"Cristo
não entrou num santuário feito por mão humana, imagem do verdadeiro, mas no
próprio Céu, a fim de comparecer, agora, na presença de Deus, em nosso favor. E não foi para Se oferecer a Si muitas vezes, como o sumo sacerdote que, cada
ano, entra no Santuário com sangue alheio. Porque, se assim fosse, deveria ter
sofrido muitas vezes, desde a fundação do mundo. Mas foi agora, na plenitude
dos tempos, que, uma vez por todas, Ele Se manifestou para destruir o pecado
pelo sacrifício de Si mesmo. O destino de todo homem é morrer uma só vez e, depois, vem o julgamento. Do
mesmo modo, também Cristo, oferecido uma vez por todas, para tirar os pecados
da multidão, aparecerá uma segunda vez, fora do pecado, para salvar aqueles que
O esperam" (Hb 9,24-28).
Neste
texto, o Autor sagrado imagina o santuário verdadeiro, isto é, o Céu, do qual o
Santo dos Santos do Templo de Jerusalém seria somente uma imagem. No Dia do
Perdão, o Sumo Sacerdote entrava no Santo dos Santos para oferecer o sangue de
um bode pelos pecados de Israel.
Cristo
é o verdadeiro nosso Sumo Sacerdote: Ele não entrou no Santo dos Santos do
Templo de Jerusalém, mas no próprio Céu, diante do Senhor Deus. E entrou para
oferecer o Seu próprio sangue, isto é, Sua própria vida de Filho eterno feito
homem! Esta ideia é importante e esta imagem é preciosa: o Cristo imolado e ressuscitado entrando na Glória do Pai, como Cordeiro vivo,
vitorioso e, ao mesmo tempo, em estado de gloriosa e terna imolação (cf. Ap
5,6), para eternamente apresentar Seu sacrifício em nosso favor diante de Deus.
O nosso Senhor não é somente o Sacerdote eterno, mas também o Cordeiro eterno, que oferece o Seu sacrifício eternamente no próprio altar da Sua natureza humana imolada. Sua entrega sacrifical na cruz até a morte e Sua ressurreição estão e estarão para sempre diante do Pai. Jesus, o vitorioso, é também Aquele que trará para sempre as marcas da paixão.
Por isso mesmo o Seu sacrifício é irrepetível: além de ser o sacrifício perfeito e pleno do Filho eterno do Pai feito homem, este sacrifício não passa, pois tornou-se eterno no Céu, na tenda não feita por mãos humanas, onde Cristo Se oferece eternamente!
Aqui
podemos compreender como a Missa é o sacrifício de Cristo: em cada Eucaristia o
Cristo imolado e glorioso, sacerdote e vítima, coloca-Se no Altar exatamente
como está no Céu (com a diferença de estar entre nós debaixo do véu do
sacramento, nas aparências de pão que não é mais pão e vinho que não é mais
vinho), de modo que nos é dado neste mundo participar realmente,
verdadeiramente, da oferta sacrifical que o Cristo faz de Si ao Pai na Glória
eterna!
Eis por que o sacrifício oferecido uma vez por todas no Calvário, que agora se encontra eternamente no Céu, torna-se realmente presente nos nossos altares! É-nos dado participar ainda na terra das coisas do Céu!
O
Autor sagrado sublinha que Cristo, imolado já não morre – só se morre uma vez;
não há reencarnação!
Ele não precisa voltar aqui e oferecer novamente o Seu sacrifício pelos pecados! Seu sacrifício único e irrepetível atua no Céu e se faz presente eucaristicamente na terra. Somos nós, que um dia, no Dia de Cristo, iremos a Ele com toda a criação, quando Ele Se manifestar em Glória (“fora do pecado”, isto é, sem o estado de humilhação em que veio no ventre da Virgem).
É
importante compreender: o Pai, por nós, deu tudo: “Deus amou tanto o mundo que
entregou Seu único Filho!” (Jo 3,16) Ante um amor assim, também nós, deveríamos
ter a coragem de nos dar totalmente ao Senhor!
Dom Henrique Soares da Costa
Bispo de Palmares, PE
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