menos.

Em primeiro lugar, nunca tratar os terroristas como representantes de quem quer que seja, como se a violência fosse a origem de um mandato, segundo o mau hábito adquirido nas “lutas de libertação” do pós-guerra. Não, os terroristas islâmicos não representam o Islão, mas os terroristas racistas também não representam o nacionalismo ocidental. Numa sociedade livre e plural, o terrorismo não tem razão de ser, a não ser precisamente a da falta de representatividade e de argumentos de quem a ele recorre. Por isso, ao terrorismo resiste-se, antes de mais, com vigilância e repressão. Não deve haver nenhuma dúvida a esse respeito. Foi assim que se destruiu o terrorismo da extrema-esquerda nos anos 70: enfrentando os seus protagonistas, até estarem presos ou mortos. É assim que o terrorismo islâmico tem recuado, depois da derrota do ISIS na Síria. É assim que se deve lidar com racistas como o assassino de Christchurch. Os terroristas não se convencem: vencem-se.

Brenton Tarrant, terrorista do ataque à Nova Zelândia, não tinha nada de “direita”

Radical propunha ambientalismo eco-fascista, anti-imperialismo e antissemitismo

O autor do atentado na Nova Zelândia – Brenton Tarrant – já é classificado, como de praxe, pela grande mídia e pelos precoces analistas de esquerda como espécime exemplar de direitista.

Contudo, para variar, estão sendo desonestos.

Brenton estava vinculado ao pensamento eurasiano-duguinista da Quarta Teoria Política (QTP). Assunto exótico, excêntrico e onde impera a total ignorância dos analistas da grande mídia. Leitores conservadores brasileiros puderam ter insights a respeito da linha de pensamento a partir da leitura do debate entre Olavo de Carvalho e Alexander Dugin – ideológo de Vladimir Putin e importante teórico da “QTP” que tem por objetivo aberto reunir o que há de “melhor” no comunismo, no fascismo e no liberalismo. Foi um confronto emblemático acerca do que creem conservadores ocidentais e do que creem os adeptos do “‘conservadorismo’ revolucionário” de Dugin, Brenton e companhia.

Tudo isso pode ser observado no manifesto do sujeito, divulgado e analisado pelo site Politz, do qual pinça-se importantes trechos aqui.

Capa do manifesto. Seus eixos: anti-imperialismo, ambientalismo, mercados “responsáveis”, comunidades livres de vício, lei e ordem, autonomia étnica, proteção a herança e cultural e direitos dos trabalhadores.
 
Como se pode facilmente perceber, mesmo entre analistas de esquerda de calibre mais elevado, há total desconhecimento sobre temas caríssimos para tipos como Brenton, como a própria QTP, eurasianismo e duguinismo, além de paganismo e neopaganismo do leste e norte europeu (muito importantes para esses grupos), arqueofuturismo, eco-fascismo e outros. Porém, o desejo de politizar mais uma tragédia e de alimentar a narrativa maniqueísta que identifica a mesma esquerda proponente do terrorismo urbano (guerrilha) e simpática a grupos como Hamas e Hezbollah com o bem e qualquer forma de direitismo com o mal prevalece.

Para surpresa de muitos esquerdistas autoproclamados iluminados, eles devem por a cabeça no travesseiro essa noite e refletir sobre a quantidade incrível de semelhanças entre essas linhas de pensamento excêntricas, Brenton e eles próprios: ambientalismo radical, anti-imperialismo (o eurasianismo, obviamente, é anti-Ocidental e antiamericano), anticonservadorismo (sim, sim), antissemitismo e mais.

A culpa não é da arma, é da destruição de família


Após o assassinato de crianças em Suzano, pululam explicações simplistas. O real problema permanece: os mesmos que querem controlar as armas também querem destruir a família
Tão logo se teve notícia do horrendo assassinato em massa numa escola em Suzano (SP), ocorreu a segunda tristeza quase inevitável em uma sociedade que perdeu a noção de luto e sagrado: a politização e tentativa de lucro político sobre a tragédia. Após a primeira eleição descaradamente ideológica do país, com a segurança determinando o vencedor, a principal tentativa de dividendos políticos sobre o massacre envolveu a liberação das armas.



As principais tentativas de auferir lucrinhos pessoais e políticos vieram da esquerda, que promoveu o estatuto do desarmamento e as políticas de foco na “ressocialização” que determinaram o estado da segurança brasileira nos últimos anos. Mas também nosso vice-presidente culpou… videogames.



 

O debate é manjado, e quase tudo o que poderia ser dito já foi dito (e deveria ser dito em outra hora, não durante o luto). Armas são instrumentos. E, afinal, são praticamente proibidas no Brasil atual: seria como alguém advogar que devemos proibir o crack para melhorar a situação da Cracolândia. Uma sandice que ninguém na esquerda diria – mas que é repetida como um estudo científico irrefutável a cada frase no debate sobre armas.



É claro que a culpa primordial de um assassinato é do assassino – ou melhor, seria claro, não vivêssemos tempos em que a ideologia surpassa a realidade. Qualquer feminista diz isso no caso de um estupro – mas imediatamente inverte o discurso no caso de um assassinato: aí, a única binaridade que consegue entender é a da luta de classes, colocada no lugar de “homem x mulher” (pensados sempre como entidades arquetípicas coletivas).



É notoriamente brilhante a definição de Theodore Dalrymple: 



A única causa inquestionável da violência, tanto política como criminosa, é a decisão pessoal de a cometer. (Excluo aqueles casos raros nos quais está em jogo uma malformação neurológica ou distúrbio fisiológico). Deste modo, qualquer estudo sobre a violência que não leve em conta os estados de espírito é incompleto e, na minha opinião, seriamente insuficiente. É Hamlet sem o Príncipe.



Ainda assim, muitos componentes podem ser colocados como adicionais à decisão de um indivíduo de puxar o gatilho em termos psicológicos, de segurança pública, políticas policiais ou mera sociologia criminológica. São elementos que podem ajudar a entender o histórico, o ambiente, as circunstâncias e, não raro, a loucura que leva um ser humano a matar outro – e nunca, como é o vezo da classe falante atual, serem considerados os elementos determinantes, excluindo o monólogo interno e o “ser ou não ser”.

Bispos alemães anunciam "processo sinodal" para debater celibato e moral sexual


O Arcebispo de Munique e Freising, Cardeal Reinhard Marx anunciou que a Igreja Católica na Alemanha está embarcando em um "processo sinodal" para abordar e debater o que denomina como sendo as três questões principais decorrentes da crise do abuso clerical.

O também presidente da Conferência Episcopal Alemã se refere às três questões como: celibato sacerdotal, ensinamentos da Igreja sobre moral sexual e redução do poder clerical.

Ao concluir a sessão plenária dos bispos alemães no dia 14 de março, o Cardeal Marx disse em uma coletiva de imprensa que os bispos decidiram por unanimidade "empreender um processo sinodal vinculante como Igreja na Alemanha, que permitirá um debate estruturado e se desenvolverá dentro de um período estabelecido".

"As investigações sobre os abusos e, consequentemente, a necessidade de realizar novas reformas mostram que: a Igreja na Alemanha está vivendo uma reviravolta", sustentou.

Neste contexto, o Cardeal Marx disse que o ensinamento da Igreja sobre a moral sexual ainda não levou em consideração as descobertas recentes e significativas da teologia e das humanidades e que o significado da sexualidade para a pessoa ainda não recebeu atenção suficiente da Igreja.  

Os bispos "sentem que muitas vezes somos incapazes de falar sobre questões de comportamento sexual atual", indicou o Purpurado.

O Arcebispo de Munique também disse que os bispos alemães apreciam o celibato sacerdotal como uma "expressão do vínculo religioso com Deus" e não querem simplesmente renunciar a ele; no entanto, há também a necessidade de compreender até que ponto essa norma faz parte "do testemunho dos sacerdotes em nossa Igreja".

Sobre o abuso clerical de poder, o Purpurado disse que constitui uma traição à confiança das pessoas que precisam de estabilidade e orientação religiosa. Portanto, o "processo sinodal" estaria encarregado de identificar quais medidas deveriam ser tomadas para alcançar "a necessária redução do poder (clerical)".

quinta-feira, 14 de março de 2019

Imagem da Virgem é "abandonada" em festa tradicional Argentina


Os participantes da Festa da Vendimia (“colheita de uvas”, em português) em Mendoza (Argentina) ficaram indignados com o governo provincial que não deu importância nenhuma à imagem da Virgem padroeira desta celebração: Nossa Senhora da Carrodilla.

A Festa Nacional da Vendimia teve sua origem em 1936 e é o festival mais popular na região de Cuyo e de toda a Argentina.

Todos os anos a celebração começa com a “Bênção dos Frutos” em memória dos agricultores que nas primeiras colheitas de uva agradeciam a Nossa Senhora da Carrodilla, protetora dos vinhedos, pela boa colheita obtida.

Tradicionalmente, a imagem de Nossa Senhora da Carrodilla vai à frente do "Carrossel" (desfile de carros alegóricos) pelas ruas da cidade, acompanhada pelo encarregado da Federação Gaúcha que vai ao palco para pedir permissão ao governador para começar com o desfile das carruagens.

No entanto, na festa deste ano, realizada no sábado, 9 de março, a figura da Virgem passou para segundo plano.


"Este ano, o atual governador, para ser mais 'inclusivo' e politicamente correto, resolveu que a Virgem fosse ao final de todo o carrossel, atrás do rei 'gay', sozinha e sem nenhuma visibilidade", denunciou Pe. Javier Olivera Ravasi em seu blog.

Sacrário com hóstias consagradas é roubado de igreja no interior de São Paulo



Um homem roubou o sacrário contendo hóstias consagradas da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Américo Brasiliense (SP), na tarde do último dia 12 de março; por este ocorrido, foi convocada uma Missa em desagravo.

Após o roubo, a polícia foi acionada por testemunhas e realizou as buscas, tendo localizado o homem de 42 anos que confessou ter roubado o objeto do interior da Igreja.

O sujeito contou aos policias onde havia deixado o sacrário, o qual foi encontrado e devolvido à Paróquia. O homem que cometeu o roubo foi preso em flagrante por furto e encaminhado a cadeia de Santa Ernestina.

Massacre em Suzano: a banalização do terrorismo



Nessa quarta-feira, mais uma tragédia abala o Brasil. Em que pese não tenhamos dados precisos sobre o que a polícia chama de “motivação” para o fuzilamento a esmo de estudantes e funcionárias da Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), pelos ex-alunos Guilherme Taucci,  de 17 anos e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, brotam de todos os cantos “humanistas” defensores do “fortalecimento da agenda desarmamentista”, inclusive, no parlamento.

Esses “humanistas” fantasiados de “jornalistas paz e amor” e “acadêmicos isentões” já estão explorando a aflição das famílias vítimas da barbaridade e manipulando matérias e artigos de jornal com “maestria quixotesca”, sendo auxiliados pelos seguidores do “ódio do bem” nas mídias sociais, muitos dos quais acusam o presidente Jair Bolsonaro pelo ato criminoso em virtude do Decreto para flexibilização da posse de armas.

A colunista do jornal O Globo” Bela Megale afirma que “o monitoramento  de algumas áreas do governo federal já mostra que, nas redes sociais, a tragedia que aconteceu nesta manhã em Suzano (SP) e deixou ao menos 10 mortos e 16 feridos está sendo vinculada ao decreto que facilitou a posse de armas de fogo”, o que NÃO foi confirmado pelo governo, já que o objetivo da imprensa é “vender esse peixe podre”[1].

Aliás, cabe uma necessária divagação: a grande mídia vem promovendo uma nefasta CAMPANHA DIFAMATÓRIA, e em alguns casos, CALUNIADORA, contra o presidente Jair Bolsonaro, sendo que no episódio de ontem, o foco deixou de ser o suspeito do assassinato da vereadora Marielle, o policial reformado Ronie Lessa, pelo simples fato de ter sido preso em imóvel localizado no mesmo condomínio do presidente[2]. Assim que a “orquestra midiática progressista” noticiou o evento tendo Bolsonaro como “ator principal”, deu-se início ao “fuzilamento de reputação” nas mídias sociais. Acredito que, em virtude do “descaso” do Ministério Público em relação à referida “campanha de ódio” que, volto a repetir, assume em diversas ocasiões tipologia penal, a tendência será “criminalizar ações do presidente” ad eternum. Infelizmente, no Brasil, o  “MP fiscal da lei”, em algumas situações, parece estar mais interessado em “fiscalizar as ações da família Bolsonaro” do que as ações criminosas perpetradas contra o presidente.

Logo, deixando de lado a conduta temerária de jornalistas inescrupulosos que usam a perigosa arma da “desinformação” para “mortificar” qualquer possibilidade de reação da opinião pública frente às pautas que “gangrenam” o tecido social, cumpre trazer informações concretas sobre a criminosa “tragédia” que chocou o país, e para tanto, lembro que cabe ao jornalista não especializado em “segurança”, apenas NARRAR OS FATOS, e logo após o acontecimento acionar os “especialistas” para apresentação de “pareceres”, que certamente podem ser mudados com a apuração dos indícios e materialidade do crime. Foi isso que fiz…

Assassinos de Suzano se inspiraram em massacre de 1999 e em jogos de tiro


A tragédia ocorrida em uma escola de Suzano reabriu uma discussão que, apesar de antiga, continua em debate e dividindo opiniões. Até que ponto jogos, filmes e séries violentas são capazes de influenciar o comportamento de uma criança, ao ponto de lhe fazer cometer um crime ou mesmo tirar a própria vida?

Para tentar contribuir um pouco com essa questão, nada melhor do que recorrer aos fatos, deixando teorias um pouco de lado para observar mais de perto a realidade. No caso de Suzano, por exemplo, chama atenção a semelhança com outro episódio, conhecido como o Massacre de Columbine, ocorrido em 20 de abril de 1999.

Na ocasião, também dois jovens, identificados como Eric Harris e Dylan Klebold, mataram 12 alunos e um professor, deixando outras 21 pessoas feridas. Eles utilizaram várias armas e vestimentas como se estivessem em um campo de combate, planejando em detalhes o passo-a-passo do atentado, exatamente como fizeram os assassinos de Suzano.

Assassinos do Massacre de Columbine, Eric Harris e Dylan Klebold
 
O que é importante destacar aqui para o propósito desse texto, é que os assassinos de Columbine eram aficionados por jogos de tiro e terror, como Doom, Wolfenstein 3D e Duke Nukem. Eric Harris chegou a produzir mapas para o jogo Doom.

Não apenas o tipo de vestimenta (predominantemente preta), planejamento, armas e desfecho final (suicídio) são semelhantes, como o gosto por jogos violentos. Na casa dos assassinos de Suzano, a polícia encontrou dois cadernos com nomes de jogos de internet e táticas de jogos de combate, segundo o G1.

No perfil [já deletado] de Luiz Henrique no Facebook, um dos assassinos de Suzano, havia fotos de jogos de tiro, assim como no de Guilherme Taucci [também deletado] havia referência a séries e filmes com o mesmo teor.

Em um fórum chamado "Outer Space", aparentemente voltado para amantes de games e do mundo digital, os usuários comentaram a tragédia de Suzano, informando algo crucial para a compreensão da motivação do crime:

"Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, era um dos atiradores que matou cerca de 10 pessoas na escola Raúl Brasil, em Suzano. O jovem assassino fazia parte de um grupo de cinco pessoas que tiveram a infeliz idéia de matar as crianças naquela escola. A arma do crime estava com skin igual do jogo free Fire", diz um dos usuários.

O jogo "Free Fire" virou uma febre no Brasil em 2018, sendo o mais baixado do segmento. Ele consiste em mapas onde os jogadores tem a missão de matar uns aos outros para sobreviver. Vence o que fica por último. Na imagem de capa dessa matéria, o personagem ao lado do corpo de Guilherme faz parte desse jogo.

Na imagem é possível observar que o personagem uma uma "besta", ou arco e flecha, assim como utilizou Guilherme, além de facas e armas de fogo. É impossível não associar ambos e perceber a relação de influência, ainda que a informação do fórum careça de confirmação.